Ler Second Half – Capítulo 38 Online

Capítulo 38
Sempre que chovia em Tabarona , Aaron olhava para o céu cinzento e resmungava que aquele não era dia de jogar futebol. Jerim sempre achou aquilo estranho; eles jogavam bola todo santo dia logo após acordar, então por que ele ficava tão inquieto só porque não podia jogar por um dia?
A chuva não era legal? Assim que a escola acabava, eles podiam simplesmente se enfiar no dormitório e preguiçar juntos o dia todo. Naquela época, mesmo tendo pensamentos infantis assim, Jerim mantinha a boca fechada porque achava o Aaron desanimado uma fofura. No momento em que ele falasse, aquela fofura desapareceria sem deixar vestígios, e Aaron apenas começaria a fazer perguntas como: — O dia todo juntos? O que você quer fazer? — e então se aproximaria fisicamente.
Assim que Jerim expressou indiferente a breve lembrança, Aaron arregalou os olhos como se tivesse visto um rato falando. Logo depois, uma resposta que parecia um suspiro veio em retorno.
— Você se lembra de coisas assim. Você é inacreditável.
— O que você quer dizer? Você até se lembra de eu desmaiando depois de um copo de Clara. Eu não sou senil, sabe? Atchim!
Seu corpo tremeu com um acesso repentino de tosse. O clima estava um pouco severo para passear apenas de camiseta, mas Jerim, por estar bêbado, sentia como se sua temperatura corporal estivesse fervendo e não conseguia sentir o frio. No entanto, seu corpo, resfriado por receber a chuva e o vento de frente, gritava que estava gelado.
Ao vê-lo, Aaron tirou a jaqueta com capuz que estava usando, jogou para ele e o deu uma bronca.
— Por que diabos você sempre caminha quando está bêbado? E com esse tempo ainda por cima. Enfim, é difícil de entender…
Por que esse bastardo está sendo tão legal hoje? Isso está me fazendo pensar nos velhos tempos… Seu cérebro, já aquecido pelo álcool, começou a sobrecarregar devido ao calor excessivo. Jerim não conseguiu continuar a conversa e apenas pegou e vestiu a jaqueta silenciosamente.
O estado estranho de se sentir esquisito, com frio e ao mesmo tempo com calor continuou. Depois de caminhar por um tempo naquela condição bizarra, ele percebeu que já estava na frente de sua casa. Ele sentia vontade de caminhar mais, mas se o fizesse, tanto seu tempo com Aaron quanto esse estado estranho se prolongariam. Então, de forma bastante incomum para Jerim, seu instinto de voltar para casa despertou.
Parando em frente a uma mansão imensa — grande demais para um homem que morava sozinho — Aaron também parou e, encostado no muro, perguntou.
— É aqui?
Jerim assentiu e tirou a jaqueta que estava usando para devolvê-la. Agora, tudo o que ele tinha que fazer era se virar e fechar o portão, mas, estranhamente, seus pés não se moviam com facilidade. Parecia que permanecia uma sensação de dívida por ter sido trazido até ali.
— Ei, não vá ainda, fique um pouco. Eu te empresto um carro ou algo assim…
— Jerim, eu estava bebendo com você até agora pouco.
— Ah, verdade.
— Está tudo bem, então entre logo. Descanse bem amanhã.
Assistindo Aaron se afastar sem qualquer hesitação, Jerim rangeu os dentes.
Isso não está certo, não importa o que aconteça, não posso simplesmente mandá-lo embora assim. Não importa o quanto estejamos um na garganta do outro, mandar embora alguém que caminhou com você por cerca de uma hora em uma noite chuvosa de forma tão fria simplesmente não está certo.
Como capitão, como companheiro de equipe e como coreano, seria ultrajante mandá-lo embora depois que ele me ajudou.
Mas e se essa pessoa a quem devo o favor for, por acaso, um ex-amante? Tudo bem trazê-lo para dentro de casa assim? Especialmente porque eu cheguei a ter uma ereção vendo o sangue em seus lábios…
Enquanto suas preocupações continuavam, seus lábios mordidos gradualmente tornavam-se de uma cor mais escura. Foi apenas quando a cor de seus lábios se assemelhou ao sangue que estivera nos lábios de Aaron que Jerim finalmente gritou alto. Aaron já estava longe.
— Aish. Ei, Aaron! Fica aí e dorme aqui.
— O quê?
Ele conseguia ver vagamente Aaron virando a cabeça em sua direção. Jerim gesticulou para que Aaron se aproximasse e, esperando que ele voltasse, disse.
— Eu disse para dormir aqui. Se eu mandar um companheiro de equipe embora com esse tempo, eu seria menos que humano…
— Você está falando sério? Você vai me deixar entrar na sua casa?
— Já faz dez anos que terminamos, o que isso importa? Só para o caso de você entender errado, eu só estou te dizendo para dormir e ir embora. Você disse que seu lugar é longe, certo?
Apenas decência humana básica, retribuir um favor, camaradagem, responsabilidade, entende? É como aquele ditado: “Ame seus colegas, ame seu país”. Repetindo para si mesmo que estava apenas fazendo o que qualquer pessoa decente faria, ele empurrou o portão. O cenário familiar do jardim deu as boas-vindas ao dono da casa e ao seu convidado.
— Entre. O quarto de hóspedes por acaso está vago.
— Uh-huh…
Um som de vibração persistente o acordou de um sono profundo. Mesmo quando tentou ignorar e voltar a dormir, o barulho, como o bater de asas de uma vespa, continuou tocando, fazendo sua irritação explodir.
Depois de tentar por um tempo tapar as duas orelhas dobrando o travesseiro, Jerim finalmente se rendeu à vibração que parava e começava a tocar de novo, esticando o braço. Enquanto tateava ao lado da cama para encontrar o telefone, uma dor de cabeça latejante o assaltou, e um gemido escapou automaticamente.
Será porque eu ainda não acordei totalmente? Ah, eu bebi ontem. Então, como cheguei em casa? O Leman me trouxe de novo? Ele se sentiu desnecessariamente culpado pelo mais jovem, que sempre acabava cuidando dele só porque morava por perto. Resolvendo enviar uma mensagem de texto assim que recuperasse os sentidos, Jerim atendeu o telefone.
— Alô…
Sua voz profundamente sonolenta saiu rouca e feia. Em resposta, a pessoa do outro lado da linha pareceu bastante surpresa.
— Por que sua voz está assim? E por que você não está atendendo o telefone!
— Aigo, mãe… Qual o motivo de ligar tão cedo de manhã…
— Cedo? Do que você está falando, menino? É noite na Coreia. Não é hora do almoço no Reino Unido?
— Ah, verdade… Uau, quantas horas eu dormi?
Franzindo a testa com força, Jerim mal checou a hora e ficou tão surpreso que deu um pulo na cama. Mesmo nas férias, ele raramente dormia depois das 9h da manhã, mas agora passava de 13h. Todo o meu ritmo está arruinado só por beber um pouco ontem à noite. Jerim afastou o cobertor com irritação e se levantou.
Encontrando um par de calças de moletom entre as roupas espalhadas debaixo da cama, ele as vestiu grosseiramente e foi para o banheiro, onde a luz brilhante do sol entrava pela janela aberta. Enquanto escovava os dentes e fazia a barba com o telefone no viva-voz, a bronca de sua mãe continuava.
— Você bebeu, não bebeu? Você não tem jeito. Morando sozinho e bebendo o tempo todo! Você quer acabar sozinho na vida?
— Como posso acabar sozinho se eu não tenho nem um filho…
— Aish! Enfim, você nunca escuta. Seu estômago está bem? Você disse que tem um restaurante coreano por perto, certo? Vá tomar uma sopa Hwangtae ou algo assim. Não pule refeições se seu estômago doer. Você está tomando o ginseng vermelho direito?
— Sim, sim. Não se preocupe. Eu moro sozinho há anos; você acha que eu não consigo nem cuidar das refeições?
Ele não mencionou que o restaurante coreano próximo não vendia pratos específicos como sopa Hwangtae, ou que o ginseng vermelho que ele mesmo havia anunciado estava pegando poeira no armário da cozinha, criando mofo vigorosamente. Depois de limpar a espuma de barbear e terminar lavando o rosto com água fria, sua dor de cabeça havia diminuído um pouco.
Ouvindo a voz de Jerim muito mais normal em resposta, sua mãe pareceu relaxar, soltando um longo e profundo suspiro.
— Suponho que sim, mas… Quando diabos você vai se casar?
— Madame, sua mudança de assunto é tão abrupta que eu não consigo me adaptar. Um filho adorável já não é o suficiente?
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello
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Sinopse:
— Não preciso da sua mão, então cai fora, seu filho da puta.
Após provar uma derrota amarga na final da Champions League pela segunda vez em sua carreira, Jerim rejeita a mão do atacante do time adversário e ex-companheiro de equipe na academia de base, Aaron, fazendo com que rumores de discórdia voltem a circular.
Na verdade, o relacionamento deles não era bom, então não eram apenas rumores — era discórdia de verdade. Como eles estavam em ligas diferentes de qualquer maneira, ele nunca tinha se preocupado particularmente com isso.
— Vamos tentar nos dar bem de novo, Jerim.
…Até que um mês depois, Aaron veio para o mesmo clube que ele através de uma transferência gratuita*.
Já era irritante o suficiente estar no mesmo time que o cara que o havia humilhado na final recente, mas para piorar as coisas, esse cara por acaso era seu ex de muito tempo atrás.
E eles haviam terminado da pior maneira possível.
*Transferência gratuita: quando o contrato de um jogador termina e ele se muda para um novo clube sem o pagamento de uma taxa de transferência.
[Benefícios para Aaron Reyes se ele se naturalizar coreano]
– Banir Jerim
– Camisa número 9 garantida na seleção nacional
– Cobertura gratuita com vista para o Rio Han em um complexo residencial (excluindo taxa de condomínio)
– Entrega direta dos frutos do mar mais frescos do dia do Mercado de Peixes de Noryangjin (uma vez por semana; caranguejo-rei/caranguejo-das-neves uma vez por mês)
– Entrada gratuita no Lotto World (inclui um acompanhante, uma vez por mês)
– Uso gratuito de bicicletas públicas para o resto da vida
⤷ Hum, usar as bicicletas de graça não é um pouco demais??
⤷ Droga, eles estão até jogando o Jerim no pacote? Se eu fosse o Aaron, nunca deixaria passar essa oportunidade.
Nome alternativo: Second Half Segundo Tempo