Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 173 Online

↫─Capítulo 173
— Vamos.
— Sim.
Shinu ajustou a posição do fuzil em suas mãos e olhou para Taebaek , que estava agachado para ficar na altura dos olhos das crianças. Em sua palma estavam duas balas amarelas de limão. As crianças olhavam alternadamente para os doces e para a mãe, com os lábios pressionados de nervosismo. A mãe deu um leve empurrão nas costas delas e um aceno sutil com a cabeça, incentivando-as silenciosamente a ir em frente.
Hesitantes, as crianças caminharam arrastando os pés em direção a Taebaek . Um sorriso gentil surgiu no canto dos lábios de Taebaek .
Enquanto Shinu observava a cena em silêncio, ele perguntou em voz baixa: — Taebaek , você gostaria de vir junto? Ouvimos dizer que há mais sobreviventes no andar de cima.
— Uh… eu vou ficar aqui. Pode ir na frente — Taebaek respondeu, acariciando a bochecha macia de uma das menininhas com o polegar. Shinu assentiu. Não era longe — apenas no andar de cima — e era uma área relativamente segura. Uma breve separação não teria problema. Taebaek também devia ter percebido isso.
Ainda assim, Shinu esperava que Taebaek não se apegasse demais às crianças. No entanto, já parecia tarde demais. Shinu preocupava-se com o fato de que, se algo trágico acontecesse com os pequenos mais tarde, Taebaek ficaria com o coração partido.
Bagunçando o cabelo de Taebaek levemente, Shinu partiu, vestindo seu equipamento de proteção.
Assim que saíram pela porta traseira do ginásio, o cheiro forte de fumaça de cigarro atingiu o nariz de Shinu . Ele franziu o cenho por um momento antes de relaxar a expressão. Embora Taebaek o tivesse ensinado a fumar, o cheiro de fumaça de segunda mão vindo de outros ainda o repelia. No exército, ele havia se acostumado com isso, mas após sua baixa, a aversão retornou.
O homem no traje de proteção olhou ao redor antes de se dirigir a uma escadaria, murmurando: — Ah, é por ali — como se não estivesse totalmente familiarizado com o lugar. Shinu o seguiu enquanto subiam as escadas.
— Não é bem uma varanda — o homem começou a explicar. — É mais como um corredor do segundo andar com janelas basculantes. No início, pedimos educadamente que fossem lá fora porque o cheiro estava entrando, mas eles não ouviam de jeito nenhum…
— …
— Eles de alguma forma conseguiram colocar as mãos em vários maços de cigarro. Quero dizer, neste mundo? Isso é impressionante. E frustrante, na verdade…
Pelo tom de voz, Shinu deduziu que os fumantes do andar de cima eram provavelmente homens grandes e intimidadores. Embora quem estivesse falando fosse magro, o outro homem no traje de proteção ao lado dele era mais encorpado e carregava uma arma de choque, o que o deixava com uma aparência formidável. Mesmo assim, o fato de não conseguirem controlar os fumantes sugeria que estes eram ainda mais ameaçadores. Provavelmente eram homens insolentes na faixa dos vinte ou trinta anos, com força física, mas sem maturidade — ou talvez homens mais velhos e antissociais que nunca aprenderam as normas sociais.
Conforme os dedos de Shinu roçavam o gatilho de seu fuzil, o homem à frente bateu as mãos abruptamente.
— Ah, é mesmo! Grupo HW!
— …
— O presidente do Grupo HW está aqui. Então… aquele cara de antes — ele é o pai dele? Nossa, isso significa que eles se reencontraram com a família de quem foram separados?
— …O quê?
O rosto de Shinu endureceu instantaneamente, sua expressão congelando.
Quem…?
A princípio, ele pensou que fosse uma mentira. Como quando Taebaek fingiu ser o sobrinho do Ministro da Defesa, ou quando Shinu se passou por um soldado da ativa — alguém devia estar blefando de novo. A HW era um conglomerado famoso e, neste mundo caótico, verificar as afirmações era quase impossível. Provavelmente era apenas mais uma jactância sem fundamento.
Ou pelo menos era o que ele esperava.
O Presidente Park. Park Jingyeom, o presidente do Grupo HW, não podia estar aqui. Não fazia sentido. O homem que havia fugido após descobrir tudo — por que ele estaria aqui? Era ilógico.
Perdido em pensamentos, Shinu subiu as escadas, ouvindo vagamente o som de uma transmissão de rádio. Era o segundo canal de emergência. O primeiro canal normalmente transmitia informações sobre o Porto de Mokpo e navios de resgate, que Shinu e Taebaek costumavam sintonizar. Mas o segundo canal tocava uma variedade de conteúdos — música, hinos religiosos ou locutores lendo poesias ou livros.
À medida que subia mais, o corredor com as janelas ficou visível. Faltando cerca de quatro degraus, Shinu avistou um homem idoso.
Seu terno estava rasgado e puído, seus sapatos gastos a ponto de terem buracos. Seus ombros estavam salpicados de caspa, mas ele teimosamente mantinha a gravata bem ajustada, adornada com um prendedor de gravata brilhante. Um relógio grosso e caro pendia em seu pulso enquanto segurava um cigarro. Seu cabelo lambido para trás brilhava de gel, com a testa e o nariz reluzentes de oleosidade. Suas maçãs do rosto achatadas e lábios flácidos completavam a imagem.
Era ele.
Park Jingyeom, o padrasto de Taebaek e o próprio homem que havia contratado Shinu .
Sua aparência estava tão drasticamente diferente de quando se conheceram em seu escritório luxuoso que Shinu duvidava que o teria reconhecido em uma rua caótica. Naquela época, ele havia achado o presidente bastante elegante para a idade. Agora, mal podia acreditar no quanto uma pessoa podia mudar.
A boca de Shinu se abriu levemente em choque. Aquele encontro não era apenas inesperado — parecia que uma bomba havia caído.
— Com licença, senhores. Poderiam me conceder um momento do seu tempo?
Park Jingyeom estava sentado em um sofá que parecia ter sido arrastado de uma sala de diretor, com um tornozelo apoiado sobre o joelho oposto. Ao lado dele estava um homem no final dos trinta anos, com o físico de um lutador, que se aproximou de forma ameaçadora do homem no traje de proteção.
— O que você quer?
O homem no traje de proteção soltou um ganido e rapidamente se escondeu atrás de Shinu . Shinu alternou a trava de segurança de seu fuzil com um clique. O olhar do lutador desviou-se para a arma, e ele hesitou, dando um passo para trás.
— Você é do exército?
— Sim. Um… oficial das Forças Especiais. Ele pode nos ajudar a chegar ao Porto de Mokpo em segurança.
— Do exército?
A voz de Park Jingyeom, rouca pelos cigarros, ecoou de forma áspera. Shinu lambeu os lábios secos, com a mente ocupada por um único pensamento: Taebaek .
O que ele deveria fazer?
Ele não queria que Taebaek se encontrasse com Jingyeom. Ele tinha certeza de que isso teria um impacto negativo. Por um momento, chegou a cogitar a ideia de atirar “acidentalmente” em Jingyeom ali mesmo.
Jingyeom levantou-se do sofá, com o couro rangendo sob o seu peso. Diante dele estava uma mesa de estudante, reaproveitada como cinzeiro, com as gavetas cheias de cigarros, como descrito.
— Um soldado, hein? Nada mal.
Jingyeom deu um tapinha no braço do lutador encorpado e aproximou-se de Shinu .
— Então, de qual unidade das Forças Especiais você é? Conheço alguns oficiais de alta patente no exército. Talvez não alguém da sua idade, mas…
Ao ficar finalmente de frente para Shinu , Jingyeom parou no meio da frase, suas palavras sumindo enquanto suas sobrancelhas grossas se contraíam. Seus olhos cravaram-se em Shinu com confusão, examinando-o sem a menor cerimônia pela intrusão.
Após um longo momento, Jingyeom estalou a língua contra os dentes amarelados.
— Nós já nos conhecemos antes? Você me parece familiar.
— …
Ele não reconheceu Shinu . Compreensível, considerando que haviam se encontrado apenas uma vez por cerca de vinte minutos durante o processo de contratação, onde Jingyeom havia explicado como monitorar Taebaek , com o que tomar cuidado e a quem se reportar diretamente.
Incontáveis guarda-costas haviam sido contratados e substituídos sob as ordens de Jingyeom. Para ele, Shinu era apenas mais um rosto na multidão.
Isso era um golpe de sorte? Ou uma maldição? Shinu não conseguia decidir. De qualquer forma, ele tinha que liderar os sobreviventes para fora, e não importava o que fizesse, Taebaek e Jingyeom estavam fadados a se encontrar eventualmente.
Com isso em mente, Shinu tomou sua decisão.
— Sou o guarda-costas de Han Taebaek .
— …Han Taebaek ?
As sobrancelhas de Park Jingyeom ergueram-se abruptamente, aprofundando as rugas em sua testa. Ele inclinou a cabeça com confusão, visivelmente pego de surpresa pelo nome do filho.
Shinu esperou que Jingyeom processasse aquela revelação. Finalmente, Jingyeom bateu com a palma da mão na coxa.
— Ah! O guarda-costas! Você é o ex-major, certo?
— Sim, correto.
Não era totalmente exato, mas Shinu assentiu levemente. Diante disso, o homem no traje de proteção deu um salto de surpresa.
— Espere um minuto. Guarda-costas? Pensei que você fosse do exército!
— Eu era do exército.
— Então você não é do exército agora?
Shinu lançou um olhar exasperado para o homem, uma indiferença que havia aprendido com Taebaek . O homem abriu a boca em descrença, mas não disse mais nada.
Naquele momento, Jingyeom aproximou-se de Shinu , quase se pressionando contra ele. Um cheiro de mofo e ar parado encheu o ambiente. Shinu fez o possível para esconder a careta que ameaçava surgir em seu rosto.
— Você… Você veio aqui com o Taebaek ? Ele ainda está… vivo?
No entanto, as últimas palavras foram ditas com hesitação, tornando impossível para Jingyeom evitar que seu rosto se contorcesse. Vivo? O que, ele achava que ele poderia estar morto? Ele acreditava que o garoto que havia abandonado seria fraco demais para sobreviver neste mundo? Taebaek , logo ele?
Como ele podia não saber, depois de observar Taebaek por anos, o quão resiliente, capaz e forte aquele garoto era?
Um impulso repentino surgiu em Shinu — ele queria esmagar a coronha de sua arma nos lábios de Jingyeom, exatamente como havia despedaçado os dentes da frente do Pastor Sung naquela época.
Mas Shinu suprimiu até mesmo esse desejo assassino.
— Sim. Ele está lá embaixo. Perfeitamente bem. Sem nenhum arranhão.
A cada palavra que Shinu acrescentava, o rosto de Jingyeom empalidecia, ficando tão branco e estufado quanto um pão cozido demais no vapor. Shinu achou aquilo imensamente satisfatório. Ele realmente achava que o nosso Taebaek morreria em um mundo tão patético? Não percebia o quão inteligente e perspicaz Taebaek era? Shinu teve vontade de iniciar um longo discurso sobre o assunto.
— Você… você o trouxe até aqui? De Seul… percorrendo todo o caminho até Yongin?
— Sim. Afinal de contas, sou o guarda-costas de Han Taebaek .
Shinu manteve deliberadamente o tom de voz calmo e uniforme. Os olhos de Jingyeom moveram-se violentamente de um lado para o outro. Observando-o de perto, Shinu perguntou com um tom sutilmente investigativo.
— O que traz o senhor aqui, Presidente?
— Eu? Ah, eu… eu vim de Seul também.
Jingyeom limpou a garganta sem jeito enquanto falava. Ele olhou de relance para o lutador de artes marciais de pé ali perto. O lutador mal assentiu, um movimento tão sutil que foi quase imperceptível, e depois se virou para olhar pela janela, claramente evitando a conversa.
Os olhos de Shinu se estreitaram. Esses desgraçados acham que eu sou idiota…?
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive