Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 190 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 190

O interior do centro de convenções de casamentos não tinha nada de especial. Móveis estavam espalhados ao acaso, janelas estavam estilhaçadas, máquinas de venda automática e lixeiras jaziam tombadas, e manchas esporádicas de sangue marcavam as paredes e os pisos. Alguns Devoradores cambaleavam por ali, alguns mal inteiros, estalando e rangendo a cada passo vacilante. Os rastros de incontáveis sobreviventes que haviam passado por lá permaneciam gravados na sujeira e na poeira.

Felizmente, não havia humanos vivos à vista — pelo menos não neste andar. Poderia haver alguns no andar de cima ou no subsolo, mas, por enquanto, Taebaek e Shinu não viram ninguém. Normalmente, Taebaek teria verificado minuciosamente todos os sete andares do edifício. Mas agora não havia tempo nem energia para isso.

Taebaek analisou rapidamente um mapa no balcão de recepção da entrada e dirigiu-se ao Salão Amour.

As portas do salão de festas estavam escancaradas. Sem poupar um olhar ao redor do ambiente, Taebaek colocou Shinu gentilmente no chão e fechou as portas imediatamente. Ele quebrou o pé de uma cadeira e o calçou entre as maçanetas para trancar a entrada.

Uma porta aberta significava que o ambiente provavelmente estava desocupado. Ainda poderia haver Devoradores, mas, não importava a quantidade, não poderia ser tanto quanto os espalhados pelo edifício.

Ligando sua lanterna, Taebaek vasculhou o espaço.

O salão de casamentos era moderadamente grande. Tapetes pretos de qualidade razoável cobriam os pisos, com toalhas de mesa pretas combinando em fileiras de mesas. Algumas cadeiras estavam organizadas ordenadamente, enquanto outras jaziam tombadas ou espalhadas. Os arranjos de flores que outrora ladeavam o corredor haviam murchado e secado, soltando pétalas por toda parte.

Um lustre antes grandioso havia caído no chão, agora coberto por uma camada de poeira, e luzes menores e castiçais jaziam tombados e quebrados.

Taebaek moveu-se rapidamente, inspecionando cada canto. Ele abriu as cortinas para deixar a luz do sol entrar, verificou debaixo das mesas e nos cantos do salão, e não se esqueceu de inspecionar a sala de espera da noiva conectada ao local.

Quando terminou, o salão estava banhado pela luz do dia brilhante.

Ele carregou Shinu até o canto esquerdo mais distante do salão, perto da plataforma onde o mestre de cerimônias normalmente ficaria, e o acomodou no chão.

— Deixe-me dar uma olhada nos seus ferimentos.

Taebaek ajoelhou-se, colocando sua mochila ao lado, e esticou o braço para tirar as roupas de Shinu. Fracamente, Shinu ergueu a mão para impedi-lo. Taebaek a afastou com um movimento brusco. Shinu tentou pará-lo novamente.

— …Taebaek.

— Cale a boca.

— Sua cabeça está bem?

Taebaek congelou diante do tom suave e arrependido.

— Me desculpe por machucar você.

A voz de Shinu era baixa e pesada de culpa. Taebaek fechou os olhos com força e depois os abriu novamente. Sem aviso, ele agarrou Shinu pelos cabelos e puxou sua cabeça para trás, forçando-o a olhar para cima.

Taebaek o encarou de cima, com a voz tremendo de raiva reprimida, enquanto cuspia as palavras:

— Eu estou com tanta raiva agora, então não diga nada.

— …

— Você me deixou. Você me abandonou.

— …

— Isso significa que não preciso mais me importar com você. Não preciso escutar você nem fazer o que você diz. Eu vou fazer o que eu quiser. Então, se eu decidir mexer nos seus ferimentos, esquartejar você ou comer você como um daqueles Devoradores, é melhor você calar a boca e aceitar.

— …

Diante da tempestade de fúria e ressentimento de Taebaek, Shinu não tinha nada a dizer.

Taebaek soltou o cabelo de Shinu com um empurrão e começou a tirar a camisa dele. O torso dele estava encharcado de sangue, as faixas e curativos que Taebaek havia aplicado cuidadosamente mais cedo falhando por completo em cumprir o papel deles.

Sem hesitar, Taebaek arrancou as bandagens ensanguentadas. Ele tirou uma toalha de sua mochila e a pressionou firmemente contra os ferimentos de Shinu. Shinu arquejou de dor, um gemido contido escapando de seus lábios, enquanto o suor brotava em sua têmpora.

— Está doendo? — Taebaek perguntou friamente.

— …Um pouco — Shinu admitiu, com seus lábios pálidos mal se movendo.

Para a surpresa de Taebaek, seus lábios se curvaram em um sorriso fraco e sarcástico. Shinu dissera que doía. O homem que sempre fora insensível à dor, que suportava ferimentos sem vacilar, havia admitido sentir dor.

Dor significava que Shinu ainda era humano. Significava que o vírus não havia tirado dele a capacidade de sentir. Os olhos afiados de Taebaek examinaram o corpo de Shinu. As veias azuladas ao redor de seus ferimentos não se moviam, e suas pupilas estavam límpidas. Apenas uma orelha havia ficado vermelha; a outra permanecia intocada. Seus lábios estavam firmemente fechados, sem o menor vestígio de um espasmo.

Taebaek de repente enfiou um dedo entre os lábios de Shinu. Shinu sobressaltou-se, mas abriu a boca sem muita resistência.

Taebaek examinou cuidadosamente o interior da boca de Shinu, verificando os dentes dele. Ele conhecia a boca de Shinu melhor do que ninguém — já a havia explorado incontáveis vezes, tanto com a língua quanto de outras formas.

Nada parecia errado. Os dentes de Shinu estavam perfeitamente alinhados e inalterados. As únicas anormalidades eram a vermelhidão em sua orelha e a pele descolorida perto de seus ferimentos.

Retirando o dedo da boca de Shinu, Taebaek casualmente o lambeu para limpá-lo.

Então, despejando o resto do pó coagulante sobre as lesões de Shinu, ele pressionou a toalha novamente e rasgou uma toalha de mesa preta em tiras. Usando o tecido e a toalha, ele amarrou firmemente o peito de Shinu para estancar o sangramento.

Enquanto Taebaek trabalhava, os olhos de Shinu fixaram-se nas plaquetas de identificação penduradas no pescoço de Taebaek — as plaquetas dele. Ele sentiu uma profunda pontada de gratidão e culpa. Mesmo enquanto Taebaek o amaldiçoava, mesmo enquanto afirmava odiá-lo, ele não as havia jogado fora. Tinha-as mantido por perto.

Taebaek tirou todos os medicamentos restantes em sua mochila — analgésicos, antitérmicos, antibióticos — e abriu todos. Ele os entregou a Shinu junto com uma garrafa de água. Se Shinu recusasse, Taebaek estava totalmente preparado para forçá-los garganta abaixo.

Felizmente, Shinu tomou o remédio obedientemente. Ele bebeu a garrafa inteira de água, ressecado após horas de sede.

Depois de amassar a garrafa vazia com uma mão e jogá-la para o lado, Taebaek soltou um suspiro pesado e bebeu um pouco de água também. Shinu, largado contra a parede, fitou Taebaek com olhos turvos. Sua voz estava rouca quando falou:

— Taebaek-ah.

— Eu disse para você calar a boca.

— Você está sangrando. Da coxa.

Taebaek olhou para baixo. A perna de sua calça estava encharcada de sangue. Seu ferimento teimosamente resiliente havia finalmente reaberto.

Ele encarou a lesão com indiferença desapegada antes de desviar o olhar com um murmúrio amargo:

— É, bem, alguém me deixou para trás, então eu corri até me esgotar para alcançar.

— …

As palavras estavam carregadas de irritação, mas atingiram Shinu como um martelo. Seu rosto pálido ficou ainda mais branco quando percebeu a verdade.

Isso é culpa minha. Tudo isso.

O ferimento na coxa de Taebaek, a dor que ele estava suportando — tudo aquilo vinha do fracasso de Shinu em protegê-lo. As mãos de Shinu tremeram enquanto ele tateava em direção à mochila, determinado a cuidar do ferimento de Taebaek.

— …

Taebaek o observou em silêncio antes de passar a mão pelos cabelos em frustração. A visão da expressão cheia de culpa de Shinu fazia seu peito doer.

Com um suspiro pesado, Taebaek segurou as mãos de Shinu e as empurrou.

— Eu vou ficar bem, mesmo se sangrar o dia todo. Mas você? Você vai morrer em uma hora se não nos mexermos. Então apenas sente aí e cale a boca.

Shinu hesitou, mas assentiu relutantemente. Taebaek fechou o zíper da mochila e a empurrou para longe do alcance. Então, com uma expressão cansada, mas resoluta, ele jogou a mochila sobre o ombro e virou as costas para Shinu.

— Suba. Estamos saindo agora.

Shinu encarou as costas largas de Taebaek. Sua mente estava em turbilhão. Parte dele queria resistir, insistir que podia caminhar. Outra parte pensava que deveria recusar por completo, talvez até terminar tudo com uma bala. No entanto, uma esperança pequena e tremeluzente sussurrava que talvez — apenas talvez — ele não estivesse infectado afinal.

Shinu balançou a cabeça, afastando os pensamentos, e levantou-se cambaleante.

— Eu consigo andar.

— Cale a boca e suba.

Taebaek não saiu do lugar. Ele permaneceu firme, pronto para carregar Shinu não importava o que acontecesse.

Derrotado, Shinu suspirou e subiu nas costas de Taebaek. Taebaek sobressaltou-se levemente com o contato, mas logo esticou os braços para trás para firmar as pernas de Shinu, erguendo-o com facilidade. Shinu entrelaçou os braços ao redor do pescoço de Taebaek e, por um momento, eles simplesmente ficaram assim.

Naquela pausa fugaz, eles sentiram o calor um do outro, ouviram a respiração um do outro e apegaram-se à conexão frágil entre eles.

Shinu enterrou o rosto na nuca de Taebaek e soltou um soluço pequeno e contido. Encontrar Taebaek de novo parecia um sonho. Ser carregado em suas costas, sentindo seu calor, era igualmente irreal. Quando Shinu o havia deixado para trás nos correios, ele realmente acreditara que nunca mais se veriam.

Uma parte dele até se perguntava se já não era um Devorador, cambaleando sem rumo pelo caos lá fora, e se este momento não passava de uma alucinação conjurada por um subconsciente destruído pelo vírus.

Enquanto Shinu hesitava, com as mãos roçando os ombros e o pescoço de Taebaek para discernir a realidade de um sonho, Taebaek ergueu-se lentamente.

— …Eu vou correr rápido. Me avise se doer.

— Sim.

— Até parece que você diria alguma coisa, mesmo que doesse para caralho. Mas para responder você é bom…

Taebaek zombou amargamente, um sorriso sarcástico surgindo em seus lábios. Shinu riu fraco em resposta.

Sim, mesmo que doesse, mesmo que seu corpo gritasse de agonia, Shinu nunca admitiria. Se chegasse a esse ponto, ele preferiria morrer nas costas de Taebaek a proferir uma única palavra de reclamação.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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