Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 192 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 192

Taebaek pegou a pistola que havia caído no chão e a enfiou no bolso de seu moletom. Então, respirando pesadamente, apressou-se em direção ao portão. À frente, um grupo de seis ou sete pessoas esperava na fila. Ao contrário do aviso da placa que indicava uma espera de três horas, a fila movia-se rapidamente. Taebaek nem precisou pedir permissão para avançar.

Finalmente, ele alcançou a frente do portão. Um soldado corpulento, com o boné puxado para baixo sobre os olhos, aproximou-se de Taebaek.

— Número de pessoas?

— Duas.

— Algum infectado?

— Não.

Taebaek mentiu sem hesitar. Eles tinham que entrar, não importava o que acontecesse. Com Shinu incapaz de se mover por conta própria, o uso de força bruta não era uma opção. Qualquer menção a infecção faria com que ambos fossem postos para fora imediatamente.

O soldado estreitou os olhos, analisando Taebaek de perto antes de desviar o olhar para o inconsciente Shinu largado contra as suas costas. Taebaek apertou o cabo de sua espada, mastigando o lábio nervosamente enquanto quebrava a cabeça. De qual lado ficava a orelha vermelha de Shinu? Direito ou esquerdo? O pânico o corroía.

Mas o soldado apenas lançou um olhar superficial a Shinu antes de voltar sua atenção para Taebaek.

Não era de se surpreender. Shinu havia virado a cabeça de modo que sua orelha esquerda, infectada e avermelhada, estivesse enterrada contra as costas de Taebaek. Seu rosto pálido e sereno, emoldurado por seus olhos fechados, parecia humano, embora assustadoramente sem sangue.

O soldado inclinou o boné de tamanho maior para cima com um dedo e fez outra pergunta.

— A pessoa nas suas costas… está ferida?

— Sim, gravemente. Ele perdeu muito sangue. Tem algum médico lá dentro?

— Sim.

— Onde preciso ir para…

— Não é permitido entrar com armas.

O soldado cortou a fala de Taebaek e acenou com a cabeça em direção a uma pilha de armas empilhadas em um canto logo na entrada do portão. Machados, foices, tacos de beisebol, facas, canos de metal — todos sujos de sangue seco — acumulavam-se em uma montanha grotesca.

Taebaek olhou para o rifle pendurado em seu ombro e para a espada firmemente segura em sua mão. O soldado nem se deu ao trabalho de perguntar onde Taebaek havia conseguido as armas. Ele parecia totalmente desinteressado, sua expressão era de cansaço e impaciência, como se tivesse repetido esse processo incontáveis vezes antes.

Estava claro que ele só queria terminar a tarefa o mais rápido possível. Como não havia mais ninguém na fila atrás de Taebaek, a apatia do soldado era ainda mais evidente.

Taebaek obedeceu imediatamente, largando o rifle e jogando a espada sobre a pilha. Ele se virou de volta para o soldado, tencionando perguntar novamente sobre a localização do médico.

— O médico…

— Vá para dentro.

O soldado o interrompeu no meio da frase. Taebaek franziu a testa, mas não disse mais nada. O soldado já havia desviado o olhar para outro lugar, como se o assunto não lhe dissesse mais respeito.

Percebendo que era inútil insistir por respostas, Taebaek decidiu que era melhor prosseguir.

Ele passou pelo portão e entrou em um corredor estreito formado por altas tábuas de madeira, lembrando os postos de controle de imigração em aeroportos.

Apressando o passo, Taebaek imaginou que as barricadas levariam a um refúgio limpo e ordeiro. Ele vislumbrou pessoas cumprimentando-o calorosamente, demonstrando preocupação com o estado de Shinu e engajando-se em conversas amigáveis — muito parecido com o mundo de antes do vírus que ele conhecera um dia.

Mas a cena que o recebeu estava longe da imagem reconfortante em sua mente.

Havia pessoas — centenas delas. Elas amontoavam-se em linhas que serpeavam pelo espaço, formando uma grande fila em formato de “ㄹ”. A atmosfera era caótica, como um parque de diversões superlotado durante a alta temporada.

Voluntários em trajes de proteção brancos, usando crachás com a palavra [Voluntário], caminhavam entre as linhas. Nos finais de cada fila, soldados permaneciam em silêncio com rifles, sua presença um lembrete rígido da ordem imposta. Placas com a palavra [SILÊNCIO] estavam afixadas em destaque por toda parte.

Grandes painéis eletrônicos estavam montados no alto, exibindo textos em verde e vermelho contra um fundo preto.

[Não é permitida a entrada de armas. O terminal está livre de Devoradores. Todas as armas — incluindo facas, canos, explosivos, tacos de golfe e bastões — devem ser deixadas na entrada.]

Enquanto Taebaek lia os avisos, uma confusão começou mais adiante na fila. Um homem de meia-idade com cabelos ralos estava sendo arrastado por dois soldados.

— Não! Eu disse que é só um arranhão! — ele gritava.

A multidão ficou tensa, encolhendo os ombros em desconforto. Um dos soldados pressionou a mão enluvada sobre a boca do homem, silenciando seus protestos. Ele chacoalhou a cabeça, mas não conseguiu escapar do aperto deles.

Seminu, o torso do homem estava exposto, revelando um longo arranhão em seu antebraço. Embora não estivesse sangrando, veias escuras e azuladas pulsavam visivelmente ao redor da ferida.

Os soldados o arrastaram por perto de Taebaek e para fora do portão. Poucos momentos depois, eles retornaram — sem o homem.

Taebaek apertou a coxa de Shinu com força, deixando os nós de seus dedos brancos. Ele moveu-se para o final definitivo da fila, seu olhar atraído por outro painel eletrônico acima.

[O descumprimento das ordens de soldados, administradores ou voluntários resultará em expulsão imediata e negação de embarque. Por favor, mantenham a ordem.]

[A bagagem é limitada a 30 kg por pessoa. Água e refeições simples estão disponíveis dentro do terminal. Alimentos de cheiro forte, como kimchi, peixe em conserva e frutos do mar frescos, são proibidos.]

Em um canto, sobreviventes reviravam suas bolsas, retirando roupas de inverno, potes de kimchi e cobertores. Esses itens acumulavam-se em uma pilha desorganizada, formando uma montanha diferente daquela de armas na entrada.

Mas nada disso importava para Taebaek. Sua maior preocupação estava descrita no painel mais visível perto do fim da fila.

[Passando por inspeção corporal.]

[Triagem de infecção em andamento. Homens à esquerda, mulheres à direita. Por favor, retirem os agasalhos com antecedência. Crianças menores de 5 anos podem entrar com seus responsáveis sem separação de gênero.]

As pessoas estavam entrando em uma tenda branca marcada com [Homens] ou [Mulheres], retirando suas jaquetas conforme avançavam. O homem de meia-idade de antes provavelmente havia sido pego durante essa inspeção.

Taebaek mordeu o lábio inferior com força. Se Shinu retirasse sequer a camisa, a infecção ficaria escancarada. Assim como o homem de antes, Shinu seria arrastado para fora como um cachorro. Inconsciente e indefeso, ele provavelmente seria descartado como lixo na rua.

Respirando fundo, Taebaek pesou suas opções. Ele deveria confessar agora? Admitir a verdade poderia angariar alguma simpatia, ou pelo menos curiosidade, por parte dos responsáveis.

Para fazer isso, ele teria que se aproximar de alguém — fosse um voluntário ou um soldado. Mas todos estavam posicionados longe, separados pela multidão densa de pessoas.

Taebaek saiu da fila, abrindo caminho até o soldado mais próximo.

— Tem uma pessoa ferida aqui. Podemos entrar primeiro?

— Você precisará esperar — o soldado respondeu secamente, sem sequer olhar para Shinu.

A conduta impassível do soldado fez Taebaek se sentir como se estivesse falando com uma máquina, e não com uma pessoa.

Taebaek voltou-se para os sobreviventes por perto.

— Com licença, tem alguém gravemente ferido aqui. Eu poderia…

— O quê? Você acha que a gente também não está sofrendo?

— Ei, está todo mundo em uma situação difícil aqui!

Vozes frustradas o cortaram antes que pudesse terminar. O sobrevivente a quem ele havia se dirigido evitou o contato visual, virando-se como se Taebaek não existisse.

Desesperado, Taebaek tentou novamente com outra pessoa.

— Me desculpe, mas…

— Se está desculpado, não peça.

Dessa vez, ele foi rejeitado antes mesmo de se explicar.

O peito de Taebaek apertou-se enquanto ele lutava para conter sua crescente frustração e vergonha. Seu desespero não era por si mesmo — era por Shinu.

Ele tentou repetidas vezes, apenas para ser ignorado ou sumariamente rejeitado. Para onde quer que se virasse, era recebido com uma indiferença fria.

Apoiando uma mão trêmula na coxa de Shinu, Taebaek sentiu a frialdade alarmante de sua pele. O peso em suas costas parecia ficar mais leve a cada momento que passava.

— Hyung… me desculpe…

Sua voz falhou enquanto sua cabeça pendia para baixo. Lágrimas ou suor — ele não tinha certeza de qual — escorriam por seu rosto.

Pela primeira vez em sua vida, Taebaek sentiu-se totalmente impotente.

Ele mordeu o próprio lábio com tanta força que o partiu, com o sangue escorrendo para dentro de sua boca. O desespero o consumiu.

Como isso pôde acontecer? Como um mundo tão cruel podia não deixar ninguém disposto a ajudá-los?

Exatamente quando Taebaek levou a mão à pistola em seu bolso, uma voz suave chamou.

— Senhor Taebaek?

Assustado, ele girou o corpo para trás para ver uma mulher em um traje de proteção branco, com um crachá de [Voluntário] pendurado em seu pescoço.

Era Hye-min.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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