Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 43 Online

↫─Capítulo 43
Pisquei lentamente enquanto o observava. Ele tinha uma expressão séria, quase como a de um médico preocupado. De repente, surgiu em minha mente a hipótese de que Saheon poderia ter esquecido o coreano após viver tempo demais nos Estados Unidos enquanto fazia seu treinamento de voo.
Parecia plausível. Ele morou nos EUA durante meu ensino médio e, depois de contratado, comunicava-se em inglês com capitães estrangeiros; era compreensível que pudesse confundir alguns termos.
— Hyung, como um homem poderia engravidar?
Tentei formular a pergunta da forma mais gentil possível, para não ferir seus sentimentos. Se ele tivesse se confundido momentaneamente, corrigiria a si mesmo ao me ouvir; se realmente tivesse entendido errado o conceito, eu explicaria.
No entanto, ele não disse nada. Como Saheon permaneceu em silêncio, fiquei ali parado, perdido. Ele, segurando o cabo do aspirador — que parecia pequeno em sua estatura alta — estava parado como um modelo de comercial e sussurrou com um sorriso brincalhão:
— Eu não poderia te ensinar também como se faz.
Embora fosse um sussurro preguiçoso, a casa estava tão silenciosa que consegui entender cada palavra. Olhei para Saheon com uma expressão ainda mais perplexa.
Não existe forma de um homem engravidar, então não há necessidade de pílulas anticoncepcionais. Mas ele falava como se fosse possível. Meninos não podem engravidar… não importa o fio condutor dos meus pensamentos, tudo sempre voltava ao mesmo ponto. Cortei o raciocínio.
Será que Saheon disse aquilo de propósito, em vez de se confundir com a palavra ou o significado? Por quê? Com que intuito?
Encarei-o fixamente. Ao vê-lo sorrir de forma charmosa, como um modelo de companhia aérea, senti que estava perdendo algo importante. Assim que me perguntei se pílulas anticoncepcionais tinham algum efeito que eu desconhecia, o sorriso dele se esvaiu um pouco.
Sentindo uma ansiedade desnecessária, tentei descobrir rapidamente o que poderia ter deixado passar. Contudo, devido à dor de estômago que persistia vagamente desde o fim da aula, meu raciocínio não progredia. Como a história do cachorro que mia, parecia ainda mais impossível, já que era uma premissa que, desde o início, não podia ser verdadeira.
De repente, Saheon soltou um suspiro profundo. Foi tão intenso que me deixou ainda mais apreensivo. Esfregando o rosto e balançando a cabeça lentamente, ele retornou ao seu tom usual, gentil, porém tingido de fadiga.
— …Não é nada.
— Entendi…
Concordei sem jeito. Ele, que esfregava o rosto com força, ligou o aspirador novamente, sem dizer uma palavra.
O zumbido alto espalhou-se pela casa. Fui para o meu quarto, ainda segurando a alça da mochila com força. Com ele daquele jeito, parecia difícil perguntar onde estava o remédio.
Felizmente, enquanto trocava de roupa, lembrei que havia trazido uma boa quantidade de medicamentos de venda livre na mala, graças ao meu pai, que me deu uma cesta cheia de remédios para quando eu ficasse doente.
Ao abrir o bolso frontal da mala, guardada no canto do armário, vários pacotinhos de remédios caíram. Entre as inúmeras pílulas, havia, claro, algo para dor de estômago. Embora fosse ambíguo se era indigestão ou dor abdominal, como ambos teriam efeito analgésico, presumi que qualquer um serviria.
Seja por estar com roupas confortáveis ou pelo alívio de encontrar o remédio, a dor quase desapareceu. Ainda assim, tomei um comprimido, por via das dúvidas.
Saí do quarto em direção à cozinha. O fio do aspirador se estendia para dentro do quarto dele; pelo barulho, parecia que ele havia mudado de área. Enchi um copo de água e engoli a pílula. A água fria desceu pela garganta. Embora um comprimido pequeno não fizesse efeito imediato, tive a ilusão de que tudo já estava bem.
Assim que terminei de beber, o som do aspirador cessou. Saheon apareceu carregando o aparelho pesado, empurrou-o sem cuidado entre as portas, e então aproximou-se de mim.
— Sua barriga ainda dói?
— Não, acho que já passou…
— Que remédio você tomou?
— Aquele para dor de estômago.
A mão dele deslizou por baixo do meu moletom, pelas costas. Tencionei o abdômen ao sentir o calor da palma. Enquanto ele acariciava suavemente a parte inferior da minha barriga, sem qualquer intenção aparente, sussurrou:
— Que remédio você disse que tomou?
Virei o rosto para encará-lo. Eu podia adivinhar o que ele queria que eu dissesse. Mais uma vez, a questão voltava à estaca zero. Homens não podem engravidar, então por que ele insistia nisso?
— Hyung, pílulas anticoncepcionais…
Finalmente, abri a boca com um tom didático. Vivendo com pais professores por vinte anos, às vezes um hábito involuntário de explicar as coisas aflorava, e esta parecia ser uma dessas vezes.
— São pílulas que previnem a gravidez regulando a ovulação. Acho que você está confundindo os termos…
— Ah… Não, você conhece o presidente da nossa empresa?
Ele me interrompeu, trazendo um assunto aparentemente sem relação. Seus lábios desceram até minha nuca. Pego de surpresa pelo beijo repentino, esqueci tudo o que ia dizer. Ele pressionou os lábios um pouco mais forte, sugando a pele ao redor de onde estava o band-aid. Senti como se uma corrente elétrica se espalhasse pelo meu corpo. Assim que minha resistência cessou, Saheon continuou a falar gentilmente:
— Ele tem um filho que casou às pressas por causa de um ‘imprevisto’. E, pelo que dizem os boatos entre os funcionários, o parceiro do filho diretor do Cha é um homem.
Mais uma vez, lábios quentes tocaram minha nuca. Um arrepio percorreu minha espinha, e apertei o copo. Saheon alcançou-o delicadamente para guardá-lo, unindo sua mão à que já acariciava minha barriga.
— Dizem que tiveram uma filha.
— …Huh?
Atônito, respondi de forma estúpida. Com uma premissa tão forte na cabeça, não conseguia adivinhar onde ele queria chegar. Enquanto eu piscava, ele sussurrou com os lábios quase tocando minha orelha:
— Então, que remédio Cheongmyeong disse que tomou?
Embora sua voz grave e profunda fosse atraente ao ponto de me dar arrepios, não importava o quão bonito ele fosse, ele continuava a dizer coisas incompreensíveis. Mastigando lentamente a parte interna da boca, só pude pronunciar palavras convencionais:
— …Mas hyung, homens…
Saheon soltou um suspiro profundo atrás de mim, como se desistisse. Achei ter sentido algo rígido tocar brevemente minhas costas, mas não tive certeza.
Seu hálito quente tocou minha nuca, e então sua testa descansou em meu ombro. Depois de esfregá-la contra minhas roupas algumas vezes, ele retirou com cuidado a mão que me acariciava.
Com o desaparecimento do calor, uma sensação de vazio tomou conta de mim. Nossos corpos, antes pressionados, se separaram, e Saheon encostou o quadril na bancada da cozinha, resmungando de forma infantil:
— Vou mudar o seu nome salvo no meu celular.
— Huh?
— Vou mudar para “Mung-seon Daewongun”.
NT: ”Mung-seon Daewongun” (Heungseon Daewongun): Referência ao regente coreano do século XIX, famoso por sua política de isolamento rigorosa, que fechou a Coreia ao contato com o mundo exterior. No contexto, Saheon usa o apelido para provocar Cheongmyeong, acusando-o de ser “fechado” ou “irredutível” e de erguer barreiras mentais contra as investidas e as provocações dele, comparando a teimosia do protagonista com o isolacionismo histórico do governante.
Ele começou a reclamar sobre políticas isolacionistas e exclusão cultural. Observei, atordoado, Saheon se transformando em uma criança. Por conhecê-lo há tanto tempo, eu sabia que quando ele agia assim, significava que estava emburrado.
Por que ele estava emburrado? Rígido como um tronco, olhei de relance para ele. Quando nossos olhos se cruzaram, ele fez um som de “Nhac!”, mordeu meu ombro e entrou no quarto. Não doeu, mas a marca onde seus dentes tocaram permaneceu por um bom tempo.
Massageei o local e assisti a ele desaparecer. Vendo-o virar imediatamente em direção ao banheiro, pareceu que ele ia se lavar. Confirmando minha suposição, ouvi o som da água.
Meus lábios fizeram um bico amuado. Empurrei o lábio inferior para dentro com a ponta do dedo indicador. Ele dizia coisas sem sentido e, de repente, ficava emburrado sozinho. Um bebê.
Embora soubesse que ele fingia estar chateado para me provocar, não pude evitar um pouco de irritação. Fui para o quarto, resmungando baixo, da mesma forma que ele.
Ouvir o som do banho me lembrou que eu não havia me lavado direito de manhã. De repente, senti-me todo grudento. Pensando que seria bom lavar-me enquanto lembrava, peguei minha roupa e segui para o banheiro.
Depois de me despir, pressionei as marcas vermelhas visíveis no espelho e, por hábito, também pressione a área dos olhos, que parecia cansada. O “eu” no reflexo estava com os lábios contraídos.
Quem foi que ficou emburrado primeiro depois de insistir em uma teimosia irracional? Continuei resmungando, mas pausei momentaneamente, preocupado se minha voz vazaria pelo som do chuveiro. Após calcular a distância entre o quarto dele e o banheiro da sala, percebi que certamente não seria ouvido e comecei a resmungar mais livremente.
Mas, à medida que meu corpo relaxava sob a água morna, outro pensamento começou a surgir. Se Saheon estava sendo tão infantilmente teimoso, não poderia eu, como um adulto, ter sido generoso o suficiente para acompanhá-lo uma vez? Se eu tivesse fingido ceder, ele não teria dito tais absurdos. Talvez fosse uma oportunidade de mostrar maturidade.
Esfreguei as bochechas, que ficaram vermelhas pela água quente, com as palmas das mãos. Uma vez tomada a decisão, meu coração começou a disparar, talvez pela ansiedade.
Como gosto de ficar sob a água por muito tempo, não sabia quanto tempo havia passado, mas, julgando pelo calor que sentia no corpo, parecia que estava lá há um bom tempo.
O aroma do xampu e do sabonete pairava sobre mim. Após enxaguar a espuma, desliguei o chuveiro e me vesti rapidamente. Embora as roupas tenham ficado úmidas, era tolerável.
Talvez pelo pensamento de que eu precisava agir, não tive capacidade de prestar atenção em mais nada. Felizmente, assim que saí do banheiro e senti o ar fresco, percebi plenamente o quão sem sentido era o que eu estava prestes a dizer.
Era algo absurdo, mas vendo Saheon, que queria ouvir aquelas palavras, parecia aceitável dizer uma vez, ainda que estranho. Tão estranho que a dúvida sobre ele possuir algum desejo sexual incomum cruzou minha mente antes de ser empurrada para o fundo.
Fechei com força em meus lábios, que se contorciam, e observei o quarto à distância. O som da água havia parado.
Ele ainda estaria emburrado? Em minha mente, o desejo de ouvi-lo generosamente entrava em conflito com a opinião de que aquela era uma frase estranha. Também parecia esquisito chegar de repente e dizer: “Acho que entendi errado”. Pendurei as roupas que seriam lavadas sobre o braço e caminhei lentamente.
Ao chegar à sala, vi os maus hábitos dele. As roupas que ele usava estavam espalhadas sem cuidado pelo sofá. Decidi colocá-las no cesto da lavanderia junto com as minhas, já que eu estava indo para lá de qualquer forma.
Uma camisa, uma calça de treino. Após recolher tudo, dirigi-me ao quarto dele. Coçando a nuca, que subitamente coçava, com a mão livre, entrei com cautela.
O hyung estava encostado na cabeceira da cama. Parecia ter lavado apenas o corpo, pois seu cabelo estava seco, mas sua pele ainda mantinha umidade, e ele usava apenas uma cueca.
Ele estava focado em algo na tela do celular. Olhei em sua direção, mas ele agiu como se não tivesse me notado. A sensação de irritação que eu havia esquecido momentaneamente surgiu novamente, mas este era o momento de mostrar meu lado maduro. Recolhi as roupas espalhadas pelo chão. Logo, meus braços estavam cheios.
Após recolher tudo o que estava visível, caminhei na ponta dos pés até ele. Mas, ao ficar em sua frente, pensei que seria estranho demais trazer o assunto do remédio do nada. No fim, escolhi começar a conversa por outro ângulo, resmungando:
— Hyung.
— Sim?
Quando falei, Saheon fingiu um susto exagerado. Vendo sua reação, percebi que era claramente para me provocar, mas um canto do meu coração ainda se sentia ansioso. Mais uma vez resmungando, trouxe o assunto indiretamente:
— Tem algo que precise lavar?
— Sim. Está bem aqui.
Saheon apontou para a cueca que estava usando, com o dedo indicador.
⚝ Continua…
◆ Tradução, revisão e raws Nat ◆
Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar