Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 122 Online

O piano negro como obsidiana brilhava sob a luz do sol que entrava pela grande janela, sua superfície polida refletindo um rico e escuro brilho. Feito por artesãos mestres de terras distantes, o som excepcional do instrumento justificava seu valor considerável.
Leone adorava ver o irmão mais novo tocar. Nas mãos de um músico talentoso, o piano se tornava uma voz como nenhuma outra. A sala do piano no Palácio Imperial existia unicamente para Cesare. Leone, sabia que a habilidade do irmão poderia tê-lo tornado um pianista renomado, frequentemente desejava que Cesare tocasse mais vezes.
De pé sob a luz do sol, Leone deu passos lentos e medidos em direção ao piano. Permaneceu ali por um tempo absurdamente longo antes de finalmente alcançá-lo.
— …
Ficou parado por um momento, apenas contemplando o instrumento, antes de estender a mão. Quando seus dedos roçaram a tampa do piano, ele congelou, como se tivesse sido flagrado fazendo algo proibido.
Com uma respiração forçada, Leone ergueu a tampa, revelando o arranjo impecável de teclas pretas e brancas. Sentou-se e, quando seus dedos pairaram sobre as teclas, um arrepio percorreu seu corpo — um medo agudo e sutil cintilando em seu peito. Para afastá-lo, pressionou uma tecla. A nota soou clara, preenchendo o ambiente. Encorajado, Leone pressionou outras teclas, montando lentamente uma melodia simples. Sua confiança cresceu ao passar para uma peça que Cesare frequentemente tocava.
Embora seus dedos, rígidos pelo desuso, tropeçassem nas teclas e errassem notas, ele continuou tocando. Mal registrava os erros. Tudo o que importava era o ato de tocar.
Leone sempre desejara tocar piano, mas escolhera o violino, sabendo que o talento de Cesare era incomparável. Convencera-se de que era melhor acompanhar o irmão ao violino, racionalizando que os dedos mais longos de Cesare o tornavam mais adequado ao piano.
Observar Cesare tocar enchia Leone de orgulho, e cada elogio dirigido ao irmão parecia um reflexo de seu próprio valor. Cesare, capaz e perfeito, era seu orgulho e alegria. No entanto, sob esse orgulho genuíno, outra emoção, mais silenciosa, agitava-se — uma que ele tentara enterrar há muito tempo: um sentimento de inferioridade.
Leone conseguira por muito tempo suprimir esses sentimentos com amor fraternal, redirecionando-os para cuidar de Cesare, que crescera sem o afeto de uma mãe. Em troca, Cesare lhe oferecera lealdade e devoção ilimitadas. Juntos, ascenderam para governar Traon — Leone no trono, Cesare ao seu lado como Arquiduque. Era raro, quase impensável, que irmãos no palácio imperial, onde fratricídio e traição eram comuns, ocupassem tais títulos e trabalhassem juntos em harmonia. As pessoas frequentemente falavam deles como irmãos raros, unidos por um amor mais profundo que política ou poder.
Mas, apesar dessa harmonia externa, jamais foram iguais. Leone sempre soubera que estava à sombra de Cesare, e os outros também percebiam essa hierarquia não dita. Ele nunca a questionara — como poderia, quando Cesare era quase divino em sua perfeição? Era apenas natural que um mero mortal como ele ficasse a deriva.
Ele se contentava em ser aquele que melhor conhecia Cesare, seu gêmeo. Só isso deveria bastar. Então por que essa insatisfação persistente continuava a incomodá-lo?
— Haa… haa…
Quando a última nota se dissipou, Leone estava encharcado de suor frio, a respiração saindo em golfadas irregulares. Seus olhos estavam arregalados, fixos nas teclas, enquanto suas mãos permaneciam imóveis sobre elas.
Uma mancha surgira em seu irmão antes impecável.
O que começara como uma pequena falha tornara-se impossível de ignorar. Cesare, ao que parecia, era apenas humano afinal — vulnerável à irracionalidade, a erros, à influência de emoções triviais. A irritação de Leone fervilhava, uma tempestade prestes a explodir.
Se Cesare tivesse escolhido a Senhorita da Casa Farbellini, um casamento à altura de sua posição, em vez de se casar abaixo de seu status, talvez nada disso teria acontecido.
Talvez ele devesse ter impedido Cesare quando seu irmão mais novo propôs um casamento tão improvável. Quando Leone levantara a questão cautelosamente no passado, Cesare a descartara, alegando não ter interesse na mulher. Na época, fora um alívio. Mas agora, as coisas haviam mudado.
Leone encarou o piano, os olhos injetados de raiva. Após um longo momento, levantou-se do banco e deixou a sala, seus passos acelerando enquanto atravessava os corredores do palácio, quase como se fugisse de algo.
A luz do sol que entrava por trás projetava uma longa sombra à sua frente enquanto ele se escondia nos corredores mais escuros do palácio.
Ao virar uma esquina, congelou.
Ali, parado diretamente diante dele, estava uma figura com cabelos tão negros quanto o piano de ébano.
— Irmão.
A voz de Cesare era suave e equilibrada. Os lábios de Leone se abriram levemente.
— …Cesare.
Um lampejo de curiosidade surgiu nos olhos de Cesare ao observar a aparência desalinhada e encharcada de suor de Leone. Só então se lembrou do estado em que estava. Rapidamente enxugou o rosto com um lenço, forçando um sorriso.
Cesare o observou em silêncio, o olhar firme e indecifrável. Por fim, falou.
— Ouvi música de piano.
— Ah, pensei em tocar um pouco para variar… Fica solitário sem você aqui, então achei que poderia tentar. — Leone se esquivou rapidamente, tentando mascarar a turbulência por trás de um tom casual. — É um desperdício deixar um instrumento tão caro sem uso.
Cesare continuou a observá-lo atentamente, a expressão suave, mas penetrante. Então, com uma leve inclinação de cabeça e uma serenidade que beirava a inocência, falou novamente:
— Gostaria que eu tocasse? Qualquer coisa que queira ouvir.
Em qualquer outro dia, Leone teria aceitado com entusiasmo a oferta de Cesare, talvez até brincado sobre sua própria sorte. Mas hoje, não queria ouvir o irmão tocar. Seus dedos ainda formigavam com um estranho desconforto pelo breve tempo que passara ao piano.
Ele fechou e abriu as mãos, tentando se firmar enquanto se aproximava de Cesare.
— Você deve estar cansado. Está tudo bem por hoje. — Fez uma pausa e acrescentou, mais sério: — Está tudo pronto?
— Mais ou menos.
Depois de lidar com o Marquês Menegin, o ex-presidente da Câmara, Cesare vinha, discretamente, eliminando nobres influentes nas sombras. Já eliminara aqueles que podiam ser afastados sem provocar escândalo público.
Agora, restavam apenas os alvos mais formidáveis, e o Conde Bonapart era o próximo. Membro do Senado e uma das figuras mais poderosas no cenário político de Traon, o Conde Bonapart era um alvo sobre o qual Cesare apenas informara a Leon, sem oferecer muitas explicações sobre seus motivos ou métodos.
A princípio, Leone presumira que Cesare estivesse eliminando ameaças à família imperial. Mas quando o homem começou a mirar aliados leais, aqueles que há muito apoiavam o trono, Leone tentara intervir. Ainda assim, Cesare continuara seu expurgo silenciosa sem hesitação. Era como se o irmão que ele conhecia estivesse se afastando cada vez mais dele.
— Acontecerá durante a caçada real, então esteja atento, — disse Cesare, em tom direto.
Um calafrio de inquietação percorreu Leone, mas ele se forçou a manter a expressão neutra.
— Irmão…
Cesare deu um passo à frente, a voz diminuindo para um tom quieto e investigativo.
— Por que você fez aquilo?
Leone sabia exatamente a que Cesare se referia — a visita não autorizada que fizera para ver Eileen. Os lábios de Leone se curvaram em um leve sorriso irônico.
— Eu te disse, não foi? Nem sequer me é permitido falar com ela.
Uma pontada de culpa e frustração retorceu-se em seu peito, e uma onda de calor percorreu seu corpo, acelerando seu pulso.
Se forçou a estabilizar a respiração antes de falar novamente, a voz mais afiada, as palavras escapando com mais intensidade do que pretendia.
— Me responda uma coisa, Cesare.
Seu irmão o olhou, calmo e expectante, mas Leone pôde perceber o sutil enrijecimento de seu maxilar, o leve estreitar de seus olhos.
— Todas essas suas ações estranhas são por causa dela?
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui