Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 26 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 26

A melhor parte absoluta de hoje era o simples fato de ser sexta-feira.

— Quais são os seus planos para hoje, Doutor?

Byeong-ju, o especialista em prescrição de exercícios da clínica, jogou a pergunta por cima do ombro. Tendo acabado de sofrer um corte de papel enquanto organizava os prontuários, Gi-hyeon estava no meio de uma aplicação implacável de álcool em spray no dedo. Ignorando a forte ardência, ele sacudiu a umidade da mão com descuido e voltou a digitar no teclado.

— Eu vou dormir. Por cerca de onze horas. Não, mude para treze horas.

Hoje era o dia em que a viagem de negócios de Jo Yeon-o estava oficialmente confirmada. Ele tinha dito que ia jogar golfe? Não era uma viagem de lazer casual, mas sim uma partida de golfe diretamente ligada ao networking corporativo. Como Yeon-o havia mencionado que iria para as províncias do sul, Gi-hyeon tinha a garantia de um sono sólido e ininterrupto pelo menos até a manhã de sábado.

— Nossa, Doutor, você é um recém-nascido por acaso? Por que dorme tanto?

Gi-hyeon apenas esboçou um sorriso fraco e não se deu ao trabalho de responder. Resmungando consigo mesmo sobre se as costas de Gi-hyeon doíam por ficar deitado tanto tempo, Byeong-ju voltou a organizar sua própria pilha de prontuários.

Era um dia raro em que o Líder de Equipe Lim tinha tirado meio dia de folga. Graças à sua ausência, a tarde de sexta-feira não estava exatamente vazia, mas estava profundamente pacífica. O simples fato de não ter o líder de equipe por perto — um homem que rotineiramente jogava todos os seus atletas designados para Gi-hyeon só para poder sentar em sua mesa e ficar obcecado com sua tese de pós-graduação — parecia a liberdade absoluta.

— Doutor, Doutor! Qual é o seu tipo ideal?

Yoo Bom, uma ginasta rítmica, pairava ao redor da frente da mesa de Gi-hyeon, rindo sem parar. Sua pronúncia, terminando as frases com uma inflexão arrastada e fofa, transbordava de um charme brincalhão. Bastava um olhar para o rosto dela para ficar dolorosamente óbvio que ela estava participando de algum tipo de pegadinha orquestrada pelos atletas mais velhos. Sem esboçar um sorriso, Gi-hyeon deu sua resposta.

— Alguém que consiga fazer setecentos agachamentos sem fazer uma única pausa.

— Ah, pare de brincadeira!

— Eu estou brincando. Meu tipo ideal real é alguém que consiga fazer quinhentos agachamentos. Setecentos é um pouco severo demais.

Entregar o desfecho da piada com a mesma expressão séria foi demais para a jovem atleta, que perdeu completamente o controle de tanto rir. Só então Gi-hyeon deixou uma risada suave escapar. Não era nem tão engraçado assim, mas ver a garota praticamente à beira das lágrimas de tanto rir era algo que combinava perfeitamente com a idade dela, então ele não pôde deixar de sorrir.

Rindo até que lágrimas realmente escorressem pelo seu rosto, ela desabou sobre a mesa dele, arquejando enquanto seu cabelo longo e solto caía por toda parte. Usando uma caneta esferográfica, Gi-hyeon casualmente afastou o cabelo da jovem atleta apenas para abrir espaço para colocar uma pasta de arquivos. Todo aquele esforço para limpar o espaço foi instantaneamente desperdiçado, no entanto, quando Bom subitamente se levantou da mesa e o pressionou novamente.

— Não, mas falando sério! Nossa treinadora estava perguntando se você tinha namorada, Doutor.

A pergunta, feita enquanto ela limpava as lágrimas de diversão dos cantos dos olhos, pegou-o totalmente de surpresa.

— A Treinadora Nam perguntou?

Dando risadinhas ao fundo, Byeong-ju respondeu à pergunta de Bom em nome de Gi-hyeon. Sendo o terapeuta que frequentemente assumia o controle quando as ginastas rítmicas vinham para o tratamento, Byeong-ju conhecia muito bem a treinadora delas. Não tinha havido o menor indício de interesse romântico antes, fazendo Gi-hyeon se perguntar se a travessa Bom estava apenas inventando coisas.

Claramente intrigado, Byeong-ju se inclinou e perguntou diretamente a ela.

— A Treinadora Nam realmente perguntou se o Dr. So tinha namorada, Bom?

— Sim!

— E sobre mim? Ela perguntou se eu tinha alguém?

— Sim. Ela absolutamente não perguntou.

A expressão de Byeong-ju murchou visivelmente com a rejeição direta. Quer seu colega estivesse emburrado ou não, Gi-hyeon simplesmente fechou as janelas na tela do computador e soltou um bocejo silencioso.

— Eu já te disse meu tipo ideal. Passe o recado adiante. Diga a ela que eu gosto de alguém que consiga fazer quinhentos agachamentos consecutivos.

— Isso não faz o menor sentido!

Bom praticamente gritou em protesto. Gi-hyeon bocejou uma segunda vez antes de cravar um olhar firme na ginasta.

— Você está conversando com seu terapeuta agora porque terminou todos os seus exercícios? Até onde você foi hoje? Vá buscar o seu prontuário.

— Ai! Não! Eu vou terminar eles agora mesmo!

Com isso, ela saiu correndo em uma pressa frenética. Era completamente absurdo assistir a uma garota que veio para a reabilitação do tornozelo correndo para fora do escritório. Balançando a cabeça com um suspiro pesado, Gi-hyeon sentiu Byeong-ju cutucá-lo nas costas, rindo.

— Você deveria simplesmente ir a um encontro às cegas.

— Eu já tenho alguém de quem gosto.

Limpando uma lágrima trazida pelo bocejo, Gi-hyeon deu uma resposta desdenhosa. Parecendo que não ia cair nessa desculpa novamente, Byeong-ju estalou a língua.

— Qual é, você está dizendo que gosta da mesma pessoa há anos. Parece completamente sem esperança, então você deveria simplesmente partir para outra pessoa.

Bem… Gi-hyeon se perguntou se havia algum sentido em fazer isso. Mesmo que Jo Yeon-o não o amasse, e mesmo que fosse algo totalmente sem esperança como Byeong-ju afirmava, havia realmente necessidade de se forçar a gostar de outra pessoa? Seu coração já estava sufocantemente pesado; ele não tinha desejo de abrir espaço para outro indivíduo. Como Jo Yeon-o se recusava terminantemente a desocupar o lugar, o espaço metafórico de Gi-hyeon estava perpetuamente sobrecarregado. Ele há muito tempo havia esgotado a energia necessária para tentar expulsar o bastardo. Incapaz de compactar toda aquela letargia esmagadora em uma única frase, ele optou por uma esquiva muito mais leve.

— Conhecer alguém novo dá preguiça demais.

— Acho que isso é verdade. Assim que o trabalho termina, você fica ocupado demais apenas tentando dormir um pouco em casa.

Pegando o contágio, Byeong-ju abriu bem a boca em um bocejo enorme. Gi-hyeon acenou em concordância. Ainda assim, hoje era sexta-feira — um dia gloriosamente raro e completamente desprovido de Jo Yeon-o.

— Ou assim ele pensava. Ele honestamente não tinha ideia de como as coisas haviam chegado a esse ponto.

— Então, por que exatamente eu tenho que ir?

— Bem, o negócio é o seguinte… Por favor, vá só desta vez, Dr. So. Se eu voltar sozinho, o Presidente vai me espancar até a morte com um taco de golfe.

— Dê entrada no seguro de acidentes de trabalho, processe-o, entre com uma ação civil e abra queixa-crime contra ele enquanto faz isso.

— Certo, bem, é claro que eu não quis dizer que ele iria me bater literalmente. Mas ele vai absolutamente me golpear com os olhos!

Gi-hyeon considerou seriamente apontar que agressão física por meio de contato visual era cientificamente impossível, mas acabou fechando a boca. Ele genuinamente sentia pena do Gerente Yoo. O homem havia dirigido todo o caminho de um campo de golfe privado no condado de Namhae até Seul — em uma noite de sexta-feira, nada menos — unicamente porque recebeu a missão especial de resgatar Gi-hyeon.

— Haa…

Mas Gi-hyeon tinha todo o direito de suspirar com o mesmo peso. So Gi-hyeon era um assalariado exatamente como o Gerente Yoo. Um assalariado cujo estresse semanal havia atingido o ponto de ebulição, que estava esperando desesperadamente pelo momento exato em que poderia se desligar completamente do mundo. Tendo planejado jantar e dormir como um cadáver, Gi-hyeon tinha até pedido pizza — uma indulgência rara. Agora, ele só podia amaldiçoar seu eu de cinco minutos atrás que havia aberto a porta da frente ao som da campainha, assumindo tolamente que era o entregador.

Engolindo um gosto amargo, Gi-hyeon falou com uma expressão resignada.

— …Eu pedi pizza. Deve chegar a qualquer minuto, então vamos comer juntos antes de descermos.

— Nossa! Muito obrigado, Dr. So! Verdadeiramente, do fundo do meu coração!

O Gerente Yoo parecia pronto para cair de joelhos e se prostrar. Conhecendo o gerente há muito tempo, Gi-hyeon estava bem ciente de que aquilo era, em grande parte, uma lamentação teatral.

Havia apenas uma razão para Jo Yeon-o — que atualmente estava jogando golfe em Namhae — ter mobilizado o Gerente Yoo para arrastar Gi-hyeon até lá para lhe fazer companhia no fim de semana. So Gi-hyeon era cronicamente vulnerável às súplicas patéticas de um colega trabalhador de escritório. Como alguém na indústria de serviços médicos, Gi-hyeon achava incrivelmente difícil rejeitar os apelos desesperados do Gerente Yoo. Então, após oferecer uma resistência simbólica, ele estava mais uma vez cedendo e fazendo a viagem de descida.

Na verdade, isso era praticamente um futuro profetizado. Ele já havia sofrido com o telefonema de Jo Yeon-o uma hora antes de registrar a saída do trabalho, ouvindo o bastardo dizer um absurdo total sobre ir para Namhae. Gi-hyeon tinha dito para ele parar de falar merda, ignorou-o e desligou, mas no final não conseguiu negar o pedido desesperado do homem que apareceu à sua porta.

Eventualmente, exibindo uma expressão que transbordava pura irritação, Gi-hyeon empurrou a pizza goela abaixo com força, sentindo como se fosse sofrer de indigestão aguda durante toda a viagem até Namhae. Quando ele foi arrumar uma pequena mala de viagem, disseram-lhe que o resort tinha praticamente tudo, então ele só se deu ao trabalho de colocar algumas mudas de roupa.

— Ah, você não precisa levar nenhuma roupa de golfe. O Presidente já tem um parceiro de partida.

O Gerente Yoo ofereceu o conselho casualmente, tentando impedir Gi-hyeon de levar bagagem excessiva. Gi-hyeon soltou uma risada seca e cínica.

Eu sei.

Ele sabia perfeitamente bem que, mesmo se arrastando até Namhae àquela hora ingrata, ele não passava de um travesseiro humano. Jo Yeon-o absolutamente não estava livre o suficiente para passar o fim de semana inteiro jogando partidas de golfe descontraídas com ele.

Ter essa dura realidade confirmada pela boca de um terceiro só fez o nó em seu estômago se apertar ainda mais. Retirando-se para a cozinha para engolir a seco um comprimido de digestivo, Gi-hyeon respondeu em um tom completamente seco.

— Eu sei. Não se preocupe com isso, Gerente Yoo. Eu não ligo muito para golfe de qualquer forma.

O Gerente Yoo acenou com a cabeça como quem diz justo. Vestido com uma jaqueta curta corta-vento e calça jogger, Gi-hyeon pendurou sua mochila de basquete no ombro e parou na entrada. Adeus, meu fim de semana pacífico. Tendo saído primeiro, o Gerente Yoo já estava entrando no elevador, alegando que precisava dar a partida no carro.

Clique —.

Gi-hyeon apagou as luzes da sala de estar.

Blup, blup.

O som fraco de bolhas de ar subindo do aquário distante ecoou no silêncio. Por um breve momento, Gi-hyeon olhou fixamente para o aquário que projetava um brilho pálido e fantasmagórico pela sala de estar escura, antes de sair sem um único pingo de ressentimento em relação à porta que se bateu atrás dele.

Quando a primavera finalmente chegaria?

Diziam que as flores já haviam desabrochado no sul. Mas Seul permanecia amargamente, implacavelmente fria.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Salt Society (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.

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