Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 74 Online

↫─Capítulo 74
Ironicamente, foi a profunda sensação de estar perfeitamente descansado que o acordou. Piscando com a mente surpreendentemente clara, Gi-hyeon percebeu a escuridão e entendeu que ainda era o início da madrugada.
— O que é isso?
Embora sua garganta estivesse áspera devido ao sono, uma estabilidade profunda e abrangente que ele não sentia desde que chegou ao campo saturava a cama. Até agora, ele havia atribuído seu cansaço constante, cabeça pesada e tonturas ao simples esgotamento. Somente agora, com os sintomas totalmente erradicados, ele percebeu o quanto sua condição física havia se deteriorado severamente.
Um suspiro lânguido escapou de seus lábios. Ele ainda estava pairando no limite do sono. Lenta e preguiçosamente, ele finalmente registrou um peso pesado e sólido drapeado sobre sua cintura. Franzindo a testa, ele tateou cegamente para investigar, engolindo instantaneamente um suspiro agudo de exasperação. Era o braço de Jo Yeon-oh.
Os eventos do dia anterior inundaram sua mente com uma clareza brutal, culminando na conversa aterrorizante no pronto-socorro. Assim que se preparou para suspirar novamente, o braço jogado sobre ele apertou possessivamente, puxando-o para trás.
— Durma um pouco mais.
Um peito largo e sólido como uma rocha pressionava-se contra suas costas. A cada palavra que Yeon-oh murmurava, uma vibração baixa e ressonante transferia-se diretamente através de sua pele. Só então a percepção horrível atingiu Gi-hyeon: nenhum dos dois estava vestindo camisa.
Com o pânico aumentando, ele passou a mão freneticamente para baixo, sentindo uma onda de profundo alívio ao confirmar que, pelo menos, ainda estava de cueca. Apertando os olhos, Gi-hyeon soltou uma respiração irregular.
— Que diabos você está fazendo?
— …
Yeon-oh não respondeu. Quando o silêncio se prolongou, Gi-hyeon tentou se virar, mas o braço que prendia sua cintura instantaneamente se transformou em um aperto de torno, imobilizando-o. O atrito de suas peles nuas era profundamente desconcertante.
— Vamos apenas dormir um pouco mais. Eu nem sequer tenho conseguido duas horas por noite — murmurou Yeon-oh.
O tom casual e íntimo sugeria que essa era uma rotina que eles compartilhavam todas as noites — como se fossem, de fato, um casal legítimo. Gi-hyeon queria explodir com um: Que porra a sua insônia tem a ver comigo?, mas engoliu a retruca. Tendo testemunhado a luta agonizante de Yeon-oh contra a insônia por anos, ele simplesmente não conseguia ser tão cruel.
Pensando bem, quando exatamente a insônia dele começou…? Gi-hyeon vasculhou suas memórias, mas nenhum gatilho específico surgiu.
Gi-hyeon sempre se considerou um homem bastante grande e robusto, então o fato de ele se encaixar tão perfeitamente e sem esforço na estrutura de Yeon-oh era bizarro. Ainda assim, a sensação de contato pele com pele permanecia terrivelmente desconfortável. Ele estava prestes a exigir que, pelo menos, vestissem alguma roupa quando o som constante e rítmico da respiração de Yeon-oh fez cócegas em seu pescoço.
— …
Gi-hyeon piscou sem expressão na escuridão. Pressionando a testa contra a nuca de Gi-hyeon e segurando-o em um abraço sufocante, Yeon-oh aparentemente voltou a dormir. Graças ao ar-condicionado que Jisu havia instalado atenciosamente no dia seguinte à chegada de Gi-hyeon, o quarto estava agradavelmente fresco. Resignado, Gi-hyeon estendeu a mão e puxou o edredom fino, cobrindo a ambos.
— Quando você acordar, volte para Seul — sussurrou Gi-hyeon para a escuridão.
— …
Respirando uniformemente, Yeon-oh não ofereceu resposta. Ele não teria concordado mesmo se estivesse acordado, pensou Gi-hyeon secamente. Contemplando a natureza terrivelmente teimosa de Yeon-oh, as próprias pálpebras de Gi-hyeon ficaram pesadas.
O ar estava saturado com o perfume levemente familiar e reconfortante de árvores floridas. Não era excessivamente enjoativo; era fresco e revigorante, e Gi-hyeon descobriu que realmente gostava dele. Completamente alheio ao fato de que o perfume estava fisicamente penetrando em seus poros e alterando fundamentalmente sua biologia, Gi-hyeon voltou a dormir.
O mundo fora da janela permanecia em um breu total, faltando horas para o amanhecer. A escuridão forneceu o santuário perfeito para os dois homens dormirem sem serem perturbados até a manhã.
Ele sentiu como se ainda estivesse flutuando através daquela escuridão pacífica quando um ruído agudo e estridente perfurou sua consciência. Franzindo a testa contra a luz repentina e ofuscante, Gi-hyeon jogou um braço sobre os olhos. Ele sentiu como se tivesse acabado de fechar os olhos um segundo atrás, mas o quarto agora estava inundado com a luz do sol brilhante do meio-dia.
Apesar de estar totalmente acordado, sua mente parecia deliciosamente nebulosa, e ele estava perfeitamente contente em manter os olhos fechados. No entanto, um segundo estrondo mais alto de louças o forçou a sentar-se alarmado. Uma voz dolorosamente familiar começou imediatamente a importuná-lo, perfurando seu estado de sonolência.
— Você estudou cinesiologia e ainda assim dá um pulo da cama no segundo em que acorda?
— …
Sem dizer uma palavra, Gi-hyeon olhou para a cozinha. Como era um layout de um cômodo e meio, uma porta de correr de vidro separava o quarto da cozinha compacta. Parecendo grande demais para a entrada, Yeon-oh estava curvado sobre o fogão, cozinhando algo meticulosamente.
Ele ainda estava completamente sem camisa, vestindo desajeitadamente um avental para bloquear o óleo que espirrava. Ele estava usando uma calça de moletom que definitivamente não era de Gi-hyeon — Deus sabe onde ele a encontrou — e a visão dele cozinhando seminu com um avental era absolutamente surreal. Ele costumava fazer exatamente essa mesma palhaçada quando preparava lamen na minha casa no ensino médio, lembrou-se Gi-hyeon vagamente.
Gi-hyeon abriu a boca para falar, mas rapidamente a fechou de novo. Ele, honestamente, nem sabia por onde começar a interrogá-lo. Um segundo depois, o aroma saboroso e profundamente familiar que vinha da cozinha finalmente foi registrado. Era sopa de carne e rabanete.
— O que você está fazendo?
— Fazendo sopa de rabanete.
Ele perguntou por pura e desconcertada exasperação, apenas para receber uma atualização literal do menu. Franzindo a testa profundamente, Gi-hyeon esclareceu.
— Estou perguntando por que diabos você ainda está aqui em vez de ir embora.
Segurando uma espátula suja de gordura, Yeon-oh respondeu com uma indiferença enlouquecedora.
— Vou morar aqui.
— O quê?
O queixo de Gi-hyeon literalmente caiu. Por que caralhos você moraria aqui? Quem disse que você podia? Como você sequer encontrou este lugar? Uma dúzia de perguntas frenéticas colidiram em sua garganta até que uma finalmente conseguiu escapar.
— …Por que você está fazendo isso comigo? Por que está me torturando assim?
O movimento da espátula, que estava delicadamente enrolando uma omelete tamagoyaki, congelou abruptamente. Yeon-oh não respondeu imediatamente. Ele tentou continuar enrolando o ovo, mas quando a omelete semicozida rasgou-se ao meio instantaneamente, ele arremessou violentamente a espátula na pia de metal. O ESTRONDO metálico ensurdecedor quebrou a frágil paz entre eles.
— Quem está torturando quem? — exigiu Yeon-oh.
— Você está perguntando porque genuinamente não sabe?
O rosto de Yeon-oh contorceu-se, uma veia grossa pulsando em sua testa enquanto ele praticamente cuspia as palavras, parecendo um homem mal conseguindo suprimir a vontade de cometer um assassinato. Gi-hyeon igualou sua energia, encarando-o de volta com uma expressão totalmente vazia e inexpressiva. O ar ficou instantaneamente pesado; Gi-hyeon reconheceu intuitivamente a onda sufocante como feromônios de Alfa.
Ele estava furioso demais no momento para perceber que seu próprio corpo estava reagindo aos feromônios com um alívio biológico profundo.
— Sim. Eu, honestamente, não tenho a menor ideia, porra. Me diga. Quem está torturando quem? — desafiou Yeon-oh.
— Você está me torturando.
Soltando uma risada aguda e incrédula, Yeon-oh virou-se bruscamente, voltando para o fogão. Ele desligou o gás e transferiu agressivamente a omelete mutilada da frigideira para um prato. Seu peito subia e descia enquanto ele lutava visivelmente para regular sua respiração e engolir sua raiva. A tentativa falhou espetacularmente. Agarrando o cabo da frigideira vazia como se fosse uma arma, ele começou a golpeá-la violentamente contra a borda da pia.
BUM, ESTRONDO—.
O barulho era ensurdecedor, exponencialmente mais alto do que o incidente da espátula, chacoalhando o pequeno apartamento. Gi-hyeon nem sequer piscou, mantendo sua expressão fria como pedra. Esta não era a primeira vez que ele aguentava um dos acessos de raiva explosivos e destrutivos de Yeon-oh.
A frigideira era um pedaço de lixo barato de 4.000 won que ele havia pegado na loja de ferragens local. Sua integridade estrutural foi imediatamente comprometida sob o ataque, o cabo quebrou completamente enquanto a frigideira circular despencava no chão com um forte estrondo metálico. Enquanto Gi-hyeon olhava inexpressivamente para o disco de metal girando no linóleo como uma moeda descartada, Yeon-oh falou, sua voz caindo para um tom terrivelmente calmo.
— Então, vamos deixar isso claro, seu pedaço de merda. Os bastardos que aleijaram permanentemente seu tornozelo estavam apenas “saindo” com você, mas eu — o cara que destruiu este país tentando encontrar sua bunda desaparecida — sou eu quem está te torturando?
…Nunca pensei dessa maneira, percebeu Gi-hyeon, mas ele não se deu ao trabalho de negar. Tentar defender sua lógica agora só o faria parecer patético.
Mas esse não era o problema central que Gi-hyeon queria abordar. Ele queria desesperadamente dizer a Yeon-oh que eles precisavam parar de invadir a vida um do outro. Peço desculpas por viver confortavelmente à custa do seu território e depois fugir sem dizer uma palavra, então, por favor, pare com isso e volte para Seul, ele queria dizer.
Se ele deixasse essa situação ambígua se arrastar, eles inevitavelmente acabariam compartilhando uma cama e dormindo nos braços um do outro novamente, exatamente como na noite passada. Com o passar do tempo, Gi-hyeon sabia que perderia a força de vontade para rejeitar Yeon-oh. Ele poderia até começar a aceitar o contato físico.
Mas se ele se rendesse a esse conforto, a resolução agonizante que ele havia forjado no telhado do hospital — o voto de finalmente deixar Jo Yeon-oh para trás para sempre — seria tornada completa e pateticamente sem sentido.
Gi-hyeon queria desesperadamente parar de se destruir. Eu não deveria me valorizar pelo menos um pouco? pensou ele amargamente.
Soltando um suspiro pesado, Gi-hyeon fechou a boca. Apesar das veias ainda estarem saltadas perigosamente em sua testa, Yeon-oh respirou fundo algumas vezes antes de falar em um tom impossivelmente suave e baixo.
— Meus feromônios são infinitamente melhores para você do que aqueles suplementos de lixo. Você sabe disso. Eu preciso que você tome uma daquelas decisões altamente racionais e calculadas nas quais você é tão bom, porra.
Ao contrário de suas explosões anteriores, o tom era totalmente persuasivo, praticamente implorando. No entanto, as veias latejantes em seu pescoço e a tensão persistente em sua postura indicavam claramente que ele estava apenas desempenhando um papel, suprimindo violentamente sua verdadeira raiva.
Gi-hyeon percebeu de repente que Yeon-oh estava tentando, desesperada e agonizantemente, forçar um resultado específico. Se não fosse assim, por que um homem com um temperamento tão notoriamente explosivo engoliria seu orgulho para falar tão gentilmente? Exalando bruscamente, Gi-hyeon finalmente quebrou o silêncio.
— Pare com esses joguinhos de merda e diga logo o que você realmente quer dizer. Você só vai continuar fazendo esses acessos de raiva até cuspir a verdade de qualquer jeito, não é?
— …Você me conhece bem demais — respondeu Yeon-oh, as palavras espessas e pesadas enquanto ele as forçava a passar pelo nó em sua garganta.
Por um breve segundo, Gi-hyeon achou a expressão de Yeon-oh completamente ilegível, embora parecesse suspeitosamente com amargura profunda. Mas por que ele estaria amargurado? Gi-hyeon descartou o pensamento, assumindo que tinha interpretado mal o sinal. Assim que estava prestes a deixar isso de lado, Yeon-oh soltou a bomba.
— Eu vou assumir a responsabilidade por isso.
Gi-hyeon não conseguiu impedir seu rosto de se contorcer em uma expressão de total perplexidade. Assumir a responsabilidade pelo quê? Ele encarou Yeon-oh como se o homem tivesse acabado de começar a falar em línguas. Vendo a confusão total no rosto de Gi-hyeon, Yeon-oh revirou os olhos para o teto, parecendo incrivelmente aliviado por finalmente ter colocado as palavras para fora. Ele cutucou o interior da bochecha com a língua e soltou uma risada seca e autodepreciativa.
— Porra, me sinto muito melhor agora. Eu deveria ter dito isso desde o início. Eu deveria ter te falado isso logo antes de cravar aquele prego no tornozelo daquele bastardo ontem.
— …O quê?
— Você entendeu exatamente o que eu quis dizer, então pare de fazer perguntas estúpidas e coma sua comida.
Abaixando-se para pegar a frigideira quebrada, Yeon-oh murmurou: — Porra, isso está quente —, mas, em vez de colocar a mão sob água fria, ele começou a servir o arroz imediatamente. Como Gi-hyeon tinha comprado apenas uma tigela de arroz por pura preguiça, Yeon-oh empilhou uma montanha enorme e generosa de arroz em um prato lateral pequeno para ele e terminou de pôr a mesa.
Assistindo à rotina doméstica bizarramente fluida se desenrolar na sua frente, Gi-hyeon franziu a testa profundamente, sua frustração atingindo o auge.
— O que exatamente você quer dizer com “assumir a responsabilidade”?
— Significa que vou assumir a responsabilidade por essa criança. Não, espere, deixe-me usar a terminologia correta. Significa que vou assumir a responsabilidade pela linhagem de qualquer bastardo aleatório da porra que esteja crescendo dentro da sua barriga.
Gi-hyeon ficou momentaneamente paralisado, incapaz de decidir qual problema atacar primeiro: gritar “Esse bastardo aleatório da porra é VOCÊ, seu psicopata louco”, apontar que sua tentativa de “terminologia correta” era, na verdade, infinitamente mais ofensiva, ou exigir mais esclarecimentos sobre exatamente como ele pretendia “assumir a responsabilidade”. Lutando para desdobrar as pernas da mesa dobrável barata que havia comprado, Gi-hyeon finalmente perdeu a paciência e desferiu um chute violento na canela de Yeon-oh.
— Eu disse para você parar com essa merda. E pare de tentar me manipular com seu papinho manjado.
Ele se sentiu profundamente irritado, agudamente consciente de que estava sendo arrastado exatamente para o ritmo de Yeon-oh. Esfregando a canela machucada, Yeon-oh gemeu: — Porra, Gi-hyeon. Você deveria ter jogado futebol —, mas ele nunca tirou os olhos da mecânica da mesa dobrável. Finalmente descobrindo o mecanismo de trava, ele fixou as pernas, arrumou os acompanhamentos em cima e trouxe tudo, colocando diretamente na frente de Gi-hyeon.
— Coma primeiro, converse depois.
Gi-hyeon estava prestes a dizer que não queria a comida e implorar para que ele fosse embora quando Yeon-oh enfiou uma colher em sua mão e deu um ultimato arrepiante.
— Se você não enfiar essa comida na boca agora, vou ligar para a polícia e denunciar aquela estufa ilegal imediatamente. A escolha é sua.
— …Você perdeu completamente a cabeça, porra.
— Estou chocado por você não ter percebido isso antes.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.