Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 13.4 Online

↫─ Capítulo 13.4
Deveria dizer que era graças a ter um bom irmão? Valery viveria bem onde quer que fosse. Conforme os fatos assentavam lentamente, Alexei encostou a testa na janela. Não conseguia impedir Valery de brotar em sua mente a cada pensamento entrelaçado. *Não quero viver uma vida sentindo falta de algo que nunca mais poderei ver.* Foi o que dissera a Yuri, mas, secretamente, Alexei só queria que esse fosse o seu fim. O pensamento de que aquilo não parecia com ele cruzou sua mente, mas esse impulso não desvanecia facilmente. Talvez por isso não houvesse medo nem hesitação.
— Essa não é uma ideia muito sábia.
— Você sabe que eu sou burro. E não temos tempo para a sua cabeça esperta inventar um plano brilhante, então…
Ele deu de ombros:
— Se quiser, te dou um minuto, então vá em frente e pense.
Os olhos azuis de Yuri se estreitaram e o encararam com raiva. Se houvesse um jeito, ele já teria dito há muito tempo.
— Não tem como um desgraçado que pensa como o Igor não ter feito preparativos. Ele provavelmente já começou a retirar lentamente instalações importantes prevendo que você ou eu possamos falar sobre elas. Então não temos escolha a não ser agir mais rápido do que ele e invadi-las com a polícia. Mesmo que a gente não consiga matá-lo, temos que foder com ele.
Alexei precisava vê-lo perder todo aquele dinheiro que amava tanto.
— Mesmo que a Kalishi Winter tenha filtrado a polícia quando veio, o Igor deve ter plantado gente dele lá dentro. A delegacia também não é segura. Se você vai, nós vamos juntos.
Yuri também tinha um ponto válido. No entanto, isso criava a possibilidade de que tanto Yuri quanto ele pudessem morrer.
— A Lianne Winter prometeu que destacaria a própria gente dela para garantir que eu não morra nas mãos do Igor, pelo menos.
— Você acredita nisso? Logo você?
Yuri não acreditava que o Alexei, sempre cético, estivesse dizendo algo tão ingênuo.
— Não me importo com a pessoa, mas acredito naquele sentimento patético dele pelo Valery. Você sabe. De qualquer forma, o Valery não gostaria se eu morresse. Ele tem o coração mole, então vai ser assim.
*Não, na verdade, ele provavelmente não se importa mais se eu vivo ou morro.*
— Você admite isso também, não admite?
O que Yuri detestava era o lado puro e de bom coração de Valery, então ele não teria escolha a não ser admitir. Como se ele estivesse certo, Yuri fechou a boca.
— E se você odeia tanto assim que eu vá para a prisão, então pode arranjar alguém do lado de fora para me ajudar. Tem alguns por aí, não tem? O T-Mac também era próximo da gente, então é provável que o Igor se livre dele.
Quando ele mencionou outras pessoas, Yuri franziu a testa. Pressionando a testa larga e bonita com o dedo indicador, ele soltou um longo suspiro, *huu*.
— Alyosha.
Como o amigo que era, Yuri não recuou facilmente. Sentindo a determinação de Yuri no chamado teimoso de seu nome, Alexei usou outro método:
— Ficarmos presos juntos e em desvantagem nos dá muito menos opções do que se um de nós estiver do lado de fora. Além disso, enquanto resgata o T-Mac, você também precisa tirar o Altor de lá antes.
— Altor?
Yuri enrugou o nariz diante do nome não familiar.
— O cara que me deixou assim.
Com isso, a expressão de Yuri ficou um tom mais fria:
— Por que eu deveria resgatar um cara desses?
— Calma, eu preciso daquele cara para eu poder voltar.
— …Voltar?
Para o confuso Yuri, Alexei decidiu explicar gentilmente:
— Você sabe como eu jogo pôquer, não sabe? Acha que eu faço loucuras sem pensar? Quando mudei meu traço, também pensei no reverso.
Apostar tudo sem preparação não era o estilo de Alexei. Alguém poderia pensar assim por suas ações, mas Alexei sempre teve algo para proteger, então não era do tipo que arriscava a vida à toa. Após pensar por um momento, Yuri estreitou os olhos:
— Você acha que um traço é o tipo de coisa que se muda quando quer? Se isso fosse possível, nem seria algo com o que se nasce em primeiro lugar, Alyosha.
Era um tom de bronca. Yuri e Valery não tinham nada em comum, mas eram parecidos em seus aspectos religiosos. Alexei encarou-o com o olhar vago, vendo aquele seu lado teimoso.
— Não brinque com o seu corpo.
Ele estava levando uma bronca clara. Normalmente, não deixaria passar, mas Alexei decidiu deixar transcorrer esta única vez.
— Sim, professor.
De um jeito ou de outro, Yuri parecia ter concordado, e parecia um bom momento para começar a se preparar. Como estava frio, não queria ser pego depois de uma longa caminhada. Não havia muito o que preparar de qualquer forma. O que quer que levasse seria confiscado após uma revista. No entanto, precisava de um item para criar o pretexto de ser pego. Ele se virou ligeiramente e pegou uma bolsa esportiva preta que fora colocada no banco traseiro. Dentro da bolsa, que tinha um peso considerável, estava o que Igor tanto amava. Ele a trouxera do local de trabalho por precaução antes de ir encontrar Yuri, mas não tinha como saber se Igor já percebera a essa altura.
— Você realmente…
Yuri, que estivera observando o que Alexei fazia, engoliu o que devia ser seu enésimo suspiro e perguntou:
— Você consegue mesmo voltar?
— Para começar, nunca mudou direito. Fiquei preso em algum lugar no meio do caminho. Então eu vou voltar.
Às palavras “vou voltar”, Yuri encontrou seu olhar. Para tranquilizá-lo, Alexei sussurrou com ternura, nada parecido consigo mesmo:
— Eu vou voltar. Não vou morrer. Eu tô realmente bem.
— Mas…
— Quer que eu jure pelo Valery?
Um juramento feito sobre a coisa mais valiosa era, à sua maneira, o maior juramento que se podia fazer neste mundo. Claro, só era possível entre aqueles que tinham confiança. Yuri fechou os olhos e depois os abriu. Vacilante, estendeu a mão:
— As chaves do carro.
Sorrindo de canto como quem diz “bom garoto”, Alexei deixou cair as chaves do carro na mão dele. Como ainda usava as luvas que Yuri lhe pusera, Yuri encarou as luvas por um momento. Antes que mais palavras pudessem ser trocadas, Alexei abriu a porta. Seu carro era um Chevrolet prata comum, então, mesmo que houvesse um mandado contra ele, Yuri daria um jeito.
Ao sair do carro, um calafrio envolveu todo o seu corpo. Alexei puxou o ar profundamente. Então, antes de fechar a porta, despediu-se de Yuri pela fresta:
— A gente se vê mais tarde.
Observando o rosto de Yuri, que estivera rígido de tensão, relaxar levemente, Alexei pediu desculpas internamente. *Desculpe, Yuri. Um juramento feito pelo Valery não vai ter muita utilidade.*
*Porque…*
*Para o Valery, eu não sou mais nada.*
Para que sua mentira não fosse descoberta, Alexei virou-se sem qualquer apego residual. Ele colocou a longa bolsa esportiva despretensiosamente sobre o ombro e abriu o zíper mais da metade para que o interior ficasse ligeiramente visível. Caminhou a passos largos pelo meio da rua vazia até o outro lado.
Os policiais, vestidos com uniformes pretos simples e sem atrativos, tinham acabado de terminar a patrulha e estavam prestes a entrar no carro. Um deles virou a cabeça. O policial que avistou Alexei vindo direto na direção deles sem parar cutucou o colega. Dois pares de olhos se voltaram para Alexei, seguidos por posturas de guarda. Pisando na neve acumulada na calçada com seus sapatos pretos, Alexei parou diante deles. Então, antes mesmo que pudessem perguntar o que queria, ele deixou a bolsa cair no chão com um baque seco. Enquanto os policiais instintivamente recuavam e sacavam suas armas para a bolsa que caíra no chão, Alexei falou primeiro:
— Vim me entregar.
Em seguida, gesticulou com o queixo em direção à bolsa:
— Vim ao lugar certo?
Seguindo o gesto de seu queixo, o olhar dos policiais moveu-se para a bolsa. Dentro da bolsa esportiva, que se abrira no chão, havia sacos transparentes fracionados com um pó branco. Encarando a bolsa contendo dois quilos de cocaína, Alexei sorriu, mostrando os dentes caninos.
Ele perdera tudo, então agora era hora de Alexei também tirar as coisas que Igor tanto amava.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr
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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
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