Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 6.4 Online


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↫─ Capítulo 6.4

Finalmente, uma língua rosada deslizou por seus lábios. Valery, lambendo sua clavícula como um doce, repetiu o ato enquanto segurava Alexei em seus braços por um longo tempo. Como um animal marcando seu território, ele deixou chupões desordenados, mas inconfundíveis, na clavícula de Alexei.

Valery dormiu sem soltá-lo. Encarando seus cílios dourados lindamente curvados, Alexei continuou pensando enquanto esfregava as marcas que ele tinha feito. Cerca de dez dias até que tivesse que contar a verdade. Ele conseguiria restaurar o relacionamento deles o suficiente para que Valery não virasse as costas até lá?

Ele pensava vagamente que talvez fosse possível.

Poderia ser apenas uma ilusão nascida de uma esperança desesperada, mas Alexei decidiu acreditar nisso. Sua vida sempre esteve cheia do pior — apenas desta vez, ele queria uma exceção.

Com esse pensamento, ele adormeceu.

Ele acordou cedo. Seu corpo, estranhamente perceptivo, notou a ausência de calor ao seu lado. Assim que abriu os olhos, olhou ao redor. Valery tinha sumido. Checando o pulso freneticamente, viu que a algema ainda estava lá. Levantando-se apressadamente, saiu do quarto e encontrou Valery parado na extremidade da corrente, olhando para a mesa de jantar. Ouvindo o barulho de metal, Valery se virou.

— Você acordou? Eu não queria te acordar.

Sua voz estava calma. Nem afiada, nem cortante. Seus olhos, desprovidos de hostilidade, examinaram Alexei silenciosamente. Então Valery falou:

— Eu ia fazer kasha, mas se eu me mover mais um pouco, posso derramar…

— …Então você estava só parado aí?

Sua voz estava incomumente rouca pela manhã, mal audível.

— É.

O silêncio pairou por um momento. Alexei varreu o cabelo desgrenhado para trás. Seu olhar baixado captou as marcas em sua clavícula, e depois a algema. Ele tinha que tomar uma decisão. Havia muito o que fazer a partir de agora e, para fazer Valery confiar mais nele, isso tinha que acabar.

— Venha cá, Lerusha.

Chamando-o desesperadamente, sabendo que não podia correr, as sobrancelhas de Valery se contorceram. Se ele sentia o mesmo era incerto, mas Valery respondeu. Devagar, ele se aproximou. Alexei encarou os pés grandes que pararam à sua frente. As unhas, repetidamente quebradas e crescidas de novo, as cicatrizes que os cobriam — pareciam contar a história dos anos que ele tinha suportado.

— Vamos tirar as algemas.

Erguendo a cabeça, ele encontrou os olhos de Valery. Olhando para ele, Valery perguntou novamente:

— Você está falando sério?

Era uma pergunta carregada. Alexei molhou os lábios secos. Como um caçador prestes a soltar a presa que poderia fugir a qualquer momento. Mas Alexei não estava caçando Valery. Ele estava protegendo-o.

Em vez de responder, ele guiou Valery para dentro. Entrando lentamente no quarto, tirou a chave que sempre carregava no bolso mais interno. Então estendeu a mão. Valery encarou sua mão estendida por um longo tempo antes de oferecer o pulso devagar.

— Eu realmente amo você.

Alexei sussurrou. Inserindo a chave na fechadura, girando-a desesperadamente.

— Você é a única família que eu tenho, Lerusha.

A algema estalou e se abriu.

— Então, por favor…

Ele nem sabia que expressão estava fazendo. Quando seus olhos se encontraram, os de Valery pareciam que ele poderia chorar.

— Não fuja.

Finalmente, o pulso de Valery estava livre. Alexei segurou a respiração e observou. Valery se moveu e esfregou o pulso liberto. Alexei ficou congelado, observando-o se espreguiçar como se estivesse soltando o corpo. Alguns segundos pareceram uma eternidade.

Depois de esfregar o pulso por um tempo, Valery se endireitou. Seu olhar enquanto olhava para Alexei estava inalterado. O mesmo de antes.

— Leite com quatro colheres de mel.

Aquela única frase fez Alexei perceber o que ele queria dizer.

— Apenas aveia.

Sua mão apertou a chave com mais força.

— Quer comer assim?

Valery estava dizendo que iria fazer kasha. Alexei se lembrou do significado de kasha, algo que tinha ouvido de seu pai quando criança e mais tarde contado a Valery.

Desde os tempos antigos, o kasha simbolizava a reconciliação.

Eles comeram um café da manhã inacreditavelmente tranquilo e se sentaram na sala de estar iluminada pelo sol. Não houve brigas nem discussões, mas também não havia muito o que dizer. O tempo que passaram separados não podia ser superado de uma vez só, então eles não podiam se tornar tão próximos quanto costumavam ser imediatamente.

Além disso, os tipos de conversa que Alyosha podia ter eram extremamente limitados. Brigas, armas, facas, os gângsteres estúpidos que viviam em Saratov e suas más ações — isso era tudo sobre o que Alexei sabia falar. Qualquer outro tópico inevitavelmente traria Yuri à tona, de quem Valery desgostava profundamente. Provavelmente por causa de sua profissão — se é que se podia chamar aquilo assim.

Alexei bateu no chão com o dedo indicador, procurando algo sobre o que falar. Sentar-se separado no sofá só aumentava o constrangimento. Quando Valery o desprezava abertamente, ele podia pelo menos agir com dureza, mas agora que tinha que lidar com ele com cuidado, era mais difícil.

Valery foi quem quebrou o longo silêncio.

— Então.

Assim que Valery falou, Alexei virou a cabeça bruscamente. Valery, que esteve encarando para a frente, também se virou. Seus olhos graciosos, emoldurados em seu rosto pálido, sustentaram o olhar de Alexei com firmeza.

— Nós estamos namorando?

Embora sua voz tivesse o tom grave e aveludado de um adulto, a pergunta em si era tudo, menos isso. Atônito pela pergunta ingênua, Alexei congelou por um momento.

É assim que funciona?

A confusão o atingiu instantaneamente. Alexei encarou Valery sem reação. Se alguém perguntasse se o cara na sua frente se parecia com os ômegas com quem ele tinha estado, a resposta seria não. O próprio conceito de “namorar” alguém era vago para começo de conversa. Todo tipo de bobagem sobre como os amantes deveriam sentir excitação e coisas do tipo girava caoticamente em sua cabeça.

Valery fazia seu coração acelerar? Seu irmãozinho adorável era uma alegria de se olhar, mas ele não sabia se aquilo contava como excitação. Ele queria beijar Valery? Era ambíguo. Durante o acasalamento frenético deles, tinha sido eletrizante, mas no momento ele não sentia o impulso de enfiar a língua na garganta dele. Sexo? Sexo era bom. A ideia de dormir com o próprio irmão era insana, mas Alexei adorava dominar Valery nesses momentos. Além disso, o p dele era nojento de tão grande. Embora, como um ex-Alfa, ele não estivesse em posição de julgar, ele gostava muito do corpo de Valery.

Mesmo assim, a conclusão de que Valery era seu amante não vinha à mente. Valery sempre tinha sido família para Alexei, do início ao fim. Mesmo agora, com as coisas tendo escalado dessa forma, isso não tinha mudado. Ele era o cara adorável e de bom coração que Alexei tinha que proteger. Esse era o Valery.

— …Acho que sim.

Mas Alexei deu uma resposta diferente. Como vinha sentindo desde o confronto com Yuri, Valery parecia percebê-lo como seu ômega. Fazia sentido. Embora nunca tivesse sentido o forte senso de responsabilidade que Valery demonstrava, Alexei tinha experimentado uma possessividade momentânea em relação às ômegas com quem esteve. Em um mundo governado mais pelo instinto do que pela razão, Alexei acreditava que os Alfas não eram diferentes de feras.

Como a cooperação de Valery vinha da possibilidade de que ele pudesse estar grávido, Alexei tinha que fazer o jogo e aceitar a ideia de namorar por enquanto. Negar isso arriscaria desfazer todos os seus esforços.

Então, apenas dez dias — ele só precisava agir como amante de Valery por dez dias. Durante esse tempo, ele poderia encontrar uma maneira de contrabandear Valery para fora, de fazê-lo escapar. Depois disso, Valery poderia encontrar um amante de verdade. Ao contrário dele ou de Rian Vinter, alguém de um mundo calmo e acolhedor.

O último pensamento fez seu humor, estranhamente elevado, afundar. Mesmo sendo um futuro que viria em breve, ele não queria mais pensar nisso. Justo quando seu coração estava prestes a ficar pesado novamente, a voz mansa de Valery cortou o ar.

— Você… namorou muito?

Valery hesitou antes de se corrigir.

— Alyosha, você namorou… muitas pessoas?

Baixando ligeiramente o olhar, a nuca de Valery ficou vermelha. Embora tivesse feito a pergunta, ele parecia envergonhado com ela, mordendo os lábios corados. Ver aquilo fez o coração de Alexei doer. Seu humor, que estava afundando, reagiu instantaneamente. Era assim que ele se sentia toda vez que via Valery agindo de forma possessiva em relação a Yuri. Saber que era o instinto de um Alfa não mudava o quanto ele amava ver Valery prestando atenção nele. Ele queria segurar as bochechas dele e beijá-lo ali mesmo.

— Não.

Desta vez, Alexei disse a verdade. Ele tinha dormido com muita gente, mas nunca tinha namorado. Alguém em seu ramo de trabalho não podia ter um relacionamento normal sem arrastar a outra pessoa para o inferno. Diante de sua resposta firme, Valery desdenhou.

— Você não precisa mentir.

Embora seu tom sugerisse que não se importava, estava claro que sim.

— Não estou mentindo. Eu fiz muito sexo, mas nunca namorei.

Alexei disse isso casualmente. Valery encontrou seus olhos novamente. Sob suas sobrancelhas espessas de tom castanho-dourado, seus olhos verdes pareciam confusos.

— …Nem uma única vez?

— É. Nem uma vez. Eu nunca tive tempo para gostar de ninguém, Lerusha.

Isso também era a verdade. Alexei tinha jurado responder a todas as perguntas menores com honestidade, mesmo carregando algumas grandes mentiras. Diante de sua confissão direta, Valery pressionou os lábios. Jogando o lindo cabelo platinado para trás, ele perguntou novamente:

— Então eu sou seu primeiro amante?

Os olhos de Alexei se curvaram ligeiramente. Apesar de seu comportamento maduro, a intenção subjacente na pergunta era adorável. Sua necessidade de confirmação, seu foco em ser o primeiro — era tudo inocente e encantador.

— É.

E Alexei não se importava de se entregar a esse sentimento.

— Eu sou o seu primeiro também?

Ele já sabia a resposta por tê-lo seguido todo esse tempo, mas perguntou mesmo assim. Em vez de franzir a testa, Valery piscou seus olhos bonitos e corou até as pontas das orelhas. Seus dedos grossos roçaram levemente a bochecha. Após alguns segundos de hesitação, Valery assentiu.

— Sim.

Ouvindo isso, o corpo de Alexei enrijeceu. Uma sensação estranha e sufocante apertou seu peito, sobressaltando-o. Saber de algo intelectualmente e ouvir diretamente eram coisas incomparáveis. Além disso, o que Alexei sabia era que Valery nunca tinha namorado ninguém — não que ele seria o primeiro de Valery.

↫─☫ Continua….

ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
Nome alternativo: 1 The First Commandment

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