Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 77 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 77

— Ele trocou todos os botões que tinha. Não sobrou nenhum… —

Gi-hyeon não estava apenas surpreso com o conteúdo do relato do bancário; ele estava chocado pelo fato de o homem ter falado voluntariamente. Cruzando os braços, Gi-hyeon observou Jo Yeon-oh, que no momento batia na mesa e ria como um maníaco.

O campo de batalha que Yeon-oh acabara de conquistar era um jogo de hwatu de apostas altas. Há apenas trinta minutos, ele estava jogando pôquer, varrendo agressivamente a mesa inteira. Ele havia despejado sem cerimônia sua montanha de fichas de botão de plástico em um balde que Jisu tinha buscado para ele, nem se dando ao trabalho de pegar as que rolavam para fora da mesa, dispensando-as casualmente como trocados para os camponeses.

Quando um botão rebelde parou bem nos pés de Gi-hyeon, o criador de cervos local que o perseguia desesperadamente soltou um “Opa”. Gi-hyeon afastou sua sandália casualmente, e o homem mais velho se atrapalhou todo para agarrá-lo. Talvez percebendo o quão patético parecia um homem da sua idade engatinhando de joelhos atrás de uma ficha de plástico na frente de Gi-hyeon, o fazendeiro ofereceu um sorriso tímido e defensivo.

— Uau, aquele seu amigo jovem tem coragem. Sempre que ele ganha muito, ele devolve metade do pote. —

Essa era a razão exata pela qual Yeon-oh, apesar de aparecer do nada e atropelar impiedosamente os habitantes locais, não provocou um tumulto. Toda vez que ele reembolsava magnanimamente uma parte de seus ganhos, ele impunha uma única condição inegociável: a proibição absoluta de fumar em locais fechados. Graças a esse decreto, até o criador de cervos se reduzia a apenas colocar um cigarro não aceso atrás da orelha.

Gi-hyeon balançou a cabeça em profunda descrença. Enquanto os apostadores desesperados formavam uma fila no balcão para sacar suas fichas reembolsadas, Jisu, ocupado demais contando a enorme entrada de dinheiro, ria tão alto quanto Yeon-oh.

Quando Gi-hyeon lançou a Jisu um olhar exasperado, o Capitão apagou instantaneamente o sorriso de seu rosto, adotando uma expressão de seriedade inexpressiva.

— Não se preocupe. Eu absolutamente não vou alugar aquele quarto para ele. Você sabe que minha lealdade é de ferro, Soso. —

— Não sei porra nenhuma sobre sua lealdade, senhor — respondeu Gi-hyeon secamente, virando a cabeça para ignorar deliberadamente a piscadela exagerada de Jisu.

Yeon-oh, o arquiteto da proibição de fumar em locais fechados, estava ironicamente ocioso com um cigarro não aceso preso entre os dedos, girando-o casualmente de um lado para o outro. O filtro não aceso já estava destruído.

Gi-hyeon examinava Yeon-oh toda vez que o bastardo ria.

Era a risada específica e calculada que ele usava sempre que estava escondendo algo ativamente. Gi-hyeon debateu exigir saber exatamente que plano sinistro ele estava tramando, mas, por fim, decidiu não fazê-lo. Acenando um breve adeus ao bancário, Gi-hyeon pegou as chaves de sua scooter. Dando deliberadamente um amplo espaço à mesa de Yeon-oh, ele seguiu direto para a saída.

Segurando a borda da mesa e empurrando a cadeira para trás, Yeon-oh gritou:

— O quê, já está batendo o ponto? —

Inclinando a cabeça em uma confusão fingida, Yeon-oh empurrou o balde transbordando de fichas contra o peito de Jisu, declarando em voz alta que voltaria amanhã, e começou a seguir Gi-hyeon. Como assim, você vai voltar amanhã? pensou Gi-hyeon, sentindo-se profundamente enojado.

No entanto, Gi-hyeon não ofereceu resistência verbal, apenas continuando sua marcha em direção à porta. Ele podia ouvir os passos de Yeon-oh seguindo-o. Ele não se deu ao trabalho de repreender o homem; ele já tinha tomado uma decisão.

Ignorando seu perseguidor, Gi-hyeon alcançou a porta, apenas para ser parado pela voz de Yeon-oh.

— Opa, espera um segundo. Este é um serviço que eu devo prestar. —

Que tipo de besteira é essa? Gi-hyeon olhou para trás, sua energia drenando instantaneamente ao ver a expressão abertamente zombeteira de Yeon-oh. Com um floreio obnóxio e exagerado, Yeon-oh abriu a porta de um solavanco, saiu primeiro e abriu a sombrinha de renda preta, segurando-a cerimoniosamente sobre a cabeça de Gi-hyeon. Toda a sequência estava saturada com a marca registrada de Yeon-oh: sua arrogância irritante e brincalhona.

Era completamente absurdo.

Olhando para ele, Gi-hyeon expôs os fatos claramente.

— O Capitão me disse que não ia alugar aquele quarto para você. —

— Sim. E eles estão totalmente conspirando contra mim, né? Mesmo quando procurei o agente imobiliário local, juraram que não havia absolutamente vagas perto de onde você está hospedado. Aquele bastardo é o chefe da máfia desse bairro ou algo assim? —

Lançando um olhar glacial para dentro, Yeon-oh franziu a testa para Jisu. Sentindo a intenção assassina, Jisu olhou para o lado, exibiu um sorriso brilhante e acenou casualmente.

Quando Gi-hyeon perguntou se Yeon-oh planejava ficar muito tempo, o bastardo aparentemente levou ao pé da letra e começou a procurar um contrato de aluguel imediatamente. O Gerente Yoo, sem dúvida, liderou a logística real, mas ver Yeon-oh parado ali com um cenho profundamente ofendido, reclamando que os moradores locais não eram acolhedores, era tão espetacularmente desavergonhado que arrancou um suspiro pesado de Gi-hyeon.

…No final, So Gi-hyeon se rendeu.

Ele tinha fugido para o limite absoluto do país, e o bastardo ainda o tinha rastreado; realizar um segundo ato de desaparecimento parecia matematicamente impossível. Dada a tenacidade psicótica de Yeon-oh, mesmo que ele não demonstrasse externamente, ele estava, sem dúvida, rangendo os dentes, jurando nunca, jamais deixar Gi-hyeon escapar de sua vista novamente.

Olhando intensamente para Yeon-oh, Gi-hyeon finalizou sua resolução. Ele não fazia ideia de que consequências catastróficas essa decisão desencadearia entre eles, mas, a partir de hoje, ele tinha um novo objetivo singular. Se é isso que você realmente quer, se você está tão desesperado por essa “amizade”, então tudo bem. A maneira mais rápida de sair disso pode ser ficar ao seu lado até que você fique absolutamente enjoado de mim.

Gi-hyeon pretendia induzir ativamente o desgosto de Yeon-oh. Ele aceitaria os feromônios se Yeon-oh os oferecesse. Ele não rejeitaria os favores de Yeon-oh. Ele não recusaria sua gentileza. Ele não negaria seu afeto distorcido. Ele forçaria Jo Yeon-oh a suportá-lo até que o bastardo não conseguisse aguentar por mais um segundo. …Se eu fizer isso, talvez sua profunda e eterna “amizade” finalmente se despedace.

Sentindo o escrutínio intenso de Gi-hyeon, Yeon-oh, que ainda lançava adagas com o olhar para Jisu através da porta aberta, girou a cabeça, seus olhos se arregalando em uma surpresa forjada. Ignorando a atuação, Gi-hyeon passou por ele, com a intenção de deixar o local completamente. Yeon-oh agarrou seu pulso instantaneamente.

— O quê? —

— Você… —

Em vez de responder, Yeon-oh apenas o encarou com uma intensidade penetrante. O chilrear estridente de um inseto soou no ar, atraindo a atenção de Gi-hyeon. Era um inseto noturno; por que diabos ele estava desesperadamente chamando por um parceiro no calor escaldante do meio-dia? Aquele lamento miserável e sem propósito puxou brevemente a empatia de Gi-hyeon antes de evaporar instantaneamente.

— Solte, está quente. —

Puxando seu pulso para longe, Gi-hyeon caminhou à frente. O sol era brutalmente intenso, mas a sombra da sombrinha de renda materializou-se silenciosamente acima dele, protegendo o topo de sua cabeça do calor.

…Aterrorizado por atingir um ponto de ruptura catastrófico, Gi-hyeon tinha fugido. Mas hoje, ele finalmente decidiu arquitetar o fim de seu relacionamento pessoalmente. O afeto de Yeon-oh era cegamente intenso. Como o sol batendo violentamente lá do alto, parecia determinado a erradicar todas as sombras, não deixando absolutamente nenhum lugar para se esconder.

O calor absoluto e sufocante daquilo deixou Gi-hyeon tonto.

A partir daquele dia, Gi-hyeon parou ativamente de afastar Yeon-oh. Mesmo quando Yeon-oh, reclamando da falta de aluguéis disponíveis, invadiu sem cerimônia o pequeno apartamento de Gi-hyeon, Gi-hyeon não explodiu de raiva, nem o expulsou.

— É um chiqueiro de merda… —

Claro, ouvir Yeon-oh murmurar silenciosamente aquele insulto enquanto examinava meticulosamente cada canto do quarto definitivamente aumentou a pressão arterial de Gi-hyeon.

Independentemente disso, o espantosamente desavergonhado Jo Yeon-oh interpretou o silêncio de Gi-hyeon como um convite formal e mudou-se instantaneamente. O apartamento, que parecia aconchegante — talvez um pouco apertado — para um homem solteiro, parecia claustrofobicamente pequeno quando um homem com mais de 1,90 m de altura ocupava o espaço. Parecia que as paredes estavam explodindo. No entanto, Gi-hyeon engoliu sua frustração.

Ele manteve essa mesma resistência silenciosa mesmo quando o intruso descarado rastejou para sua cama, envolveu sua cintura com um braço enorme e adormeceu. Yeon-oh dobrava seus ombros largos para dentro, colando-se ao lado de Gi-hyeon, e dormia notavelmente bem.

Provavelmente devido à sua gravidez, os feromônios de Yeon-oh agiam como um tranquilizante hiperpotente no sistema nervoso de Gi-hyeon, garantindo-lhe também um sono incrivelmente profundo e reparador. No entanto, apenas Yeon-oh alcançava um estado de sono tão profundo que não podia ser despertado nem mesmo quando sacudido ativamente.

Pensando nisso, Gi-hyeon percebeu o quão milagroso era que um homem amaldiçoado com uma insônia tão grave e crônica tivesse conseguido sobreviver sem ele por tanto tempo.

Durante as primeiras noites, sempre que Gi-hyeon tentava sair da cama ao amanhecer para beber um copo de água, aquele braço pesado se trancava instantaneamente nele, arrastando-o de volta para o colchão. Depois de repetir a luta exaustiva várias vezes, Gi-hyeon simplesmente se rendeu, deixando Yeon-oh dormir como um morto. Tentar argumentar com um bastardo que se recusava a ouvir era cansativo demais.

O Jo Yeon-oh que costumava acordar impecavelmente arrumado em Seul, iniciando imediatamente uma enxurrada de reclamações, tinha desaparecido completamente. Em seu lugar estava um homem com o cabelo bagunçado de sono, cortando casualmente a alface que Jisu tinha conseguido para fazer uma salada fresca. Embora tivessem adormecido ocasionalmente na mesma cama em Seul, Yeon-oh sempre mantinha uma aparência nítida e impecável pela manhã, contrastando fortemente com a leve lentidão induzida pela hipotensão de Gi-hyeon.

Essa versão de Yeon-oh, intensamente relaxada e domesticada, era altamente atípica.

Lutando para abrir os olhos pesadamente colados pelo sono, com o rosto levemente inchado, Gi-hyeon soltava um suspiro baixo enquanto observava Yeon-oh servir arroz casualmente para o café da manhã.

— E a galeria? Você pode realmente ficar aqui? — perguntou Gi-hyeon certa manhã.

Tendo completado sua única tarefa de colocar os utensílios na mesa que Yeon-oh tinha preparado, Gi-hyeon pegou um pimentão shishito refogado com seus hashis. Em vez de pegar sua colher, Yeon-oh serviu um copo de chá de cevada frio e virou-o agressivamente, seu pomo de adão saltando bruscamente a cada gole enorme.

— Este hyung vai cuidar de tudo. Vamos apenas nos recuperar aqui embaixo um pouco mais antes de voltar. —

Ele murmurou a resposta, os lábios ainda úmidos de água, claramente meio adormecido. De acordo com informações que o Gerente Yoo deixou escapar inadvertidamente enquanto entregava roupas, Yeon-oh não tinha dormido nem um minuto em Seul. Sabendo disso, assistir Yeon-oh desfilar todas as manhãs com o rosto profundamente satisfeito e levemente bobo de um homem que acabara de desfrutar de dez horas de sono ininterrupto, como um coma, era bizarramente irritante.

Independentemente disso, graças a Yeon-oh brincando de casinha, a mesa de jantar estava abastecida exclusivamente com as comidas favoritas de Gi-hyeon. Além disso, a exposição constante aos feromônios de Yeon-oh erradicou completamente a anemia e as tonturas de Gi-hyeon, melhorando vastamente sua condição física geral a cada dia.

Com suas ansiedades anteriores neutralizadas e sua estratégia emocional consolidada, o fato de Yeon-oh estar constantemente grudado nele não desencadeou qualquer excitação sexual imediata e em pânico. Como ele finalmente estava dormindo pacificamente enquanto envolto nos braços de Yeon-oh, o rosto de Gi-hyeon estava até começando a parecer saudável e cheio.

Assim que o café da manhã terminava, sua rotina envolvia um homem reivindicando a pia da cozinha e o outro o banheiro para escovar os dentes e lavar o rosto antes de sair de casa. Yeon-oh entrava no sedã de luxo estacionado aleatoriamente ao lado da vila e seguia para um café na cidade para resolver negócios urgentes da galeria com o Gerente Yoo, enquanto a rotina matinal de Gi-hyeon envolvia ligar a scooter e seguir para o antro de jogo.

Claro, o trajeto diário continuava sendo um campo de batalha.

— Pegue meu carro. Nem pense em andar nessa lata velha. —

— Pegue você. —

— Vou esmagar aquele escapamento enferrujado em pedaços, talvez então você ouça. —

Yeon-oh o ameaçava incansavelmente para abandonar a scooter. Andar juntos era incômodo demais, e a reclamação constante sobre um simples trajeto era enfurecedora.

Sempre que Gi-hyeon tentava ligar o motor, Yeon-oh prendia agressivamente sua mão na alavanca do freio, impedindo-o fisicamente de se mover. Derrotado, Gi-hyeon pendurava seu capacete de volta no gancho com um suspiro pesado e subia no carro italiano de luxo de Yeon-oh.

O trajeto de hoje tinha seguido exatamente essa rotina exaustiva.

Tendo se envolvido em uma discussão acalorada desde o amanhecer, Gi-hyeon chegou ao antro já completamente esgotado. Apenas deixá-lo ali claramente não era suficiente; insistindo em escoltar Gi-hyeon até a porta da frente, Yeon-oh o seguia pelo longo beco entre as estufas, fazendo de repente uma pergunta ridícula.

— Ei, você sabe tocar flauta de folha? —

Antes que Gi-hyeon pudesse responder, Yeon-oh empurrou uma folha de grama diretamente contra seus lábios. Embora Gi-hyeon ignorasse o pedido nove em cada dez vezes, alguns dias ele estava exausto demais para lutar e simplesmente soprava a droga da folha. Como a Academia Militar estava localizada nas profundezas do campo, sem opções de entretenimento, dominar a flauta de folha por puro tédio tinha se tornado, inadvertidamente, uma habilidade especial.

Quando a folha produzia um piu-piu agudo e estridente, Yeon-oh batia palmas com um deleite genuíno. Mesmo quando Gi-hyeon o amaldiçoava por ser um lunático do caralho, Yeon-oh apenas exibia um sorriso brilhante, soltava um “Até mais”, dava um tapinha nas costas de Gi-hyeon e refazia seus passos em direção ao carro estacionado na beira da estrada de terra.

Esses gestos casuais e profundamente afetuosos transmitiam abertamente que Yeon-oh estava em um humor excepcionalmente fantástico. Por que diabos ele está tão feliz? Gi-hyeon simplesmente não conseguia compreender o homem, mas não o afastava. Ironicamente, sua dinâmica atual parecia significativamente menos hostil e volátil do que a tensão agonizante que precedeu o colapso de seu relacionamento.

O objetivo de Gi-hyeon era cristalino. Essa resolução calculada era a única base de sua paz frágil atual.

Independentemente disso, cerca de duas horas depois que Gi-hyeon começava seu turno no antro, Yeon-oh reaparecia inevitavelmente. Se Gi-hyeon estivesse cochilando, Yeon-oh varria o chão silenciosamente ou assumia as funções do balcão.

O desenvolvimento verdadeiramente chocante era que Yeon-oh tinha, de fato, iniciado uma conversa com o notoriamente silencioso bancário.

— Ele disse que está tentando pagar uma dívida. —

— Ele realmente te contou isso? — perguntou Gi-hyeon em total descrença. Ele não tinha rotulado o homem como alguém capaz de compartilhar bagagem pessoal.

↫─☫ Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.

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