Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 01 Online

↫─Capítulo 1
— Você deu comidinha para os peixinhos dourados?
Embora So Gi-hyeon pensasse que estava sozinho no apartamento, o som repentino da voz de seu amante não o assustou. O estado impecável da entrada quando ele tirou os sapatos já o havia alertado sobre a presença do homem.
Em vez de responder, Gi-hyeon tirou a camisa com lentidão e a jogou no cesto de roupa suja. Da sala de estar escura, o farfalhar distinto de Jo Yeon-oh se mexendo no sofá ecoou pelo espaço.
Ao contrário de Gi-hyeon, que tinha pouco menos de 180 centímetros de altura, Jo Yeon-oh tinha o tamanho da porra do batente de uma porta por onde quer que passasse. Mais alto do que a maioria das máquinas de venda automática e geladeiras, sua estatura imponente e ombros que pareciam armas o tornavam frequentemente uma figura incrivelmente intimidadora. Isso era agravado por um temperamento notoriamente terrível. Espremer uma estrutura daquele tamanho no pequeno sofá de Gi-hyeon claramente trazia suas dificuldades, a julgar pelos resmungos pesados enquanto ele se levantava. Olhando do quarto, Gi-hyeon teve vislumbre do cabelo bagunçado de Yeon-oh, iluminado suavemente pelo brilho fraco do pequeno aquário.
Estava na cara que o Alfa tinha faltado a mais uma reunião apenas para rastejar até o apartamento de Gi-hyeon para um cochilo. Permitir que ele guardasse roupas sobressalentes aqui tinha sido um erro enorme.
— Eu perguntei se você os alimentou. Por que não está respondendo? — resmungou Yeon-oh. — Você deveria ser o pai deles, mas está sempre por aí andando à toa. Não é de admirar que as crianças estejam tão magras.
Seu tom era idêntico ao de um cônjuge implicante repreendendo o parceiro que voltou tarde por negligenciar seus deveres parentais.
Gi-hyeon, no entanto, tinha seus próprios motivos para o silêncio. Ele estava calculando a probabilidade exata de o secretário coitado de Yeon-oh estar tomando antiácidos enquanto ligava ou enviava mensagens freneticamente para ele. Tudo isso graças ao pecado de servir a um chefe que era tão impossivelmente competente quanto profundamente preguiçoso.
Havia outros assuntos urgentes ocupando sua mente também. Poucos momentos antes, Gi-hyeon havia tirado as plaquetas de identificação militar do pescoço e as deslizado silenciosamente para a gaveta da mesa de cabeceira para evitar qualquer tilintar metálico. Se Yeon-oh o pegasse ainda usando aquelas plaquetas, um sermão amargo seria absolutamente garantido. Elas tinham que ser escondidas a todo custo.
Além disso, Gi-hyeon havia voltado para casa ainda usando o uniforme cirúrgico da clínica, e a mera antecipação de levar uma bronca por causa disso já o esgotava. Adicionar outra discussão a um dia de trabalho que já tinha sido excruciante simplesmente não era um uso vantajoso de energia. Justo quando ele se preparava para se despir rapidamente e ir para o chuveiro, braços pesados o enlaçaram firmemente pela cintura por trás.
— Você veio para casa sem tirar o uniforme de novo.
— Hum.
Pego em flagrante, Gi-hyeon ofereceu um murmúrio dolorosamente curto de concordância. Era um escudo visivelmente frágil contra a amolação que certamente viria a seguir.
— Você nem sabe que tipo de germes estão rastejando por toda essa roupa. Por que você sempre volta do trabalho com o uniforme cirúrgico? Troque de roupa antes de sair do trabalho da próxima vez.
Sem confirmar nem negar a exigência, Gi-hyeon simplesmente arrastou o peso do corpo apegado de Yeon-oh enquanto concluía metodicamente sua rotina pós-trabalho.
Se o Alfa estivesse genuinamente preocupado com os germes do hospital, ele deveria ter se afastado. Gi-hyeon já havia batido nessa tecla inúmeras vezes, sem absolutamente nenhum resultado. Sendo assim, sua única opção real era ignorar a enorme sanguessuga permanentemente grudada em suas costas.
Parecendo de certa forma exausto, Yeon-oh apenas se apoiou sobre Gi-hyeon, enterrando o rosto profundamente na curva de seu pescoço. Como Gi-hyeon já estava sem camisa, o contato repentino da bochecha quente de Yeon-oh contra sua pele nua enviou um calafrio violento que desceu por sua espinha.
Um forte latejar de desejo instantaneamente se acumulou no baixo ventre, mas ele o esmagou impiedosamente. Isso não era um fenômeno novo. Para So Gi-hyeon, a excitação era meramente uma sensação passageira, semelhante a uma pontada tolerável de fome que eventualmente passaria. Nos dias em que o desejo se tornava agonizante, ele simplesmente o queimava por meio de exercícios intensos. Embora uma dor persistente no tornozelo às vezes limitasse suas opções, até mesmo um treino pesado para a parte superior do corpo costumava ser suficiente para apagar o fogo.
Enquanto isso, os braços de Yeon-oh se fechavam perfeitamente ao redor da cintura de Gi-hyeon, o tecido rústico de sua camisa social roçando friamente contra a pele nua de Gi-hyeon. Uma exalação lenta e constante roçou na nuca dele.
Ele está encontrando paz agora, Gi-hyeon percebeu com certeza instintiva. Apenas por me tocar.
— Foi você quem disse que eu poderia estar coberto de germes. Me solta até eu tomar banho — instruiu Gi-hyeon.
— Você está subestimando o meu sistema imunológico? — murmurou Yeon-oh.
Sua voz era em um tom impossivelmente baixo, ecoando como o som suave da chuva. Era um tom específico e ressonante que o Alfa só usava quando se sentia completamente à vontade.
Uma risada baixa escapou dos lábios de Gi-hyeon. Não acostumado a ver seu amante rir em sua presença, Yeon-oh afastou a bochecha, com uma curiosidade palpável enquanto examinava a lateral do rosto de Gi-hyeon.
— Você está fazendo aquilo de novo, rindo só com a voz. Deixa eu ver o seu rosto — o pedido de Yeon-oh veio suavemente.
Mesmo essa insistência não nascia de um amor romântico. Era simplesmente uma manifestação de quão profundamente Yeon-oh o estimava. Gi-hyeon não alimentava ilusões sobre esse fato. Ao longo dos últimos sete anos, ele não havia compreendido mal os limites do relacionamento deles nenhuma única vez.
Quando Gi-hyeon não ofereceu resposta, Yeon-oh simplesmente enterrou a testa novamente na nuca dele, exalando pesadamente. O roçar de sua franja contra a pele sensível teria sido uma distração em circunstâncias diferentes, mas Gi-hyeon sabia com absoluta certeza que esse apego físico era inteiramente desprovido de desejo sexual.
Afinal, Jo Yeon-oh era um Alfa. E So Gi-hyeon era um homem Beta. Eles pertenciam a duas demografias que tradicionalmente interagiam com profunda indiferença.
Na alta sociedade, as uniões entre Alfas eram frequentemente utilizadas como ferramentas políticas. A notícia de que o segundo filho Alfa da Corporação A estava noivo da filha mais velha Omega da Corporação B era tratada como um acordo comercial muito mais limpo e eficaz do que uma fusão corporativa.
No entanto, a dinâmica entre um homem Alfa e um homem Beta era inteiramente diferente. A união deles carecia da fertilidade biológica de um casal Alfa e Ômega, e carecia completamente da racionalidade calculada de uma aliança Alfa com Alfa.
A sociedade via isso como nada mais do que uma colisão imoral de puro desejo. Facções conservadoras hostilizavam agressivamente homens Beta que ousavam namorar homens Alfa. Embora movimentos ferozes de direitos civis gritando por antidiscriminação tivessem conseguido diluir parte do vitríolo, o preconceito profundamente enraizado ainda mantinha a sociedade sob rédeas curtas.
À medida que os tempos mudavam, a corrente cultural que antes tornava os romances entre Alfas e Betas um grande tabu começou a virar, enquadrando os discriminadores como intolerantes ignorantes.
No entanto, essa postura progressista era em grande parte uma fachada pública.
Por trás de portas fechadas, a discriminação interpessoal prosperava. Absolutamente ninguém acolhia genuinamente aqueles que escolhiam esse caminho. Alguns apenas ofereciam piedade, olhando com desdém para aqueles que trilhavam uma estrada traiçoeira e não pavimentada.
— Você comeu?
Rompendo suas reflexões pesadas, a pergunta de Yeon-oh vibrou diretamente na pele de seu pescoço. A sobrancelha de Gi-hyeon contraiu-se brevemente antes de suavizar em sua indiferença estoica habitual.
— Na clínica. E você?
Completamente indiferente ao enorme Alfa apoiado em suas costas, Gi-hyeon começou a tirar as calças do uniforme cirúrgico, jogando-as no cesto de roupa suja.
Embora Gi-hyeon não fosse de forma alguma baixo, Yeon-oh era tão esmagadoramente enorme que, se ele deixasse todo o seu peso ceder, a parte superior do corpo de Gi-hyeon inevitavelmente desabaria sob a pressão. Firmando-se contra o fardo, Gi-hyeon travou os músculos eretores da espinha, recusando-se a vergar enquanto continuava com sua rotina. A flexão intensa apenas esculpiu um vale profundo e definido no centro de suas costas.
Sentindo a tensão, Yeon-oh traçou lentamente a curva da cintura de Gi-hyeon, com os dedos roçando de leve por seu abdômen para seguir a marca tênue deixada pelo cós do uniforme cirúrgico. Com o abdômen e os músculos espinhais de Gi-hyeon tão fortemente contraídos e seu percentual de gordura corporal excepcionalmente baixo, a marca mal era visível, mas o Alfa mapeou silenciosamente a linha fantasma de qualquer maneira.
Os ombros de Gi-hyeon deram um leve sobressalto com a sensação de cócegas. Yeon-oh estava totalmente preparado para se afastar se lhe dissessem para sair mais uma vez, mas Gi-hyeon permaneceu em silêncio absoluto, apenas mudando o foco para esvaziar a mochila que havia trazido para casa.
Yeon-oh lançou um olhar passageiro para o relógio. Apesar da escuridão opressiva da noite chuvosa lá fora, mal passava das sete horas. Enquanto estudava os ponteiros correndo na parede, um pensamento repentino pareceu atingi-lo.
— Você não disse que a clínica dos atletas teria um jantar de equipe hoje à noite?
— O líder da equipe tinha um assunto urgente e saiu mais cedo, então aproveitei a oportunidade para escapar — respondeu Gi-hyeon calmamente.
Enquanto respondia, Gi-hyeon tirava os itens guardados desordenadamente em sua mochila. O laptop e os documentos clínicos que ele havia embalado para a conferência de casos da manhã estavam em uma confusão caótica.
Por natureza, So Gi-hyeon não era um homem meticulosamente organizado. Os hábitos rigorosos incutidos nele durante os dias de Academia Militar eram a única razão pela qual ele conseguia manter um nível básico de arrumação. Deixado por conta própria em seus dias de folga, ele ficaria feliz em definhar na cama sem pensar duas vezes em levantar. Sua rotina atual, relativamente limpa, só havia sido adotada lentamente, inteiramente por necessidade. Ele havia passado anos demais assistindo ao obsessivamente impecável Jo Yeon-oh limpar suas bagunças mesmo quando o Alfa estava caindo de cansaço. Se Gi-hyeon não fizesse, Yeon-oh faria.
Mesmo enquanto Gi-hyeon organizava meticulosamente o conteúdo espalhado, as mãos pesadas que ancoravam sua cintura recusavam-se a recuar. Aqueles dedos, que ainda traçavam distraidamente a linha de sua espinha, não carregavam absolutamente nenhum calor carnal. Gi-hyeon sabia que não passava de um hábito enraizado.
Apesar de estarem namorando por um período considerável de tempo, eles nunca haviam compartilhado um único toque que pudesse ser classificado como genuinamente sexual, exceto pelos beijos rápidos e castos que se esperaria de crianças. Mesmo quando seus lábios se encontravam, eles nunca aprofundavam o beijo; nenhum dos homens sabia como era o toque do interior da boca do outro. Esse apego físico era apenas a maneira de Yeon-oh buscar conforto, uma indulgência infantil que Gi-hyeon entendia perfeitamente.
Jo Yeon-oh só ficava ao seu lado porque o amava profundamente como amigo. Gi-hyeon há muito havia decidido que isso era aceitável. Era uma verdade inegável da vida que nem todas as emoções queimavam da mesma forma, nem todo afeto podia cintilar com romance. Gi-hyeon encontrava consolo no conhecimento simples e inabalável de que era precioso para Jo Yeon-oh.
Isso era o suficiente. Seu amor nunca havia exigido compensação. Para ele, nutrir um amor avassalador por Yeon-oh e realmente ter esse amor correspondido eram dois conceitos inteiramente separados.
Essa mesma lógica havia alimentado sua confissão desastrosa. Yeon-oh tinha ficado profundamente decepcionado com ele naquela época, toda a sua postura praticamente gritava isso. Por um longo tempo após aquele dia, o Alfa olhava para Gi-hyeon com os olhos despedaçados de um homem traído. No entanto, contra todas as probabilidades, ele acabou retornando para o lado de Gi-hyeon.
Mesmo depois de cuspir violentamente um acordo para namorar, Yeon-oh cortou todo o contato por um tempo, surgindo ocasionalmente apenas para lançar insultos venenosos e humilhantes. Mas, no fim das contas, ele engoliu o orgulho, retornando para reivindicar o título de amante de Gi-hyeon.
Por causa disso, Gi-hyeon acreditava genuinamente que devia uma dívida enorme ao Alfa.
Gentil e tolo Yeon-oh.
Ele poderia facilmente ter descartado a confissão e ido embora para sempre. Em vez disso, apesar do coração partido agonizante e do senso visceral de traição, o homem havia retornado obstinadamente apenas para segurar a mão de Gi-hyeon.
Sempre que um desejo sombrio e ganancioso ameaçava surgir em seu peito, Gi-hyeon o suprimia violentamente, lembrando a si mesmo de que aquilo era o bastante. Mesmo que a intimidade física deles estivesse reduzida a nada mais do que selinhos infantis, ele estava contente. Ele permanecia ao lado de Yeon-oh unicamente para dar o seu amor, nunca exigindo ser amado em retribuição.
O relacionamento deles se sustentava nessa linha tênue de compromisso. Insatisfação? Talvez. Mas esse fardo certamente não pertencia a So Gi-hyeon.
Finalmente desatando os braços da cintura de Gi-hyeon, Yeon-oh caminhou em direção à cozinha.
— Sério, você deu papa para os nossos bebês? — ele perguntou novamente.
A escolha das palavras fazia parecer que eles estavam realmente criando filhos juntos. Uma exaustão fantasma atingiu Gi-hyeon diante daquela domesticidade.
— Você provavelmente já os alimentou — ele desconversou.
O estalo nítido da vedação da porta da geladeira se abrindo ecoou pelo apartamento, seguido pela voz distante e abafada de Yeon-oh. — Como você conseguiria sobreviver sem mim?
Um sorriso fraco e autodepreciativo tocou os lábios de Gi-hyeon enquanto ele vestia uma calça de moletom macia.
— Eu me pergunto.
Sua resposta foi um sussurro frágil e sem fôlego. Ele duvidava muito que Yeon-oh tivesse ouvido.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.