Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 123 Online


Modo Claro

Ele esperava que Cesare dissesse não — que houvesse motivos próprios que ele simplesmente ainda não tivesse revelado. Leone queria que o irmão negasse sem hesitar. Mas nenhuma resposta veio.

Em vez disso, Cesare apenas estreitou seus olhos, prendendo Leone em seu olhar.

Então, um súbito e estrondoso entendimento atingiu Leone.

‘É tudo por causa da Eileen.’

O instinto de gêmeo não deixava espaço para dúvidas. À medida que a suspeita se solidificava em certeza, o rosto de Leone se endureceu. Sua voz tornou-se afiada, carregada de acusação.

— A pena do leão… Por que diabos? Por que provocar a Casa Farbellini por aquela coisa inútil?

Leone sabia que a família real havia arranjado um casamento com os Farbellini, tornando a invasão noturna de Cesare completamente incompreensível. Ele ouvira que a casa do Arquiduque havia inicialmente antagonizado à Arquiduquesa, mas uma demonstração pública assim vinda de Cesare era fora de seu caráter. Leone não conseguia entender por que o irmão faria algo tão incomum.

Roubar algo como a pena do leão — um item que agradaria mais a uma criança do que a Cesare, normalmente tão frio e estratégico — parecia absurdo.

As memórias do tratamento implacável e exaustivo de sua mãe ainda estavam vívidas. O súbito interesse de Cesare por lendas soava como uma traição. Ele havia esquecido tudo o que suportaram juntos? As dificuldades que sobreviveram apoiando-se um no outro?

Tonto pela tempestade de emoções girando dentro de si, Leone mal reconhecia os próprios sentimentos. E, enquanto sua frustração crescia, Cesare permanecia em silêncio — observando-o com olhos perturbadoramente calmos, como se estivesse pesando o excesso de raiva de Leone numa balança invisível.

Ao encarar os olhos carmesim do irmão, um pensamento inquietante atingiu Leone — um que ele não podia ignorar, por mais absurdo que parecesse.

Todo o amor que ele havia derramado sobre Cesare, até mesmo a maneira como tentara transformar o próprio sentimento de inferioridade em afeto… talvez tivesse sido apenas instinto de sobrevivência.

— Irmão,—  Cesare disse calmamente, rompendo os pensamentos espiralados de Leone.

— Peguei a pena porque precisei dela, — Cesare continuou. — Quanto à família Farbellini, eles podem ter garantido uma aliança de casamento, mas não vai durar. Eles são gananciosos demais.

Leone mordeu o lábio, tentando estabilizar o tremor em sua voz:

— …Você está certo.

— E, Leone, — o uso de seu nome por Cesare era raro — ele normalmente o chamava de irmão. Leone o encarou, o olhar vacilante, como se tivesse esquecido como respirar.  — Podemos ser gêmeos, — murmurou Cesare, seus olhos carmesim captando o leve tremor de Leone, — mas não somos a mesma pessoa. Não aja como o antigo imperador.

As palavras ficaram suspensas no ar, soando como um aviso final — uma chance de voltar atrás.

O novo medicamento da Arquiduquesa Erzet, Aspiria, rapidamente se tornou item obrigatório para aqueles ansiosos por se manterem no topo das últimas tendências da capital.

Um frasco com o brasão do arquiducado — quem poderia resistir a tal símbolo de status? Mesmo aqueles sem nenhuma necessidade de remédio estão comprando-o, simplesmente pelo prestígio.

Mas o que realmente surpreende é que Aspiria não é apenas um adorno da moda.

[Muitos — inclusive eu — tinham pouca expectativa quanto à sua eficácia. No entanto, para nossa surpresa, Aspiria provou ser muito mais potente do que o inicialmente anunciado.

Não só alivia dores de cabeça, mas também parece amenizar resfriados e outras doenças comuns, ganhando elogios de todos os níveis da sociedade.

Talvez, como o Arquiduque previu quando questionado pelos repórteres, este medicamento realmente tenha um impacto de longo alcance.

No último fim de semana, o Arquiduque e a Arquiduquesa visitaram juntos a farmácia, exibindo com orgulho seu afeto um pelo outro…]

Eileen largou a revista, os dedos ainda folheando distraidamente as páginas. Apesar dos elogios entusiasmados dirigidos à Aspiria, ela não sentia alegria. Sua mente estava pesada, seus pensamentos em outro lugar.

Ela chegara a uma conclusão perturbadora: Cesare tinha o hábito de silenciar assuntos desconfortáveis com abraços ou beijos.

Até agora, ela nunca havia notado esse padrão. Houvera poucas ocasiões em que ele precisara impedi-la de falar, e quando o fazia, era frequentemente com tanta ternura que ela nunca pensara em questionar. Mas agora, enxergando isso com clareza, sentia uma mistura de euforia e inquietação. Descobrir esse novo lado dele lhe trouxe lucidez, mas também certa distância.

Você é o meu pesadelo, Eileen.”

As palavras de Cesare ecoavam em sua mente, um refrão impossível de ignorar. Embora ele tivesse rapidamente descartado como um deslize, o peso da frase já se instalara fundo em seu coração.

A ideia de ser um “pesadelo” para ele a corroía. Tentava se convencer de que o homem não quisera dizer aquilo da forma que permanecia em sua mente, mas a ferida persistia. Pela primeira vez, sentia-se insegura sobre como agir perto dele — o que dizer, como sorrir.

Então, sem perceber totalmente, ela começou a se distanciar de Cesare.

Os movimentos de Eileen estavam confinados à propriedade, deixando pouco espaço para se esconder do mundo. Mas o Arquiduque de Traon era um homem ocupado, e ela encontrara maneiras de evitá-lo. Podia se trancar no laboratório por horas ou se recolher ao quarto cedo, dando a ele pouca oportunidade de encontrá-la.

 

A mesma Eileen que antes se demorava perto do salão de jantar ou do escritório dele, que lutava contra o sono só para vê-lo, agora focava unicamente em seus experimentos.

À medida que Aspiria ganhava popularidade, Eileen estava determinada a concluir seu trabalho sobre Morpheu o quanto antes, sabendo que poderia servir como escudo contra qualquer controvérsia que surgisse.

‘Se eu conseguir produzir Morpheu, talvez eu seja um pouco mais útil’, —  pensou, encarando as pétalas escarlates das papoulas em seu laboratório.

Seu olhar vagou para o pequeno prato à sua frente, onde alguns cristais marrons repousavam — seu primeiro sucesso ao isolar o composto puro. Mas nem mesmo essa conquista despertou grande entusiasmo.

O que sentia era pressão — uma necessidade esmagadora de apresentar resultados, rapidamente. O próximo passo era testar os efeitos do composto, e só esse pensamento acelerou seus batimentos. Ela fez uma pausa, sua respiração presa no peito. Sentindo-se subitamente sufocada, guardou suas ferramentas, descartou seu avental e luvas, e recolheu-se ao seu quarto.

Depois de tomar banho e vestir a roupa de dormir, deixou-se cair na cama, tentando forçar o sono antes que Cesare voltasse.

‘Não que ele necessariamente venha…’

Fazia dias desde que o vira. Quer ele chegasse tarde ou ela já estivesse dormindo, o homem não entrara em seus aposentos. Quanto mais tempo permaneciam afastados, mais o aperto em seu peito se intensificava — mas ela se forçava a suportar.

A dor da saudade não era nada comparada à agonia de encará-lo.

Enquanto jazia ali, o corpo tenso de ansiedade, tentou obrigar-se a dormir. Mas então a maçaneta da porta girou.

Ela forçou o corpo a relaxar, fingindo sono profundo ao ouvi-lo largar o casaco e aproximar-se silenciosamente da cama. Sua presença pairou ao seu lado, e quase podia sentir o leve toque dos dedos dele passando por seus cabelos, embora permanecesse perfeitamente imóvel.

Depois de um momento, ele se afastou — talvez para trocar de roupa — e ela soltou um pequeno suspiro de alívio. Uma centelha de esperança surgiu: talvez sua atuação funcionasse afinal.

Mas logo o colchão afundou quando Cesare se acomodou ao seu lado. No exato momento em que ela tentou estabilizar sua respiração, seu braço deslizou em torno de sua cintura, puxando-a de encontro a seu peito. Eileen congelou.

A voz dele soou baixa e firme, sussurrando em seu ouvido:

— Por quanto tempo você planeja continuar fingindo?

Assustada, Eileen deixou escapar um pequeno som antes de encobri-lo com um falso bocejo. Virou-se para encará-lo, tentando disfarçar o coração acelerado.

— Quando você chegou?

— Ah, então agora você se importa em notar, — ele respondeu, seu tom calmo mas cortante. — Você andou ocupada me evitando.

Ela engoliu em seco, a mente procurando desesperadamente por palavras.

— Eileen.

A voz do homem estava mais baixa agora, e insistente.

— Sim? —  respondeu ela, sentindo o peso do olhar dele.

— Você está chateada comigo?

— Perdão?

— É por isso que está me evitando?

Ele se inclinou, como se fosse beijá-la, mas instintivamente Eileen afastou a cabeça. Os olhos do homem brilharam em surpresa, embora sua expressão permanecesse indecifrável.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

Gostou de ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 123?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!