Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 14.1 Online

↫─ Capítulo 14.1
A delegacia de polícia de Saratov, construída no estilo comum em áreas onde a terra é vasta e a população escassa, tinha poucos andares e uma grande área construída. Erguida com tijolos marrons desprovidos de qualquer charme, o interior do prédio era igualmente simplório. O espaço, preenchido inteiramente por cores desbotadas e monótonas, parecia representar com perfeição a própria cor da cidade.
Com ambos os pulsos algemados atrás das costas, Alexei estava sentado dentro da sala de interrogatório. Uma luz incandescente branca preenchia o ambiente, e o silêncio pesava sobre seus ombros. Ele ouvira de T-Mac — que fora pego uma vez quando eram mais jovens — que o simples fato de entrar naquele lugar já era intimidador o suficiente, mas, comparado à sala de reuniões de Igor, aquilo ali era até aconchegante. Alexei encarou o vidro translúcido que formava uma das paredes da sala de interrogatório e bocejou. Talvez por estar acordado há mais de um dia inteiro, a fadiga começava a se esgueirar lentamente.
Fosse uma estratégia básica da polícia ou não, Alexei fora deixado sozinho por várias horas após ser trazido. Seus direitos de Miranda foram lidos enquanto seus ombros eram pressionados com estupidez para baixo, e então ele foi algemado e arrastado até ali. Depois de ter sua foto tirada para o fichamento, impressões digitais coletadas e dados pessoais informados para o arquivo do caso, foi ali que acabou parando. O problema provavelmente era o seu nome. Aqueles que ouviam seu sobrenome sussurravam secretamente entre si, saíam da sala e não reapareciam por um longo tempo. Antes disso, houvera uma pergunta sobre se ele queria ligar para um advogado, mas, é claro, Alexei não tinha tal coisa. Se tivesse esse tipo de dinheiro, teria investido na faculdade de Valery.
Seus pulsos, esfolados pelo metal, doíam. Teria sido mais confortável se as coisas estivessem caóticas, mas estar no silêncio fazia seus pensamentos vagarem. Naturalmente, suas lembranças se voltaram para Valery. O quanto ele devia ter sofrido quando esteve trancafiado? A memória do tornozelo esfolado dele veio à tona de repente e, com ela, uma pontada de arrependimento por não tê-lo levado ao hospital depois daquilo. Se algo acontecesse ao garoto que vivia pelo balé, não haveria como expiar seu pecado.
*O que você está fazendo agora?*
Ele prometera a si mesmo não ter pensamentos inúteis, mas, estando confinado e sem noções de tempo, não conseguia controlar as divagações desnecessárias. Como este lugar estava conectado a Kalishi Winter, é claro que Lianne Winter vinha à mente e isso, por sua vez, levava a pensamentos sobre Valery, então podia-se dizer que era inevitável. Ele já devia ter ido embora. Sua determinação era uma certeza, assim como a minha, embora a gente não compartilhe uma única gota de sangue. Ele se perguntou se Valery arrumara suas coisas, o que poderia ter levado e se pensara nele… mesmo que só um pouquinho.
Sabendo que provavelmente não.
Assim como uma parte de seu coração latejou de dor, o silêncio finalmente foi quebrado. A porta se abriu e uma sombra projetou-se sobre a mesa. Inclinando a cabeça para trás, ele mudou apenas o olhar para o lado. Ali estava a pessoa que ele esperava. Não sabia se chamava aquilo de sorte ou de uma reviravolta previsível dos acontecimentos, mas, em todo caso, era o melhor.
— Alexei Sorokin.
O protagonista de quem ele só ouvira falar através de rumores desenfreados e palavras de terceiros apareceu. Kalishi Winter. A elite que rompera o teto de vidro das mulheres e ômegas para se tornar uma agente de sucesso avassalador na Brigada Antidrogas. Bom, era o que diziam.
— Dois quilos de cocaína é uma quantidade pequena demais para um cara como você. Achei que fosse *crack*, mas também não era. Estou um pouco decepcionado.
Kalishi disse isso e depois soltou uma pasta contendo um monte de documentos organizados sobre a mesa com um baque seco. Finalmente, Alexei pôde ver bem o seu rosto. Seu cabelo preto estava preso no alto e, com seus olhos azuis e feições faciais finas, ele não passava uma impressão marcante. No entanto, seu olhar era avassalador. Seus olhos azuis inabaláveis, a um único relance, exalavam um senso de determinação ou teimosia. Parecia que Lianne puxara ao lado materno. As pessoas que carregavam o sobrenome materno Winter tinham todas traços e olhares semelhantes.
— Para um réu primário, 2 quilos é o suficiente para negociar uma pena, não é?
Ignorando a resposta de Alexei, Kalishi sentou-se na cadeira oposta. Os sinais sutis de ter sido chamado na hora mais escura, pouco antes da alvorada, mostravam-se em seu rosto. Um traço de cansaço era ligeiramente visível ao redor dos olhos de Kalishi.
— Réu primário.
Kalishi murmurou para si mesmo e abriu a pasta. Quaisquer que fossem os materiais que ele reunira tão extensamente, pareciam ter cerca do mesmo peso que as drogas que Alexei trouxera.
— Considerando os anos de contrabando de drogas, agressão e até a acusação de assassinar um policial, seriam cerca de 100 anos, no melhor dos cenários.
— Você tem provas?
Quando ele soltou a frase clássica, Kalishi encarou Alexei com uma expressão inexpressiva. Em seguida, puxou uma pasta que estava prensada entre os documentos. Olhando para o arquivo, que parecia ter algo organizado separadamente, Alexei teve certeza de que eram evidências fabricadas a partir da isca que Igor fornecera.
— Há provas mais do que suficientes.
Kalishi afirmou com um tom firme.
— Para alguém com tudo isso, nunca estive em um lugar como este até agora.
— Não é como se eu estivesse fugindo —, acrescentou. Kalishi Winter, parecendo desinteressado em entrar em um jogo de empurra com Alexei, abriu a pasta em vez de responder. Havia fotografias. O fundo das fotos reveladas, que carregavam os traços do tempo, era claro. Nas fotos de evidência, tiradas sob o que parecia ser o céu do meio-dia, havia muito sangue. Alexei encarou-as com olhos impassíveis. Kalishi organizou calmamente as fotos à sua frente. Nas imagens, havia um policial de uniforme assassinado. Sua postura era humilhante. Ajoelhado e com a cabeça curvada, seu pescoço estava meio decepado e pendurado, e o local onde fora encontrado era um parque não muito longe da delegacia. O corpo, posicionado para curvar a cabeça precisamente em direção ao oeste, onde Igor residia, demonstrava uma intenção clara.
Ele não mostrou as outras fotos com números de evidência anexados um a um, mas, sem qualquer explicação, Alexei sabia quem era. Para ser preciso, deveria dizer que já vira aquilo vagamente antes. Sem ter visto pessoalmente, Alexei esteve presente quando Igor gritava e dava ordens a Vadim, Bogdan e aos outros daquela época. Alexei quase fora encarregado daquele papel para sua devida iniciação, mas teve sorte. Seu período de rut coincidiu com aquele momento e, após ter um dente molar arrancado por Igor, conseguiu evitar aquela missão específica.
O nome… ele não sabia.
— Sabe quem é?
Como Alexei apenas encarava as fotos, Kalishi perguntou friamente. Ele respondeu com o silêncio. Então, Kalishi forneceu a resposta.
— É Dmitri Morris. A mãe dele era da Rússia e o pai era de Fargo. Ele tinha 30 anos na época de sua morte e deixara uma filha recém-nascida. Seus companheiros de farda cuidaram da mãe e da filha restantes, mas a filha de Morris, que cresceu sem pai, agora está em um centro de reabilitação graças ao pó que Igor Volkov espalhou por aqui.
Kalishi olhou diretamente nos olhos de Alexei.
— Esta é a história de três pessoas que você arruinou, então guarde-a bem na memória. E seria apenas isso? Sinto tanto nojo que nem consigo começar a prever o quanto mais vai aparecer se cavarmos mais fundo.
Ah, naquele momento, ele se lembrou exatamente. Dmitri Morris, apesar de carregar sangue russo, tornara-se um policial americano e, além disso, fora parceiro do pai de Lianne Winter, Noah William, o que o tornara um alvo para execução. Fazia muito tempo desde a última vez que pensara no nome do pai de Lianne Winter. Como a mãe dele, Emma Winter, não mudara de sobrenome e o transmitira a Lianne, o nome do homem fora relativamente esquecido.
À parte o alvo ser um policial, a razão pela qual morreram também fora o fato de não agradarem a Igor. Por ousarem causar problemas em seu reino, por não agirem como russos…
— Não me lembro.
O desprezo piscou nos olhos de Kalishi, que estiveram inexpressivos o tempo todo.
— Ele é um homem que você matou. Olhe bem.
— Você não considerou que eu não sei porque não o matei?
Kalishi empurrou outra foto sobre a mesa em direção a ele.
— Encontramos a arma do crime enterrada a 1 quilômetro da cena do crime. Um fio de cabelo foi encontrado no plástico filme ao redor da arma. Os resultados forenses serão confirmados hoje após compará-los com o DNA que coletamos.
Talvez menos esforço tivesse sido empenhado nisso do que com Noah William, porque a evidência usada para incriminar Alexei, embora clara, era mais fraca do que ele esperava.
— Os resultados forenses nem foram confirmados, então por que virei suspeito?
Alexei perguntou de volta com tranquilidade. Como Igor tinha a cidade sob seu domínio, Alexei, embora tacitamente conhecido entre os policiais, nunca fora preso devidamente. Ele nem sequer cruzara o limite de uma delegacia, então não haveria como suas informações genéticas ou registro existirem. Para conectá-lo diretamente à evidência, outras evidências circunstanciais seriam necessárias.
— Foi o Igor Volkov quem te contou isso?
Kalishi ficou em silêncio por um momento diante daquelas palavras.
— Um informante anônimo, uma carta de confissão, a localização da evidência… o quê? Uma testemunha que estava se escondendo com medo? Talvez tenham decidido dar um passo à frente, encorajados pelos novos movimentos da polícia surgindo nesta cidade ditatorial?
Como se as peças se encaixassem, Kalishi estreitou os olhos e encarou Alexei. Igor não era do tipo que fazia acordos abertamente, então ele teria se aproximado dessa maneira. Embora não soubesse tudo sobre ele, Alexei vira o modo como o homem operava a ponto de ficar de saco cheio.
— Na época, eu mal era um adulto. Não tinha estômago para fazer algo tão audacioso.
— Considerando que você começou a trabalhar sob as ordens de Igor Volkov com a tenra idade de 13 anos, essa não é uma declaração muito credível.
Kalishi começou a disparar:
— A própria ideia de dar uma chance para um lixo como você é um desperdício, mas vou te dar margem para negociação. Se você fornecer o máximo de informações que puder sobre Igor Volkov e confessar as acusações, pode não pegar prisão perpétua. Se conseguirmos te enviar para uma prisão em outra região, você pode até manter a sua vida.
Eram condições que um assassino desleal poderia achar um pouco tentadoras. Uma pessoa descarada e tola poderia até tentar pedir mais a essa altura.
— Os resultados nem são certos ainda, mas você já está com pressa?
— Se for a julgamento, é no mínimo prisão perpétua de qualquer jeito. Esta é a sua melhor opção. Não tente truques baratos, é perda de tempo.
Pois é…
Alexei, que esteve inclinado para trás na cadeira, endireitou o corpo. Ele encolheu as pernas longas que estavam esticadas. Seus joelhos tocaram a parte inferior da mesa da sala de interrogatório. Não era uma situação inesperada, mesmo tendo falado com confiança para Yuri. Era basicamente isso. Há apenas um dia, ele teria de algum modo escolhido um caminho diferente, mas agora, ele realmente… não tinha pensamento algum. Desde que pudesse alcançar seu objetivo, qualquer coisa estava boa.
— Não estou interessado em reajustes de pena.
Endireitando a parte superior do corpo anteriormente relaxada, ele olhou para Kalishi. Ele apagou o leve traço de um sorriso que poderia parecer um pouco cínico. Diante da mudança repentina em sua atitude, Kalishi também observou Alexei com olhos cautelosos.
— Eu conto o que você quiser, então você e seus policiais façam o que for preciso para pegar aquele desgraçado do Igor.
— O quê?
Diante de seu tom baixo, mas firme, Kalishi franziu ligeiramente a testa, como se surpreso.
— Aquele desgraçado faz todo tipo de coisa, mas é exatamente igual a qualquer outro verme. As drogas são sua principal fonte de renda. O simples fato de derrubar as fábricas dele em outras regiões é o mesmo que exterminar mais da metade dos negócios dele. Vou te dizer onde ficam os locais de lavagem e as fábricas, então se mexam hoje. Caso contrário, não dá para saber quando ele vai fugir.
Diante de sua cooperação sem negociação, Kalishi o observou por um momento. Batendo na mesa com o indicador, Kalishi perguntou:
— Por que você caminhou até aqui por conta própria? Pelo que o Lianne disse, você não parecia o tipo.
— Adivinhe. Você deve ter feito alguma pesquisa, não fez?
— Por causa do Valery Belov?
Parecia que a informação de fato viera de Kalishi. Enquanto Alexei ruminava sobre o sobrenome Belov, Kalishi continuou:
— Você sentiu um sentimento tardio de culpa?
Uma expressão cínica logo surgiu em seu rosto.
— Não sei se você achou que poderia se redimir agindo dessa forma, ou se pretendia ouvir o que o Lianne disse… mas é difícil de acreditar.
— Você tem alguma outra escolha a não ser acreditar?
Alexei sorriu.
— Os olhos e ouvidos do Igor neste lugar superam em muito as pessoas que você trouxe recentemente. Mesmo se você se adiantar, vai ser difícil limpar uma região que ele controla há tanto tempo sem ajuda.
— Eu admito isso. Mas…
Kalishi olhou nos olhos de Alexei novamente, como se tentasse medir a verdade.
— É suspeito que você nem mencione quaisquer condições que queira. Pessoas como você não agem sem um motivo. Arrepender-se repentinamente dos seus pecados é ainda mais absurdo. Pessoas que viveram a vida inteira como criminosos não podem ser reabilitadas.
Diante da crítica nua e crua, Alexei fingiu uma expressão de dor.
— Me provocar desse jeito não parece algo que costuma ser eficaz, parece? Não era para você estar me paparicando e me acalmando?
— Isso depende da pessoa.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr
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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
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