Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 03 – Parte 2 Online


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❬ Side Story 03 – Parte 2 ❭

⌽ Roses and a Kiss ⌽

— Você parece cansado… está dormindo bem?

Won levantou a cabeça. Seu pai estava sentado à sua frente. Eles haviam combinado encontrar-se em uma cafeteria naquela tarde, mas Won mal estava presente, muito exausto para se envolver. Mikhail, por outro lado, parecia bem. Ele se aposentara não fazia muito tempo, e agora passava seus dias em um prazeroso retiro, o que, até onde Won sabia, consistia principalmente em pescar, jogar cartas e geralmente passar o tempo.

A quieta segurança e o ar despreocupado que se obtém ao viver uma vida de lazer tornavam fácil esquecer quem Mikhail era. Mikhail Petrovich Lomonosov, ex-chefe da Bratva Lomonosov, rival de Caesar no crime organizado. Ele deixara o cargo, passando as rédeas para seu sucessor escolhido, mas nunca se sai verdadeiramente desse tipo de vida.

Won examinou o rosto do pai, procurando qualquer traço de um chefe mafioso implacável em seus traços. Encontrou apenas linhas suaves de preocupação paternal.

— Perdi um pouco de peso — Won admitiu. Quando Mikhail empalideceu, Won rapidamente acrescentou: — Não muito. Só um pouco.

Mikhail o observou, boca torcida em pena. — Você não deveria se esforçar tanto. Tem orgulho do seu trabalho, eu entendo, mas não deixe que isso afete sua saúde.

“Ah. Certo. Trabalho.” Won lamentou o fato de que tantos equívocos pareciam surgir sobre sua vida ultimamente. Não que alguém soubesse que era porque Won tinha um pênis gigante enfiado em sua bunda por dias a fio e não importava o quão intrometido alguém fosse, eles só arrancariam esse fato dos dedos frios e mortos de Won, porque ele não deixaria escapar uma palavra sobre isso enquanto vivesse. Não para Mikhail, não para ninguém.

Isso, no entanto, deixava Won em apuros, pois ele não tinha desculpa para o estado em que se encontrava, além do trabalho.

— Sei que, quando você começa algo, não gosta de parar, synok — Mikhail continuou. — Mas se chegou ao ponto de não ter tempo para encontrar ninguém, isso já é demais, não acha? Você precisa sair mais. Aproveitar a vida enquanto é jovem.

(Synok = Palavra Russa para Filho ou Filhinho)

Mikhail inclinara a cabeça, estudando-o, e Won lutou por um momento em silêncio.

— Trabalho jurídico — ele tentou, por fim, — e julgamentos sempre consomem tempo. Faz parte do trabalho. — A protestação soou vazia em seus ouvidos.

— Eu tinha a impressão de que a maioria dos seus casos são resolvidos extrajudicialmente — Mikhail apontou. Won acenou relutantemente. — Mas sempre que ligo, você está ocupado demais para conversar ou nem atende…

Internamente, Won suspirou, sentindo-se muito cansado. Não era mentira que seu trabalho o mantivesse ocupado, mas o maior problema era que os dias que tinha livre, ele tinha que dividir entre dois homens, um dos quais exigia um período subsequente de recuperação, então seu já precioso tempo livre era ainda mais reduzido.

Essa última rodada com Caesar levou cerca de dez dias, sem incluir os dois dias que Won passou dormindo para voltar dos mortos depois que chegou em casa. Mas aquela pressão atrás dos olhos, de um cansaço profundo, não desaparecera. Tudo parecia incompreensivelmente fora de seu alcance, como se ele estivesse cercado por uma bolha, o mundo e seus sons distorcidos apenas um pouquinho para o estranho. Mesmo assim, ele viera ver seu pai.

Porque era importante para ele.

Explicações e verdades brotavam na ponta de sua língua, suas bordas serrilhadas como as verdades costumam ser, mas ele as engoliu, podia quase ver o movimento de sua garganta se contraindo no reflexo de seu chá.

— Vou ver o que posso fazer.

O chá serviu como um amargo acompanhante enquanto descia. Won estremeceu ao pensar no que aconteceria se aquelas verdades voltassem a borbulhar.

Ele lançou uma olhada furtiva para o homem à sua frente: mechas de grisalho em suas têmporas, rugas reunindo-se em seus olhos, olhos que olhavam para Won com tanta preocupação, tanto carinho, implorando que seu filho cuidasse de si mesmo.

Won foi lembrado mais uma vez de quão enganosa era a aparência de Mikhail.

Ninguém acreditaria que essa figura protetora pudesse ser qualquer coisa além de bondosa. Mas ele era, sob aquela fachada gentil havia algo mais.

Logo abaixo da superfície, estava o homem que abandonou Won e sua mãe, escondeu sua própria existência porque qualquer conexão com ele significava conexões com um submundo sombrio que os engoliria vivos. Esse mesmo homem fez múltiplas tentativas contra a vida de Caesar quando Caesar era apenas uma criança. Caesar, o homem ao qual Won se ligara de forma inescapável.

Essas verdades eram mais serrilhadas que as outras, arranhando a língua de Won.

Talvez as coisas pudessem ser diferentes agora que Mikhail se aposentara…

Won passou uma mão pelo cabelo para disfarçar um abanar de cabeça. Não importava: Won não tinha desejo de mencionar isso; Mikhail não precisava saber.

— Você está se alimentando bem? — Mikhail perguntou. — Está comendo refeições adequadas todos os dias?

— Sim, estou bem.

Um fio de remorso esticou-se entre eles no silêncio que se seguiu. Até recentemente, nenhum dos dois sabia da existência do outro, e Mikhail carregava algum senso de culpa pelo passado. Won preferiria deixar o passado para trás e acreditava que o contato contínuo com seu pai distante implicava isso. Não havia como mudar o que foi feito. Mikhail até dissera que faria o mesmo, dada uma segunda chance. Mas, em momentos como esses, Won sabia que seu pai sentia que falhara.

E ele insistiria em “ajudar” Won para aliviar sua mente.

O problema era que a ajuda era mais um fardo do que um benefício para Won. Era estranho, para começar. Won não era uma criança que precisava que seu pai o resgatasse de alguma trapalhada mal pensada; ele era um adulto, independente, vivendo sozinho à anos, antes de Mikhail entrar em cena. Aceitar a ajuda de Mikhail significava sentir que devia algo em troca.

Por outro lado, sendo mais conhecidos educados do que pai e filho, Won ficava vulnerável às convenções sociais. Recusar Mikhail diretamente feriu a sensibilidade de Won. Ele não podia ser tão grosseiro; sua consciência não o permitiria.

Talvez, pensou consigo mesmo, ele devesse carregar algumas representações artísticas de Cila e Caríbdis e colocá-las de cada lado, dada a frequência com que acabava nessas situações “Se fizer, está ferrado; se não fizer, também”.

— Mas você está livre por enquanto, sim? — Mikhail disse, cortando os devaneios sardônicos internos de Won. — Seu trabalho terminou, então você pode arrumar um tempo para si mesmo.

Won não podia muito bem dizer ao pai que estivera livre por quase duas semanas, então ele colocou o que esperava ser um sorriso convincente e acenou.

— Excelente. — Mikhail sorriu de volta. — Há algumas fontes termais que ouvi dizer que abriram recentemente, e reservei uma estadia para mim. Que tal vir junto?

— Fontes termais?

O pequeno brilho de entusiasmo foi suficiente para alimentar todo um discurso sobre o lugar. Com muito entusiasmo, Mikhail explicou que esse resort em particular estava muito em voga com os ricos e famosos e era altamente exclusivo – um daqueles lugares “você precisa conhecer alguém que conhece alguém”. O nome Lomonosov ainda tinha algum peso mesmo em sua aposentadoria, ele acrescentou, tocando o nariz.

Apesar de si mesmo, o interesse de Won foi despertado. Relaxar em piscinas de água fervente, refrescar-se em uma banya fumegante, soava celestial.

(Banya = Palavra Russa para Sauna)

— É altamente recomendado por quem já visitou. — Havia um brilho de cumplicidade nos olhos de Mikhail. — Algo sobre as fontes termais e as banhas lavando todas as preocupações…

— Ok. — Mikhail mal terminara a frase quando Won o interrompeu. — Sim. Eu vou.

Mikhail imediatamente se animou, e Won permitiu-se um breve momento para se sentir mal por agarrar-se à ideia com tamanha cobiça descarada, mas nenhum dos dois estava fazendo isso com motivações totalmente inocentes, então ele considerou que estavam quites nesse aspecto.

Ostensivamente, Won disse a si mesmo que a viagem permitiria passar mais tempo de qualidade com seu pai depois de ter a maior parte dele consumida por Caesar. E se Won tivesse suas próprias razões para ir? Bem, ninguém precisava saber disso, não é?

Ele estava apenas sendo justo, reiterou, um mini-Won em sua mente acenando com a cabeça e dando-lhe palmadas nas costas por tal lógica sólida. E já podia sentir os nós em seus músculos afrouxando, sua mente se acalmando.

— Quando você vai embora? — Perguntou, com um tom um tanto sonhador.

— Vou precisar arrumar algumas coisas.

Mikhail abanou a mão.

— Podemos conseguir o que você precisar. O resort é all-inclusive, então você não deve precisar de muita coisa mesmo.

E quem em sã consciência recusaria isso? Umas férias onde tudo que você precisava fazer era levar a si mesmo, como ele poderia dizer não? Won estava se sentindo muito validado em suas escolhas.

— Quando você pode se livrar dos compromissos? — Mikhail perguntou. — Vou ligar e mudar as datas para caber na sua agenda.

— Amanhã — Won disse, provavelmente um pouco rápido demais. Ele limpou a garganta. — Posso ir amanhã.

— Sério mesmo? — Mikhail disse, olhos cheios de diversão. E ele estava mais do que feliz em partir no dia seguinte se significasse fazer algo por seu filho.

Com Mikhail dizendo que mandaria um carro de manhã, Won se despediu de seu pai e seguiu seu caminho.

Saindo do café, Won apressou-se para a estação de bonde mais próxima. Mikhail havia oferecido levar Won para sua casa e fazê-lo passar a noite lá para que pudessem sair logo de manhã, mas Won recusara. Não seria bom desaparecer por uma semana sem avisar a Sra. Ivana. Além disso, vendo a hora, a Sra. Ivana já teria começado o jantar, e Won não podia, em sã consciência, deixar aquela comida ir para o lixo, nem queria que a Sra. Ivana lhe batesse.

Daí, o bonde.

Won estava passando por uma lista mental de tarefas domésticas que deveria fazer em casa antes de partir, quando todos os pelos em sua nuca se arrepiaram.

Talvez dissesse algo que Won havia se acostumado tanto com aquela sensação rastejante de pavor subindo por sua espinha que a reconheceu imediatamente, mas ele estava grato por isso neste caso.

Alguém estava o observando.

Won diminuiu os passos; quem quer que estivesse atrás dele também diminuiu. Ele acelerou; a presença acelerou por sua vez.

Certo agora de que estava sendo seguido, Won pegou seu telefone e fingiu estar em uma ligação enquanto virava bruscamente à esquerda, depois outra, e se escondeu nas sombras de uma entrada sem graça em uma rua deserta.

Ele esperou.

Levou alguns minutos para seu perseguidor aparecer, deslizando pela esquina com passos cautelosos e óculos escuros. Won não perdeu tempo enfiando o pé na barriga do homem. Pegos de surpresa, o homem caiu de costas, e Won estava em cima dele, segurando-o pelo colarinho antes que o homem pudesse se recompor.

— Por que você está me seguindo?

O homem parecia atordoado, piscando para Won com olhos grandes e estúpidos e boca aberta.

Won sacudiu-o. — Ei! Quem te mandou?!

Seu cativo ainda estava piscando para ele como um idiota, mas pareceu se recompor de uma vez. Ele deu uma cabeçada em Won, então o empurrou para longe e pôs-se de pé.

Won rolou, cabeça latejando, mas não ia deixar alguém que o seguia escapar. Ele se jogou para frente, envolvendo seus braços nas pernas do homem quando ele estava prestes a fugir, mandando os dois de volta ao chão.

Trocaram golpes. Won notou que seu oponente não era apenas um bandido aleatório; ele claramente tinha treinamento. Infelizmente, Won também. Um golpe certeiro no estômago e o homem caiu de joelhos.

Won afundou os dedos no cabelo do homem e puxou sua cabeça para cima.

—Quem é você?

Ambos estavam machucados e pingando sangue, respirando pesado.

— E-eu só estou fazendo o que me mandaram — o homem gaguejou.

— E quem te mandou me seguir? — Won exigiu.

O homem fez uma careta mas conseguiu soltar um nome, um que Won nunca teria adivinhado. Nem em um milhão de anos. Won soltou o homem depois de tirar uma foto dele. Ele foi rápido em fugir, para informar seu empregador, Won tinha certeza.

Um músculo em sua mandíbula se contraiu enquanto ele rolava por seus contatos e apertava para ligar. Pareceu uma eternidade passar depois que Ludmila atendeu sua ligação.

— Bem, eu não espera..-

— Tem algo que precisamos discutir. Em pessoa. Estarei aí dentro de uma hora.

Antes que Caesar pudesse dizer algo em resposta, Won desligou.

✦ ✦ ✦

Won teve a presença de espírito de bater antes de entrar na sala de espera, embora pouco adiantasse, pois Ludmila ainda se assustou e se levantou abruptamente da cadeira. Então ela viu quem era a visita e Won observou toda a cor drenar de seu rosto.

Ela ficava assim toda vez que Won aparecia no escritório de Caesar. Won suspeitava que seu ato de ameaçá-la com uma caneta tinteiro certa vez tivesse algo a ver com isso. Ele ainda se sentia mal por tê-la submetido àquilo, então enviou-lhe o sorriso mais caloroso que conseguiu nas circunstâncias. Por mais zangado que estivesse, Won nunca descontaria em um espectador inocente, especialmente não em um que já tinha medo dele.

A boca de Ludmila se contorceu de maneira estranha e alongada, e Won não esperava receber muito mais do que aquilo.

— O Cea… quer dizer, o Czar está disponível? — Won perguntou no tom mais suave que conseguiu. Ele já sabia que Caesar estava lá, mas preferia não piorar os nervos de Ludmila, se possível. Ela fez um movimento brusco com o queixo e um pequeno guincho que Won interpretou como o mais silencioso “sim” possível, gesticulando em direção ao escritório com uma mão trêmula.

Sorrindo para ela novamente, Won acenou em agradecimento e dirigiu-se à porta.

O sorriso evaporou assim que ele entrou. Teria sumido de qualquer forma; já começava a esmorecer no momento em que sua pele tocou o metal frio da maçaneta, mas a cena diante dele petrificou seus traços.

Aparentemente, Caesar estava tomando chá com seu primo.

O som da porta chamou a atenção de Dmitri, e ele não fez nenhum esforço para disfarçar seu desgosto ao reconhecer Won atravessando a sala.

“Maldito pirralho”, Won zombou mentalmente, mantendo sua própria expressão impassível. Ele permitiu que seu confronto infantil durasse mais um segundo antes de desviar o olhar para Caesar.

— Won. — Caesar levantou-se e contornou a mesa, puxando Won para seus braços.

Normalmente, Won tentaria evitar demonstrações de afeto quando Caesar tinha visitas, mas faria uma exceção para a companhia atual. Na verdade, ao espiar Dmitri, Won considerou fazer isso na frente dele com mais frequência. O rosto de Dmitri estava torcido em uma careta horrível, como se alguém o obrigasse a mastigar baratas.

Caesar parecia alheio ao desconforto do primo.

— O que aconteceu? — ele perguntou, acariciando o rosto machucado de Won. — Suas mãos também… — Ele clicou a língua, levantando uma das mãos de Won para examinar os nós dos dedos ensanguentados. — Você estava brigando na rua?

Gentilmente, Won retirou a mão do aperto cuidadoso de Caesar e recuou um passo. — Como eu disse, há algo que precisamos discutir. E, para minha sorte, vocês dois estão aqui.

Ele girou, direcionando-se a Dmitri, e brandiu seu telefone. — Eu… — ele abriu a foto, virou o telefone e deu uma pequena sacudida — …peguei alguém me seguindo hoje. — Dois olhares pousaram na tela, ambos imperscrutáveis. Que seja. Won tinha suas provas. Ele verificou que Caesar e Dmitri tivessem uma boa visão da imagem antes de guardar o telefone no bolso. — E eu gostaria de uma explicação.

Won manteve os olhos fixos em Dmitri, desafiando-o a apresentar suas desculpas ridículas diante do primo amado. Não havia justificativa para tê-lo seguido, ele era um membro respeitável da sociedade, sem tramas duvidosas ou esquemas malignos escondidos.

Bem… exceto por suas conexões com a máfia. Mas isso não era por escolha, então Won decidiu que não contava neste caso.

A sala ficou abafada pelo silêncio; Won arqueou uma sobrancelha para provocar Dmitri. Que justificativa possível ele poderia ter? Mas a tensão se prolongou, até que a boca de Dmitri se abriu em um sorriso satisfeito.

— Por que está olhando para mim? — ele arrastou as palavras. — Não faço ideia de quem seja esse homem.

A resposta não era totalmente inesperada, mas irritou Won mesmo assim. — Esse homem me disse que você o pagou para me seguir. Mas você está dizendo que não sabe nada sobre isso?

— Nada.

Won flexionou as mãos. Dmitri estava radiante agora. — Um conselho: você deveria tê-lo trazido com você, se ia vir até aqui. — Sua expressão era de falsa pena. — Uma mísera foto de um homem com o rosto esmurrado? Poderia ser qualquer um. Como podemos saber que você não apenas fotografou um estranho na rua? Não muito astuto para um advogado.

Won deu-lhe um olhar vazio, em parte incrédulo que alguém pudesse mentir tão descaradamente, em parte repreendendo-se por esperar empatia de um ex-agente da KGB. Dmitri foi treinado pelo governo para mentir profissionalmente, pelo amor de Deus, e Won sabia muito bem que ele não deixaria suas habilidades enferrujarem nos anos desde então. Dmitri fez um gesto amplo com os braços, simulando um encolher de ombros impotente. — Além disso, como posso confiar na palavra de algum mestiço que se passa por russo —

— Dmitri. — Bastou uma única menção de seu nome para silenciá-lo. Os olhos de Dmitri pularam para Caesar, seu lábio preso entre os dentes enquanto um silêncio desconfortável pairava na sala.

Finalmente, ele soltou o lábio e olhou para Won. — Brincadeira. Sem mágoas, certo?

Embora não fosse um pedido de desculpas direto, Dmitri parecia fisicamente dolorido por ter que dizê-lo, então foi suficiente para Won, mesmo com o sorriso feio que deformou o rosto de Dmitri depois. Won duvidava que Dmitri cederia a qualquer um que não fosse Caesar, e parecia uma concessão humilhante, a julgar pelo olhar fulminante que Dmitri lhe dirigia.

— Era isso que você desejava discutir? — A voz de Caesar era baixa, mas soou ensurdecedora no silêncio. Won virou-se para encará-lo.

— Você sabia?

Caesar sorriu em vez de responder. Para Won, isso confirmava que Caesar fora cúmplice. Se não cúmplice, pelo menos fez vista grossa enquanto Dmitri armava seu plano.

Os olhos de Won alternaram entre os dois homens. Eles não se pareciam em nada, mas naquele momento, Won pensou que eram exatamente iguais. Eles não eram barulhentos ou imprudentes; eram arrogantes, autoconfiantes, orgulhosos. Ambos faziam o que queriam sem nada nem ninguém para detê-los. Eles não ouviriam a razão porque nunca precisaram e nunca o fariam. Qualquer discussão se degeneraria em Won fazendo papel de bobo. Ele não queria lidar com nada disso.

Então, ele fez a próxima melhor coisa.

— Czar!! — Dmitri pôs-se de pé, tentando colocar-se entre eles, mas não antes que Won desferisse outro golpe sólido no plexo solar de Caesar.

Um arranque escapou de Caesar ao ter o ar expulso dos pulmões. Dmitri ficou frenético, tentando empurrar Won para longe, mas Caesar ergueu uma mão para detê-lo.

Com a outra mão apoiada no joelho, Caesar precisou de algumas respirações profundas antes de falar. — Fique fora disso.

— Mas—! Os protestos de Dmitri morreram nos lábios quando viu a ferocidade com que Caesar o encarava.

Massageando a mandíbula, Caesar arrastou os olhos de volta para Won. — Mais alguma coisa? — Ele queria saber se Won precisava de mais oportunidades para descontar com os punhos.

Won franziu o nariz, ainda estava furioso, mas havia alguém mais merecedor de sua ira. Mal havia movido o pé em direção a Dmitri, quando Caesar interpôs-se em seu caminho. — Ele não. Você pode me bater — Caesar disse.

— Czar. — Havia uma nota de admiração na voz de Dmitri, um chamado de adoração ávida por seu salvador.

Mas toda a atenção de Caesar estava em Won. — Não quero que você toque em ninguém além de mim.

Por cima do ombro de Caesar, Won viu o rosto de Dmitri se contrair em uma careta perplexa. Os olhos de Won voltaram-se para Caesar. — Não estou tocando; estou socando.

— Exatamente — Caesar murmurou, agarrando a mão de Won e beijando a pele manchada de sangue. — Então me bata.

Pela primeira vez desde que se conheceram, Won e Dmitri estavam em sintonia, ambos se perguntando por uma fração de segundo se Caesar sempre fora secretamente um masoquista.

Won imediatamente descartou a noção, interpretando corretamente o pedido de Caesar como proveniente de um simples ódio por Won se aproximar de qualquer pessoa que não fosse ele mesmo.

E olhando para Caesar, seus olhos ardiam com isso, aquele desejo insaciável de possuir Won, corpo, mente e alma, porque o amava mais que tudo.

Won teve que se perguntar de onde vinha esse acesso de paixão, mas não por muito tempo.

Ao colocar um beijo terno em cada um dos dedos de Won, as pálpebras de Caesar ficaram pesadas. — Eu nunca imaginei que te veria novamente tão cedo… se apenas eu fosse sempre tão sortudo.

Bem, Won também não esperava ver Caesar, não é? E ele teve que se controlar para não revirar os olhos diante de uma afirmação tão ridícula. Causa e efeito não significavam nada para Caesar? Não, isso não fazia sentido. Ele tinha que saber que Won só estava lá porque o haviam seguido. Então ele estava sendo deliberadamente ignorante aqui?

Won reprimiu um suspiro e deixou Caesar continuar passando os lábios por seus dedos. — O seguidor era seu?

— Não.

Caesar continuou em suas ministrações enquanto os olhos de Won se estreitavam. — Mas você sabia.

Aquele sorriso condescendente reapareceu no rosto de Caesar entre beijos. Won não sabia se Caesar era simplesmente avesso a mentir ou não sentia a necessidade de explicar o óbvio. — Pare — Won ordenou, voz cortante. Caesar imobilizou-se, olhando para Won por debaixo de seus cílios. Uma bufada inelegante veio do sofá, mas Won já esperava isso de Dmitri.

— A única razão pela qual você me seguiria — Won disse pontualmente — é por alguma paranoia fodida.

Dmitri se ofendeu com isso, como Won esperava, mas Caesar permaneceu impassível. — Você preferiria um dos meus homens? — ele perguntou. — Já que os de Dmitri são tão desagradáveis.

— Inacreditável. — Won zombou. — Por que você não me implanta um microchip logo e acaba com isso?

O comentário era para ser sarcástico, mas Caesar, é claro, pareceu levá-lo a sério. — Apenas uma coisa deve ter permissão para entrar em seu corpo, e essa coisa sou eu.

Won fechou os olhos com força e os abriu novamente, só para verificar se não estava em algum reino de pesadelo bizarro. Mas não, ficou pior.

— É muito mais seguro para você ter um acompanhante, com seu corpo tão frágil.

Um som engasgado veio do sofá. Dmitri estava no meio de um gole de chá quando Caesar disse isso, e imediatamente se engasgou. Batendo no peito, ele olhou para Caesar como se seu primo tivesse crescido duas cabeças enquanto tossia.

— Certo, eu sou fraco — Won deu a Caesar um olhar e transferiu seu peso. — De acordo com quem, exatamente?

A resposta de Caesar foi a mesma de antes. — Eu te disse, homens não desmaiam durante o sexo. Mas você desmaia. Toda vez.

Houve outro acesso de tosse de Dmitri, mas parece que ele foi inteligente o suficiente para evitar o chá até que esta conversa terminasse, e o olhar que ele deu a Won era mais horrorizado do que qualquer outra coisa. Por um momento, ele até pareceu simpático à situação de Won, como se soubesse o quão absurdo isso era e sentisse pena de Won por ter que passar por tal provação torturante. Era estranho, e Won estava prestes a dizer que não era verdade quando Caesar continuou.

— Você sabe o quanto eu tenho que ser cuidadoso com você; você não sobreviveria de outra forma. — Um músculo perto do olho de Won se contraiu. Ele mal estava sobrevivendo agora! Won não queria saber como seria Caesar sem restrições, se isso era o que ele chamava de cuidadoso. Já estava no ponto do absurdo e, francamente, Won já estava farto. Casais normais faziam sexo uma, talvez duas vezes por semana, e embora Won não tivesse se preocupado em corrigir os equívocos de Caesar até agora, a maneira como Caesar olhava para ele como se fosse uma flor delicada constantemente à beira de murchar fazia seu sangue ferver.

— Eu não sou feito de vidro, você sabe disso, certo? — Won deu a Caesar um olhar duro. — Já que parece que você esqueceu, deixe-me lembrá-lo de que eu estava nas forças especiais. Não é meu problema que você seja um animal.

O sorriso condescendente voltou, o aperto de Caesar na mão de Won se intensificando. — Mmm, você pode atirar e tudo mais.

— Sim, eu posso — Won disse entre dentes. — Então não há mais necessidade de me seguir, certo?

— É para sua proteção.

Se pudesse fazer isso sem parecer ridículo, Won teria erguido a cabeça e gemido para o teto. Talvez para Caesar a desculpa da proteção fosse verdadeira, mas Won comeria seu próprio pé esquerdo antes de acreditar que Dmitri tinha feito aquilo “pela sua proteção”. De jeito nenhum. Se Caesar não estivesse presente, Dmitri se levantaria na mesma hora e o estrangularia, Won não tinha dúvidas.

— Tá bom. — Won sabia reconhecer uma causa perdida quando via uma. Arrancando a mão do aperto de Caesar, ele recuou para colocar alguns metros de distância entre eles. — Mas vamos discutir isso depois. — Ele ergueu um dedo. — Sem sexo.

Dmitri parecia ter cheirado algo repugnante, e Caesar franzia a testa, mas Won não ia desperdiçar seu fôlego com um par de paredes de tijolos, não importa o quanto quisesse bater algum senso nas cabeças deles. Maldita máfia.

Um silêncio pensativo pairou sobre a sala após a saída de Won. Dmitri escorregou no sofá, observando os longos dedos do primo considerarem os charutos. Seus olhos estavam vazios, porém, demasiado ocupados analisando o que acabara de acontecer para realmente ver.

“Seus planos haviam descarrilado muito rapidamente.”

Dmitri sabia da visita de Won antes de sua chegada, então nenhuma surpresa lá. Dmitri tinha, no entanto, acreditado que o advogado seria muito mais tenaz. Raivoso. Ondear a bandeira branca tão cedo era fora do personagem; o garoto advogado deveria estar espumando pela boca para conseguir algumas farpas verbais ou físicas.

Só para piorar, recuar como um covarde era tão… antitético a tudo em que Dmitri acreditava, que o deixou balançando à beira da irritação por puro princípio. Uma exibição patética como aquela não tinha lugar na frente do Czar; o idiota que a perpetrou não era digno de estar na presença do Czar.

O olhar de Dmitri deslizou para o rosto do primo, absorvendo a perfeição de seus traços. Caesar fora o objeto de suas obsessões desde a infância. A razão pela qual ele vivia e respirava – tudo era por Caesar. Os olhos de Dmitri traçaram o contorno régio da testa do primo, desceram para os longos cílios delicados e íris da cor de prata límpida, percorreram maçãs do rosto finas e um maxilar afiado.

“Ele era sublime, a apoteose da beleza masculina.”

E ele era lindo. Não era uma palavra frequentemente usada para homens, mas era o único descritor digno de alguém tão requintado. Alguém que poderia cortar as gargantas de seus inimigos sem nem mesmo curvar os lábios ou contrair a sobrancelha. Ele não fugia nem buscava violência, paz ou caos. Existia como o ser perfeito. O epítome do que um homem deveria ser, nos olhos de Dmitri. Tudo que Dmitri poderia desejar, nenhum aspecto deixando a desejar.

Até que aquele maldito advogado de merda apareceu e estragou tudo.

Caesar não capitulava. Caesar não farreava. Ele não cobiçava ou se encolhia ou se compadecia. Ele não sentia nada e isso era uma obra de arte. Ele era uma obra-prima, moldada e reformada até que qualquer sinal de imperfeição, o menor defeito fosse eliminado para criar um homem de mármore. Maior que Davi. Acima de todos.

Mas Won apareceu e soprou vida naquele coração de alabastro, fez Caesar sentir. Maculou-o. E Dmitri não ficaria parado.

Ele sempre odiara Pigmaleão. E ainda assim, um cantinho de sua mente sussurrava para ele, havia algo naquele advogado. Dmitri franziu o cenho. Duvidava que Caesar tivesse prestado muita atenção, mas o homem que Dmitri contratou para perseguir Won praticava MMA profissional antes de se tornar mercenário. Se Won fosse um zé-ninguém mundano como alguém como ele deveria ser, teria caído com um só golpe. Mas não caiu. Pelo contrário, Won havia espancado o capanga de Dmitri, feito ele revelar seu nome. Tirado uma foto dele! A parte vingativa de Dmitri queria rir com desdém, mas seu lado pragmático tinha que considerar a predisposição antinatural do garoto-advogado para a sobrevivência.

O que tornava a conversa entre Won e seu primo tão desconcertante.

Por mais que relutasse em admitir, Dmitri estaria mentindo se dissesse que Won não era capaz. Mesmo vestido, não era difícil discernir a musculatura magra e a estrutura equilibrada. Ele era resistente, sólido, obviamente cuidava do corpo até certo ponto. Provavelmente proficiente em algumas escolas de artes marciais, Dmitri calculou.

“E Caesar o chamou de fraco.”

Dmitri também ficaria irritado, se fosse Won. Não que o garoto advogado fosse páreo para o Czar – Caesar praticamente o ofuscava – mas Won não era um incompetente.

— Dmitri.

— Mm.

A resposta foi automática, o foco de Dmitri se voltando para Caesar antes mesmo que ele percebesse que o fazia.

Caesar acionou o isqueiro, aproximou a chama da ponta do charuto. — Você sabia de tudo antes da chegada de Won.

Não era uma pergunta. Dmitri ergueu o olhar para encontrar o de Caesar, tensionou o maxilar.

Algumas baforadas acenderam o charuto, a brasa brilhando em vermelho-carmesim quando Caesar deu uma tragada profunda. — Então, me diga: o que Won estava fazendo hoje? Com quem ele estava?

Dmitri manteve a expressão neutra, mas internamente, ele lutava entre a fúria e o desânimo. Não era por isso que ele mandara seguir o advogado. Ele esperava livrar-se do bastardo, não dar a Caesar mais poder para persegui-lo. Mas é claro, era por isso que Caesar não corrigira as suposições de Won antes; ele vira uma oportunidade que poderia explorar para si mesmo.

Caesar o observou por trás da escrivaninha; o olhar imperioso penetrou sob a pele de Dmitri, cutucando cada vez mais fundo a cada segundo que passava. Ele adiou a resposta o máximo que pôde, mas aquele olhar não toleraria mais demora. Dmitri engoliu seco. — Ele irá visitar algumas fontes termais com Mikhail amanhã.

O olhar de Caesar ficou afiado, penetrante mesmo por trás da nuvem de fumaça. Ele virou o rosto para o lado, soltando uma longa baforada branca pela boca. Seus olhos nunca deixaram Dmitri.

— Continue.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

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Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
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