Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 03 – Parte 6 Online


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❬ Side Story 03 – Parte 6 ❭

⌽ Roses and a Kiss ⌽

“Por que confiei em você naquela noite, nunca saberei.”

Houve uma sacudida de cabeça, uma risada coquete – a memória tão vívida que poderia ter sido ontem.

Fora um romance fulminante, entre ele e Susya. Ninguém soube que ele a amava, ninguém soube que tinham um filho, ninguém soube o quanto ele foi feliz.

Tudo lhe fora arrancado tão rápido; ele pensara que teriam tanto tempo, que poderia passar anos amando as duas pessoas mais preciosas do mundo.

“Se ao menos meu pai não tivesse abdicado quando o fez…” Não, ele não devia culpar o pai. A ameaça repentina do Sindicato, as relações entre as duas facções se desintegrando em meros meses. Os Sergeyev é que eram culpados por roubar aquela felicidade dele.

“Eu poderia ter ficado…”

— Sr. Lomonosov?

Os olhos de Mikhail recuperaram o foco, encontrando Leo diante dele com uma expressão preocupada.

Depois de todos esses anos, Leo ainda estava com ele, dedicando tudo para cuidar dele e da Bratva. Um terceiro relacionamento que Mikhail prezava: Leo encontrara seu filho.

Um suspiro percorreu a garganta de Mikhail. Mesmo então, eles haviam chegado tarde demais.

Leo agitou-se, então entrelaçou as mãos atrás das costas. — Há algo errado, senhor? O senhor sabe que pode sempre falar comigo, qualquer que seja o assunto.

O sorriso de Mikhail foi melancólico. — Não se preocupe, Leo. É um desenvolvimento feliz. Leo inclinou a cabeça, esperando que Mikhail explicasse. Não faria mal deixar Leo saber, Mikhail decidiu.

Desta vez, seu sorriso continha mais alegria. — Acredito que meu filho encontrou uma namorada.

Leo imobilizou-se, os olhos arregalados. O sorriso de Mikhail apenas cresceu. Ele olhou para o vazio, perdido em memórias de muito tempo atrás.

Finalmente, com um leve suspiro, Mikhail voltou ao presente e tomou um gole de seu uísque. — Estou dividido, Leo. — Ele riu baixinho. — Acabei de encontrá-lo, e ele já tem sua outra metade. Não sei se devo celebrar ou lamentar.

— Tenho certeza que ela é uma moça muito agradável, Leo disse.

Mikhail bufou e olhou para Leo por cima do copo de uísque. — Claro que é. Meu filho não aceitaria nada menos. — Tomou outro gole, então estudou a luz se refratando no gelo de seu copo. — Ele deveria nos apresentar em breve.

✦ ✦ ✦

Won reprimiu um gemido atrás dos dentes cerrados, embriagado pelo álcool e pelo pau de Caesar. Correr para as fontes termais bêbado não fora sua melhor ideia, mas ele achava que estava fazendo um trabalho admirável em se manter consciente, mal conseguindo sair da água escaldante antes que Caesar começasse a socar novamente.

Assim, lá estava Won, em agonia requintada sobre as pedras frias, encharcado de seu lubrificante natural, uma bagunça pegajosa em sua barriga, escorrendo entre sua pele e o chão enquanto Caesar se debruçava sobre ele, entrando em seu buraco repetidamente.

Ele reprimiu outro gemido de prazer quando Caesar mudou o ângulo. Já haviam feito isso tantas vezes. Ele já tinha gozado. Não deveria ser possível estar tão excitado, sentir-se vazio mesmo no espaço ínfimo entre as enfiadas, quando estava vazio. Ele precisava de Caesar dentro dele, partindo-o ao meio, enchendo-o de porra até explodir. Ele se sentia como um fio vivo, cuspindo faíscas, um mísero toque e ele irromperia em chamas.

Ele ia desmaiar.

Não! Ele não queria isso. Usando o pouco de força que lhe restava para flexionar as pernas… E se alguém os encontrasse?

Uma onda de pânico varreu seu corpo, mas a ansiedade fugiu tão rápido quanto veio. O membro de Caesar estava latejando e acertando aquele ponto tão fundo dentro dele que Won podia jurar que estava em sua garganta; as mãos em sua pele eram fortes o suficiente para deixar hematomas, e Caesar estava agora batendo nele; Caesar não conseguiria parar mesmo se quisesse; e talvez fosse o álcool, mas Won não conseguia se importar quando Caesar o fazia sentir como ouro derretido.

Com a mente temporariamente em outro lugar, a ereção de Won havia diminuído levemente. Isso não podia ficar assim.

Alcançando as mãos para trás, ele agarrou a bunda de Caesar, puxando-o para mais perto enquanto Won levantava os quadris, enfiando-se no pau de Caesar, forçando a grossura enorme o mais fundo que pudesse e se contraindo ao redor, músculos e tecidos macios pressionando o pau de Caesar, sugando-o e apertando-o com força.

Um gemido baixo escapou perto de seu ouvido e então os ombros de Won latejavam com o impacto, seus quadris puxados para cima enquanto sua nuca era empurrada para baixo, e doía, mas ele não conseguia parar. Agarrando as pedras, ele contorceu a coluna em um ângulo obsceno, abrindo os joelhos para receber o máximo que pudesse, empurrando-se para trás e fazendo seu interior pulsar para acompanhar as enfiadas de Caesar.

As enfiadas eram longas agora, a cabeça inchada do pau de Caesar ameaçando ultrapassar sua abertura, o aperto de Caesar em seus quadris controlando um pouco seus movimentos, mas Won era insaciável, seu buraco sugando Caesar de volta cada vez com sons úmidos e necessitados.

Eles estavam em perfeito ritmo; dois corpos não deveriam estar tão sincronizados. Won se sentia completo.

De repente, houve uma inspiração forte de Caesar, e ele parou seus movimentos, puxando quase completamente para fora. Isso puxou a abertura já abusada de Won; ele tinha certeza de que sua bunda estava distendida, a pele esticada, tentando segurar Caesar dentro pelo máximo de tempo possível. A imagem mental fez o pau de Won se contrair contra seu estômago. Mas Won só teve tempo de gemer desesperadamente para que Caesar o enchesse novamente antes que Caesar batesse de volta nele, seus movimentos agora descontrolados, as enfiadas ficando frenéticas, e era impossível para Won acompanhar, mas ele o fez, e a euforia pulsou em suas veias com a perfeição daquilo.

Eles estavam ao ar livre, uma cerca frágil entre eles e o mundo e Won não conseguia se satisfazer. Ele queria Caesar dentro dele para sempre, queria se sentir tão perfeito pela eternidade, não importava onde estivessem, e Caesar precisava dele tanto quanto, mas Won estava selvagem de desejo, movendo-se cada vez mais rápido para que Caesar nunca parasse.

De alguma forma, Caesar sabia o que ele queria, o que ele precisava, e acompanhou o ritmo de Won. Won não sabia onde ele começava e Caesar terminava. Continuou e continuou, Won ficando frenético sempre que Caesar parecia desacelerar; Caesar enrolando seus dedos ao redor do pescoço de Won e segurando-o para baixo, forçando-o a aceitar, sempre que Won começava a se afastar.

Os sons que seus corpos faziam eram devassos, o buraco de Won uma bagunça de depravação, sua abertura inchada e vermelha, sua bunda pegajosa, transbordando com a porra e o lubrificante de Caesar, e Won ainda queria mais. Caesar caiu sobre ele, tentou beijá-lo, e Won balançou a cabeça e recusou. Qualquer mudança poderia arruinar o ritmo perfeito que haviam construído, e Won não conseguia imaginar nada pior. Ele estava desesperado

— Mais, mais rápido. — Falou entre gemidos, um fluxo interminável de lubrificante vazava de seu próprio pau; estava quase roxo de tão duro, mas ele não conseguia pensar em nada além de sugar Caesar cada vez mais fundo.

Trêmulo, com um grito prolongado, Won parou. Ele estava gozando. Intocado. Suas bolas se contraíram contra seu corpo, sua visão escurecendo, falhando; seu pau se contraindo e balançando, jato após jato respingando em seu estômago, formando uma poça debaixo dele.

Caesar parou no mesmo momento, seus braços envolvendo firmemente o peito de Won enquanto ele derramava dentro, latejando, enchendo as partes mais profundas de Won com sua porra. Ele tremia, perdido na sensação. Ele não viu como Won já estava tão cheio, jorros de porra escorrendo ao redor de seu pau, forçados a escorrer pela abertura super esticada de Won, cobrindo tudo de seu buraco até seu períneo e bolas de branco, marcando Won como seu.

Todo o corpo de Won parecia irreal. Ele estava lá, mas não estava. Nunca tinha experimentado algo assim. Ele sabia que a bagunça quente escorrendo de sua bunda era real, sabia que seu buraco estava encharcado e usado, ficaria aberto, obsceno e vulgar por muito tempo depois disso; mas tudo isso mal se registrava diante da forma como sua consciência estava em outro plano, em um estado beirando a iluminação.

Houve tantas vezes com Caesar em que ele fora dominado por seu próprio prazer. Ele já dissera antes que era viciado fisicamente porque ninguém mais o fazia sentir nem perto disso, mas isso, hoje, estava além até disso. Não havia nada com o que comparar.

Antes que ele descesse do êxtase flutuante do clímax, apenas um pensamento coerente existia:

“Não consigo viver sem isso.”

E ele sabia que era verdade. Mesmo que de alguma forma encontrasse uma maneira de deixar Caesar, ninguém que viesse depois poderia se comparar. Daqui para frente, o mero pensamento de Caesar faria seu pau encher e seu buraco se contrair de desejo. Eles teriam que estabelecer uma agenda mais regular para que ele pudesse descansar entre os dias em que Caesar foderia sua mente, porque Won sabia que não aguentaria ficar muito tempo sem.

Ocorreu-lhe que Caesar talvez não fosse o único deles que poderia usar um anafrodisíaco agora.

“Quem diria?”

✦ ✦ ✦

Won não tinha ideia de como havia voltado para dentro, um instante ele estava deixando escorrer porra do seu pau exausto sobre as pedras após seu enésimo orgasmo, no seguinte, estava deitado olhando para um teto desconhecido, completamente alheio, vazio e mais dolorido do que jamais estivera na vida.

—Você acordou.

Com cada músculo gritando de protesto, Won virou a cabeça para olhar para Caesar. Ele estava passando a mão pelo torso de Won; Won nem sequer havia percebido.

Um suspiro nostálgico. —Você está realmente-…

—Fraco, sim, eu sei. — Won fez uma careta, até mesmo isso foi um esforço, sentindo-se resignado. Caesar poderia fazer o que seu coraçãozinho perturbado desejasse: mandar segui-lo ou cercá-lo de guarda-costas o tempo todo e Won sabia que isso aconteceria, não importasse o que ele dissesse, e não ia discutir. Talvez até deixasse Caesar mais tranquilo, então havia isso para considerar.

Uma coisa, porém, permanecia, algo que Won não conseguia deixar passar, apesar de sua quase total apatia.

Fazendo um esforço para produzir som com suas cordas vocais, Won respirou fundo com dificuldade algumas vezes.

—Por que você está aqui? — Conseguiu falar com voz rouca.

—Como é?

Se Won pudesse revirar os olhos sem que eles caíssem direto no edredom, ele o faria. Caesar com certeza o havia ouvido, sabia o que ele estava perguntando, mas estava fazendo-o repetir por pura implicância.

Juntando as poucas forças que lhe restavam, Won forçou-se a responder.

—Você, Caesar… esse resort… por quê? — ele crocitou, olhos semicerrados. —O que você está tramando? Teve todo aquele alvoroço porque acharam que você veio assassinar meu pai idoso, sabia?

—Suspeitei disso, — Caesar respondeu com um aceno sábio. — Mas não sou tão desesperado a ponto de vir assassinar um velho em férias. Bastante deselegante, não acha?

— Bem, o que mais eles iriam pensar? — Won retrucou. — Você reservou o hotel inteiro! Quê, iam só assumir que não tinha nada a ver com eles? Não seja obtuso, Caesar.

A mão de Caesar parou em seu trajeto pelo torso de Won, descendo para massagear seu pau, tudo com um ar de quem estava bastante incomodado com a provocação.

“Tanto faz.”

Won realmente não se importava mais. Não fazia diferença se o toque de Caesar era genuíno ou só uma distração, já que não havia a menor chance de Won ficar duro tão cedo. Suas bolas não passavam de cascas ressecadas depois de tudo o que fizeram nas fontes termais.

Quando Won permaneceu mole em sua mão, Caesar clicou a língua e o colocou de lado, erguendo uma de suas coxas para se encaixar no calor de Won. Foi uma penetração lenta e firme enquanto Caesar o preenchia. Distante, Won percebia como seu anel se contraía em protesto, enquanto o peso da grossura de Caesar quase o sufocava, mas ele estava tão exausto que apenas ficou lá, deixando Caesar fazer o que quisesse.

—Eu vim— Caesar retirou-se com outro movimento lânguido dos quadris, deixando Won com nada além de uma dor vazia —Porque você estava aqui.

Won olhou para ele de soslaio. —Essa não é uma boa razão.

—Você me prometeu, — Caesar disse, a voz subitamente afiada como uma lâmina, — prometeu que ninguém mais te veria assim. — Won ficou tenso, e sabia que Caesar podia sentir, porque ele zombou. — Não esqueceu, esqueceu?

Won inclinou a cabeça para trás, encarando Caesar nos olhos. —Foi por isso que você pegou todos os quartos? Para ninguém me ver? — Parte de Won esperava que Caesar dissesse não, que risse e perguntasse como Won podia ser tão ridículo; mas quanto mais o silêncio se prolongava, mais certo ele ficava de que essa era exatamente a motivação de Caesar, e uma onda de decepção crescia dentro dele.

—Para que ninguém testemunhasse isso, — Caesar corrigiu, passando a mão pelas costelas de Won, contornando sua cintura. —Ninguém viu o que é meu.

Won precisou conter um estremecimento. Havia alguém que o vira; Won fizera isso de propósito. Mas ele não ia servir de casus belli para uma guerra Lomonosov-Sergeyev incriminando Vladimir, especialmente quando o incidente não fora por vontade própria.

Engolindo seco, Won disse: —Ninguém. Absolutamente ninguém.

A mentira era amarga em sua língua; ele só podia torcer para ser convincente. Devia ser, considerando sua profissão. Muitos não confiariam nele só por seu diploma de direito, mas, por algum motivo, mentir para Caesar fazia sua pele formigar.

Talvez fosse instintivo, algo subconsciente, em prol da autopreservação.

—Então é só isso? — Won exigiu, para se distrair de sua turbulência interna. —Essa é a única razão de você estar aqui?

Imperturbável, Caesar fez outro movimento lento de entra e sai. —Tem mais uma coisa.

—E? — Won pressionou quando Caesar não se explicou.

Antes que Won pudesse processar o que estava acontecendo, a cabeça do pau de Caesar já havia rompido seu anel, e ele estava de costas, olhos prateados perfurantes imobilizando-o mais completamente do que as mãos de Caesar jamais conseguiriam. Sob aquele olhar, não dava para mentir ou fugir. Won ergueu o queixo e manteve a firmeza.

—Mikhail.

A pose altiva de Won quebrou com aquela pergunta aparentemente sem sentido — Meu pai? — ele respondeu, confuso.

— Sim. — Won vasculhou o rosto de Caesar em busca de humor, mas não encontrou nenhum. Caesar estava absolutamente sério. Seus olhos cor de mercúrio estreitaram. — Nada aconteceu, correto?

Era mais uma afirmação que uma pergunta, e Won levou cinco segundos inteiros para entender do que Caesar estava falando.

— O quê? Que porra você está insinuando?

“Será que todos os neurônios de Caesar estavam alojados no pau?” Won foi empurrá-lo por sequer sugerir algo assim, mas Caesar capturou seu pulso e o prendeu no colchão.

—Ele gosta muito de você.

—Sim, porque ele é meu pai, Caesar! Eu sou o filho dele!

Caesar não pareceu nem um pouco convencido. — Você jura que nada aconteceu?

Won olhou boquiaberto para o homem acima dele. “O quê? Eu estou sonhando?”

Tinha caído em um buraco de coelho bizarro enquanto desmaiara? Estava em uma terra das maravilhas incestuosas agora? Cristo, ele quase preferiria isso à realidade das perguntas psicóticas de Caesar.

— Então, o quê, você transa com seu pai? É isso que está me dizendo? —Won zombou. “Pronto, agora a bola estava com Caesar; deixe ele explicar sua própria ideia absurda. “

—Sasha já está ficando velho.

“Esquece. “

Claro que essa era a resposta de Caesar. Won não devia esperar lógica daquele homem; ele sabia melhor. Era como tentar filosofar com uma parede de tijolos, provavelmente seria mais produtivo.

Ugh.

— Meu pai é mais velho. Não, quer saber? Não importa. — Won suspirou. Ele não tinha energia para isso. —Eu não transo com meu pai, ok? Talvez não pelos mesmos motivos que você, mas eu não tive e nunca terei relações sexuais com meu pai.

Caesar manteve o olhar por alguns momentos, buscando sinais de mentira; então, finalmente, soltou uma risada. — Bom.

Ele mergulhou para frente, sussurrando contra os lábios de Won: — Se você dormir com outro homem, eu acabo com vocês dois. — Sua mão livre deslizou pela pele de Won, apertando sua garganta. — Devagar. Dolorosamente. Despedaçarei vocês em um milhão de pedaços.

A respiração de Won falhou, o medo rastejando por sua nuca até a espinha. Sua única salvação foi Caesar escolher aquele momento para enfiar-se nele novamente, um gemido profundo e uma careta abafando seu lapso.

“Caesar nunca poderia saber sobre Vladimir. Nunca. “

✦ ✦ ✦

Era noite do dia seguinte quando Won finalmente escapou da cama de Caesar.

Para ser sincero, Won temera que Caesar o mantivesse em seu quarto de hotel por uma semana, no mínimo, então ele estava grato por qualquer alívio que conseguisse.

Caesar o acompanhou até o elevador. —Não durma com mais ninguém.

Won acenou obedientemente, mantendo o olhar nos olhos de Caesar até que o cabelo branco-platinado e os olhos cinza desaparecessem atrás das portas do elevador. Então, ele soltou um riso de escárnio, seu corpo todo desmoronando. Com que energia Won supostamente dormiria com outra pessoa? Seu corpo inteiro parecia um único hematoma, e ele mal conseguia ficar em pé tempo suficiente para voltar ao seu quarto! Ridículo, bastardo possessivo…

Mas voltar ele voltou, e Mikhail chamou seu nome no momento em que ele entrou pela porta.

—Won! Você está bem? Você sumiu ontem à noite.

—Ah, é… sim. —Apareceu um imprevisto. — Peço desculpas.

Won rezou para que Mikhail não pressionasse o assunto. Ele não estava em condições de explicar nada, muito menos de inventar desculpas; se seu pai realmente o amasse, não perguntaria. “Por favor, não pergunte, por favor. “

Felizmente, Mikhail deixou a evasão óbvia passar com um aceno e uma risada animada. Isso fez Won se sentir culpado, e ele arrastou os pés e limpou a garganta, mas ficou aliviado mesmo assim.

—Se Leonid não tivesse nos avisado que você estava bem, já teríamos metade do hotel revirado agora — Mikhail disse. —Com os Sergeyev por aqui, tememos o pior.

Mikhail continuou falando, mas Won já não ouvia mais, distraído pelo homem reclinado no sofá, que ergueu o antebraço de onde estava apoiado e acenou para ele com os dedos, de maneira afetada…

“Que porra Leonid estava fazendo ali?”

Won desesperadamente queria perguntar, mas agora não era a hora; sua necessidade de algo para se apoiar antes que caísse era maior que sua curiosidade, e sua gratidão por Leonid tê-lo acobertado teria que bastar por enquanto.

Infelizmente, Mikhail percebeu como Won estava instável enquanto se arrastava para desabar contra o encosto do sofá. —E o que foi que você aprontou ontem para ficar tão acabado assim, meu garoto? — Um sorriso de cumplicidade passou pelo rosto de Mikhail.

Mikhail definitivamente suspeitava de algo, mas Won estava exausto demais para bancar o jogo no momento.

—Nada de especial. — Ele encolheu os ombros e fingiu não notar Mikhail quase irradiando alegria com sua evasiva. Deixou os olhos se fecharem, e era tão bom que os manteve assim até Mikhail interromper.

—Pelo contrário, eu diria que essa moça é bastante especial se te deixou assim depois de uma única noite.

Won piscou uma vez. Duas. Ele sabia que a frase era perfeitamente gramatical, mas as conotações eram tão bizarras que ele não conseguia processar uma palavra.

Mikhail continuou em feliz ignorância. — Nunca pensei que meu filho fosse tão… frágil. — Ele riu. —Talvez precisemos arrumar alguns tratamentos fortificantes antes do seu próximo encontro. O que você acha, Leonid?

Leonid deu um sorriso maliciosamente —Parece que o nosso Wonzinho não estava preparado pra fome que encontrou. — Arqueou as sobrancelhas. — Ela devia ter um apetite de leão, né?

Os olhos de Won cravaram-se em Leonid. Mikhail riu. Won, não.

Ver a expressão de Won só pareceu incentivar Leonid. —Ah, coitado do Won, você parece que teve a vida sugada de você, garoto.

—Que maravilha ela deve ser — Mikhail exclamou.

—Oh, é uma maravilha, sim. Deveria estar nos recordes. Sendo devorado vivo, não é, Won?

Mikhail não captou as insinuações de Leonid, coisa que Leonid deveria agradecer, porque Won o teria assassinado caso contrário. “Que diabos ele pensa que está fazendo?” Won lançou a ele o olhar mais ameaçador que conseguiu, e estava tão concentrado em sua encarada que mal ouviu quando Mikhail recomeçou a falar.

—Bem, espero que ela mantenha esse apetite só para ela quando nos conhecermos. Falando nisso, quando você planeja nos apresentar, synok?

(Synok = Palavra Russa para filho/filhinho)

Um segundo atrasado: —Perdão?

Mikhail deu uma gargalhada. —Não precisa ficar tímido, Won; Leonid me contou tudo. Só lamento que você tenha sentido que precisava esconder por tanto tempo! Já estão juntos há alguns meses, ouvi dizer. É por isso que você sempre some para algum lugar. Teria sido muito mais fácil apresentá-la, sabe. Teria poupado um pouco de trabalho. Especialmente se for tão sério quanto Leonid deixou transparecer! Ele disse que vocês dois já estão conversando sobre casamento.

—Ele O QUÊ?! — Won gritou. —Não-não. Isso não é verdade. —

“Como Leonid sabia disso?! “

Pego de surpresa pela resposta veemente, Mikhail pareceu chocado até controlar a expressão. —Nada para se preocupar — ele tranquilizou Won. —Desde que você goste dela, não tenho planos de me opor ao relacionamento. Só vamos precisar arrumar alguns suplementos para você e para quem quer que tenha roubado seu coração, se vocês forem tão entusiasmados assim o tempo todo. —Won sabia que seu rosto estava horrorizado, mas só conseguia piscar para o pai. —Mas, devo dizer, Won, estou muito decepcionado. Aparentemente, foi ela que propôs! Você sabe que isso é trabalho do homem.

—Eu-nós-só surgiu… de passagem…

Mikhail pareceu se divertir com o gaguejo de Won. —Perfeito! Você ainda pode comprar o anel e fazer isso direito, então. Todo mundo fala em igualdade, mas algumas tradições são mais importantes, não acha?

Então, Mikhail adquiriu um brilho nos olhos que Won não gostou.

—E o que é isso sobre morar com os sogros na Coreia? Não que eu esteja forçando você a morar comigo, mas Leonid mencionou isso antes, e me fez pensar se não seria bom minha nora aparecer aqui regularmente, mas claro, é com ela. O que a deixar mais confortável. Fico feliz só de saber que você tem alguém que ama tanto em sua vida.

Durante todo o discurso de Mikhail, Leonid estava radiante, enquanto Won o encarava com olhos assassinos.

✦ ✦ ✦

—O que você acha que está fazendo? — Won rosnou assim que a porta se fechou atrás deles.

Ele finalmente havia perdido a paciência após aqueles comentários sobre costumes coreanos pós-casamento e pedira a Mikhail que os desculpasse por um momento, pois queria falar em particular com Leonid. Assim que saíram da vista da sala de estar, a civilidade de Won evaporara, e ele arrastara Leonid sem cerimônia para seu quarto.

Leonid, por sua vez, parecia completamente impassível com o tratamento brusco e permitiu que Won o conduzisse ao canto mais distante do quarto sem resistência. Won por outro lado sentiu apenas uma leve decepção por Leonid não ter dado motivo para ser estrangulado – porque ele realmente queria. Mas interrogatório primeiro, raciocinou Won.

Leonid apenas sorriu, parecendo extremamente satisfeito consigo mesmo e completamente alheio à ira de Won. —Eu só estava te ajudando.

—Se quisesse ajudar — Won sibilou, —poderia ter simplesmente ficado quieto!

Leonid inclinou a cabeça de modo afetado e mordeu o lábio inferior, gesto nada condizente para um homem de seu porte. —Eu só disse ao Mikhail que você estava com sua pessoa especial e que não deveria ser perturbado. Ele estava quase em pânico, sabia? Mas imagino que preferiria que eu tivesse contado que você estava naquelas fontes termais privativas…

Won ficou tenso e Leonid fez um som de reprovação. —O que você acha que ele teria pensado, hein? Vendo seu garoto precioso sendo arregaçado e para piorar, pelo seu maior rival! O coitado teria um infarto. — Um suspiro teatral. —Só fiz o que achei melhor na hora, mas peço desculpas se acha que exagerei. Vou lá fora esclarecer tudo, então?

—Espera, espera, espera! — Won agarrou Leonid novamente antes que ele chegasse perto da porta. —Obrigado… pela ajuda — murmurou.

—Ah, que fofo.

A expressão presunçosa de Leonid fez Won imediatamente querer voltar atrás.

—Não pense que vai sair impune — Won disse acidamente. —Precisou mesmo contar sobre o pedido? Há quanto tempo estamos juntos? ‘Apetite de Leão’?!

—Só satisfazendo a curiosidade de um velhinho. — Leonid deu a Won um olhar de falsa repreensão. —O coitado só tem o filho na aposentadoria; como poderia deixá-lo na mão? — Disse como se tivesse feito uma grande caridade a Mikhail.

—Mas talvez não fosse necessário se você tivesse a gentileza de apresentar seu grande amor. Não posso descrever como ele ficou animado ouvindo tudo.

Um músculo na mandíbula de Won tremeu. —O que você ganha com isso?

A única resposta foi um “Como é?!” e sobrancelhas erguidas.

—Estou perguntando que esquema é esse? — Won falou entre dentes cerrados. —O que você ganha mexendo com Caesar e comigo assim? Dinheiro? Um penthouse? Ou o quê?

Leonid deu um suspiro exagerado e levou a mão ao peito. —Mas que absurdo! — Então a pose escandalizada desapareceu. —Já vi seus extratos bancários. — Inclinou-se conspirativamente e cutucou Won com o cotovelo. —Sei que você é pobre como um rato de igreja.

—Por que você viu meus extratos bancários?!

—Parte do trabalho — Leonid disse, como havia dito meses antes. —E sou muito bom no que faço. — Tocou a lateral do nariz, mas algo em seu tom era perturbador.

Won pensou por um momento antes de perguntar: —Por que precisaria de informações sobre mim depois que seu trabalho terminou…?

—Sou o melhor porque descubro tudo que há para saber sobre meus alvos. E estou sempre preparado.

O sorriso permaneceu no rosto de Leonid, mas um brilho ameaçador surgiu em seus olhos.

—Ah, que rudeza minha, devia te apresentar meu próximo alvo. — Leonid fez uma arma com os dedos e apontou para a cabeça de Won. —O nome dele é Lee Won. Bang. — Riu, soprando fumaça imaginária do cano fingido.

Uma onda gelada de medo percorreu Won. Suas mãos começaram a tremer.

—Sou muito caro, saiba disso. Mas você é o maior pagamento que já recebi. Isso não te faz sentir especial? — As mãos de Leonid foram para os bolsos. —O cliente foi muito específico também. Pediu que eu te cortasse em pedacinhos minúsculos.

Estava ficando difícil respirar agora. O sorriso de Leonid ganhou um tom de pena. —Que pena destruir um corpo tão bonito.

O pânico tomou conta de Won enquanto Leonid suspirava.

Won sentou na beirada da cama, a cabeça entre as mãos, sentindo-se como se estivesse fora do próprio corpo. Ouvia as palavras de Leonid, mas nada conseguia penetrar a ansiedade que o entorpecia.

— Imagino que você precise de algum tempo para colocar seus assuntos em ordem — disse Leonid, como se isso significasse alguma coisa. — E olha, eu gosto de você, garoto, então vou fazer uma exceção, normalmente não dou essa chance aos meus alvos, é serviço único, sabe como é, mas estou disposto a te dar um mês de prazo. Você pode se preparar e avisar o Mikhail.

Enquanto antes a raiva e a adrenalina haviam fornecido o desejo e a força necessários, Won não achava que conseguiria reunir energia para estrangular Leonid como deveria estar fazendo agora. O choque era grande demais.

— Ah, e você tem um último pedido. Por conta da casa. É só pedir. Não posso garantir que vou atender, mas fique à vontade. Meu presente pra você, já que criei uma certa simpatia.

Quando Won não reagiu, Leonid murmurou, talvez decepcionado por ele não parecer agradecido pelo presente. Esperou mais um pouco, então disse que veria Won no mês seguinte, lembrou-o de resolver seus assuntos e saiu.

Won não se moveu. Não conseguia, com um peso de ferro no peito, esmagando seus pulmões, estilhaçando suas costelas, cravando os fragmentos em seu coração. Como Leonid podia dizer claramente a alguém que ia matá-lo como se fosse a informação mais mundana do mundo era incompreensível. Era absurdo demais para ser real.

E ainda assim…

Um gemido baixo e lamentável alcançou os sentidos de Won, e ele levou um momento para perceber, acima do zumbido em seus ouvidos, que era ele mesmo, gemendo em suas mãos. Hoje ele já havia sido fodido até não aguentar mais, sido ameaçado a não dormir com o próprio pai, sido ameaçado a não dormir com ninguém além de Caesar, sido forçado a revelar seu relacionamento a Mikhail, sido pressionado a marcar um encontro dos pais com seu “noivo”, e agora descobrira que tinha apenas trinta dias de vida.

Em menos de vinte e quatro horas, ele passara da feliz empolgação com o futuro para não ter futuro algum, e o baque era grande demais para uma só mente aguentar.

Deus, Mikhail ficaria tão decepcionado. Talvez até matasse Won ele mesmo ao descobrir que ele estava namorando um homem, sem falar em descobrir quem era esse homem. Mas que diferença fazia, quando Won seria picado e jogado no rio Moscova porque alguém pagou para matá-lo.

Quem? Por quê? O que ele havia feito de tão errado para merecer isso? Ele tentara ser uma boa pessoa, fazer o bem no mundo… Por mais que pensasse, não conseguia conceber nenhuma ação ou escolha específica – exceto sua decisão de vir para a Rússia. Nada disso estaria acontecendo se ele não tivesse saído da Coreia.

Talvez devesse ter ficado…

Mas isso era passado agora; não adiantava ficar remoendo arrependimentos. Ele precisava encontrar uma maneira de lidar com os problemas do presente. Respirou fundo para se acalmar.

E ficou olhando para o nada, sem ver.

O sol já se punha quando Won saiu de seu isolamento. Seus passos eram arrastados, o ar ao seu redor desolado; mas no momento em que apareceu na sala, Mikhail ergueu os olhos do jornal e sorriu. Em circunstâncias normais, Won teria feito algum esforço para disfarçar a miséria em seu rosto, nem que fosse por educação, mas não conseguia. Não agora.

Mesmo assim, Mikhail pareceu imperturbável enquanto Won se arrastava até o sofá, com um olhar de expectativa no rosto. Ele sabia que uma conversa importante estava por vir, era inevitável, e tinha aquela tranquilidade que só a idade traz. Podia esperar Won estar pronto para falar.

No fundo da mente de Won, uma voz insidiosa sussurrava que Mikhail nunca estaria pronto, mas era apenas um murmúrio comparado ao zumbido e martelar miseráveis que ocupavam o resto de seus pensamentos.

Ele suspirou.

— Pai.

— Sim, filho.

Won engoliu seco, apertando as almofadas, o tecido áspero sob seus dedos.

— O… o Leonid é um bom assassino?

— Como é? — Mikhail olhou para ele, claramente sem entender. Firmando-se, Won perguntou novamente. — Leonid, o homem que estava aqui antes. Ele é tão bom quanto diz?

Os lábios de Mikhail se separaram, mas nenhum som saiu; ele ainda estava desorientado, confuso demais para saber por onde começar. Isso devia ser sobre sua nova nora, não um assassino. O que Won poderia querer com Leonid?

— Bem… sim, suponho — disse Mikhail por fim. — Para quem sabe, ele tem reputação de excelente trabalho, cumpre todo serviço que aceita, desde que seja pago. É caro, mas vale a pena para muitos, sabendo que ele fará o serviço.

Won deixou os olhos perderem o foco, as mãos ainda cravadas no sofá. Então era verdade o que Leonid lhe dissera. Se tivesse tido presença de espírito antes, teria tentado obter mais informações enquanto Leonid ainda estava aqui. Tarde demais agora.

Mas as perguntas batiam em sua alma, indiferentes à presença ou ausência de Leonid: Quem? Por quê?

Sua cabeça nadava em imagens e conjecturas indistintas até que um único rosto emergiu da miragem. O homem obcecado por Caesar; aquele que morreria por ele. Mataria por ele.

“Não, ele não poderia ter feito isso…”

Era a resposta óbvia; uma que Won evitara, por algum motivo. Mas só havia um homem com motivo e dinheiro para contratar um assassino contra ele.

Won fechou os olhos e esfregou o rosto com uma mão. “Por que agora?” Queria gemer e afundar no sofá até desaparecer, mas em vez disso perguntou:

— Você tem como contactá-lo?

A resposta de Mikhail foi lenta, ainda confusa, mas ele acabou acenando.

— Falarei com meu assistente. Há algum problema…? Leonid deu a entender que vocês eram próximos.

É, próximos o suficiente para ele avisar sobre meu assassinato. Won quase soltou uma risada amarga, mas conseguiu conter-se.

— Obrigado — Disse a Mikhail, quando a maníaca vontade de rir passou. — Quanto antes eu puder falar com ele, melhor.

— Certo. Mas o que-…

— Tem mais uma coisa — Won interrompeu antes que Mikhail pudesse perguntar mais. — Como você… ouviu antes, eu estou em um relacionamento.

A essa altura, Mikhail parecia totalmente perplexo, a mudança de assunto abrupta demais desta vez. Won deu-lhe alguns momentos para assimilar enquanto ensaiava mentalmente o pequeno discurso que preparara.

Endireitando os ombros, Won olhou Mikhail nos olhos e respirou fundo.

— Nós, os dois, quero dizer… estamos comprometidos com esse relacionamento e queremos ficar juntos daqui pra frente.

— Ah? — Um brilho apareceu nos olhos de Mikhail então. Obviamente, ele decidira ignorar a conversa sobre Leonid em favor do assunto aparentemente mais feliz.

— Peço desculpas por esconder de você — Won continuou. — Não estava pronto para falar sobre isso. Queria ter certeza antes de dizer qualquer coisa…

— Tudo bem, synok. Fico feliz que esteja confortável o suficiente para discutir isso comigo agora. — Ele sorriu para Won com afeição incontestável, confiando completamente no filho. — E quando vou conhecer essa moça que conquistou seu coração?

Won sentiu a confiança esmagá-lo, pesar em sua língua, rasgando sua garganta, bordas serrilhadas cortando e agarrando-se à pele delicada enquanto se transformava em algo negro, podre e cheio de traição.

— Eu… — A aspereza de sua garganta o sufocou. — Preciso que você saiba uma coisa… antes disso. Sobre essa pessoa…

— Tudo bem. Leve seu tempo, filho. — Ele sorriu. Esperou. E esperaria.

Por seu filho, ele podia ser paciente. Ainda assim, a cabeça de Mikhail encheu-se de razões pelas quais seu filho poderia hesitar. Talvez ela tivesse alguma marca de nascença feia? Ou sofria de alguma doença física debilitante? Talvez sua personalidade fosse atroz – alguém que causaria uma péssima primeira impressão. Uma família vergonhosa? Alguém muito mais velha? Muito mais nova? Por acaso ela teria antecedentes criminais? Um milhão de possibilidades giravam em sua mente, mas a resposta era algo que ele jamais poderia ter imaginado.

— Ele é um homem.

Mikhail congelou. Talvez devesse ter recuado ou empalidecido, mas aquela única frase encheu sua cabeça apenas de estática. Tudo que conseguiu fazer foi encarar o filho, de boca aberta.

— Eu sinto muito. — Won baixou a cabeça.

— Não… é que… — Gaguejar estava quase além de suas capacidades após tal revelação. De todas as coisas… “Ele é um homem” ecoou, chocando em seu crânio, deixando-o atordoado.

De repente, tudo parecia quente demais, sufocante. Ele arrancou a gravata, levantando-se para canalizar a energia febril que o afligia. Balançou para um lado, depois para o outro, finalmente percebendo que sua garganta ardia de tão seca e cambaleou em direção à cozinha.

Algumas respirações profundas e dois copos d’água gelada depois, ele havia aceitado o que ouvira e teve a lucidez de perceber que estava reagindo completamente errado se quisesse manter um relacionamento com o filho. Precisava aceitar as… inclinações do filho, fossem elas quais fossem. A felicidade de Won era o que importava, independente de seus fetiches.

Rezando a Susya por força, Mikhail lutou contra a vertigem que ameaçava sua visão e voltou para a sala, deixando-se cair pesadamente no sofá.

Estudando o filho, suspirou fundo. Tinha que perguntar. — Você… sempre teve essas… inclinações…

— Não. — A resposta foi imediata. — Já tive mulheres com quem pensei em me casar, mas nunca estive com um homem antes disso.

— Então por que—!

Won baixou a cabeça ante a explosão. — Sinto muito. Sei que não ajuda, mas eu também nunca esperei me apaixonar por um homem. — Quando Mikhail continuou a balbuciar, Won pareceu ganhar um lampejo de desafio. — Imagino que você também não esperava se apaixonar por uma coreana que conheceu por acaso na rua.

— Isso é completamente— A boca de Mikhail emitiu um clique audível ao se interromper. Ele acabara de prometer a si mesmo ser compreensivo e já havia estragado tudo. Deus, seu filho, seu precioso filho era um homo-… não, era gay agora, não era? Ouvira isso em algum lugar. Estava certo? Mikhail não sabia, mas isso importava? Não importava como chamasse, seu filho estava em um relacionamento com outro homem; embrulhar isso em papel bonito com um laço não mudaria nada.

Então outro pensamento, mais terrível, o atingiu. — Mas… mas e seus filhos?!

A cabeça de Won ergueu-se abruptamente, com uma expressão perplexa. Ele não fazia ideia do que Mikhail estava falando, e algo no fundo do estômago de Mikhail torceu-se, em agonia e derrota.

— Seus filhos, — Mikhail repetiu, voz trêmula. — Susya e eu… nossos queridos netos… Sempre sonhei que você encontraria uma esposa e teria crianças…

Won só conseguia olhar para o chão, encolhido sobre si mesmo. Mikhail sentiu-se desfalecer ao vê-lo.

Gay.

A palavra o assombrava, mesmo bêbado e curvado sobre o balcão do bar do hotel.

Won era gay.

Seu orgulho e alegria; seu amado filho; seu único herdeiro.

Gay.

Como ele poderia ter sabido? Como poderia ter estado preparado?

— Sr. Lomonosov. Leo. — Ele parecia preocupado. — Por que está bebendo tanto? Aconteceu algo?

Olhos vermelhos encontraram seu conselheiro, a preocupação clara em seu rosto. Mikhail não suportou.

Seu olhar baixou, pesado, embaçado pelo álcool; traçou os veios da madeira do balcão. — Ele…

— Sim, ele, Sr. Lomonosov, Leo encorajou, ouvindo atentamente.

Mikhail tentou novamente explicar o desespero que o consumia, mas as palavras pareciam grudar em sua língua. — Ele é…

— Quando estiver pronto, Sr. Lomonosov, — Leo disse, sentando-se. Tentando confortar, sem dúvida. Mas Mikhail ainda lutava.

— Bem… ele é… — Sua voz quebrou e ele desistiu por um momento. Leo o estudava, sem saber como ajudar seu chefe sem entender o problema. Finalmente, Mikhail dominou a angústia que o sufocava.

— Won foi enfeitiçado por algum vigarista!

Leo deu um salto no assento. — O quê?! Por favor, explique, senhor! Won? O seu Won? No dia anterior ele parecia bem. — O mesmo jovem determinado e inteligente de sempre. Won tinha juízo, na opinião de Leo, ele não seria enganado assim. Quanto mais pensava, mais Leo fervia. Quem ousou machucar o jovem mestre?

— Quem cometeu tal atrocidade, Sr. Lomonosov! Diga-me e lidarei com eles agora mesmo.

— Não sei, — Mikhail disse lamentoso. Bebendo outro gole lento de uísque, girou o copo, olhando para o nada, seu semblante se tornando mais afiado. — Não sei. Mas descobrirei, e quando o fizer, eu mesmo apontarei a arma para sua cabeça.

Mikhail desapareceu logo após a conversa, e o estômago de Won revirava de ansiedade enquanto esperava sozinho, no mesmo lugar no sofá.

Duas horas depois, o som suave da porta se abrindo sinalizou o retorno de Mikhail. Ele estivera bebendo. Won podia sentir o cheiro. Ficara na sala de estar, mas agora que Mikhail estava ali, não sabia o que dizer. O ar estava denso de culpa.

— Won.

— Sim, pai.

— Ele te faz feliz?

A pergunta era tão simples, mas Won sentiu-se enrijecer. Ele era feliz? A palavra parecia errada, insuficiente para descrever o que era um relacionamento com Caesar. Empolgante, talvez… Eletrizante. Esses termos se encaixavam melhor. Ele viveu mais com Caesar do que em toda sua vida anterior, coisas que nunca sonhou fazer, coisas que nunca queria repetir, mas ainda assim mais do que jamais imaginara. Era… uma adrenalina.

Excitante. Essa era a palavra.

Ele até tinha um contrato de assassinato contra si, executado por um matador de elite. O riso sarcástico que deveria acompanhar esse pensamento estava ausente, perdido entre a vergonha e uma nostalgia perturbadora.

O beco; Won quase caindo. O escritório do conselheiro. O escritório de Caesar; a caneta cravada no couro, tão perto da pele. Scooters, cozinhar, livros de direito, chá envenenado, uma arma na cabeça de uma criança; cidades remotas em ilhas ainda mais isoladas, um crânio esmagado e um kit de primeiros socorros. Anjos. Ar gelado em pele aquecida. Uma festa, postes de luz e sombras, uma plataforma de trem; lençóis pegajosos, antibióticos, esconderijos na neve. Tristeza e quase-vingança. Uma ressurreição milagrosa…

Won afastou as memórias tão rápido quanto vieram.

— Sim, — Won respondeu um instante tarde, quieto. — Ele me faz feliz.

— Tudo bem.

Com um aceno instável e um murmúrio, Mikhail foi para seu quarto, deixando para trás um Won completamente perplexo.

“Espere, só isso?”

Parecia… anticlimático, depois da conversa, depois que Won se contorcera de ansiedade por duas horas.

Quase como se lesse seus pensamentos, Mikhail parou e se virou. — Quando vou conhecê-lo?

O rosto de Won caiu e ele mordeu o lábio. O sorriso que Mikhail lhe deu era resignado.

— Você estava planejando nos apresentar, não estava? Não se preocupe, não farei nada inapropriado na frente dele. — O sorriso se tornou mais agudo, carregado de expectativas e decepção velada.

Relutantemente, Won concordou e disse que marcaria um encontro quando voltassem à cidade.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

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Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses

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