Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 85 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 85

***

Na volta de carro, Yeon-oh fez apenas uma única pergunta.

— O que você quis dizer quando falou que ‘organizou’ tudo?

Observando as veias pulsando no dorso da mão de Yeon-oh enquanto ele apertava o volante, Gi-hyeon respondeu que quis dizer exatamente o que falou. Ele elaborou que significava que havia resolvido completamente e descartado a confissão dolorosa e pesada de sete anos atrás que os havia amarrado ambos.

Yeon-oh não respondeu por um longo tempo. Mesmo quando o semáforo ficou verde e o carro à frente deles foi embora, ele não tocou no acelerador.

— Ei, o pessoal atrás de nós vai começar a xingar. Comece a dirigir. Só depois que Gi-hyeon apontou, o carro parado finalmente avançou.

***

— Você apareceu do nada e agora está indo embora tão abruptamente.

— Está triste por eu ir embora, chefe?

Tirando de sua distração pela voz de Jisu, Gi-hyeon deu um pequeno sorriso e uma resposta provocante.

Como ele e Yeon-oh tinham concordado oficialmente em voltar a ser apenas amigos, Gi-hyeon imaginou que poderia facilmente inventar uma mentira plausível se Jo Gyu-deok algum dia descobrisse a associação contínua deles. O plano de contingência de fugir para o exterior quando a criança fosse um pouco mais velha também continuava sendo uma opção viável.

Se o bebê acabasse se parecendo exatamente com Jo Yeon-oh, qualquer um com olhos descobriria a verdade eventualmente enquanto eles permanecessem ‘amigos’.

Assobiando baixinho enquanto refletia sobre essas coisas, Gi-hyeon pegou um copo da mesa do churrasco e deu um gole. Do lado de fora do restaurante, Yeon-oh estava ao telefone. Com uma mão enfiada casualmente no bolso de suas calças de linho, seu rosto uma máscara completamente ilegível, ele dava instruções para alguém.

Arrancando os olhos da janela, Gi-hyeon colocou o copo de volta na mesa. Do outro lado da mesa, o bancário lutava tão pateticamente para grelhar a carne que Jisu finalmente confiscou as pinças com exasperação.

— Então, você realmente não vai contar nada para aquele Alfa, nunca?

— Sim, chefe. Esse é o plano.

Gi-hyeon estava moderadamente curioso sobre por que Jisu tinha repentinamente rebaixado Yeon-oh de ‘seu amigo’ para ‘aquele Alfa’, mas não perguntou. A mudança na terminologia indicava claramente um distanciamento psicológico crescente entre os dois homens. Dada a frequência com que Yeon-oh havia coberto os turnos de Gi-hyeon no antro de jogo nos últimos dias, Gi-hyeon imaginava que eles tivessem se tornado um tanto amigáveis, mas aparentemente não.

— Eu juro, se você fosse meu filho, eu teria raspado sua cabeça careca e trancado no seu quarto. Como é que você consegue engravidar exatamente no segundo em que manifesta como Ômega?

— Você parece um enorme antiquado, chefe.

Quando Gi-hyeon confessara a verdade pela primeira vez, Jisu nem pestanejou. Só agora, dias depois, ele finalmente estava fazendo a bronca obrigatória. Era muito característico de Jisu. Estalando a língua, Jisu cortou com perícia o couro de porco de cortesia que o dono — claramente reconhecendo Jisu como um cliente regular — trouxera. Gi-hyeon estava relaxado o suficiente para provocar de volta. Talvez porque ele finalmente tivesse resolvido a dívida emocional agonizante de volta ao hotel em Mokpo.

Embora Gi-hyeon não tivesse certeza de qual ‘segredo’ específico Jisu estava se referindo quando perguntou se Gi-hyeon o esconderia de Yeon-oh para sempre, ele assumiu que era geralmente sobre a gravidez. Como ele não tinha absolutamente nenhuma intenção de contar a verdade a Yeon-oh, ele simplesmente concordou, uma resposta que claramente frustrou Jisu. Exalando um leve suspiro, Jisu lançou um olhar de soslaio entre Gi-hyeon e o bancário.

— Eu juro, nunca consigo saber o que nenhum de vocês dois, bastardos, está pensando. Por que caralhos vocês complicam tudo tanto?

Assumindo que o bancário tivesse suas próprias queixas para expressar, Gi-hyeon olhou para ele, mas o homem estava completamente ignorando a conversa deles. Emancipado dos deveres de grelhar, seus pauzinhos eram um borrão enquanto devorava a carne rapidamente. Ansioso para desviar das reclamações de Jisu, Gi-hyeon fez uma pergunta que vinha guardando há algum tempo.

— Como vocês dois realmente se conheceram, chefe?

Colocando um pedaço de bochecha de porco perfeitamente grelhado no prato do bancário, Jisu respondeu bruscamente:

— Fui até a casa dele cobrar uma dívida. Ele disse que não tinha o dinheiro, então eu simplesmente o agarrei e arrastei para fora. Por quê?

Gi-hyeon piscou em surpresa. O bancário não negou a história de origem brutal, totalmente focado em encher a cara. Ele geralmente comia como um passarinho, similar a Gi-hyeon, mas estava devorando a comida esta noite, mantendo as pinças de Jisu trabalhando horas extras.

Apesar da descrição áspera de Jisu, Gi-hyeon sabia que os dois eram na verdade muito próximos, embora categorizá-los meramente como ‘amigos’ parecesse impreciso. Eles discutiam como um velho casal. Decidindo que a dinâmica deles não era problema seu, Gi-hyeon pegou um pedaço da bochecha de porco que Jisu grelhara. Marinada em uma cobertura doce e salgada de molho de soja, alho, pimenta e oligossacarídeo, a carne grelhada no carvão era incrivelmente deliciosa.

— Ainda assim, obrigado por fechar o antro em horário de funcionamento só para me fazer uma festa de despedida, Capitão.

— Larga essa porra de ‘Capitão’ e me chame de hyung.

— Hyung-nim.

A palavra final não veio de Gi-hyeon. Deslizando para o assento vazio ao lado de Gi-hyeon, Yeon-oh arrastou o honorífico com profunda e sarcástica apatia. Jisu olhou para Yeon-oh com repulsa visível e balançou a cabeça.

— Não me lembro de nunca ter tido um irmão mais novo como você.

— É, bem, eu também sou filho único.

Franzindo a testa profundamente com a queda imediata e desrespeitosa dos honoríficos por Yeon-oh, Gi-hyeon bateu com força na coxa de Yeon-oh. Felizmente, Jisu não era do tipo que explodisse por pequenos desaforos, evitando que a situação escalasse para uma briga de gritos.

Gi-hyeon transbordava gratidão para com Jisu por ter feito este jantar de despedida improvisado; Yeon-oh aparecendo de surpresa com uma careta e instantaneamente arruinando o clima era incrivelmente irritante. Gi-hyeon chutou o osso do tornozelo de Yeon-oh sob a mesa.

— Se você está cansado, eu te disse para ir embora e dormir.

— Cala a boca e come.

Yeon-oh empurrou a cabeça de Gi-hyeon para baixo em direção ao seu prato. Ele vinha agindo incrivelmente estranho há um tempo, embora Gi-hyeon não conseguisse identificar exatamente a anomalia. Ele não parecia explicitamente furioso. Ele definitivamente parecia irritado, mas Yeon-oh era perpetuamente irritado. A única diferença gritante era que, desde que saíram do hotel, Yeon-oh parecia profundamente, perturbadoramente alheio. Isso incomodava Gi-hyeon. De repente, Jisu soltou uma risada zombeteira.

— Seu amigo parece um pouco ‘especial’, Soso.

O rosto de Yeon-oh instantaneamente se tornou glacial enquanto travava os olhos com Jisu. Avistando as veias saltando perigosamente na testa de Yeon-oh, um Gi-hyeon em pânico puxou Yeon-oh para cima.

— Capitão, nós realmente precisamos ir. Esse bastardo vai cobrir a conta, então, por favor, fique e aproveite o resto da refeição. Eu entro em contato assim que chegar em Seul.

A terrível premonição de que um banho de sangue era iminente se recusava a sair de Gi-hyeon. Felizmente, Yeon-oh permitiu que fosse puxado para cima sem resistência. Jisu simplesmente acenou, transferindo casualmente a carne grelhada restante para o prato do bancário.

Arrastando Yeon-oh para fora do restaurante, Gi-hyeon enfiou a mão silenciosamente no bolso traseiro de Yeon-oh.

— …Ei, o que você está fazendo? perguntou Yeon-oh, sua voz caindo uma oitava.

Gi-hyeon se perguntou brevemente se agarrar agressivamente a bunda do homem era inadequado, mas não se preocupou em responder. Extraindo a carteira de Yeon-oh, Gi-hyeon voltou para o balcão. Ele pagou pela bebida e carne, instruindo o dono a cobrar um adicional de 100.000 won no cartão. Retribuindo o sorriso radiante do dono e o convite para voltar em breve, Gi-hyeon saiu e jogou a carteira em Yeon-oh.

Yeon-oh, que não tinha tirado os olhos de Gi-hyeon o tempo todo, nem sequer levantou a mão para pegá-la. A carteira bateu em seu peito e caiu na terra. Gi-hyeon olhou para ele, desnorteado.

Gi-hyeon estava prestes a perguntar qual era o seu problema quando o pomo de Adão grosso de Yeon-oh se moveu pesadamente. Ele falou primeiro.

— Você transou com aquele bastardo?

— …O quê?

A acusação era tão astronomicamente absurda que deletou temporariamente as funções cerebrais superiores de Gi-hyeon. Enquanto a boca de Gi-hyeon se abria e fechava silenciosamente, Yeon-oh, desmascarando completamente sua hostilidade afiada, pressionou o ataque.

— Você disse que ele não era o pai. Então o quê, você só o comeu por diversão?

Gi-hyeon olhou para o céu noturno, inclinou a cabeça, lambeu o lábio inferior e soltou um enorme suspiro exasperado.

— E se eu tiver?

No instante em que as palavras deixaram sua boca, Yeon-oh passou por ele. Agarrando um pesado atiçador de ferro apoiado ao lado do forno a carvão externo, Yeon-oh marchou decididamente de volta para o restaurante. Em choque, Gi-hyeon boquiabriu-se por uma fração de segundo antes de correr atrás dele. Um estrondo ensurdecedor ecoou enquanto Yeon-oh batia violentamente o atiçador de ferro na mesa de Jisu.

— Jo Yeon-oh!

Gi-hyeon gritou seu nome, mas já era tarde demais. Movendo-se com velocidade aterrorizante, Jisu empurrou a cabeça do bancário para baixo, protegendo-o sob seu peito enquanto se abaixavam debaixo da mesa. No mesmo movimento fluido, Jisu investiu, desferindo um chute brutal no tornozelo de Yeon-oh.

Com seu equilíbrio momentaneamente quebrado, Yeon-oh se recuperou instantaneamente, erguendo-se para balançar o pesado atiçador de ferro novamente.

O guincho do ferro rangendo contra o concreto se misturou ao grito de pânico do dono do restaurante — Aigoo! — criando uma cacofonia caótica. Olhando para a carnificina inacreditável, Gi-hyeon boquiabriu-se como um peixe antes de se lançar desesperadamente para frente, envolvendo todo o seu peso no braço que empunhava o atiçador. Yeon-oh falou com apatia gelada.

— Solta.

— Seu bastardo louco, larga essa porra dessa arma!

Gi-hyeon se recusou a soltar, agarrando-se desesperadamente ao braço de Yeon-oh. Olhando para Gi-hyeon com uma intensidade aterrorizante e gélida, Yeon-oh finalmente jogou o atiçador no concreto. Ele agarrou o pulso de Gi-hyeon e o arrastou para fora do restaurante.

Avistando o dono alcançando o telefone fixo para chamar a polícia, Yeon-oh casualmente estendeu a mão e bateu o receptor com força. Afivelando seu relógio de pulso de luxo, ele o jogou no balcão como garantia antes de arrastar Gi-hyeon para fora.

— Que porra você está fazendo, seu bastardo psicótico?!

Gi-hyeon finalmente perdeu a paciência, sua voz ecoando alto na rua silenciosa. Por ser tarde, a cidade rural estava praticamente deserta. Além do grupo de Jisu, o restaurante estava vazio. Consequentemente, ninguém testemunhou Yeon-oh arrastando Gi-hyeon para longe.

As costas rígidas de Yeon-oh não ofereceram explicação; ele simplesmente manteve sua garra de ferro no braço de Gi-hyeon, marchando decididamente para a escuridão. Gi-hyeon desejava desesperadamente que ele pelo menos dissesse onde diabos estavam indo, mas Yeon-oh claramente não tinha intenção de elaborar.

Gi-hyeon soltou um suspiro exausto. Ironicamente, esse som exato fez com que Yeon-oh finalmente olhasse para trás. Seus olhos ainda queimavam com aquela luz aterrorizante e gélida, parecendo exatamente com um homem que sofrera uma ruptura interna catastrófica e era completamente incapaz de lidar com as consequências.

Eles finalmente pararam de andar a uma distância considerável do restaurante. Ao lado da calçada deserta havia um único poste de luz adornado com um mascote cafona de pinheiro. Yeon-oh ficou diretamente sob a luz forte, olhando para Gi-hyeon. Devido ao ângulo agudo da iluminação, sombras profundas se acumularam abaixo de sua proeminente arcada superciliar, tornando impossível para Gi-hyeon ler a emoção em seus olhos.

— Se você não transou com ele, por que disse que sim.

— …Do que você está falando.

Gi-hyeon queria desesperadamente correr de volta para verificar Jisu, mas neutralizar Yeon-oh era a prioridade imediata. Igualando o registro baixo e perigoso de Yeon-oh, Gi-hyeon respondeu calmamente. Yeon-oh continuou a olhar para ele com intensidade sufocante. A incapacidade de ver seus olhos fazia Gi-hyeon se sentir como se estivesse sendo perseguido por um predador de topo na escuridão total.

— Você está terminando as coisas depois de todo o esforço que fizemos para nos foder? Por quê, eu fui tão ruim assim? Sou pior de cama do que o bastardo que te engravidou?

— Jo Yeon-oh.

Gi-hyeon chamou seu nome como um aviso severo, mas Yeon-oh o ignorou, fechando a distância entre eles. Segurando os braços de Gi-hyeon com força dolorosa, ele baixou a cabeça. Assustado, Gi-hyeon torceu o rosto reflexivamente. Os lábios de Yeon-oh mal roçaram o canto da boca de Gi-hyeon. Recuando tão abruptamente quanto atacara, Yeon-oh soltou uma risada vazia e amarga.

— Foi você quem exigiu que transássemos.

— …

— Então por que caralhos só você tem permissão para ‘organizar’ seus sentimentos? Fui eu quem passou a noite inteira te fodendo, então por que você pode unilateralmente terminar isso?

Completamente confuso pela lógica doentia, Gi-hyeon soltou um suspiro pesado. Ele estava ativamente tentando entender a situação da perspectiva distorcida de Yeon-oh.

Sim, Gi-hyeon havia proposto abruptamente sexo, e sim, Gi-hyeon tinha sido aquele que declarou ter organizado completamente seus sentimentos e que não haveria mais problemas. Claramente, sua falta de eloquência causara uma falha de comunicação catastrófica. Gi-hyeon escolheu suas próximas palavras cuidadosamente.

— Isso é exatamente o que você queria. Que fôssemos amigos. É só isso que estou oferecendo. Não quero mais te torturar.

— …Fazer o quê?

Yeon-oh fez a pergunta como se estivesse ouvindo uma língua completamente estrangeira. Não tendo absolutamente antecipado esse nível de incompreensão, Gi-hyeon piscou confuso. Sua declaração desta manhã tinha sido um voto cristalino de voltar a ser amigos estritamente platônicos. Quando disse a Yeon-oh que ele ‘trabalhara duro’, foi um reconhecimento genuíno dos esforços agonizantes de Yeon-oh para manter o vínculo entre eles. Gi-hyeon tentou novamente, derramando absoluta sinceridade em sua voz.

— Eu sei que te fiz infeliz por anos. Sinto muito por isso. Organizei completamente meus sentimentos, e estou pronto para voltar a ser apenas seu amigo.

— Que amigo, porra.

Yeon-oh rosnou as palavras. As veias em seu pescoço saltaram perigosamente, seus olhos ardendo enquanto olhava para baixo para Gi-hyeon. Segurando ambos os braços de Gi-hyeon, ele o puxou violentamente para a frente. Seus peitos colidiram. Cada vez que Yeon-oh respirava fundo e irregularmente, Gi-hyeon podia sentir a expansão pesada de sua caixa torácica. Achando o contato físico intenso profundamente desconfortável, Gi-hyeon tentou recuar, mas o aperto de Yeon-oh era inescapável.

— Me solta…

— Você é capaz de enterrar seu pau no buraco do seu amigo a noite toda?

— …Não foi isso que quis dizer.

— Deve ser muito bom, poder foder como cães no cio e depois magicamente voltar a ser ‘amigos’, seu pedaço de merda.

Sua voz permaneceu um rosnado baixo e perigoso enquanto ele condenava as ações de Gi-hyeon na noite anterior. Gi-hyeon suspirou pesadamente. Ele queria desesperadamente se desculpar, mas sabia que qualquer desculpa só desencadearia outra saraivada de acusações furiosas, então manteve a boca fechada.

Olhando para baixo para Gi-hyeon, a grossa veia azul na testa de Yeon-oh pulsou visivelmente antes que ele falasse novamente, sua voz caindo para um sussurro impossivelmente baixo e intenso.

— Eu não consigo fazer isso.

Agarrando a nuca de Gi-hyeon, Yeon-oh trouxe seu rosto para baixo. Assustado, Gi-hyeon tentou se torcer novamente, mas a garra de ferro em seu pescoço tornou a fuga impossível. Seus olhos queimando com um fogo aterrorizante e consumidor, Yeon-oh esmagou seus lábios contra os de Gi-hyeon.

— Ugh—.

Não foi um selo perfeito. Os lábios de Yeon-oh apenas se conectaram parcialmente com os de Gi-hyeon. Ele podia sentir a textura macia e carnuda contra o canto de sua boca. Qualquer tentativa adicional de torcer a cabeça foi instantaneamente neutralizada. Yeon-oh puxou a cintura de Gi-hyeon contra a sua, eliminando inteiramente qualquer caminho de fuga.

Nessa fração de segundo, Yeon-oh inclinou ligeiramente a cabeça. Apesar da pressão forçada que machucava, a textura real de seus lábios permanecia agonizantemente macia. Embora o assalto inicial parecesse violentamente desesperado, o movimento rapidamente mudou, tornando-se meticulosamente preciso, como se ele estivesse desesperadamente tentando alinhar perfeitamente suas bocas.

Devido a esse cuidado agonizante, Gi-hyeon esqueceu completamente sua luta inicial. Ele se viu incapaz de rejeitar violentamente a língua macia e desesperada que deslizava entre seus lábios como um homem implorando por salvação. Então Gi-hyeon havia se rendido a Jo Yeon-oh mais uma vez.

— Mmm…

— …

Enquanto a língua invadia sua boca, arrastando-se bruscamente contra o paladar, um suspiro suave e sem fôlego escapou involuntariamente pelo nariz de Gi-hyeon. O som molhado e escorregadio de seus lábios se separando e selando ecoou na rua silenciosa. A textura ligeiramente áspera da língua de Yeon-oh se instalou pesadamente contra a sua. Sentindo Yeon-oh tentando enredar agressivamente suas línguas, Gi-hyeon puxou sua língua para trás reflexivamente, fazendo com que a mão agarrando sua nuca se apertasse instantaneamente, tornando-se dominadora.

Gi-hyeon reconhecia intelectualmente que esta situação era altamente inadequada, mas inexplicavelmente relaxou sua resistência, apoiando lentamente as mãos nas costas largas de Yeon-oh. Parecia exatamente um abraço mútuo. No instante em que o fez, Yeon-oh estremeceu violentamente, antes que seus movimentos se tornassem absolutamente selvagens, atacando a boca de Gi-hyeon como um homem faminto.

Yeon-oh empurrou para frente com desespero tão agressivo que as costas de Gi-hyeon se arquearam desconfortavelmente. Abafando sons de pânico contra a boca de Yeon-oh, Gi-hyeon bateu os punhos contra seu peito. Finalmente registrando o sofrimento, Yeon-oh retirou sua língua relutantemente, com agonia. Mesmo assim, manteve suas testas firmemente pressionadas.

Apesar de manter Gi-hyeon preso num abraço apertado, os braços de Yeon-oh tremiam inquietos, claramente desesperados para puxá-lo ainda mais para perto. Sua respiração estava irregular, toda sua postura irradiando ansiedade frenética, no entanto, ele continuava a pressionar beijos desesperados e estalados contra os lábios de Gi-hyeon como uma criança inteiramente incapaz de controlar seus impulsos. Gi-hyeon suportou os beijos frenéticos por um longo momento, mas quando se tornou óbvio que Yeon-oh não tinha intenção de parar, Gi-hyeon finalmente puxou a cabeça para trás o suficiente para quebrar o selo e falar.

— Isso é… isso é aquela coisa de ‘cio’, não é.

Yeon-oh congelou instantaneamente. Ele olhou para Gi-hyeon, sua expressão completamente vazia.

— …O quê?

Ele lentamente afastou a testa. Tendo sido beijado tão agressivamente que suas costas ainda estavam arqueadas, Gi-hyeon instintivamente tropeçou um passo para trás. Yeon-oh rapidamente agarrou a cintura de Gi-hyeon para estabilizá-lo, mas ele ainda parecia inteiramente incapaz de processar o que Gi-hyeon acabara de dizer. Debatendo como formular sua teoria para que Yeon-oh entendesse, Gi-hyeon finalmente selecionou suas palavras.

— Mesmo que tenhamos ficado juntos por tanto tempo, eu sempre fui um Beta, e você é um Alfa. Acho que há uma diferença fundamental aí que eu não entendia.

Gi-hyeon deu tapinhas suaves no antebraço de Yeon-oh. Quase parecia o conforto desajeitado oferecido por um homem que não sabia como expressar afeto.

Independentemente disso, Gi-hyeon estava genuinamente tentando o seu máximo para entender o comportamento errático de Yeon-oh. Esta não era a primeira vez que ele suportava um dos cios de Yeon-oh. Naquela época, Yeon-oh parecia exatamente tão frenético e desesperado. Se o comportamento dele naquela época tinha sido inteiramente ditado por feromônios, então este beijo provavelmente era o exato mesmo fenômeno. Não havia absolutamente nenhuma ternura naquele beijo; tinha gosto inteiramente de desespero violento e primitivo.

Quando Yeon-oh havia zombado anteriormente dos relacionamentos Beta, Gi-hyeon simplesmente ficara furioso, mas dada a situação atual, ele finalmente entendeu por que Yeon-oh dissera aquelas coisas cruéis.

Porque eles sempre tinham sido tão incrivelmente próximos, Gi-hyeon não percebera que ele e Jo Yeon-oh praticamente existiam em dois universos completamente diferentes. Um vivera toda a sua vida como um Alfa dominante, enquanto o outro experimentara o mundo como um homem Beta, até completando seu serviço militar obrigatório.

Ele não tinha escolha a não ser reconhecer a realidade brutal: ele e Jo Yeon-oh eram fundamentalmente espécies diferentes. Ele tagarelara tolamente sobre amar Jo Yeon-oh sem ter a menor compreensão da guerra química catastrófica e feromonal que ditava as dinâmicas entre Alfas e Ômegas. Ele só percebera a verdade aterrorizante depois que manifestou como Ômega. Mais precisamente, só a percebera depois de passar a noite com Jo Yeon-oh como Ômega.

Na noite passada, muito antes de o pênis de Yeon-oh ter aberto Gi-hyeon, ele já havia sido violentamente submerso nos feromônios que choviam sobre sua pele. Era um sinalizador biológico inconfundível. Vou tomar cada parte sua agora, e este é seu aviso. Então me aceite. Não tente me afastar. Esse era o comando absoluto e inegociável que os feromônios estavam transmitindo.

Só então Gi-hyeon percebeu que cada confissão emocional que ele jamais oferecera a Yeon-oh poderia ter parecido incrivelmente vazia e sem sentido para o Alfa. Para uma espécie biologicamente programada para exigir prova visceral e empírica de devoção através da troca feromonal, confissões verbais provavelmente pareciam pateticamente inadequadas. Ele finalmente entendeu por que Yeon-oh zombara tão impiedosamente do romance Beta. Gi-hyeon sentiu uma onda amarga de autodepreciação; ele passara anos escrevendo cartas de amor em um idioma que Jo Yeon-oh literalmente não conseguia ler.

Enquadrado nesse contexto trágico, Gi-hyeon sentiu uma onda avassaladora de pena pelo homem que passara sete anos sofrendo ao seu lado apenas para não perder um único amigo. Ele se sentia incrivelmente culpado por desperdiçar tanto tempo da vida de Yeon-oh. Ele genuinamente se arrependia de não tê-lo deixado ir antes. Se Gi-hyeon tivesse simplesmente descartado seu apego residual patético, eles poderiam ter voltado a ser amigos facilmente há anos. Embora Gi-hyeon não carregasse 100% da culpa, a vasta maioria do desastre era inegavelmente sua culpa. Soltando um suspiro pesado, Gi-hyeon lamentou os anos desperdiçados.

— Que… que tipo de besteira absoluta é essa?

Yeon-oh rangeu as palavras através dos dentes cerrados. Gi-hyeon respondeu casualmente.

— Lembra quando você perguntou se eu queria namorar como os Betas fazem? Eu não entendi o que você quis dizer naquela época, mas acho que entendo agora. Tenho quase certeza de que seus feromônios estão influenciando fortemente seu comportamento agora.

Era altamente provável que, depois de passarem a noite juntos, os instintos Alfa profundamente enraizados e subconscientes de Yeon-oh tivessem sido violentamente desencadeados pelos feromônios Ômega que Gi-hyeon havia liberado inadvertidamente. Operando sob essa suposição, Gi-hyeon permitira o beijo. Era um fato inegável que Yeon-oh estava atualmente em espiral puramente porque Gi-hyeon havia ‘organizado’ seus sentimentos. A emoção que Gi-hyeon estava atualmente experimentando, era uma responsabilidade avassaladora. Rezando para não parecer condescendente, ele continuou.

— Hmm… se não é isso, então não há absolutamente nenhuma razão lógica para você estar agindo assim comigo.

— Para.

Yeon-oh o interrompeu bruscamente. Porque Gi-hyeon vinha recuando constantemente durante o beijo agressivo, o poste de luz mais uma vez lançou sombras profundas sobre o rosto de Yeon-oh. Obscurecido pela luz de fundo, Gi-hyeon não conseguia ler sua expressão.

— Para de falar.

Yeon-oh repetiu o comando. Assumindo que tinha atingido um nervo, Gi-hyeon simplesmente acenou. Tendo vivido toda a sua vida como Beta, ele não fazia ideia de quão profundamente ofensivo discutir feromônios ou cios poderia ser para um Alfa. Aterrorizado por ter acidentalmente desencadeado uma insegurança maciça, Gi-hyeon fechou firmemente a boca.

De repente, sem outra palavra, Yeon-oh soltou seu aperto nos braços de Gi-hyeon, e os peitos que estavam pressionados tão intimamente juntos se separaram naturalmente. Esfregando distraidamente os braços onde a ausência repentina do calor corporal de Yeon-oh deixara um vazio gelado, Gi-hyeon falou.

— Fique aqui e se acalme. Vou verificar a situação lá dentro e pegar sua carteira.

— …

Yeon-oh não ofereceu resposta verbal, mas Gi-hyeon interpretou a falta de raiva explosiva imediata como concordância tácita. No instante em que se virou, uma violenta onda de vertigem o atingiu. A calçada de concreto pareceu ondular e arfar, erguendo-se como se pretendesse engoli-lo inteiro. Ah, antes que pudesse sequer vocalizar seu choque, seu equilíbrio evaporou completamente. Assim que esperava bater no chão, um braço agarrou violentamente sua cintura, pegando-o no meio da queda.

— …Ei, o que há de errado com você?

— Ah… estou me sentindo muito mal…

Ele não apenas se sentia ‘muito mal’. Ele se sentia catastroficamente doente. Piscando contra sua visão que se estreitava rapidamente, Gi-hyeon reconheceu a sensação. Ele já havia experimentado essa mesma queda aterrorizante antes. No entanto, a intensidade hoje era exponencialmente pior.

— Eu perguntei o que há de errado com você.

Enquanto Gi-hyeon lutava desesperadamente contra a bile que subia, um Yeon-oh pálido como a morte vasculhava freneticamente seu rosto. Gi-hyeon queria desesperadamente gritar: Sou eu quem está prestes a vomitar, por que caralhos você está em pânico? mas sabia que, no segundo em que abrisse a boca, algo pior do que palavras sairia. Além disso, uma estranha sensação aguda de puxão vinha se acumulando em seu abdômen inferior há algum tempo.

No exato segundo em que seu cérebro registrou a distinta dor de puxão em seu estômago, uma onda de terror absoluto desceu pela espinha de Gi-hyeon. Ele estendeu a mão desesperadamente, agarrando um punhado da camisa de Yeon-oh — ou talvez seu braço, ele honestamente não sabia. Ele separou os lábios freneticamente, desesperado para comunicar a emergência.

— Ei, minha… minha barriga dói…

— O quê, ei, espera aí, ah, porra—.

Dado que ele mesmo estava completamente em pânico, assistir Yeon-oh perder a porra da cabeça não estava exatamente ajudando, mas Gi-hyeon não tinha fôlego para dizer a ele para se acalmar. Num piscar de olhos, Yeon-oh se abaixou e colocou Gi-hyeon em suas costas. Gi-hyeon não conseguia nem formular as palavras para dizer a ele para colocá-lo no chão para que pudesse andar. Plenamente consciente de quão absolutamente patético parecia, Gi-hyeon agarrou-se fracamente às costas de Yeon-oh enquanto o Alfa começava a correr.

↫─☫ Continua no Volume 4….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.

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