Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 68 Online

↫─Capítulo 68
O oficial subalterno lançou a Gi-hyeon um olhar desesperado, implorando silenciosamente para que ele fizesse algo, mas Gi-hyeon já estava perdendo a sanidade.
Um zumbido agudo gritou em seus ouvidos. Sem expressão, ele tropeçou para trás alguns passos. Ele precisava encontrar uma saída para aquele pesadelo, mas seu cérebro simplesmente girava em círculos intermináveis e sem sentido.
— Fique onde está também.
O comando apático e inexpressivo de Yeon-oh efetivamente enraizou Gi-hyeon no lugar. Era o tom exato que Yeon-oh só usava quando estava genuína e homicidamente furioso. Tendo aprendido há muito tempo que a completa supressão de emoções, em vez de suas provocações habituais e irritantes, era o indicador supremo de sua fúria, Gi-hyeon fechou os olhos contra o pavor picante que subia por seus braços e se preparou.
Então, aconteceu.
— Ha, haha—. Argh, uk… Haha—.
Jo Yeon-shin irrompeu em um riso histérico e repentino. Mostrando os dentes cobertos de sangue, ele agarrou sua caixa torácica como se estivesse quebrada e riu descontroladamente.
— Ah, porra. Você perdeu completamente a cabeça, porra? — Yeon-oh rosnou, agarrando a gola de Yeon-shin novamente.
Ele levantou seu braço maciço, claramente pretendendo desferir outro tapa devastador. Yeon-shin tossiu e engasgou, grossas gotas de sangue e saliva espirrando em sua camisa e rosto a cada espasmo.
— Haha… Yeon-oh, é só que… você é engraçado demais, porra…
A voz de Yeon-shin era impossivelmente suave, completamente incongruente com um homem que estava sendo espancado. Era o mesmo tom polido e bem-educado que ele usara para abordar Gi-hyeon na praia em Namhae. Um tremor violento percorreu Gi-hyeon.
Yeon-oh simplesmente encarou seu primo, um desafio silencioso, ousando-o a ver exatamente até onde ele estava disposto a levar aquilo. Yeon-shin riu novamente.
— Argh, ha… Você… Você nem sabia, não é? Por que aquele Ômega… argh… por que o tornozelo dele está permanentemente aleijado?
— …
— Haha, argh—. Não, quero dizer… Ah, isso é simplesmente hilário demais, porra. Você não sabia por que aquele aleijado quebrou o tornozelo, você não sabia que ele virou um Ômega, e ainda assim…
Yeon-shin cobriu o rosto com uma mão, seus olhos franzindo em alegria genuína enquanto ele irrompia em um ataque de riso estrondoso. Toda vez que ele gargalhava, o sangue acumulado em sua boca espirrava para fora. Ele ria com a intensidade desesperada de um homem incapaz de suprimir um ataque de tosse, manchando rapidamente o punho da camisa que Yeon-oh agarrava com um carmesim vibrante e úmido.
Virando a cabeça para o lado enquanto ainda estava suspenso pela gola, Yeon-shin cuspiu um bocado de sangue espumoso na terra, seus ombros tremendo violentamente enquanto ele explodia em outro ataque de histeria.
— Ahaha—! Então me diga, Yeon-oh. Para um Alfa e um Beta que passaram anos fodendo um ao outro de forma tão nojenta, você realmente não tinha a menor ideia do que seu pequeno Ômega estava fazendo pelas suas costas? Ha, ha—!
O beco estreito entre as estufas idênticas mal acomodava dois homens adultos lado a lado. Dentro daquele espaço sufocantemente apertado, o riso maníaco de Yeon-shin ecoava ensurdecedoramente. As brasas agonizantes da churrasqueira de carvão projetavam sombras grotescas e dançantes em seu rosto louco e sorridente.
— …
Yeon-oh, que permanecera horrivelmente silencioso, finalmente se moveu. Ele agarrou So Gi-hyeon pelo pulso. Com um movimento brusco do queixo, apontou diretamente para o oficial subalterno parado, congelado nas proximidades.
— É daquele bastardo?
— …O quê?
O tom casual e conversacional não carregava absolutamente nenhuma inflexão. A completa ausência de emoção na pergunta aterrorizou Gi-hyeon muito mais do que um grito. Enquanto Gi-hyeon tentava processar sem expressão o absurdo da pergunta, Yeon-oh encontrou o olhar do oficial subalterno, encarando-o com uma intensidade penetrante.
E então, arrastando Gi-hyeon atrás de si, Yeon-oh marchou passando por eles.
— …Ei! — Gi-hyeon finalmente saiu de seu estupor, chamando desesperadamente, mas Yeon-oh nem se deu ao trabalho de olhar para trás.
Ele puxou a porta da estufa que funcionava como casa de apostas. Antes que Gi-hyeon pudesse pronunciar uma palavra de protesto, Yeon-oh o empurrou agressivamente para dentro. Quando a porta se abriu, Gi-hyeon encontrou brevemente o olhar do caixa do banco, que os observava do balcão.
— Você…
A súbita rajada do ar-condicionado não fez nada para resfriar o pânico crescente de Gi-hyeon. Ele tentou chamar de novo, mas Yeon-oh apenas examinou a área antes de chutar a porta fechada com seu sapato social. Pegando um pedaço grosso de madeira que fora pregado na moldura da porta para reforço, Yeon-oh arrancou-o sem esforço.
— Ei! Que porra você está fazendo?! — Gi-hyeon gritou, tentando impedi-lo.
Yeon-oh o ignorou completamente, continuando sua demolição violenta até que a madeira pesadamente pregada se soltou. Ele a arrancara usando pura força bruta; um dos pregos permaneceu torto e pendurado inutilmente na moldura da porta, enquanto o outro permaneceu cravado na madeira.
Yeon-oh segurou a extremidade cravejada de pregos da madeira como um taco de beisebol.
Ele ainda não tinha olhado para Gi-hyeon. Justo quando Gi-hyeon avançou em direção à porta para contê-lo fisicamente, Yeon-oh agarrou a maçaneta. Sem se virar, ele emitiu seu ultimato.
— Tente fugir de novo. Eu vou massacrar cada bastardo aqui fora e alegar insanidade temporária para conseguir liberdade condicional.
— …O quê?
Ele estava ameaçando casualmente um assassinato em massa com total confiança de evitar o tempo de prisão. Deixando Gi-hyeon completamente paralisado de descrença, Yeon-oh saiu e bateu a porta.
— Hã? O que está acontecendo? Diga a eles que não pedimos entrega — resmungou Jisu, levantando-se parcialmente do sofá onde estivera dormindo para curar a bebedeira antes de desmaiar novamente.
Gi-hyeon soltou um suspiro irregular. Ele debateu perguntar se Jisu fora quem convidara o oficial subalterno, mas rapidamente engoliu a pergunta. Apesar de seu comportamento descontraído, Jisu possuía um código moral rígido; ele nunca orquestraria algo tão vil contra Gi-hyeon.
Além disso, o oficial subalterno chegara com Jo Yeon-shin. Gi-hyeon castigou-se amargamente. Quando sentira um formigamento de familiaridade ao ver o homem no carro estrangeiro na cidade, deveria ter previsto aquela catástrofe. Ele sabia da existência de Yeon-shin através de Yeon-oh, mas falhar em reconhecer seu rosto fora um erro fatal.
Acho que ouvi dizer que ele era um jogador degenerado… Dessa perspectiva, Yeon-shin acabar ali com o oficial subalterno poderia ter sido uma coincidência grotesca. Apesar de sua localização rural, a toca de Jisu era aparentemente infame nos círculos de apostas.
O verdadeiro enigma era Yeon-oh. Como diabos ele o rastreara até o meio do nada?
De repente, um baque úmido e nauseante ecoou do lado de fora, seguido imediatamente por um grito agudo.
— Aaaargh!
Como o som se originou fora da estufa, a distância abafou-o ligeiramente. Gi-hyeon ficou paralisado por um segundo antes de vagar lentamente em direção à parede de vinil. Como o interior era muito mais brilhante do que a noite lá fora, nenhuma sombra era projetada no plástico, mas os sons horríveis de violência eram inconfundíveis. Então, uma mão ensanguentada bateu contra o vinil translúcido.
— Argh!
O ganido de susto veio de trás de Gi-hyeon. O caixa do banco, geralmente inabalável, aparentemente caíra para trás em choque, sua cadeira batendo ruidosamente contra o chão. Mas Gi-hyeon não conseguia desviar os olhos da parede de plástico. Alguém lá fora estava suportando um espancamento vicioso e unilateral, batendo desesperadamente a mão contra o vinil apenas para se manter de pé.
— E-espere—! Hyung, Yeon-shin hyung! Por favor, me ajude!
O pedido abafado e desesperado confirmou que a vítima era o oficial subalterno. Gi-hyeon presumira que Yeon-shin era quem estava sendo espancado, tornando a revelação chocante. Ele tapou a boca com a mão. Um pavor pesado e plúmbeo instalou-se em seu estômago ao perceber que Yeon-oh de alguma forma descobrira a verdade.
Ele sabia que precisava sair e impedir aquilo.
Naquele momento, o oficial subalterno, rastejando freneticamente para trás para escapar do ataque, arrastou todos para sob a iluminação do poste de luz posicionado entre as estufas. Através do plástico translúcido, Gi-hyeon viu a silhueta horrível de alguém erguendo um porrete bem alto no ar.
O pânico superando a lógica, ele correu para a porta.
— Aaaargh—! Argh!
Antes mesmo que ele pudesse girar a maçaneta, um grito agonizante perfurou a noite. Alheio ao seu tornozelo rígido e sem resposta, Gi-hyeon correu para fora. A cena que o recebeu drenou completamente o sangue de seu rosto.
Estirado de bruços na terra, o oficial subalterno se contorcia e gemia em agonia excruciante. O pedaço grosso de madeira estava cravado diretamente em seu tornozelo. Mais especificamente, o prego enferrujado que sobressaía da madeira estava enterrado profundamente na carne logo abaixo do osso do tornozelo.
— Você… — Gi-hyeon arfou, sua voz falhando enquanto encarava Yeon-oh em horror.
Yeon-oh o ignorou completamente, caminhando casualmente em direção a um paralisado e trêmulo Jo Yeon-shin. Como as costas de Yeon-oh estavam voltadas, Gi-hyeon não conseguia ler sua expressão, mas Yeon-shin, olhando para ele, parecia completamente petrificado. Ele gaguejou freneticamente.
— Y-Yeon-oh, veja, e-eu não vou contar ao avô sobre isso agora, então…
— Vá em frente e dedure, seu pedaço de merda, porra.
Agarrando Yeon-shin pela gola novamente, Yeon-oh desferiu outro golpe devastador em seu rosto. Desta vez, não houve um tapa seco; foi um baque nauseante e carnal, soando menos como um tapa e mais como um soco de punho fechado. Yeon-shin não ofereceu resistência, apenas gemendo um “ugh, ugh” patético e ofegante a cada golpe.
— S-Segundo-tenente, por favor… por favor, me salve. Por favor?
Sem ser notado, o oficial subalterno arrastara-se pela terra e agarrara desesperadamente o tornozelo de Gi-hyeon, o exato tornozelo que ainda fazia Gi-hyeon mancar sempre que as memórias traumáticas ressurgiam.
Gi-hyeon olhou para a madeira pregada no tornozelo do homem, espelhando sua própria lesão antiga, seu rosto se contorcendo em repulsa. Ele puxou violentamente o pé do aperto desesperado do subalterno e marchou em direção a Yeon-oh.
Ainda espancando impiedosamente Yeon-shin, Yeon-oh parecia completamente alheio ao fato de que seu primo estava à beira de perder a consciência. Lutando contra uma onda de vertigem nauseante, Gi-hyeon agarrou firmemente o ombro de Yeon-oh.
— Pare com isso.
— …
Yeon-oh ignorou o comando, continuando a desferir golpes. Como ele estava atingindo repetidamente o mesmo local, a bochecha de Yeon-shin já estava inchada de forma grotesca, assemelhando-se a um aglomerado de picadas graves de abelha. Na melhor das hipóteses, seu maxilar estava fraturado.
Embora o avô deles favorecesse Yeon-oh acima de todos, o patriarca era fundamentalmente obcecado por linhagens; ele nunca ignoraria a mutilação brutal de outro neto. Gi-hyeon implorou novamente.
— Eu disse pare.
— …
— Jo Yeon-oh!
Ele finalmente latiu o nome como um aviso. Yeon-oh sacudiu o ombro violentamente, jogando a mão de Gi-hyeon para longe antes de se levantar lentamente e se virar.
Olhos injetados de sangue, fervilhando com fúria violenta e não adulterada, travaram em Gi-hyeon.
Gi-hyeon fechou a boca instantaneamente em choque. Era o exato mesmo olhar terrivelmente intenso que Yeon-oh direcionara a ele quando se reuniram pela primeira vez, uma expressão que ele não via há anos. Olhando para um Gi-hyeon paralisado, Yeon-oh soltou uma risada oca e zombeteira.
Toda essa situação estava completamente fodida.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Salt Society (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.