Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 13.1 Online

↫─ Capítulo 13.1
Apesar de já ter passado mais de uma hora do horário combinado, Yuri estava no local prometido. Alexei estacionou o carro no beco de um canteiro de obras que mais parecia uma ruína desolada. Não era raro encontrar terrenos baldios como aquele em Saratov. Muitos tiveram as obras interrompidas por falta de verba ou paralisadas devido ao inverno. Aquele lugar pertencia à primeira categoria. Parecia ter havido tentativas ocasionais de compra, mas, talvez por estar em um distrito comercial tão decadente, todas terminaram em fracasso.
Após desligar o motor, Alexei enfiou as mãos congeladas no sobretudo e caminhou. Os dedos dos pés estavam dormentes, como se tivessem virado gelo, de tanto tempo que ficara parado. Assim que ouviu o som de alguém se aproximando, Yuri reagiu prontamente. Um olhar afiado pousou sobre Alexei e, em seguida, ele relaxou a postura de guarda.
O rosto de Yuri, que esteve tão frio quanto o ar impregnado em suas bochechas, suavizou-se. Apesar do atraso, ele não demonstrou nenhum descontentamento e se aproximou de Alexei.
— Alyosha.
O nome chamado suavemente sobrepôs-se, por um instante, ao modo como Valery costumava pronunciá-lo. Uma sensação de formigamento pontou a ponta de seus dedos por um momento, e Alexei entrecortou a respiração, como se tivesse sido esfaqueado em algum lugar do corpo. Sua mente deu um branco por um segundo. Foi porque a realidade desabou sobre ele de repente.
Enquanto dirigia até ali, tudo parecia irreal. A desgraça sempre golpeava de surpresa, sem aviso, e transformava a situação com uma velocidade cruel demais. Mesmo sabendo disso, era difícil acreditar que havia perdido Valery daquela forma. Seu coração sussurrava, tentando enganar a razão. Dizia que o coração de Valery amoleceria com o tempo, que ele voltaria para os seus braços como sempre fizera.
Mas, ao mesmo tempo, outra parte de seu coração sabia. Desta vez era diferente. Se examinasse mais fundo, na verdade era algo que já esperava. Que, se Valery descobrisse o que ele havia feito, a história não poderia terminar bem. No entanto, o que temera de um futuro incerto era apenas a mentira. Estivera tão focado no fato de que Valery estava “vivo” que nunca considerara qualquer outra coisa. Não tivera tempo nem espaço mental para isso. Simplesmente chegara até ali sem projetar um futuro detalhado, pensando que algum dia, algum dia eles viveriam uma vida boa.
Somente ao alcançar aquele fim, Alexei percebeu que, desesperadamente, não queria deixar Valery ir. Fora tão alheio à sua própria e visceral obsessão que beirava o absurdo. Coisas que os outros diziam, e que antes não lhe tocavam o peito, foram escancaradas hoje, de forma nua e crua, diante de Lianne Winter.
— Alyosha?
Como não obteve resposta ao seu chamado, Yuri se aproximou ainda mais. Vendo o rosto que parecia sombrio, mas carregava uma sutil preocupação, Alexei caiu em si.
— Ah, desculpe.
Yuri fechou a boca e examinou Alexei brevemente.
— Você.
Seus olhos encontraram os de Alexei, e ele perguntou com convicção:
— Aconteceu alguma coisa.
Sua testa alva se franziu, e Yuri mencionou Valery:
— Deve ser sobre o seu irmão.
Diante do tom seguro, Alexei rebateu:
— Por que acha isso?
— Você sempre vem com essa cara quando o assunto envolve ele.
Yuri tentou não demonstrar no rosto, mas Alexei pôde sentir os feromônios dele oscilarem com descontentamento. Alexei deu um sorriso autodepreciativo. Riu seco, perguntando-se se fora tão transparente durante todo esse tempo.
— Eu estava assim?
Yuri parecia ter algo a dizer, mas hesitou e manteve a boca fechada. Alexei sentiu que sabia quais palavras ele estava guardando. Pensando bem, a situação no dia em que se viram pela última vez fora meio parecida. Naquela ocasião também houve atrito por uma questão envolvendo Valery. Por causa disso, os pensamentos íntimos de Yuri acabaram escapando e, achando-os estranhos e desconfortáveis, Alexei dissera para conversarem mais tarde. Depois disso, seu período de cio chegou e, por um breve momento, ele esquecera sua situação e se perdera em um sonho doce. Fora tão curto que parecia um sonho. O tempo que passara com Valery após tomar a injeção do traço fora maior do que todos os anos somados.
Uma palavra simples e insignificante não parava de trazer Valery à mente. O jeito como ele demonstrava um ciúme bonitinho por ele estar com Yuri, o modo como dizia que protegeria o irmão, o rosto que sussurrava enquanto pensava no filho deles… A memória daquela figura deslumbrante, que tentou perdoar e consertar as coisas de algum jeito apesar do começo terrível, fazia seu peito doer a ponto de se contorcer.
*Mas tudo bem.*
*Se eu não sou mais o seu primeiro, então eu também…*
Alexei deixou vaga a frase difícil de concluir até mesmo em seus pensamentos. Ainda assim, sua decisão estava tomada. Sim… não importava mais. Se ele estava determinado a me deixar mesmo depois de eu ter feito toda essa merda, então que seja. Ele achava que Valery saberia ao menos de uma coisa. Que, não importavam quais fossem seus métodos, ao menos nenhuma de suas ações fora exclusivamente para o próprio benefício de Alexei. Podia não parecer, mas achava que Valery reconheceria ao menos essa única verdade sincera.
Mesmo que Valery negasse todo o resto, ele deveria ter acreditado nessa única coisa. Não havia um “eu” em sua vida; havia apenas a vontade por Valery. Tudo o que Alexei Sorokin fizera na vida esteve, de alguma forma, conectado a Valery. Valery Sorokin deveria ter aceitado, de algum modo, aquele que se recusava a falar. Esse era o comportamento adequado para um “irmão” que carregava o sobrenome Sorokin.
Após endurecer o coração deliberadamente, Alexei cuspiu as palavras para Yuri:
— Não guarde o que quer dizer.
Ele fez um gesto com o queixo, como quem diz “vá em frente”. Tendo recebido permissão, Yuri, em vez de acolhê-la, fez uma cara feia.
— Parece que realmente aconteceu alguma coisa.
Diante do tom não familiar, Alexei respondeu com descaramento:
— Eu já te impedi de dizer o que quer?
— Se for sobre Valery Sorokin.
Ele saboreou brevemente o sobrenome Sorokin na língua. Assim como um ser vivo tenta aumentar sua espécie de qualquer maneira para sobreviver, talvez Alexei tivesse desejado que existisse mais alguém no mundo, além dele mesmo, com o nome Sorokin. Talvez porque tivesse nascido com uma natureza obsessiva. Mas, assim como dar o mesmo nome a uma espécie diferente não a transforma na mesma espécie, Valery eventualmente cresceu e encontrou sua própria cor. Embora qual cor fosse essa, ele não sabia.
Alexei decidiu cortar Valery, que falhara em agir como um irmão que carrega seu sobrenome deveria. Exatamente como ele fizera com ele. Embora fosse uma conclusão sem escolha, Alexei repetiu para si mesmo como se tivesse feito a escolha por conta própria.
— É Valery Belov.
Alexei o corrigiu, com a voz baixa, mas clara. Yuri piscou. Parecia perplexo.
— Alyosha…?
Ignorando os olhos incrédulos, Alexei lançou um ataque preventivo para evitar que palavras desnecessárias se seguissem:
— Não vou mais me prender a coisas assim, então não se preocupe.
Ele não queria se agarrar e chorar pateticamente nem ter remorsos, mas também não queria conversar sobre isso. Ele só queria focar no que precisava ser feito agora. Se o que ele desejara, tanto inconsciente quanto conscientemente, fora a sobrevivência ao lado de Valery, agora que isso se esvaíra, restava apenas uma coisa para Alexei fazer.
Alexei sempre precisou de um objetivo na vida. Agora que o que ele tinha para proteger se fora, era hora de fazer algo para honrar o que fora perdido. Era justo acertar o passado que ele adiara e ignorara por tanto tempo.
— Temos uma tarefa para terminar, não temos? O que aconteceu nestes últimos dois dias? Houve algum perigo?
Alexei perguntou enquanto caminhava em direção ao prédio abandonado e semiconstruído. Yuri encarou Alexei com uma expressão complexa e sutil, e então o seguiu, pisando na sombra alongada de Alexei. Quando a sombra do prédio os cobriu completamente, Yuri abriu a boca:
— Fui colocado sob vigilância anteontem. Achei que fossem caras que o Igor mandou para checar, mas era a polícia.
Parecia que as palavras de Lianne não estavam erradas, afinal. Ele sabia do que uma pessoa desesperada era capaz, por isso pendera mais para a possibilidade de ser uma mentira.
— Então, hoje, eles entraram na minha casa com um mandado de busca.
Alexei soltou um xingamento, ambíguo quanto a ser direcionado à polícia ou a Igor. Fosse olhando por suspeita ou por evidências circunstanciais, estava claro que Igor vazara informações forjadas. E se ele havia plantado pessoas com antecedência, certamente haveria provas fabricadas na casa de Yuri também.
Lianne se referira a eles como os “responsáveis” pela morte do policial, então ele também seria um alvo para a polícia, mas aquele contra quem Lianne direcionaria sua raiva seria Yuri. Isso era certo. Porque quando se encontraram mais cedo, ela tentara oferecer a ele uma misericórdia calculada. Se tivesse marcado Alexei como inimigo da família Winter, Lianne nem teria mencionado tal oportunidade.
Kalishi Winter primeiro tentaria encontrar quem matou o marido de sua irmã. Afinal, a razão inteira de ela vir para cá com a brigada antidrogas ao seu lado não fora por vingança? Mas isso não significava que a situação dele estivesse muito melhor que a de Yuri. A essa altura, a polícia já devia estar de tocaia em seu próprio apartamento também.
Pensando em sua casa, imagens das coisas em seu interior piscaram brevemente em sua mente. Os lençóis da cama que ainda deviam guardar algum calor, as coisas de Valery que ele colecionara ao longo dos anos, as poucas fotos que conseguira guardar da infância deles… Valery não ficaria surpreso se todas aquelas coisas estivessem espalhadas em uma bagunça? Ele não achava que Valery jamais tivesse visto uma casa revirada e no caos. Uma pessoa comum certamente ficaria assustada com uma cena dessas.
*Não, isso tá errado.* Alexei apagou o pensamento de forma bruta. Ele não correria perigo nenhum com Lianne Winter. Após jogar o cabelo para trás, Alexei observou Yuri. Não parecia haver ferimentos graves ou sinais de briga.
— Você conseguiu sair?
— Por um triz.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr
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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
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