Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 6.3 Online


Modo Claro


↫─ Capítulo 6.3

Apesar de odiar o fato de Alexei ser um mafioso mais do que qualquer outra coisa, Valery continuava se chocando com o hábito dele de beber e fumar. Tão ingênuo.

— Você não costuma beber.

Como se estivesse determinado a ser fofo o dia todo, Valery até se lembrava de que Alexei raramente bebia. Reclinando-se na cadeira, Alexei deu um sorriso de canto. Ele resistiu ao impulso de bagunçar o cabelo dele.

— Verdade. Mas hoje pede por isso.

Olhando para Valery, ele quase tinha esquecido, mas o dia de hoje tinha sido brutal. Ele quase disse: Porque o dia foi uma m***,* mas engoliu o comentário. Não havia necessidade de expô-lo a palavras tão duras.

— Por quê?

O garoto de coração mole até perguntou sobre o seu dia. Enquanto misturava o Yorsh, Alexei ponderou. Ele já tinha se confidenciado com Valery até certo ponto e, como o garoto agora estava envolvido, não podia continuar escondendo a loucura de Igor. No mínimo, ele tinha que evitar que Valery fizesse algo perigoso por ignorância.

— Já experimentou?

Ainda pensando, ele perguntou. Valery balançou a cabeça.

— …Não. Eu nunca tomei álcool.

Com um rosto daquele, ele devia ter pessoas se agarrando a ele o tempo todo. Era difícil acreditar que existia alguém que nunca tinha provado álcool, cigarros ou tido sexo. Alexei encarou descaradamente o anjo à sua frente. Seu peito formigou. Mais uma vez, ele resistiu ao impulso de tocá-lo.

— Quer experimentar? Só um copo.

Vendo a expressão relutante de Valery, Alexei o persuadiu suavemente.

— Então eu te conto por que estou de mau humor. Embora eu duvide que você queira ouvir.

Àquelas palavras, Valery hesitou antes de estender a mão.

— Eu vou beber.

Alexei queria devorá-lo ali mesmo. Reprimindo o pensamento, ele entregou a Valery um Yorsh com o mínimo de vodca possível. Valery pegou o copo devagar, encarando-o para baixo.

Para ser honesto, Yorsh tinha um gosto nojento.

Não era uma shandy, uma sidra ou apenas cerveja — era cerveja misturada com vodca, uma bebida feita puramente para embriagar. Justo quando Alexei estava prestes a avisá-lo para dar apenas um pequeno gole, Valery pressionou o copo de pint nos lábios. Seus lábios vermelhos engoliram tudo de uma vez. O copo ficou meio vazio em um instante.

— Lerusha, isso—

Uma crise de tosse se seguiu. Valery encarou Alexei, com o rosto corado.

— Tem um gosto terrível.

Tão fofo. Com esse pensamento, Alexei tirou rapidamente uma das caixinhas de suco que tinha embalado mais cedo. Quando ofereceu o suco de laranja, Valery aceitou silenciosamente. Seus dedos se roçaram enquanto trocavam a bebida, enviando um arrepio pela espinha de Alexei. Valery também congelou por um momento.

Assim que Alexei sentiu a tensão estranha no ar, Valery a espantou e falou, descascando o plástico do canudo.

— Por que você beberia algo tão ruim?

Sua voz, mais suave do que antes, cosquinhou os ouvidos de Alexei. Depois de dar um gole em seu Yorsh, Alexei respondeu devagar.

— Para ficar bêbado.

— Por que você quer ficar bêbado?

Valery perguntou, e então respondeu à própria pergunta.

— É por causa do Igor Volkov, não é?

Alexei apoiou o queixo na mão. Esfregando o copo de cerveja com os dedos, ele escolheu suas palavras com cuidado.

— Ele se lembrou de você.

Alexei falou com um meio sorriso. Valery estremeceu ligeiramente.

— Mesmo depois de eu ter mandado ele esquecer, mesmo depois do que ele fez com você… ele se lembrou.

Depois de dizer isso, Alexei virou o seu pint de uma vez. Um filete de cerveja escorreu por seu queixo. Quando ele colocou o copo vazio na mesa, Valery o encarava com olhos rígidos.

— O Igor vai começar a fazer uma limpeza agora. Todo mundo ligado ao Kalish Vinter está em perigo. Mesmo se eu não fizer isso, ele vai mandar outro alguém. Isso inclui o Rian Vinter. Então—

— Não chegue perto dele. Eu sei. Você já me disse.

Valery ficou em silêncio. A comida esfriou, e Alexei não disse mais nada. Conversar era difícil. Ele não sabia como se comunicar sem o uso da força. Sua mente estava confusa demais para encontrar um tópico para quebrar o silêncio. Ele tinha se decidido a matar Igor, mas ainda não tinha formulado um plano. Sem preparação, não podia falar com confiança.

Valery foi quem quebrou o silêncio. Suas bochechas coraram enquanto ele terminava o restante do Yorsh à sua frente. A nuca e os lóbulos de suas orelhas foram ficando gradualmente vermelhos.

— Lerusha, vá devagar…?

Alexei sussurrou preocupado, e Valery colocou o copo na mesa. Depois de piscar seus longos cílios dourados algumas vezes, Valery falou:

— O que eu devo fazer? Não me diga para não fazer nada. Eu venho fazendo isso o tempo todo e não funcionou. Aquele bastardo ainda se lembra de mim.

Valery enunciou cada palavra claramente.

— Me diga o que devo fazer para não ser um estorvo.

— Mas, Valery, você—

Você me odeia. Você realmente vai ficar bem?

Justo quando Alexei estava prestes a perguntar, reabrindo suas próprias feridas, Valery o interrompeu.

— Não entenda mal. Eu não comecei a gostar de você nem te perdoei. Não pretendo esquecer o que você fez comigo. Mas—

Seus lábios, avermelhados pelo álcool, sussurraram suavemente:

— Mesmo que não tenha sido o que eu queria, vou assumir a responsabilidade pelo que fiz.

Ah.

— Você é meu ômega agora, então eu vou… te proteger.

As palavras de alguém que nem sequer sabia como lutar não o divertiram — elas o enlouqueceram. Ao contrário de quando Yuri ousara dizer que iria protegê-lo, isso parecia diferente. Era uma afirmação absurda e, embora soubesse que não fazia sentido, era insuportavelmente adorável. Alexei sussurrou para Deus.

O que eu devo fazer, merda de Deus?

Acho que nunca vou conseguir abrir mão dessa mentira.

Não havia muito que Valery pudesse realmente fazer. Isso era uma realidade tão clara quanto o fato de Alexei não poder gerar um filho de Valery. Mesmo que Valery desse o seu melhor, ele poderia ser mais forte do que a maioria, mas um corpo treinado não garantia a sobrevivência em situações de vida ou morte. Ele não sabia atirar, não sabia lutar e provavelmente nunca tinha batido em ninguém antes. Era necessária uma coragem inesperada para derramar sangue. Além disso, Alexei não tinha intenção de deixar Valery em um lugar coberto de sangue para começo de conversa.

Alexei organizou seus pensamentos lentamente. Para matar Igor, a opção mais segura era enviar Valery embora primeiro. Quando pensava sobre isso, Igor tinha que morrer eventualmente. Se ele sempre tinha visto Valery como sua fraqueza, então mesmo se Valery tivesse ido embora com Rian Vinter, a vigilância o teria seguido. Pelo menos enquanto estivessem nos EUA.

A ideia de Rian Vinter e Valery deixando Saratov juntos o deixava inexplicavelmente irritado. Não tinha nada a ver com a família Vinter ter sido quem o empurrou para essa bagunça. Por quê? Alexei ponderava enquanto apoiava o queixo na mão.

Então ele encontrou o olhar de Valery — aquelas bochechas brancas e coradas encarando-o intensamente. Como um cão esperando pela resposta do dono, ele estava sentado em silêncio. Seu coração acelerou. O irmão mais novo quieto e adorável que só existia em suas memórias estava bem ali na sua frente. Por um momento, parecia um sonho, mas não. Ou ele estava apenas bêbado? Alexei admirou o anjo à sua frente, satisfeito com qualquer coisa.

— Você vai me proteger?

Repetindo as palavras anteriores de Valery em tom de provocação, Alexei perguntou. Valery respondeu obedientemente.

— …Sim.

No momento em que assentiu mansamente, Valery pareceu se dar conta de algo e piscou.

— Pessoas grávidas não deveriam beber.

Seus olhos verdes se arregalaram. Valery se levantou rapidamente, a corrente das algemas tilintando. Ele pegou o suco que estava bebendo e se aproximou.

— Pare de beber agora. Faz mal para você.

Sua voz estava cheia de preocupação. Atônito pela consideração inesperada, Alexei encarou Valery sem reação. Nem ele mesmo tinha pensado nisso. Claro — se estivesse grávido, não deveria estar bebendo. Fazia mal ao bebê.

— Prometa que não vai beber mais, tá bom?

Com uma expressão inocente e afetuosa, Valery tirou o álcool e lhe entregou o suco em vez disso. O gesto terno de colocar o canudo em seus lábios deixou Alexei congelado. Fazia tanto tempo desde a última vez que tinha experimentado a gentileza de seu irmão — e porque ele próprio tinha se tornado tão repulsivo. Deveria contar a verdade a ele agora? Não seria melhor simplesmente dizer?

Lerusha, a verdade é que o que eu disse foi uma mentira para evitar que você fugisse. Eu não sou um ômega de verdade. É estranho um Alfa se tornar um ômega completo, não é?

Mas Alexei tinha acabado de confessar a Deus — ele não tinha estômago para desistir dessa m**** de mentira. No momento em que dissesse, a reação de Lerusha era previsível. Ele ficaria furioso com a enganação, por ter sido encurralado. E então, como seus pais, acabaria coberto de sangue—

— Tudo bem, eu não vou beber.

Alexei aceitou o suco. Ele hesitou antes de pressionar os lábios no lugar onde os de Valery estiveram, e então bebeu devagar. O gosto doce e fragrante de Valery se espalhou por sua língua. Sua mente entorpecida pela culpa começou a se agitar.

Ele só tinha tomado Valery há alguns dias. Embora tanta coisa tivesse mudado na última semana que parecia muito mais tempo, levaria pelo menos duas semanas para que os resultados de gravidez fossem definitivos. Ele poderia simplesmente contar a ele nessa altura.

Infelizmente, não era verdade.

Mas quem acharia isso lamentável? Não era algo que Valery quisesse em primeiro lugar, e tudo isso era apenas a coerção egoísta de Alexei. O único que acharia isso lamentável era ele mesmo. Valery voltaria a ser como era antes se ouvisse isso?

— Quer ir se deitar?

Assim que Valery confirmou que ele tinha terminado o suco, colocou cuidadosamente uma mão no corpo de Alexei. A mão grande segurando sua cintura parecia não familiar hoje. Um arrepio estranho percorreu seu corpo. Era esquisito. Sua espinha formigou.

— Não estou com sono.

Embora achasse estranho, Alexei não empurrou Valery para longe. Como poderia empurrá-lo quando este momento era algo pelo qual tinha ansiado tanto?

— Apenas se deite.

Alexei não pôde recusar a insistência de Valery. Ele se deixou levar obedientemente, e Valery o ajudou a se levantar. Mas não foi só isso. Sem esforço, seu corpo foi erguido. Assim como quando Valery o tinha carregado graciosamente antes, ele embalou Alexei em seus braços com movimentos elegantes.

— Le—Lerusha.

Verdadeiramente desconcertado pela ação inesperada, Alexei enrijeceu. Durante o frenesi confuso deles, ele não tinha percebido o quão facilmente Valery o tinha prendido contra a parede, mas agora percebia — seu irmão era mais forte do que ele se lembrava.

— Eu não estou nem um pouco bêbado, então você pode me colocar no chão.

Como era Valery quem estava realmente bêbado, ele não ouviu. Segurando Alexei com firmeza, ele se dirigiu ao quarto — não o de Valery, mas o de Alexei. O lugar onde eles tinham se acostumado a ficar juntos.

Embora houvesse uma ligeira diferença de altura, Alexei era mais alto do que a maioria dos homens adultos. Com seu porte físico robusto, ele nunca tinha passado por nada parecido antes. Ninguém o teria deixado indefeso o suficiente para ser manuseado dessa forma. Enquanto enrijecia nessa situação desconhecida, Valery o deitou na cama. Seus corpos se sobrepuseram quando Valery subiu na cama com ele.

— Você tem cheiro de suco, Alyosha.

Como uma fera elegante, Valery enterrou o nariz na nuca de Alexei. Sua respiração, levemente marcada por vodca, confirmava sua embriaguez. Hesitando, Alexei o puxou para mais perto. Assim como costumava acariciar suas costas quando era criança.

— Provavelmente não.

Talvez cheiro de sangue. Engolindo o resto de suas palavras, Alexei sentiu o nariz reto de Valery se pressionar contra sua clavícula. Cosquinhou e o aqueceu. O calor do corpo de Valery sempre tinha sido assim.

— Tem sim. Você é doce.

— Mais doce do que os biscoitos de melaço de que você gosta?

Seus lábios se roçaram ligeiramente. Como não se tocavam assim desde que o rut tinha terminado, seu corpo deu um pulo. Uma sensação estranha subiu por sua espinha. Era eletrizante.

— Ainda… mais doce.

↫─☫ Continua….

ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
Nome alternativo: 1 The First Commandment

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