Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 03 – Parte 5 Online

❬ Side Story 03 – Parte 5 ❭
⌽ Roses and a Kiss ⌽
Como o garçom do bar havia dito, no dia seguinte o hotel estava repleto de pessoas. Mesmo sabendo que eles viriam, Won não estava preparado para o número absurdo delas.
E ele nem sequer descera ainda.
Pediram serviço de quarto para o café da manhã e estavam reunidos na sala de jantar: Won passava manteiga e geleia em seu pão, plenamente consciente de que o tufo de cabelo que sempre ficava em pé atrás estava particularmente rebelde hoje, mas decidira que era cedo demais para se importar; Mikhail parecia de bom humor enquanto comia; Vladimir olhava para Won com cara feia e se recusava a falar. Enfim, um ótimo começo.
O atendente acabara de arrumar a última parte do café na mesa quando Mikhail decidiu puxar conversa.
— Realmente está com as mãos cheias esta manhã, não?
O atendente sorriu, educado e distante. — Sim, senhor. Um grande grupo chegou.
Won não levantou os olhos no silêncio que se seguiu, ocupando-se em espalhar a geleia em uma camada perfeitamente uniforme. Era óbvio que o atendente sabia quem, ou melhor, o que eles eram, evidente em sua postura rígida e como evitava contato visual. Se não Mikhail, o atendente sabia da identidade de Vladimir, o que deixava Won e Mikhail como culpados por associação.
Engolindo um suspiro, Won fingiu indiferença à tensão e ficou muito aliviado quando Mikhail dispensou o atendente após dar uma generosa gorjeta.
— Bem, quais são seus planos para hoje? — Mikhail perguntou, virando-se para Won. — Massagens de tecido profundo fazem maravilhas para o corpo cansado, e tenho uma reserva no spa hoje, se quiser vir. Sei que não relaxou muito ontem.
— Devo insistir que fique na suíte hoje, Sr. Lomonosov — Vladimir disse antes que Won pudesse decidir. — É perigoso enquanto as verdadeiras intenções do Sindicato não forem claras. Entendo seu desejo de explorar o resort, mas esperar até sabermos mais é a opção mais segura.
Mikhail acenou, mas seu olhar se voltou para Won, e a expressão em seus olhos era quase insuportável. Claramente ele se sentia culpado, achando que era sua culpa as férias terem sido arruinadas.
Fazendo-se de forte, Won deu de ombros e limpou a boca com um guardanapo. — Por mim tudo bem. — Tentou soar o mais despreocupado possível. — Fui às termais ontem mesmo, então ficar no quarto hoje parece bom.
— Ótimo, ótimo. — Mikhail sorriu para ele, tão afetuoso, mas ainda havia aquela tristeza em seus olhos, nas rugas profundas de sua pele.
Algo naquilo tocou o coração de Won, fez-o querer oferecer conforto. Sua mão estava a caminho da face do pai, pretendendo acariciá-la, até que Vladimir apareceu em seu campo de visão, lançando olhares assassinos que o impediram de fazer algo de que se arrependeria depois.
Sua mão, no entanto, ficou suspensa por um momento, sem destino, sem para onde ir, até que Won notou que a caneca de Mikhail estava vazia e sua mão se moveu para a cafeteira.
— Café? — Sua voz falhou no final. — Quer um pouco? — Viu Vladimir revirando os olhos do outro lado da mesa.
Começou a servir quando Mikhail acenou, e ficou impressionado com como o café saía do bico em uma coluna perfeita de marrom profundo, sem respingos ou irregularidades.
Won pensou em sua chaleira barata em casa, que só servia para ferver água. Não que nunca tivesse visto belas cafeteiras de porcelana, mas era outra coisa encontrar espaço para uma em seu apartamento já apertado. A chaleira era prática, mesmo um pouco torta, e a água teria o mesmo gosto, fosse derramada direto na caneca ou em uma cafeteira.
Ainda assim, serviu-se para aproveitar o serviço de café chique, então devolveu a cafeteira à mesa – após o que percebeu que a caneca de Vladimir estava vazia.
“Ah.”
Agora estava encrencado. Pegar a cafeteira de novo seria estranho depois de obviamente, ainda que inadvertidamente, ignorar Vladimir, mas isso o deixava com o problema de ter ignorado Vladimir, alguém que já não gostava dele.
Sua mão hesitou, mas o desconforto de Won falou mais alto e ele optou por continuar comendo e fingir que nada aconteceu. Porque nada acontecera. Won só estava tomando café da manhã. “Que salmão delicioso nesta salada. Maravilhoso.”
— Se desejar — Vladimir começou quando ficou claro que Won terminara — posso falar com a recepção para ver se conseguimos um serviço de spa privativo aqui.
“Isso soa mais como ordenar que façam, ou então”, pensou Won, quietamente terminando sua comida. Claro, Mikhail sabia exatamente o que Vladimir quis dizer, mas não se incomodou com as implicações.
— Não gostaria de incomodá-lo — Mikhail respondeu, mas Vladimir balançou a cabeça.
— Nenhum incômodo — ele disse, mas então o silêncio opressivo voltou, e Won estava desesperado para sair. Sentia-se um pouco enjoado, de tão desconfortável.
Alguns momentos depois, Mikhail terminara e acabara de se desculpar da mesa quando Vladimir acrescentou: — Posso trazer qualquer coisa que precisarem também. É só pedir, e eu busco.
— Ah? — Mikhail esfregou o queixo, pensativo. — Poderia me trazer um livro? Qualquer best-seller serve. Não tenho tido tempo para ler ultimamente. Synok, quer algo?
Won tentou não fazer careta. Vladimir não ficaria feliz com isso. Pensando rápido, Won citou a obra mais recente de seu autor favorito; e, de fato, Vladimir parecia preferir engolir veneno a trazer algo para Won, mas não diria nada na frente de Mikhail.
Mikhail sorriu para ambos, então desapareceu em seu quarto. Mas não foi o alívio que Won esperava, porque Vladimir ficou exatamente onde estava, e a tensão entre eles permaneceu.
Exatamente como na noite anterior.
Won devorou o resto de sua comida o mais rápido que achou que poderia sem parecer um bárbaro. Ele deveria estar relaxando, e isso era qualquer coisa menos relaxante. Engolindo o último gole de café, levantou-se e ofereceu a Vladimir um aceno breve de despedida antes de escapar.
— Acha que está tão ruim assim, né? Suas fériaszinhas todas arruinadas.
Won ficou rígido. Sua fuga durara dois segundos. Parando por um momento para olhar para o nada e dar um gemido interno de por quê?, ele se virou para encarar Vladimir.
Vladimir, por sua vez, ainda estava em sua cadeira, recostado, braços cruzados, com um olhar assassino.
— Acha que é tão especial, não é? Todos te recebendo de braços abertos; você monopoliza toda a atenção, tem todos a seus pés só por existir. — Vladimir parecia que cuspiria nele se não estivessem em um ambiente fechado. — E ainda tem a audácia de tentar nos dar – a mim –, conselhos?!
Won sabia que Vladimir não gostava dele. Era impossível não notar quando estavam sozinhos. E, naturalmente, Won estava perplexo com a hostilidade, qualquer um ficaria se um estranho o tratasse como se carregasse a peste e tivesse matado sua mãe, mas Won não tinha desejo de brigar com Vladimir, não importa o quanto ele tentasse provocá-lo. Won não era do tipo que perdia tempo com isso, sem mencionar que nunca mais se veriam depois disso.
“Tomara.”
A parte odiosa do cérebro de Won, eternamente racional demais, protestou contra essa afirmação. “Enquanto vocês dois estiverem ligados a Mikhail”, sussurrou, “não há como saber que problemas os aguardam.” E por mais que Won quisesse sufocar essa parte de sua consciência com um travesseiro bem grande, tinha que admitir que seu advogado do diabo estava certo. Caesar apareceu dessa vez, mas não era o único inimigo da Bratva.
Mordendo o interior do lábio, Won concluiu que o caminho de menor resistência seria ignorar toda a situação, Vladimir incluso. O Won do futuro lidaria com isso.
Infelizmente, Vladimir não era o tipo de pessoa que aceitava ser ignorado. Won mal se virara para sair quando uma mão agarrou seu ombro, dedos rancorosos cavando na carne.
— Se sua recomendação — Vladimir zombou — colocar o Sr. Lomonosov em risco, o que você fará, hein? O que vai dizer?
— Risco… —Won murmurou, cético.
Vladimir girou Won para encará-lo, rosnando em seu rosto agora. — Este lugar está infestado de capangas do Sindicato. Se algo acontecer? Não temos dez minutos, você morre em um.
Dando uma olhada expressiva para a mão em seu ombro, Won disse secamente: — Diria que você está exagerando.
O que foi exatamente a coisa errada a dizer.
— E o que diabos você sabe?! — Vladimir berrou. Won piscou para ele, recuando a cabeça. — O Sr. Lomonosov tentou eliminar o Czar a vida toda desse desgraçado. Acha que o Czar simplesmente desistiu? Vai aparecer para tomar chá?! Ele quis o Sr. Lomonosov morto pelo mesmo tempo! Atiradores, bombas, espiões, tiroteios, acha que tudo isso para porque o Sr. Lomonosov se aposentou?! — Vladimir cutucou o peito de Won com um dedo. — Acha que o Sr. Lomonosov não sabe disso tudo?! Eu não trouxe a Bratva inteira aqui por capricho! Mas, ah não, você teve que convencê-lo de que era má ideia! Ele já nos abandonou por você, e isso não significa nada para você! Quanto mais você quer?!
Naquele momento, ficou claro por que Vladimir odiava tanto Won, ele acreditava que Won tirou Mikhail deles.
Nada poderia estar mais longe da verdade, mas Vladimir já estava completamente enfurecido, sem dar a Won chance de explicar.
— Ele diz que se aposentou, mas ainda é o don. Estamos todos só esperando o dia em que ele vai parar de brincar de casinha com você e voltar. A gente sabe disso; o Czar sabe disso! É por isso que ele veio até aqui. Ele queria o Sr. Lomonosov morto antes que ele pudesse retornar!
— Isso não é-… — Won tentou, mas Vladimir agiu como se ele nem tivesse falado.
— Você é um merda ganancioso, sabia disso? Desde que você apareceu, tudo desandou. Por que você teve que vir e arruinar tudo, hein?!
— Acho que deveríamos nos acalmar e-..
— Acalmar?! Essa é boa! Você é um agitador de merda, isso sim, e agora quem vai pagar o preço? O Sr. Lomonosov vai morrer, tudo por sua culpa!
— Você pode calar a boca e ouvir?! — Os surtos de Vladimir finalmente haviam tirado Won do sério. — O Czar não está aqui pra matar meu pai, ok?! É outra coisa.
Mal as palavras saíram da boca, Won percebeu que não deveria tê-las dito, mas já era tarde demais. Vladimir o encarava com uma expressão carregada de desconfiança, olhos semicerrados.
A pressão no ombro de Won o forçou a se aproximar, permitindo que Vladimir sussurrasse bem em seu ouvido:
— E como é que você sabe disso, hein?
Won examinou o rosto de Vladimir. Se o objetivo fosse apenas fazê-lo parar de gritar com ele, teria sido um sucesso. No entanto, naquele momento, a expressão de Vladimir era praticamente a mesma em termos de desprezo, com uma leve variação no volume, e Won ainda estava preso na sala de jantar, ou seja, no geral, pouco havia sido conquistado. A única coisa que ele havia conseguido era enfiar o pé na boca sem saber como tirá-lo.
— Só… um palpite? — tentou ele.
Os olhos de Vladimir se estreitaram ainda mais, ardendo de ódio, as duas cores diferentes tão inquietantes quanto da primeira vez que Won os viu. Ele se sentia completamente exposto.
— Que advogado excelente você deve ser, Sr. Advogado. — Vladimir passou a língua pelos dentes, como se estivesse se preparando para despejar sarcasmo adoçado. — Você usa muito esses seus palpites, é? E com seus clientes? Você sente o quão inocentes ou culpados eles são, isso te ajuda a escolher só os que merecem? Talvez devesse virar vidente. Ouvi dizer que dá dinheiro.
A defesa de Won à sua profissão foi mais automática do que qualquer outra coisa.
— Um representante legal é obrigado a confiar na inocência do cliente; caso contrário, não
pode defendê-lo no tribunal.
Vladimir não reconheceu a correção.
— Hm, então vamos ouvir, ó grande profeta, o que o Sindicato está fazendo aqui? Por que
eles pegaram todos os quartos? — Sua voz era mel envolvida em veneno. — Se não é por causa do Sr. Lomonosov, por que o Czar se deu ao trabalho de vir até aqui?
“É por minha causa! Jesus, ele veio por minha causa!”
Como Won queria poder gritar aquelas palavras em voz alta, mas seu grito privado teria que bastar. Fechando os olhos, ele começou a contar para se acalmar antes que explodisse e enfiasse ainda mais o pé na boca.
Chegou a 3.124 antes de abrir os olhos novamente, pronto para dizer a Vladimir que precisavam discutir aquilo depois, se não pudessem agir como adultos… mas, infelizmente não conseguiu dizer.
— Muito difícil? — Vladimir perguntou com falsa preocupação. — Então que tal algo mais fácil? — Ele sorriu, doce de forma doentia. — Qual é a cor da minha cueca?
Won se inclinou ainda mais para longe e lançou lhe um olhar. “Que tipo de pergunta é essa?” Se Won fosse uma mulher, Vladimir já estaria com um processo por assédio sexual. Talvez ele devesse abrir um mesmo assim, só pra acabar com essa palhaçada.
— Qual é o problema? — O rosto de Vladimir parecia muito socável naquele momento. — Todos esses seus poderes psíquicos incríveis não funcionam quando a pessoa está bem na sua frente? Nem consegue arriscar um palpite? Nunca se sabe, sempre há uma chance de você acertar. Ah, mas adivinhar nem é sobre sorte, né? Não existe isso pra um vidente com palpites tão poderosos.
Won revirou os olhos, decidindo que realmente havia chegado ao fim de sua paciência.
— Bolinhas amarelas.
Vladimir deu um salto, perdendo toda a pose ao ficar boquiaberto para Won.
“Oh. Então acertei? É mesmo.”
Houve uma onda de satisfação ao ver a expressão arrasada de Vladimir, mas não o bastante para desviar Won de seu objetivo principal. Enquanto Vladimir encarava, Won tirou a mão do ombro e se afastou.
— I-isso foi só um palpite de sorte… certo? — A voz suplicante de Vladimir chamou atrás dele.
Sem se virar, Won respondeu:
— Eu te disse, só um palpite, — e então disparou o mais rápido que pôde para o refúgio de seu quarto. Pouco antes da porta se fechar, ele ainda viu Vladimir, parado no mesmo lugar na sala de jantar, com uma expressão completamente perdida.
Won ficou feliz em colocar uma barreira sólida entre eles.
Ele foi até a cama e franziu a testa, atingido pela absurdidade da situação. “Bolinhas amarelas? Sério?” Won tentou imaginar suas cuecas brancas e simples com manchas amarelas brilhantes e simplesmente não conseguiu. Ficou ainda pior quando tentou colocá-las mentalmente em Vladimir, que era sério demais para roupas íntimas tão alegres.
Depois de alguns segundos, Won percebeu que aquilo tudo era ridículo e sacudiu a cabeça. Por mais estranho que fosse, havia algo no mundo para todo mundo. Cuecas com bolinhas amarelas inclusas.
✦ ✦ ✦
No final do dia, Leo apareceu para atualizá-los, tirando Won e Mikhail de seu descanso privado.
— O senhor está bem, Sr. Lomonosov? — Leo perguntou quando se reuniram na sala de estar. Mikhail disse que sim, obrigado, então gesticulou para Leo continuar.
— Mantivemos vigilância o dia todo, mas está quieto no lado deles — Leo informou. — Houve algumas pequenas brigas entre os subordinados, mas os chefes devem ter dito algo porque os capangas apareceram rapidamente para acabar com isso. E não houve mais um pio desde então.
Ao ouvir isso, Mikhail recostou-se na cadeira e cruzou os braços, parecendo profundamente pensativo. Won percebeu que ele estava confuso. Em circunstâncias normais, a presença do Sindicato só poderia ser uma provocação explícita; ainda assim, aparentemente, não era o caso. Isto ia contra tudo que Mikhail sabia (ou pensava saber) sobre Caesar, deixando-o sem saber como proceder.
Enquanto isso, Won também estava perdido e se sentindo como Cassandra, só que ele também não podia falar a verdade. Tinha certeza que, se o fizesse, não acreditariam nele, daí a comparação com Cassandra.
Além disso, ele estava morbidamente curioso sobre o que Caesar estava fazendo? Onde ele estava? O que estava tramando? Então Won estava tenso, pendendo em cada palavra, pronto para aproveitar a primeira oportunidade de falar a sós com Leo. Quem saberia se teria essa chance, porém, dividindo uma suíte com seu pai e Vladimir.
Falando nisso, Won não vira nem ouvira nada de Vladimir desde sua discussão naquela manhã, e quase esperava que continuasse assim. Não queria que virasse algo maior do que precisava ser. Já era ruim o suficiente estarem todos nervosos com essa situação anômala, e Won ter que vê-los tateando no escuro quando ele tinha todas as respostas.
Isso era algo que Won nunca conseguiria explicar.
Ele suspirou para si mesmo. “No final, tudo isso é culpa do Caesar, não é? Por que ele teve que espionar me em primeiro lugar? Agora nem posso aproveitar minhas férias em paz. Férias necessárias por causa da libido insana dele, não vamos esquecer!”
Won gritou no abismo de sua própria mente.
Mas isso passaria pela cabeça de Caesar? Ele pensaria, mesmo por um momento, que talvez fosse a causa das dores e sofrimentos de Won?!
Cerrando os punhos, Won teve que se lembrar de respirar, pois estava ficando muito agitado.
Foi mais ou menos nessa hora que Vladimir apareceu. Leo, Mikhail e Won viraram a cabeça ao som de sua porta se abrindo; mas Won foi claramente e muito obviamente ignorado quando Vladimir entrou na sala.
— Muito bem; acabei de dar meus relatórios do dia — Leo disse. — Venha, sente-se. — Ele gesticulou para Vladimir se juntar a Won em um dos sofás, o que Vladimir fez se espremendo no canto oposto, cruzando a perna mais próxima de Won sobre a outra, apoiando o queixo na mão com o cotovelo no braço do sofá, e inclinando-se o mais longe possível.
“Que Sutil” Pensou Won que teve vontade de revirar os olhos.
Mikhail franziu a testa para eles, enquanto Leo parecia perplexo. Won lançou a ambos um olhar do tipo “vocês-acharam-mesmo-que-isso-não-aconteceria?”, mas nenhum dos homens estava disposto a repreender Vladimir por seu comportamento.
Quanto ao próprio Vladimir, além de sua posição desconfortável no sofá, tudo nele transmitia uma atitude de indiferença.
— Não tenho nada a acrescentar, se já terminou — Vladimir disse a Leo.
Pelo tom, era impossível dizer se ele estava envergonhado por sua reação naquela manhã ou se estava ansioso por Caesar atacar e provar Won errado, seja como for, Leo notou a aversão a sentar perto de Won e prudentemente continuou com o que estava dizendo.
— De qualquer forma — ele começou — seria melhor permanecermos vigilantes por enquanto. No entanto, alguns dos outros sugeriram que realizemos uma reunião, uma festa, tanto para nosso entretenimento quanto como demonstração de força.
— Uma festa? — Mikhail questionou. — Aqui mesmo?
Leo acenou. — Na verdade, já falei com o Sindicato e o Czar ficou mais que feliz em nos ceder o salão de eventos e todos os serviços de alimentação…
A testa de Mikhail se enrugou. — Mais que feliz? Sinto um ‘mas’ vindo aí, Leo.
Leo tossiu, e Mikhail ergueu as sobrancelhas agora, dando-lhe um olhar.
— Bem, hã, ele… pediu para ser convidado.
Won jurou que o pescoço de Vladimir estalou audivelmente, seu olhar se virando para Won tão rápido. Esta era a primeira coisa que Vladimir ouvia nesta reunião, ainda assim, o modo como olhou para Won, examinando-o com um olhar penetrante, fez Won se perguntar do que exatamente Vladimir o estava acusando. Mas não havia como saber que absurdo passava pela cabeça de Vladimir, então Won fez o possível para ignorar.
Ele tinha outras preocupações.
Como arrastar Caesar para um canto escuro aquela noite e perguntar que diabos ele estava fazendo. Teria que fazer isso sem que ninguém notasse, o que poderia ser problemático, mas Won não ia perder a oportunidade quando ela caíra em seu colo.
Com a decisão tomada, seus pensamentos vagaram para Caesar novamente, e Won fez uma careta, imaginando quão difícil seria estrangular alguém no meio de uma festa
✦ ✦ ✦
Ao anoitecer, o salão de eventos e grande parte do primeiro andar estavam quase irreconhecíveis. Por ser tudo de última hora, o hotel optou por remover quase todas as divisórias que separavam as diversas comodidades e restaurantes do primeiro nível, transformando o salão de eventos em um espaço amplo com acesso livre a todas essas áreas, além de adicionar dezenas e dezenas de mesas repletas de tudo, desde canapés até refeições completas e garrafas intermináveis de álcool.
As pessoas já circulavam pelo local quando eles chegaram e, ao entrar, Won teve quase certeza de que seria possível jogar uma partida oficial de futebol ali, se empurrassem as mesas para o lado e, ainda assim, sobraria bastante espaço.
Vestido com um terno que Mikhail havia providenciado antes de descerem para a festa, Won caminhava ao lado do pai e de Leo ao entrarem no salão. A aparição de Mikhail foi recebida com aplausos eufóricos. Ele parou para cumprimentar cada membro da Bratva que encontraram pelo caminho, para alegria de todos, apertando as mãos de todos, chamando-os pelo nome e perguntando como estavam.
Mesmo depois de encontrarem um lugar para ficar, os homens continuavam se aproximando para desejar felicidades, e Mikhail conhecia cada um deles.
— Depois de perder você e sua mãe — murmurou Mikhail durante uma pausa — eu fiquei muito solitário. — Ele suspirou, enquanto Won observava a multidão.
Leo já havia contado a Won que a Bratva fazia muito trabalho com órfãos e orfanatos. Às vezes, acolhiam crianças de rua e lhes davam um lugar para ficar, criando-as, como haviam feito com Vladimir.
Um programa de Mini-Máfia para Crianças Dotadas e Talentosas; começando cedo.
O pensamento não era gentil, apesar de verdadeiro, mas Won sabia que não era tão simples assim. Para crianças que não tinham nada, gangues ofereciam camaradagem, orientação, um lugar no mundo que podiam chamar de seu, com comida e abrigo. Comparado a viver sozinho nas ruas, era óbvio o que escolheriam, se tivessem opção. Mas, refletiu, provavelmente havia mais de alguns que conseguiram sair dessa vida e seguiram um caminho mais certo.
Vladimir, obviamente, não.
Won soltou um suspiro sarcástico e tomou um gole de champanhe, os olhos acompanhando o caminho de Vladimir enquanto o homem mais jovem vinha direto em sua direção.
— Sr. Lomonosov — disse Vladimir assim que se aproximou. Ele deliberadamente não cumprimentou Won. — Nenhum sinal de homens do Sindicato nas redondezas; o senhor pode ficar tranquilo por agora.
— Obrigado, Volodya — disse Mikhail, com um tapa paternal no ombro. — Você tem sido muito generoso com este velho aposentado.
— Nunca, Sr. Lomonosov. O senhor sempre será nosso chefe.
Observando o perfil de Vladimir, Won não pôde deixar de notar a sinceridade; a dedicação. Vladimir era uma escolha muito, muito melhor para ser o sucessor de Mikhail, o que apenas provava que a primogenitura era um método ineficiente de sucessão, na melhor das hipóteses e estúpido, na pior.
Por outro lado, talvez isso fosse bom, considerando que estavam falando da máfia.
Won refletia sobre isso enquanto tomava mais champanhe. Estava tão absorto que não notou quando Mikhail saiu e Vladimir o observava, até que um arrepio de inquietação percorreu sua espinha. Em vez de interagir, Won decidiu voltar à sua contemplação e ignorar Vladimir o máximo que conseguisse.
Esvaziando sua taça, Won arriscou um olhar para o lado, e, sim, Vladimir ainda estava ali, parado, parecendo querer falar com ele, talvez, mas sem ter coragem suficiente. Bem, Won não iria incentivar nenhuma interação, então esperava que Vladimir entendesse isso por conta própria.
Ao colocar a taça vazia numa bandeja que passava, Won pegou mais champanhe e foi nesse momento que Vladimir decidiu falar.
— Você e o Czar… se conhecem. — Sua voz era baixa; quando Won se virou para ele, Vladimir evitou o contato visual. — Eu o encontrei. Mais cedo. Ele perguntou sobre o Sr. Lomonosov, se ele estava bem. Achei que algo fosse acontecer… mas foi só isso.
“E o Caesar te disse que a gente se conhece?!” Won quis gritar em um surto de pânico, as palavras subindo pela garganta, mas ele as engoliu. Vladimir poderia ter ouvido de Mikhail, de Leo ou de qualquer outro que Won conhecia Caesar.
Se Caesar tivesse dito algo mais, Vladimir não estaria agindo com tanta hesitação, então Won manteve o silêncio e deixou Vladimir continuar.
— E antes, quando ele soube da festa, mandou todos embora. Achei que fosse uma armadilha, mas revirei a cidade inteira, e eles realmente se foram. — Vladimir soava um pouco atordoado. — Ele manteve alguns homens por perto, mas só uns poucos. — O brilho distante em seus olhos se aguçou. — A gente podia derrubá-lo se quisesse. Facinho. E é como se ele nem pensasse em se proteger.
— E isso seria desonroso depois de uma demonstração de boa vontade como essa — retrucou Won em voz baixa, voltando a olhar para a multidão.
Não houve resposta. Won lançou um olhar de canto para Vladimir: ele parecia pensativo, sua expressão séria, mas sem ódio ou raiva por trás.
Eventualmente, Vladimir inspirou para falar e Won inclinou a cabeça em sua direção para ouvir.
— Enfim, você estava certo. Só espero que continue certo até essa viagem acabar. — Eu vou estar. — Won tomou mais um gole de champanhe. Ele sentia o olhar de Vladimir sobre si. Inclinou a taça e observou as bolhas subindo no líquido.
— Só um palpite.
Algumas horas depois, a festa estava a todo vapor e o público definitivamente alcoolizado. Havia muitos cantando desafinados e se balançando juntos com os braços sobre os ombros uns dos outros.
Vladimir observava tudo, com o nariz e os lábios se contraindo.
— Ridículo.
— Ah, deixa eles se divertirem — disse Mikhail. — Não é sempre que têm a chance de fazer algo assim.
Um grupo grande começou a dançar uma coreografia brega que havia sido popular há uns trinta anos, o que gerou gargalhadas generalizadas.
Mikhail enxugou um dos olhos, enquanto seu riso diminuía para um sorriso.
— Você devia se juntar, Volodya. Que fim levaram aqueles truques de mágica que você fazia?
— Quer dizer assim? — Vladimir passou a mão atrás da orelha de Won, fazendo-o se sobressaltar e levar a mão até a cartilagem. Então, com um floreio, Vladimir revelou a palma da mão com uma moeda no meio.
Levou um instante, mas Won fez um pequeno “ah”, finalmente percebendo que Vladimir acabara de fazer um truque de ilusionismo.
Mikhail achou hilária a reação do filho, balançando levemente ao terminar mais uma taça de champanhe.
— Você aguenta bem o álcool. Susya nunca aguentou, sabia?
— Estou bem — Won respondeu com modéstia, mas Leo quis entrar na conversa.
— Ouvi dizer que coreanos são bebedores de primeira. Bebem pra caramba. É verdade? — Leo estava com o rosto vermelho escuro e falava arrastado entre goles de vodka. Won forçou um sorriso e uma risada sem graça.
Vladimir bufou.
— Nada se compara aos russos, pode apostar.
Won franziu os lábios diante daquela competição absurda, tentando manter a seriedade.
— O álcool russo tem teores altos, isso eu admito. — Permitiu-se um sorriso. — Mas na Coreia, é um jogo completamente diferente.
Vladimir arqueou uma sobrancelha.
— Jogo?
— Não se trata só da bebida, é sobre a experiência. — Won deixou a taça de champanhe de lado. — Aqui, vou mostrar.
Leo, Vladimir e Mikhail pareceram animados enquanto Won pedia mais bebidas e copos a um garçom que passava. Com os itens em mãos, ele alinhou os copos em uma fileira bem longa e encheu todos com uísque.
Isso ainda parecia normal, mas quando Won começou a equilibrar copinhos de vodka sobre a primeira fileira, seus espectadores demonstraram confusão interessada “o que ele estava fazendo?” Todos pensavam
Won sorriu.
— Isso se chama Surfando a Onda. — Ficou muito satisfeito quando os três trocaram olhares e ficou abertamente orgulhoso ao dar um leve toque com o mindinho no último copinho, fazendo toda a fileira cair em reação em cadeia, como peças de dominó.
A multidão que se juntara soltou sons de admiração. O olhar de Vladimir estava fixo em Won, claramente surpreso. Olhando diretamente para Vladimir, Won pegou um copo da mesa, cobriu com um guardanapo e, com um giro do pulso, sacudiu-o em um movimento circular, fazendo a mistura efervescer. Jogou o guardanapo de lado, levou o copo aos lábios e bebeu tudo de uma vez.
Alguns goles e um estalo satisfeito depois, Won colocou o copo de volta na mesa, e a multidão em êxtase gritou e aplaudiu, indo até a mesa para pegar os seus próprios copos. Puxando mais uma taça de champanhe de um garçom, Won sorriu, observando todos imitarem o truque do guardanapo.
— Todo mundo bebe assim? — perguntou Vladimir, hesitante. — Todo mundo na Coreia?
— Nem todo mundo, não. — Won lhe lançou um sorriso de lado antes de pegar um coquetel de camarão de uma bandeja. — Por quê?
Vladimir não respondeu, apenas o encarou, então Won aproveitou seus camarões, seguido de um agradável copo de uísque com gelo. Só depois de quase terminar o uísque que Vladimir cessou sua análise.
— Você é diferente. Dele, — disse Vladimir, mais para si mesmo do que para qualquer um, e se posicionou ao lado de Won.
Won lançou um olhar ao homem ao seu lado e pegou Vladimir o observando de canto de olho. Ergueu uma sobrancelha, provocando-o a falar se tivesse algo a dizer, mas Vladimir permaneceu em silêncio. Alguns segundos e um xingamento murmurado depois, Vladimir se afastou e sumiu na multidão.
Won franziu o cenho, confuso, e esvaziou o resto do uísque, só para se servir de mais um dedo. Depois mais um. Após algumas horas, Won percebeu, meio tonto, que havia bebido bastante. A garrafa meio vazia de uísque ao lado dele era prova disso — mas Won estava bêbado demais para notar esses pequenos detalhes.
“Arrependimentos”, pensou Won, com a mente embotada, “eu vou tê-los.”
Seus membros pareciam recheados com algodão embebido em uísque, sua mente emaranhada em lã. Mas tudo bem. Era assim que se deveria estar quando se saía. Não dava para ter a experiência completa sem ficar completamente bêbado, não é?
Ele queria encontrar Caesar, o canalha, fazê-lo se explicar, mas esse plano evaporou-se, substituído pelo álcool quando Caesar não apareceu.
“Puta merda, Caesar provavelmente queria que acabasse assim.”
Por um instante, Won se curvou, irritado por ser tão previsível, mas se animou pensando em todas as mensagens maldosas que mandaria para Caesar depois. “Droga, espero mesmo que tenha alguma coisa para curar essa ressaca quando acordar.”
— Você está bem?
Won semicerrava os olhos, percebendo que era Mikhail falando com ele. Deixou a cabeça tombar e respondeu ao pai que sim, estava bem, afastando alguns fios de cabelo que haviam caído no rosto.
— Sem garantias de que estarei amanhã — disse com a voz arrastada — mas por agora, sim.
— Existe uma certa sopa que vocês tomam na Coreia quando estão de ressaca, não é? — Mikhail sorria, e Won fez o possível para assentir.
— Eu estava justamente pensando nela.
— Deve sentir saudade dela.
Won não disse nada por que não precisava. Mikhail passara a vida sentindo falta da mãe de Won; ele entendia como era. Provavelmente até melhor que o próprio Won. Won tinha memórias; Mikhail tinha quase nada. De qualquer forma, mesmo se Won continuasse nesse assunto, sabia que ficaria melancólico, então bloqueou esses sentimentos de saudade e buscou outro tema.
Ele acabara de pensar em algo quando um estranho silêncio varreu o salão de eventos. Ele e Mikhail olharam para a entrada e ambos prenderam a respiração.
— O Czar — Mikhail sussurrou.
A mente de Won ficou em branco. Caesar dissera que viria, e Won esperara por esse momento, mas agora que ele estava aqui, Won não sabia o que fazer. De alguma forma, sentia-se desorientado e hiper consciente simultaneamente. “Não estou bêbado o suficiente”, concluiu.
Porque se estivesse mais embriagado, poderia atribuir isso a um truque de luz, uma miragem alcoólica.
Mas não era. O choque silencioso no salão era prova suficiente. Mesmo assim, Caesar era inconfundível em seu brilho prateado.
Não havia ninguém mais resplandecente em todo o mundo.
E ele estava aqui.
Toda a atenção da sala se fixou em uma única pessoa, todo vestígio de festividade desaparecido; Caesar suportou tudo, avançou com graça angelical e elegância letal.
A multidão se abriu ao ritmo constante de solados de couro.
— Isso foi outro palpite? — Vladimir materializou-se atrás de Won, sussurrou em seu ouvido.
Won lançou um olhar oblíquo para trás. Seus olhos se encontraram por um instante antes de Vladimir voltar sua atenção à frente, encarando Caesar enquanto ele se aproximava.
A alguns passos de Mikhail, os sons pararam. Houve uma inspiração coletiva, a plateia na expectativa. A boca de Won estava seca.
— Sr. Lomonosov.
A mais leve inclinação de cabeça acompanhou a saudação. Sua voz era como seda, melíflua e cativante.
— Faz tempo, Czar — Mikhail respondeu. — Você parece bem.
Caesar considerou Mikhail por um momento. — Graças à sua ajuda — concedeu.
Mikhail o estudou em troca, desconfiança brilhando em seus olhos, deixando espaço para Caesar explicar sua presença. Despreocupado como sempre, Caesar ignorou o óbvio, seus olhos percorrendo de uma pessoa para outra. Seu olhar pousou em Won
— O que você está fazendo aqui? — Vladimir rosnou.
A mesma questão murchou na língua de Won, nada além de um croque escapando de sua garganta. Caesar permaneceu imóvel, apenas seus olhos se movendo para reconhecer que Vladimir falara. Inimizade pesada entre eles.
Caesar piscou, indolente. — Fui convidado.
— Não, você se convidou — Vladimir cuspiu.
Quase imperceptivelmente, Caesar franziu os lábios. — O convite nunca foi rescindido.
Seus olhos haviam se voltado para Mikhail agora, encarando-o com um olhar pesado. Com a testa franzida, Mikhail encarou de volta. Won observou ambos, ficando cada vez mais agitado.
Caesar claramente não era bem-vindo aqui, sem mencionar que estava sozinho, cercado pela Bratva. Qualquer um presente poderia sacar uma arma e matá-lo ali mesmo. Por que ele viera? Por que agora? Viera apenas para causar cena?
A curiosidade ociosa de Won antes parecia ingênua comparada à realidade da decisão de Caesar de aparecer.
Mas Caesar era um enigma, Won teve que se lembrar. Talvez por suas raízes na máfia, mas Won poderia passar vidas estudando-o e ainda não entender nada sobre ele. Daria uma enxaqueca se tentasse.
Assim, em vez de tentar decifrar as decisões de Caesar, Won focou no que entendia, ou seja, que a presença de Caesar dependia da sua própria, então ele provavelmente deveria fazer algo antes que a tensão na sala sufocasse alguém.
Seus olhos pousaram na coisa perfeita. Won fez um ruído de aprovação, pegou uma taça fresca de licor da mesa e a ofereceu a Caesar.
— Um brinde — Won declarou. — Para celebrar. — Ele estampou um sorriso enorme no rosto. — É por isso que você veio, certo? Sem brigas hoje.
Foi sutil, mas o canto da boca de Caesar se ergueu, e de alguma forma isso suavizou toda sua postura. — Claro — ele disse, com um toque de diversão na voz.
Com aqueles dedos longos e requintados, Caesar aceitou a bebida de Won, certificando-se de cobrir a mão dele ao pegar o copo, deixando uma suave e secreta carícia em seu rastro.
Foi apenas um momento, mas o calor da palma de Caesar permeou a pele de Won, brilhou em sua consciência, e ele não pôde evitar flexionar os dedos, cobrindo o calor com a outra mão para tentar mantê-lo ali.
Os olhos de Caesar nunca deixaram Won enquanto ele levava o copo aos lábios, e Won estava tão encantado pelo movimento da garganta de Caesar bebendo a mistura de vodca e uísque.
Com o copo vazio, Caesar avançou para colocá-lo na mesa. O baque surdo foi estrondoso aos ouvidos de Won no silêncio, mas mais alto ainda foi o sussurrado “obrigado” que Caesar deixou em seu ouvido, outro segredo, só para ele, e seu coração pulou no peito.
Fingindo não ter ouvido nada, mas sentindo-se muito aquecido, Won pegou uma garrafa de vodca da mesa. — Alguém mais? — ele chamou, sacudindo a vodca para atraí-los. — Aposto que homens da Bratva podem acabar com um copo duas vezes mais rápido que ele.
Saúde e pedidos por mais álcool surgiram da multidão. Won fez uma careta ao ouvir ameaças bêbadas de matar todo o Sindicato, mas pelo menos conseguira que a festa continuasse. Com isso resolvido, ele foi dizer algo a Caesar apenas para descobrir que ele desaparecera.
— Ele foi embora — Vladimir informou quando viu Won escaneando o salão.
— Já? — Won franziu a testa. — Então por que ele veio?
— Que se foda, e eu que sei? — Vladimir declarou, então virou nos calcanhares e saiu.
Won fez um estalo com a língua, a pergunta obviamente era retórica, mas a rudeza de Vladimir foi rapidamente esquecida quando seu celular vibrou no bolso. “Termas externas” era toda a mensagem. Won riu e balançou a cabeça. Caesar era ridículo. Won acabara de salvá-lo, então ele desaparece e exige que Won vá às termas. Comportamento deplorável. — O que te deixou sorrindo assim, synok?
— Hã? — Won ergueu a cabeça bruscamente.
“Ah, eu estava sorrindo, não estava?” E Mikhail viu, porque Mikhail o encarava com um olhar perspicaz demais para o bem de Won. Ótimo. Talvez pior, Won pensou, ele devia estar realmente bêbado se seu primeiro pensamento ao receber uma mensagem de três palavras de Caesar era felicidade, não raiva ou irritação.
Mais urgente, ele precisava inventar algo para dizer a Mikhail. — Ahnnn — ele começou inteligentemente. — Bem, tem uma coisa, que eu tenho que fazer. Sim, uma coisa. Agora mesmo. Tenho que ir. Desculpa, tchau!
Mas antes que pudesse escapar, Mikhail comentou: — Oh, não se preocupe comigo se precisar fazer uma ligação. Fique; eu posso ir.
Won começou a recuar. — Não, não, está tudo bem! Volto mais tarde! — Won gritou por sobre o ombro e correu para a saída.
Mikhail observou seu filho partir em silêncio atordoado por um momento, antes que um sorriso florescesse em seu rosto ao reconhecer o passo saltitante de Won. Seu filho saindo daquela maneira só podia significar uma coisa:
Ele estava apaixonado.
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Naturalmente, havia várias termas externas disponíveis no resort, mas embora estivesse bêbado, os passos de Won foram firmes enquanto corria para um canto remoto das instalações do hotel que ostentava uma piscina isolada, disponível para aluguel de hóspedes. Aquele era o único lugar onde Caesar poderia estar.
Mal a tranca do portão de privacidade se fechou quando uma voz gritou um cumprimento e lá estava ele, imerso na piscina fumegante.
De repente, o mundo inteiro de Won se reduziu apenas aos dois. Ofegante, tentando recuperar o fôlego, com frio, mas o rosto de Won doía de tanto sorrir, e ele devia estar absurdamente bêbado porque não deveria estar tão feliz quando eles nem tinham conversado sobre nada, nenhum problema resolvido entre eles mas ele estava.
Água morna respingou nas pedras quando Won pulou na piscina, com roupas e tudo, direto nos braços de Caesar.
Risadas inundaram seu peito, transbordaram, uma alegria que não podia ser contida apenas dentro dele, e uma vez que começou, ele não conseguia parar.
— Quanto você bebeu, seu bêbado? — Caesar repreendeu, mas a afeição em sua voz tirou qualquer aspereza.
Won ergueu os ombros e ajustou as mangas o melhor que pôde nos braços de Caesar, olhando-o nos olhos. — Você devia estar agradecido, moço. — Cutucou o peito muito musculoso de Caesar. — Eu estava tão bravo! Mas agora estou bêbado, então não estou mais. Mas se não estivesse! Eu te daria uma bronca.
— Bravo? Comigo? — Os olhos de Caesar eram enormes, como poças cristalinas de mercúrio, transbordando inocência, e Won teve vontade de sacudi-lo por ser tão desesperadoramente insuportável, mas a boca de Caesar estava tão perto da sua e toda sua frustração se manifestou envolvendo os braços no pescoço de Caesar e puxando-o para deixar marcas no seu lábio inferior, os dentes arranhando a carne macia, e então suas bocas estavam tão ocupadas uma com a outra que nenhum dos dois conseguiu fazer outra coisa além de gemer.
Com o último resquício de consciência, Won ponderou se seu ardor vinha de luxúria ou embriaguez, mas rapidamente concluiu que não importava: ele queria Caesar, sentia que morreria se não o tivesse agora. E esse foi seu último pensamento antes de enterrar os dedos nos cabelos da nuca de Caesar e arrastar a outra mão pelas costas dele para se aproximar mais, qualquer espaço entre eles sendo demais.
Seu coração acelerava; ele conseguia senti-lo martelando contra as costelas, tentando talhar um caminho de seu peito até o de Caesar. Mas então Caesar o empurrou para trás, e Won reclamou com um gemido pela interrupção do beijo, até que Caesar agarrou a frente de sua camisa com ambas as mãos e puxou.
Botões voaram pela água e para os lados da piscina, mas Won não podia se importar menos com uma camisa arruinada no momento; ele só esperou Caesar terminar de rasgar suas calças para se jogar de volta em seu abraço.
— Onde está sua cueca?
Won piscou. “O quê?”
Olhou para baixo. “Ah.”
— O ajuste era muito apertado, e tudo que trouxe marcava, então disseram que eu podia pular essa parte. — Ele encolheu os ombros.
— Quem disse?
— Meu pai.
Caesar praguejou baixo. — Não deixe ele ter ideias.
Os lábios de Caesar estavam de volta aos seus antes que ele pudesse perguntar que diabos Caesar queria dizer, e Won envolveu os braços em Caesar, enterrou as unhas em sua pele e se perdeu no beijo.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
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Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses