Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 27 Online


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↫─Capítulo 27

Saheon hyung não voltou durante todo o fim de semana. A julgar pelas paisagens exóticas da Tailândia que ele me enviou pelo aplicativo de mensagens, junto com a sugestão de visitarmos o lugar juntos em algum momento, ele devia mesmo ter viajado a trabalho. No entanto, até aquilo me fazia sentir culpado.
​O hyung parecia muito bonito na foto estilo selfie que mandou. Embora a imagem fosse 90% paisagem e apenas 10% do rosto dele aparecendo de relance, meu olhar foi atraído para suas feições, e não para o cenário.
​Na foto um pouco borrada, talvez tirada enquanto conversava com colegas de tripulação, os olhos do hyung estavam graciosamente semicerrados. Era o sorriso que eu mais gostava, com os olhos curvados de forma gentil e pequenas linhas se formando nos cantos.
​Não ver Saheon hyung no fim de semana foi, ao mesmo tempo, uma sorte e um azar. Pensando de forma racional, mas dominado pela culpa, passei os dois dias inteiros remoendo meu relacionamento com ele.
​Eu, incapaz de controlar meus impulsos em relação a Saheon hyung. O hyung, que já conhecia meus sentimentos, mas os descartava como uma fase passageira.
​Eu, que não conseguia enxergá-lo simplesmente como o irmão mais velho da casa ao lado. Eu, que ficava excitado com pequenos gestos dele que ninguém mais notaria.
​E Saheon hyung, que talvez já tivesse uma namorada com quem pretendia ou havia prometido se casar, enquanto eu era apenas o dongsaeng vizinho que ele conhecia há muito tempo. Por mais que tentasse pensar de forma positiva, eu não encontrava uma saída.
​Durante todo o fim de semana, fiquei olhando para as fotos das paisagens que Saheon hyung enviara, pensando e repensando. Tracei o perfil dele na imagem com a ponta do dedo e, em seguida, abaixei a mão com o coração pesado.
​Ao notar que eu tinha visualizado as mensagens, mas não respondido, Saheon hyung enviou uma sequência cheia de emojis chorando, perguntando se eu ainda estava bravo com ele e implorando para nos vermos, dizendo que tinha comprado muitos presentes. Aquela atitude só alimentou meu sentimento de culpa por cometer um pecado contra o hyung, que era inocente e não sabia de nada.
​A última mensagem de Saheon hyung, vinda de Bangkok, dizia que ele retornaria à Coreia à uma da manhã, na madrugada de domingo para segunda-feira. Mais uma vez, li a mensagem sem responder e procurei os horários dos voos de Bangkok para a Coreia.
​Era uma viagem de seis horas — curta ou longa, dependendo do ponto de vista. Como ele havia avisado na mensagem, sairia à uma da manhã, se o avião pousasse no horário correto, chegaria à Coreia às sete da manhã. Calculando trinta minutos generosos para o desembarque e a saída da aeronave, e mais uma hora do Aeroporto de Incheon até a casa dele, Saheon hyung provavelmente chegaria por volta das oito e meia.
​Passei a noite quase inteira em claro. O silêncio absoluto trazia à tona diversos pensamentos, a maioria memórias de momentos com Saheon hyung, desde a infância até agora.
​Por mais que eu me revirasse na cama, meus olhos se recusavam a fechar. Perto do amanhecer, quando o céu lá fora começou a clarear timidamente através da janela que ainda não tinha cortinas, desisti de tentar dormir e me preparei para sair.
​Não houve hesitação em colocar em prática o que eu vinha planejando há dois dias. Talvez por já ter simulado a cena na cabeça várias vezes, minhas mãos se moveram sem vacilar enquanto eu arrumava o quarto. Devido à falta de sono, todas as ações pareciam acontecer no automático, sem passar pela consciência. Eu me movia em silêncio, com os lábios firmemente pressionados, como se executasse uma tarefa obrigatória.
​Troquei de roupa e guardei o restante dos meus pertences na mala. Depois de acrescentar as roupas que havia lavado no fim de semana, a mala ficou cheia a ponto de quase estourar. Coloquei meu notebook, o carregador e outros itens diversos na mochila que costumo usar na faculdade, finalizando completamente os preparativos.
​Dobrei ordenadamente a roupa de cama amassada e a coloquei sobre o colchão. Também esvaziei a lixeira e cheguei a passar um pano em uma mancha grudenta no chão que parecia suco de laranja derramado. O quarto parecia muito vazio sem as minhas coisas, embora eu não tivesse levado muita coisa para começo de conversa. Eu não havia trazido muita coisa, mas todos os vestígios da minha presença ali foram apagados, como se eu nunca tivesse existido. Claro, a casa era de Saheon hyung, mas, ainda assim, um nó se formou na minha garganta.
​Embora minhas aulas só começassem às dez, eram apenas sete horas quando terminei tudo. Decidi sair de casa antes do planejado. Se Saheon hyung voltaria por volta das oito e meia, seria melhor evitar qualquer chance de nos cruzarmos.
​O ruído das rodinhas da mala ecoou como uma nota dissonante na casa silenciosa. Peguei meus sapatos na sapateira e os calcei. Ao olhar para o interior do apartamento com os olhos cheios de nostalgia, me peguei organizando os sapatos de Saheon hyung que estavam espalhados perto da entrada.
​”O hyung também tem pés grandes”, pensei, sem motivo. Sentindo algo quente subir pelo peito, tive que lutar para não cair na autopiedade.
​De qualquer forma, nós mal havíamos mantido contato nos quase três anos que se seguiram à rejeição do hyung. Mesmo antes disso, não nos falávamos todos os dias, mas, após a minha confissão, acabei me acostumando a me afastar dele, carregando meu próprio constrangimento.
​Segurei a alça da mala com firmeza e me forcei a ter coragem. Não importava o quanto eu pensasse a respeito, aquilo parecia o certo. Se alguém nutre desejos sexuais impuros por outra pessoa, é correto que a pessoa com esses sentimentos se afaste.
​Deixei a casa sem esconder minha expressão melancólica. O ar que invadia o corredor estava gelado. Ao descer para o estacionamento, a temperatura baixa se intensificou. Apesar de estarmos em março, o vento frio que cortava minhas bochechas serviu para despertar um pouco a minha mente nublada pela falta de sono.
​Caminhei pela rua que havia se tornado familiar naquele curto período de tempo e me dirigi ao ponto de ônibus. O transporte para a faculdade não demorou a passar, mas, por ser um veículo de linha direta no horário de pico, estava lotado de passageiros.
​Eu tinha tempo de sobra. Deixei o ônibus vermelho habitual passar e optei por um ônibus de bairro. Embora o trajeto fosse demorar cerca de trinta minutos a mais por fazer um caminho mais longo, pareceu melhor do que incomodar os outros carregando uma mala grande em um transporte lotado.
​Apesar de ter me esforçado para gastar tempo na rua, cheguei à faculdade com uma hora de antecedência. Os olhares das pessoas eram atraídos para mim por causa da mala que eu puxava. Tentei manter os olhos fixos no chão enquanto subia a ladeira suave.
​Quando cheguei ao prédio das salas de aula, lembrei-me de repente de que, no primeiro dia do semestre, tive de subir e descer as escadas porque não havia elevador. Olhando fixamente para os degraus que pareciam tão antigos quanto o próprio edifício, ergui a mala e comecei a subir um degrau de cada vez.
Felizmente, como só tinha roupas, a mala não estava tão pesada. Depois de ofegar um pouco para subí-la até o terceiro andar, abri o casaco acolchoado para dissipar o calor acumulado no corpo e caminhei pelo corredor vazio.
​Faltando uma hora para o início da aula, a sala estava deserta. Escolhi um lugar próximo de onde havia me sentado com Choi Hyun-oh da última vez e empurrei a mala contra a parede.
​O tique-taque do relógio ecoava na sala de aula. Olhando para a frente com o rosto entorpecido pela falta de sono, peguei o celular. Nove da manhã. Eu imaginava que Saheon hyung chegaria por volta das oito e meia, mas ainda não havia qualquer sinal dele.
​A ansiedade surgiu de repente. Como o hyung reagiria ao descobrir os vestígios do meu sumiço? Ele ficaria bravo? Provavelmente sim. Mas talvez Saheon hyung ficasse, na verdade, aliviado se o dongsaeng vizinho que nutria pensamentos impuros por ele desaparecesse.
​Sentindo náuseas causadas pela ansiedade, mordi o lábio com força. Os pensamentos negativos que se aprofundavam logo retornaram ao ponto de partida. Era o mesmo questionamento que eu vinha me fazendo durante todo o fim de semana ao pensar em Saheon hyung.
​Desliguei o celular. Eu me sentia ansioso sobre quando Saheon hyung entraria em contato, mas, se ele não o fizesse, aquilo machucaria de uma forma particular. Com sentimentos complexos que eu mesmo não conseguia compreender direito, deitei a cabeça sobre a mesa da sala de aula.
​O frio da superfície subiu pela minha bochecha. Agora que eu tinha um lugar para descansar, o esquecido cansaço veio com força. A madeira fria foi se aquecendo gradualmente com o calor do meu corpo. Decidi dormir um pouco antes do início da aula.
​— Ei, o que a gente faz? O Cheongmyeong morreu!
​Eu pretendia apenas fechar os olhos por um instante, mas tive de abri-los com o grito estridente de Choi Hyun-oh. Minha visão estava turva. Tendo acordado de repente, eu estava um pouco tonto e franzi a testa ao me sentar. Meu pescoço estava rígido por ter dormido encolhido.
​Olhei para Choi Hyun-oh com os olhos sonolentos enquanto massageava a nuca. Shin Jiyu, de pé ao lado dele, gargalhava e dava tapas repetidos em seu ombro. Apesar de ser empurrado para o lado pelo tratamento bruto, a expressão de Hyun-oh permanecia preocupada.
​— Por que você dorme tão imóvel? Você nem parecia estar respirando enquanto dormia!
​Hyun-oh se aproximou do meu lado como se tentasse escapar das mãos firmes de Jiyu. Afastei-me um pouco para que ele pudesse se sentar confortavelmente.
​Hoje, Hyun-oh estava com a franja descolorida penteada para trás com cera. Quando Saheon hyung arrumava o cabelo com pomada, aquilo lhe conferia um aspecto profissional e alinhado, mas, quando Hyun-oh fazia o mesmo, apenas enfatizava sua aparência desalinhada.
​— Mas de quem é essa mala? Alguém vai viajar hoje? — Jiyu perguntou, apontando para a minha mala enquanto se preparava para sentar. Eu a havia colocado de lado para não bloquear o caminho, mas agora que as pessoas estavam entrando, o corredor parecia ainda mais estreito.
​— Ah… desculpe. É minha. Vou colocar lá atrás.
​— Não, está tudo bem. Só perguntei por curiosidade. Todo mundo que tinha de vir já chegou, então que diferença faz? Deixe aí.
​Jiyu falou sem dar importância enquanto se sentava, mas Hyun-oh me encarava com os olhos arregalados. Suas sobrancelhas erguidas estavam bem visíveis por causa do cabelo rigidamente penteado para trás. Ele perguntou em um sussurro:
​— Você vai viajar?
​— Não.
​Afastei-me um pouco mais conforme Jiyu e Kim Seo-hee entravam, e respondi. Na frente da sala, o professor da matéria, que havia entrado em algum momento sem que eu percebesse, organizava o material para a aula. Hyun-oh abaixou ainda mais o tom de voz, ajustando-o para que as duas sentadas ao nosso lado não pudessem ouvir.
​— Você fugiu de casa?
​Fiquei sem palavras diante da pergunta direta de Hyun-oh. Como eu havia saído por vontade própria, poderia ser considerado uma fuga, mas Saheon hyung era mais como um colega de casa, então eu não tinha certeza se aquele era o termo exato.
​No entanto, enquanto eu hesitava por um instante, Hyun-oh parecia já ter tirado sua própria conclusão. Assim que deu dez horas, o professor começou a fazer a chamada. Como a sala de aula silenciou de repente, Hyun-oh começou a escrever no canto vazio do livro didático.
​*Como isso aconteceu?*
​Mas logo ele rabiscou sobre a própria escrita com a caneta preta. O som baixo do papel sendo riscado pôde ser ouvido. Bem naquele momento, quando o professor chamou meu nome, respondi “Presente” e observei Hyun-oh escrever:
​*Onde você pretende dormir?*
​Peguei a caneta da mão dele. Como era o livro de outra pessoa, escrevi com a menor caligrafia possível, o que naturalmente fez meus ombros se encolherem. Hyun-oh se aproximou um pouco mais de mim.
​— Choi Hyun-oh? Aluno Choi Hyun-oh?
​— …Sim! Estou aqui!
​Hyun-oh, percebendo tardiamente que seu nome havia sido chamado, ergueu a mão bem alto para responder. Durante o fim de semana, eu havia pensado sobre o que fazer dali em diante, à minha maneira. Naquele momento, escrevi minha resposta completa:
​*Estou pensando em ficar em um *jjimjilbang por enquanto.*
*NT: Casas de banho coreanas 24h que oferecem saunas, áreas comuns e espaço barato para dormir.
​Enquanto risadas ecoavam ao nosso redor devido à distração de Hyun-oh, ele deu um sorriso sem jeito antes de abaixar a cabeça novamente para ler o que eu tinha escrito. Com a testa totalmente exposta, pude ver claramente suas sobrancelhas se franzirem de leve. Ele moveu os lábios em silêncio, lendo as palavras, e depois moveu a mão para o espaço em branco acima:
​*O que você está dizendo? Jjimjilbangs são muito perigosos. Venha para a minha casa.*
​Abri bem os olhos e mexi a boca com um “Tudo bem mesmo?”. Percebendo depois que deveria ter escrito, notei que Hyun-oh pareceu entender o que eu queria dizer de qualquer forma. Ele, segurando a caneta, escreveu no espaço que restava no papel:
​*Sim, claro.*
​*Por que você se assusta tão fácil que nem um coelho?*
​*É porque você se parece com um?*
​Hyun-oh preencheu todo o espaço em branco restante com rabiscos sem sentido como “coelho coeeelho coeeeeeelho”, chegando a desenhar a figura de um coelho cantando música trot com entusiasmo. Em seguida, pousou a caneta.
​Graças ao descanso que consegui antes da aula, ou talvez pelo fato de Hyun-oh ter oferecido sua casa prontamente, pensei que seria capaz de me concentrar na matéria com facilidade, mas não foi o caso.
Eu até conhecia o alfabeto, mas se a pronúncia mudava, minha mente travava e se recusava a entender. Enquanto ouvia a explicação com um milhão de pontos de interrogação flutuando na cabeça, o tédio ficou insuportável quando chegamos a sons que pareciam “double v” ou “Monopoly”. Sem pensar, recorri ao celular pelo puro hábito de buscar uma distração.
​Apenas após ligá-lo é que me lembrei do motivo de tê-lo desligado, mas, antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, assustei-me com as notificações de chamadas perdidas que surgiram na tela.
​A janela de avisos que apareceu com uma vibração contínua estava repleta de registros de ligações não atendidas e mensagens de Saheon hyung. Meu coração disparou, e não consegui sequer ler o conteúdo. Puxei o ar com força, de olhos arregalados, e quando uma nova chamada de Saheon hyung começou a entrar, fiquei tão assustado que deixei o aparelho cair.
​Houve um estalo alto e desagradável quando o celular atingiu o chão de cimento duro. Os olhares de todos, focados brevemente em mim, logo se dispersaram de volta para a frente. Pressionei meu peito que batia acelerado e me curvei para recolher o aparelho.
​O celular tinha uma enorme rachadura e estava estilhaçado, provavelmente por ter caído de quina. Era uma visão devastadora. Levei a mão à boca, cobrindo o lábio entreaberto de choque.
​A essa altura, a ligação já havia caído. Continuei sussurrando: “O que eu faço, o que eu faço” enquanto levava o dedo ao botão de início. Mas a tela, coberta por grandes fendas e rachaduras, permanecia completamente escura.
​Depois de pressionar o botão de início várias vezes e cobri a boca com as duas mãos quando o visor continuou inalterado. Um calafrio correu pela minha espinha ao me dar conta de uma coisa: a chamada não tinha simplesmente caído; o aparelho havia desligado por completo.

 

↫─☫ Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz

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Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar

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