Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 20 Online


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 Capítulo 20

— Meu tigre, escondendo uma Grushenka dentro. Eu nunca teria imaginado.

Havia um ar de reverência na voz de Caesar. Won inclinou a cabeça para trás para encontrar Caesar olhando para ele, rosto cheio de admiração, e Won sentiu o pênis de Caesar se contrair profundamente em sua barriga.

Caesar ainda estava duro e grosso dentro dele, enfiado até o fundo; e Won sentiu seu próprio pênis se agitar apesar do sêmen ainda escorrendo por seu peito. Quanto tempo Caesar poderia aguentar? Ele poderia simplesmente continuar duro? Ele não tinha um período refratário, ou ele apenas tinha um controle excepcional sobre quando gozar?

Curioso, Won estava prestes a dar voz às suas perguntas quando Caesar olhou profundamente em seus olhos, depois diminuiu a distância entre eles e pressionou seus lábios contra a pele encharcada de suor, traçando a curva das maçãs do rosto de Won, descendo mais, até seu maxilar e qualquer coisa que Won estivesse prestes a dizer ficou presa em sua garganta, bloqueada pela excitação que ali se acumulava, enquanto Caesar beijava um rastro até sua orelha.

— Você não sabia? — murmurou Caesar, mordiscando o lóbulo. — Que foi uma atuação?

Um delicioso arrepio percorreu a espinha de Won, seus olhos cerrando-se, até que o prazer de Caesar sussurrando em seu ouvido se dissipou o suficiente para que as palavras penetrassem. Seus olhos se arregalaram; ele se afastou o suficiente para olhar Caesar nos olhos.

— Uma atuação…?

Caesar cantarolou, deu um pequeno aceno de cabeça.

Won examinou o rosto de Caesar, esperando uma piada final que nunca veio. Quando Won permaneceu perdido, a testa de Caesar franziu. — Dmitri deveria…

— Dmitri me disse que você estava morto.

Caesar se engasgou com uma respiração forte. — Então você… — Ele hesitou diante da devastação que obscurecia o rosto de Won. — Todo esse tempo… você não tinha ideia…?

Mordendo o lábio, Won deu o mais leve balanço de cabeça, sem querer desviar o olhar, sentindo como se Caesar pudesse desaparecer no momento em que ele estivesse fora de vista.

A mão de Caesar apertou sua nuca, possessiva, ancorando-o; e eles ficaram olhando nos olhos um do outro por um longo momento antes que uma pergunta queimasse no fundo da mente de Won e ele teve que perguntar: — Espere, mas… você também não sabia que eu estava aqui?

— Não — disse Caesar, mais um suspiro do que um som.

— Que diabos você está fazendo aqui então?

Caesar inclinou a cabeça, sorriu um pouco para a confusão de Won. — Precisamos de soldados.

— Soldados?

— Se alguém realmente quer erradicar os ratos em seu meio, os exterminadores não podem vir de dentro. Se a notícia se espalhar, acabou antes mesmo de você começar.

— Você quer dizer sobre você não estar morto? — questionou Won.

— Isso, e — os olhos de Caesar brilharam — o fato de que todos eles estão prestes a ser eliminados.

Won mordeu com mais força o canto do lábio. Aquele homem, ali, agora, o homem que havia empalado e aberto Won em seu pênis desumanamente grande, estava sorrindo alegremente sobre todas as pessoas que ele estava prestes a assassinar.

Bem, Won disse a si mesmo ironicamente, “Não dá para voltar atrás agora.”

Won havia tomado sua decisão e, com ela, se alinhado com o chefe da máfia para acabar com todos os chefes da máfia; e não era como se ele pudesse alegar ignorância e dizer que pensava que Caesar era um homem legal com um emprego das nove às cinco, uma casa nos subúrbios e um sedã de médio porte. Não, seria política de máfia, uma mansão enorme e carros de luxo a partir de agora. Ele havia escolhido seu destino, e Won o enfrentaria como fazia com tudo mais.

Erguendo o queixo, Won contemplou seu futuro, no exato momento em que o sol do final da tarde banhava o quarto em rosas e dourados espetaculares, tão brilhante que Won teve que apertar os olhos, lacrimejando com o brilho.

Logo, o sol afundaria e o requintado banho de cores desapareceria; mas, por enquanto, elas o envolviam suavemente, se aninhando ao redor de Caesar, como se ele fosse um anjo de luz, Lúcifer descido do alto, cabelos loiros pálidos dourados por raios de sol cristalinos, pele clara como mármore luminescente, olhos cinzentos cintilando sob raios áureos e Won queria se lembrar desse momento para sempre; esses segundos fugazes de tranquilidade etérea, com a forma sobrenatural de Caesar impressa em brilhantes explosões solares na parte de trás de suas pálpebras para sempre.

Era indescritivelmente lindo.

Caesar começou a balançar os quadris mais uma vez, e Won gemeu, sentindo-se perfeito.

Mas a pequena parte responsável dele tinha os olhos fixos no relógio. Ele suspirou em derrota.

— Não podemos demorar muito — disse ele a Caesar entre gemidos. Se a última vez serviu de indicação, Caesar poderia aguentar dias, e eles não podiam ficar no quarto, transando no chão para sempre, por mais agradável que soasse.

Aparentemente despreocupado, Caesar deu mais alguns giros lânguidos dos quadris, sua enorme grossura esticando Won exatamente certo; e Won engasgou, sentindo o peso deslocar suas entranhas para abrir espaço para si.

Sem pensar, Won deitou-se e ergueu os joelhos, abrindo-se o máximo que pôde. Caesar o seguiu para baixo, apoiou seu peso nos cotovelos perto da cabeça de Won.

Uma respiração e ele começou a estocar: estalos secos de seus quadris, enfiando seu pênis o mais fundo que ia estabelecendo um ritmo punitivo, forçando pequenos suspiros dos lábios de Won involuntariamente cada vez que a cabeça romba parecia bater contra seu diafragma, tão fundo em sua barriga, cada gemido ecoado pelo tapa lúgubre dos quadris de Caesar contra os seus.

Quase antes que percebesse, o segundo orgasmo de Won rugiu através dele; e tudo o que ele pôde fazer foi deitar-se sob Caesar, tremer com os abalos secundários e aguentar, enquanto Caesar buscava sua própria libertação, em uma batida implacável e interminável.

Finalmente, o ritmo brutal vacilou; Caesar penetrou Won uma, duas vezes, e Won sentiu um fluxo interminável de sêmen, corda após corda do gozo de Caesar, enchendo-o até a borda.

✦ ✦ ✦

Após uma eternidade, passos alcançaram a sala de estar, e todos se viraram para encarar o retorno dos dois homens, apreensão clara em cada rosto. O que diabos aconteceu?

Eles estavam bem?

Nenhum dos dois revelou nada, suas expressões assiduamente neutras; mas a gravata do Czar estava torta, e o cabelo do jovem mestre estava espetado atrás. E olhem só: não era aquele um hematoma no rosto do Czar? Eles estavam brigando?

Os homens da Bratva trocaram olhares nervosos, apreensivos, esperando que algum dos dois homens começasse a falar.

— Bem? — insistiu Mikhail quando não aguentou mais a tensão. — Como foi? Os termos foram aceitáveis?

— O quê?

Won piscou, confuso, até que a névoa pós-sexo em sua cabeça se dissipou e ele se lembrou do pretexto para terem saído. — Ah! Oh sim. Conseguimos termos favoráveis para ambas as partes. — Ele flagrou Caesar olhando para ele pelo canto do olho.

— Provavelmente — corrigiu ele.

Caesar lançou-lhe um sorriso plácido, depois direcionou seu olhar para Mikhail. — Sr. Lomonosov… seria possível continuar esta discussão em particular?

Enquanto Caesar e Mikhail foram finalizar seus planos, Won também se viu sozinho em outro quarto, em um sofá macio sentado diretamente em frente a Dmitri.

Com movimentos indolentes, Dmitri produziu um charuto, acendeu-o e apreciou algumas baforadas antes de colocá-lo no cinzeiro.

— Se divertiu? — Ele meneou as sobrancelhas, depois deixou a língua para fora e fez alguns gestos obscenos.

Won se forçou a não fazer careta. — Não foi ruim. — Ele encolheu os ombros, casual. — Ainda há algumas arestas a serem aparadas, no entanto.

Dmitri zombou, narinas dilatadas. — Você tem um desejo de morte ou algo assim, garoto advogado? Sei que você mal sobreviveu da última vez, e você está fazendo uma caça ao coelho soar muito bem agora.

Won inclinou a cabeça, mas não disse nada, o rosto ainda cuidadosamente inexpressivo.

Um sorriso cruel curvou os lábios de Dmitri. — Antes? Aquilo era brincadeira de criança. Se eu realmente quisesse você morto, eles teriam sorte de encontrar alguns pedaços de pele para usar no seu funeral, e você faria bem em se lembrar disso. Você está vivo pela bondade do meu coração, não abuse.

— Nem sonharia com isso.

A resposta despreocupada de Won fez Dmitri hesitar. Ele olhou Won de cima a baixo, olhos faiscantes.

— Ah — interrompeu Won, ingênuo. — Ouvi dizer que você planejou tudo isso com Caesar.

Dmitri ergueu uma sobrancelha. — Planejamos. Temos um problema com ratos que precisa de atenção.

Havia mais do que uma pitada de arrogância na maneira como ele disse isso, como se quisesse deixar claro que Caesar o escolheu para planejar, e não Won.

— Torna suas cagadas ainda mais lamentáveis.

Dmitri hesitou. — Com licença?

— Não se preocupe, sei que você tentou. — O sorriso de Won era sarcástico. Então vou guardar para mim. Por enquanto.

Dmitri zombou, imperturbável pela ameaça ambígua.

— Você tem uma coleção considerável de bens escondidos, Dmitri Sergeyev.

Won piscou para ele com falsa inocência. O sorriso arrogante de Dmitri evaporou.

— Há todas as propriedades e contas que entraram em sua posse enquanto trabalhava para a KGB, é claro, mas todos os bens offshore são o que há de mais interessante, não acha? As contas bancárias suíças eu esperava, mas a Alemanha foi uma surpresa. Depois, há as propriedades na França e no Japão. Tão cosmopolita.

Won estalou a língua. — Ah, mas como eu poderia esquecer? Seu clube. Milhões de rublos em tráfico de drogas, o centro de uma extensa rede de prostituição. Empreendedorismo bastante impressionante.

— E? — exigiu Dmitri. O que ele se importava se Won soubesse de alguma dessas coisas?

Won o encarou, o rosto vazio de emoção. — Você não tem ideia de por que eu tenho ficado aqui?

Dmitri bufou. — Porque você veio se acovardar atrás das pernas do papai.

— Incorreto. — Won recostou-se em seu assento e cruzou os braços. — Estou aqui porque tudo o que eu poderia precisar está ao meu alcance: históricos de transações ilícitas, perfis completos de qualquer pessoa com ligações com a máfia, décadas de escrituras, contratos, evidências.

Dmitri lançou-lhe um olhar penetrante.

— Eu sei tudo o que há para saber sobre você, Dmitri Sergeyev, desde o dia em que você parou de usar fraldas, até como você toma seu café, até suas posições favoritas para foder e ser fodido.

Dmitri passou a língua pelos dentes, lançou olhares fulminantes, enquanto um leve sorriso aparecia nos lábios de Won.

— Eu estava sob a impressão de que você havia traído Caesar e estava preparando minha própria vingança, veja bem — explicou Won. — Mas vou deixar todas as suas falhas de lado por enquanto, vendo que você realmente fez o seu melhor, mesmo que o seu melhor tenha sido insuficiente. — Won deixou isso penetrar por um momento. — Mas eu sugeriria ser um pouco mais cuidadoso no futuro.

Won sorriu para ele, enquanto Dmitri zombava de volta, os olhos brilhando com malícia reprimida.

— Seus dias estão contados, garoto advogado, e eu estou contando.

— E eu vou garantir que você não tenha um copeque no seu nome e que passe suas noites dormindo em um banco na estação Kursky mais rápido do que você pode piscar — respondeu Won, despreocupado.

Com o rosto contorcido de raiva, Dmitri levantou-se bruscamente e saiu furioso sem dizer mais uma palavra.

Sorrindo para si mesmo, Won saboreou sua vitória. Mas não durou muito, porque mal Dmitri saiu, outra pessoa entrou.

— Garoto — assobiou Leonid, entrando despreocupadamente, mãos nos bolsos. — Eu sabia que você estava tramando algo grande, mas isso é uma sacanagem sorrateira, hein?

— Da última vez que verifiquei, era rude escutar atrás das portas, Leonid — retrucou Won.

— Eh. — Leonid encolheu os ombros. — É meio que parte do trabalho e eu sou bom no meu trabalho. — Ele piscou. Won fez uma careta. — De qualquer forma — continuou Leonid — aguentar todos os olhares furiosos e comentários sarcásticos do Sr. Lomonosov por importunar provou valer a pena. Nunca há um momento de tédio com você por perto. Acho que peguei um certo apreço por você, garoto.

— Parabéns.

— Aqui tenho algo para você. — A declaração foi acompanhada por Leonid enfiando a mão no bolso interno do paletó e oferecendo algo pequeno e retangular.

Um cartão de visitas, Won percebeu ao aceitar relutantemente o presente e examiná-lo. O papel era de uma espessura de bom gosto, a coloração sutil um leve brilho perolado quando inclinado na luz, a escrita estampada em folha de ouro.

Leonid

Assassino Profissional.

Precisa de um assassinato?

Qualquer um, a qualquer hora, em qualquer lugar.

Divertido, Won ficou tão imóvel por tanto tempo que Leonid bateu na parte de trás do cartão. — Este número é só para você nunca dei para mais ninguém — disse Leonid, parecendo altamente autocomplacente enquanto Won examinava o número de celular rabiscado no cartão brilhante. — Se você precisar de alguma coisa, me dê um grito. Não importa onde ou quando, eu estarei lá.

Won olhou para Leonid, sobrancelhas erguidas. Leonid sorriu. — Você precisa que alguém seja cuidado, eu te cubro.

Com isso, Leonid enfiou as mãos de volta nos bolsos e assobiou uma melodia alegre enquanto se afastava.

Won o observou ir, depois olhou de volta para o cartão e balançou a cabeça, perplexo.

“Não podia ser normal estar cercado por tantas pessoas obcecadas por assassinato, podia?”

Com um suspiro, ele se jogou de volta no sofá e fechou os olhos.

✦ ✦ ✦

Era um dia estranho no aeroporto. Não por nenhuma das razões usuais que se poderia esperar. Havia essas também, é claro: câmbios de moeda que deram errado, bagagens desaparecendo, passageiros beligerantes exigindo upgrade para a classe executiva, crianças chorando aparentemente sem responsáveis. Sim, todas as crises aeronáuticas regulares estavam a todo vapor. O que era estranho, no entanto, era o grupo conspícuo de homens esperando na área de desembarque. Todos eles passaram grande parte do dia vagando pelos portões, suspirando, verificando os painéis de voo a cada poucos segundos, apenas para suspirar e voltar a girar os polegares e esperar.

Pelo quê, era um mistério.

Estava movimentado naquele dia. Mais do que a maioria. Uma tempestade havia caído sobre a cidade, deixando os viajantes presos até que passasse. Agora que havia passado, o terminal estava superlotado, passageiros escorrendo para qualquer espaço disponível, lançando olhares significativos para a congregação de ternos para indicar que eles, talvez, devessem ocupar um pouco menos de espaço.

Os homens suportaram os olhares curiosos, recusaram-se a ceder apesar da escassez de espaço e do excesso de pessoas, até que-..

— Ali!

O grupo girou, olhos fixos em um dos portões. Então, eles correram. Como uma massa sólida e amalgamada, eles atropelaram qualquer um em seu caminho enquanto corriam para a próxima área de desembarque.

— Bem-vindo de volta, chefe! — Urikh curvou-se profundamente; os transeuntes olharam fixamente.

Sasha não respondeu à saudação. — Vocês estão aqui, por quê?

Urikh endireitou-se enquanto os homens atrás dele trocavam olhares cautelosos. Não dava para saber se Sasha estava zangado ou satisfeito, sua voz baixa clínica, expressão vazia.

— Para… hum, escoltá-lo de volta…? — Urikh fez uma careta e se interrompeu. A presença de Sasha era sufocante, seu olhar mais pesado que qualquer pedra. Seus olhos percorreram o grupo de homens reunidos diante dele em algumas piscadelas lânguidas.

— Vocês não deveriam ter vindo.

Os homens estremeceram, encolheram-se. Quando voltaram a ter consciência de seus arredores, Sasha já estava a meio caminho das portas de saída, e eles tropeçaram uns nos outros para alcançá-lo.

Embora os capangas de Sergeyev fossem obstrutivos, no que diz respeito às coisas, Sasha era francamente impressionante. Ele atraía olhares onde quer que fosse, independentemente da presença de seus lacaios. Como não? Seu cabelo branco-loiro, embora salpicado de mechas brancas puras à medida que envelhecia, absorvia a luz ao seu redor, brilhava com um penteado meticuloso. Seu terno era impecável e obviamente feito sob medida, mesmo para um leigo, e sua marcha imponente lhe dava ares de possuir qualquer espaço em que entrasse. Juntamente com o tapa-olho preto cobrindo um olho, Sasha tinha uma figura marcante, difícil de ignorar, terrível de se ver, exigindo respeito apenas com sua presença.

Qualquer um em seu caminho desaparecia assim que ele se aproximava.

No carro, o motorista pegou o casaco de Sasha e abriu a porta para ele, depois apressou-se para a frente enquanto Urikh corria para o lado oposto do veículo e deslizava para o banco de trás. O carro de luxo afastou-se da calçada. Os capangas entraram desajeitadamente em seus próprios carros e desviaram atrás dele.

Em segurança na estrada principal, Urikh umedeceu os lábios e se preparou. As pernas de Sasha eram muito longas para que o assento fosse confortável, mas ele se encolheu e recostou-se no apoio de cabeça, seus olhos fechados e Urikh estava relutante em perturbá-lo.

Mas perturbá-lo ele devia; então, não sem mais do que um pouco de apreensão, Urikh pigarreou.

— E-eu tenho certeza… bem, você provavelmente já ouviu as notícias…

— As notícias sobre perder meu herdeiro e sobre alguém que quer tomar o lugar dele? Eu ouvi, sim.

Urikh engoliu em seco, fazendo tentativas inúteis de ler o humor de Sasha. Ele pigarreou novamente. — Sim, essas notícias. Mas, bem, a coisa é que há muita… conversa. Algumas pessoas estão dizendo que o Czar está morto porque Tyutchev o assassinou…

— Então ele está?

— Desculpe?

— Morto. Ele está morto?

Urikh sobressaltou-se com a pergunta, tentou acalmar seu batimento cardíaco acelerado. Seu único consolo era que Sasha não havia se movido, exceto para falar, e que seus olhos ainda estavam fechados. — Bem, eu… hum… essa é a parte estranha, por assim dizer. Ninguém viu o corpo. Há alguns rumores de que foi para evitar uma investigação policial… e você sabe como é fácil se livrar de um corpo, chefe, mas… ninguém tem certeza… e, sim.

Sasha não teve reação a essa informação, permitiu que Urikh gaguejasse e divagasse até que sua coragem se esgotasse e ele se calasse. Nenhuma reação, isto é, além de uma minúscula contração no canto de sua boca que Urikh teria perdido se não estivesse observando tão de perto.

— Que surpresa.

— C-chefe?

Urikh estava confuso, temia ter irritado o chefão; mas Sasha não disse mais uma palavra durante o resto da viagem.

✦ ✦ ✦

— Claro. Estaremos ansiosos por isso.

No momento em que a chamada terminou, a fachada obsequiosa de Tyutchev escorregou, e ele se virou para se dirigir às outras pessoas na sala, esperando para ouvir as notícias.

— Sasha chegou — anunciou ele. — Urikh está com ele agora, a caminho do aeroporto.

Tyutchev não perdeu a maneira como todos trocaram olhares inquietos. Isso não daria certo. Isso não daria certo de jeito nenhum.

— Camaradas! — exclamou ele. — Chegamos até aqui; não há outro caminho senão seguir em frente! Sasha será persuadido, não importa o custo. — Ele lançou a todos um sorriso bajulador. — Não vamos esquecer que todos os camaradas leais também serão generosamente recompensados.

A tensão na sala diminuiu, e Tyutchev se alegrou em particular. Tudo estava se encaixando; o Sindicato era praticamente dele! A vitória estava tão perto que ele podia senti-la. Ele já tinha os nomes daqueles que questionavam sua causa ou se rebelavam abertamente. Uma vez nomeado herdeiro, a grande purga começaria. Então, nada ficaria em seu caminho.

Finalmente, ele conseguiria o que merecia.

O espectro entre eles, os altos escalões do Sindicato apressaram-se a se preparar para as fases finais dos esquemas de Tyutchev. Aqueles que conspiravam com ele tinham certeza de que, com o Czar fora do caminho, tudo o que restava era Sasha entregar o Sindicato ao novo herdeiro, e seria isso.

Assim, eles se reuniram.

Carros de luxo elegantes pararam em frente ao escritório do Sindicato, deixando homens, um após o outro; e eles seguiram para a sala de conferências, ficaram em pequenos grupos e se vangloriaram de seus status e poder recém-conferidos, cada um dos apoiadores leais de Tyutchev.

Flutuando no ar, Tyutchev fez suas rodadas, apertando mãos, sorrindo, acenando com a cabeça. Tudo estava indo de acordo com o plano, e nada poderia arruinar seu bom dia.

A sala de conferências fervilhava de conversas; e, secretamente, Tyutchev estava satisfeito com quantos estavam do seu lado. Com esses números, eles poderiam dobrar Sasha à sua vontade, que se dane o poder.

Ele se aproximou dos homens com seus coquetéis, bajulou cada um por um trabalho bem feito, garantiu-lhes que as recompensas superariam seus sonhos mais loucos — quando uma pessoa fez uma pergunta decididamente indesejada.

— Mas onde está Dmitri? — perguntou o homem. — Ele não vem?

Houve alguns balanços de cabeça.

— Ocupado com alguma coisa ou outra, tenho certeza — foi a resposta. — Não é como se o quiséssemos aqui de qualquer maneira.

Eles riram, mas a voz do próximo homem era sombria. — De fato. Sasha já será o suficiente para lidar.

Todos acenaram com a cabeça desta vez.

— Temos que ser cuidadosos — disse um homem com um arrepio. — Muitos permanecem leais e não podemos correr o risco de ofendê-los e fazê-los se voltar contra nós.

— O próprio Sasha não é para ser desprezado — acrescentou outro. — O Czar era horripilante, mas Sasha é quem criou o monstro, lembrem-se.

— Eu poderia ter vivido feliz o resto da minha vida sem nunca mais pôr os olhos em Sasha novamente — confessou um terceiro homem, parecendo perturbado.

Murmúrios de concordância percorreram a sala. Tyutchev já tinha tido o suficiente.

— Silêncio! Onde foi parar toda a sua bravura? Sua coragem? — exclamou ele. — Estamos aqui, para o bem ou para o mal! Não há como voltar atrás agora!

O acesso de raiva deixou todos suficientemente intimidados, mas Tyutchev ainda fervilhava. Sasha era o obstáculo final, mas possivelmente intransponível, e perder aqui significava que tudo seria em vão. Tyutchev conseguiria a aprovação de Sasha; ele tinha que conseguir!

O homem de vigia do lado de fora invadiu a sala, ofegante. — Ele está aqui!

A ansiedade percorreu a multidão. Ninguém falou quando a forma imponente de Aleksandr Sergeyev apareceu na porta. Todo o senso de bravata e presunção perdido.

Sasha estava igualmente quieto, passos medidos ensurdecedores no silêncio frágil enquanto ele seguia para a frente da sala.

A atmosfera não melhorou depois que todos se sentaram à longa mesa de conferências. Sasha sentou-se na cadeira principal como um monarca de outrora, examinando seus súditos com um olhar penetrante e um ar expectante — Falai, se quiserdes, ele comandou com seu silêncio.

Até agora, ninguém fora bravo o suficiente. Eles evitaram seu olhar, parecendo, apesar de tudo, cordeiros sendo levados para o abate.

Uma última varredura da sala, e Sasha teve pena dos pobres cordeiros.

— Muitos estão faltando.

A primeira coisa que Sasha lhes dissera em anos; sua voz não continha emoção, mas queimava da mesma forma. O murmúrio de desculpas em pânico — Não é estranho? Mas ele sempre está aqui; onde ele está agora? Suponho que ele teve um compromisso anterior. Bastante rude, não é? — começou imediatamente depois.

Tyutchev estava quase divertido, mas ele optou por usar a situação a seu favor.

— Tem havido uma gripe por aí. Horrível, na verdade. Passarei a ata da reunião mais tarde. Eu os informei sobre seu retorno, mas… — Ele balançou a cabeça com fingida exasperação. — Difícil administrar os negócios adequadamente com tantos não levando a sério.

Aí estava: agora ele tinha uma justificativa para os assentos vazios, adiantando-se às suspeitas de Sasha. Ele estava satisfeito.

Os outros homens ao redor da mesa, discutindo por meio de gestos silenciosos enquanto Tyutchev falava, sobressaltaram-se e encontraram pontos interessantes nas paredes para estudar quando perceberam que ele havia terminado. Aquele que havia tirado a palha mais curta em seu jogo silencioso de pedra, papel, tesoura pigarreou.

— Ah, sim, hum… estamos numa crise bastante grande no momento. Quanto mais cedo, hum, quanto mais cedo um novo herdeiro for escolhido, mais cedo as coisas poderão voltar ao normal…

Um homem se manifestando deu a todos a permissão para reclamar; as comportas que retinham as “queixas” do resto dos presentes se abriram.

— Tem sido um pesadelo! Se você não vai ficar por perto, por favor, pelo amor de Deus, escolha um herdeiro.

— O Sindicato está prestes a desmoronar, pelo amor de Cristo.

— Por que você não diz nada? Você está nos ignorando? Você não se importa?

E assim por diante.

O olhar de Sasha viajou de um rosto para o outro, tão reticente quanto no início. Eventualmente, o resmungo diminuiu, e todos esperaram com a respiração suspensa que Sasha dissesse algo.

Qualquer coisa.

Uma vez que estava absolutamente silencioso e os homens do Sindicato se contorciam de desconforto. Sasha considerou que era hora de falar.

— Bem, então — começou ele. Todos fizeram uma careta. — Quem será?

No mar de tensão, Tyutchev prontamente se levantou. — Eu fui escolhido. Todos os presentes concordam. Tudo o que preciso é da sua bênção, se você a conceder.

Ele parecia presunçoso ao fazer sua declaração, orgulhoso e pretensioso. Os olhos da audiência saltavam entre Tyutchev e Sasha, inseguros se deveriam aplaudir ou vaiar até que Sasha deixasse sua opinião clara.

Sasha o considerou por um tempo e então: — Muito bem.

A aprovação discreta pegou todos desprevenidos. Sasha estava falando novamente antes que eles pudessem se recompor.

— A única coisa que importa no submundo é o poder — continuou Sasha. — E se você é aquele com mais influência, então que assim seja. Os ausentes perderam a oportunidade de opinar. Nomearei Tyutchev meu herdeiro.

Com tempo agora para compreender o que estava acontecendo, um alívio exultante floresceu no ar. Ainda assim, se um leitor de mentes estivesse presente, teria notado que as reações à decisão de Sasha eram decididamente mistas. Embora Tyutchev acreditasse o contrário e, externamente, ninguém estivesse visivelmente consternado muitos dos homens na sala foram simplesmente arrastados por seus planos; eles não tinham certeza se gostavam dos esquemas de Tyutchev, mas não tinham a segurança e/ou a coragem de se opor a ele.

É claro que o número de pessoas comemorando abertamente foi suficiente para encobrir quaisquer deslizes na fachada. Os homens aplaudiram e deram tapinhas nas costas uns dos outros, banhando-se em sua vitória, nenhum mais do que o próprio Tyutchev.

“É meu!” Ele riu consigo mesmo enquanto se sentava novamente, quase esfregando as mãos como um vilão de desenho animado. E todos aqueles que se opuseram a mim podem apodrecer no inferno!

Ele se sentia no topo do mundo.

— Assim no mundo — uma voz cortou a conversa. — “Está bem provido de homens, e homens são carne e osso, e apreensivos.” — Veio de fora; os olhos de todos se voltaram para a porta. — “Contudo, no número, conheço apenas um que inabalavelmente mantém sua posição, imóvel: e esse sou eu.”

A última frase reverberou em seus ossos, enviou arrepios por suas espinhas. Uma figura imensa surgiu na entrada. Houve suspiros e engolidas em seco, enquanto o único olho visível de Sasha tinha um brilho conhecedor, e algo como um sorriso puxou sua boca.

O herdeiro estava vivo. Ele havia retornado.

Caesar estava alto, seu casaco drapeado sobre os ombros, seu terno impecável como sempre. Ele examinou a sala. Poder-se-ia confundi-lo com Sasha em seus anos mais jovens, eles se pareciam tanto.

O silêncio era sufocante.

— C-como?! — balbuciou Tyutchev, o único bravo o suficiente para falar.

Caesar caminhou até a cabeceira da mesa, sentou-se ao lado de Sasha, apoiou o cotovelo no braço da cadeira e apoiou a cabeça na mão, como se não tivesse acabado de voltar dos mortos.

— Agora, onde estávamos? — perguntou ele, olhando para cada homem um por um. — Nomeando um novo herdeiro, não era?

Houve uma inspiração unificada, e Tyutchev soube que estava cercado por idiotas inúteis. Se ele quisesse sobreviver a isso, teria que se salvar sozinho. Ele se levantou bruscamente.

— Há algo podre aqui! — exclamou ele. — Não há outra explicação para um homem voltar à vida!

— Ah, Tyutchev — começou Caesar, displicente. — Há algo que aprendi quando fui nomeado herdeiro. A primeira coisa, na verdade. Você sabe o que foi? — Ele inclinou a cabeça na mão e se inclinou um pouco, como se estivesse revelando a Tyutchev uma verdade arcana. — Você nunca assume que o inimigo está morto até vê-lo dar o último suspiro.

Tyutchev engasgou de afronta, mas seus apoiadores já haviam recuperado a compostura o suficiente para saber que a situação era terrível.

— Dmitri! — berrou um. — Ele nos enganou!

— Nós não sabíamos de nada, Czar, juramos!

— Foi tudo culpa de Dmitri! — gritou outro, a voz estridente. — Ele é o responsável! Somos inocentes!

— É por isso que ele não está aqui hoje! — sibilou outro, como se isso provasse a culpa de Dmitri. — Não podemos deixá-lo escapar impune!

Tyutchev, enquanto isso, fervilhava. Bando de bastardos chorões e hipócritas! Nenhum deles valia a pena manter vivo. Ele os mataria a todos.

— Agora! — gritou ele.

Painéis se recolheram, revelando compartimentos escondidos nas paredes e de repente eles estavam cercados. Os trunfos de Tyutchev apontaram suas armas para os homens sentados, impedindo qualquer um de sacar suas próprias armas com acenos ameaçadores e olhares furiosos.

Muito melhor, Tyutchev zombou consigo mesmo. — Eu queria resolver isso sem recorrer à violência, mas vocês não me deixaram escolha. — Ele sacou sua pistola. — É assim que vai ser. — A declaração foi acompanhada por uma risada maníaca. — Eu vou matar você, e o Sindicato será meu.

Isso deu muito mais certo do que Tyutchev jamais poderia ter esperado. Qualquer um que ficasse em seu caminho estava ali, naquela sala. Ele acabaria com todos eles, todas as suas vidas pequenas e inúteis então, tudo seria dele! Era glorioso.

— Quem quer ir primeiro? — zombou ele com alegria. Ele deveria eliminar Sasha? Ou Caesar para começar? Não- não, ele deixaria Caesar por último. Ele queria ver a condescendência desaparecer do rosto de Caesar e substituí-la por terror, fazê-lo implorar por misericórdia no final do massacre.

Tyutchev preparou sua arma, destravou-a, apontou-a para Sasha. Ele esperou tanto tempo. — Foi bom te conhecer — zombou ele, a insinceridade escorrendo de cada sílaba.

— Não se preocupe, vou lhe dar uma morte tradicional Sergeyev — e ele atirou.

O tiro foi ensurdecedor.

No entanto, um momento depois, Sasha estava sentado, uma sobrancelha arqueada, sem sinal de ferimentos.

A confusão substituiu o medo até que todos viram: o prédio do outro lado da rua; os snipers alinhados ao longo do telhado; os longos canos dos rifles todos apontados diretamente para eles.

O pequeno contingente de soldados de Tyutchev não sabia quem ameaçar agora. Alguns balançaram os braços para atirar nos snipers no telhado. Eles não tiveram chance de mirar antes de serem eliminados. Mais homens invadiram a porta, atirando em tudo o que viam.

Não havia escapatória. Os conspiradores de Tyutchev fizeram tentativas desesperadas de rastejar para a segurança. Foram frustrados. Não importa quantas vezes tentassem fugir, não havia refúgio.

Levou alguns minutos para que os tiros cessassem e o silêncio se estabelecesse.

— Uma despedida Sergeyev apropriada — comentou Caesar.

Os corpos dos traidores estavam repletos de buracos de bala.

O punhado de conspiradores que conseguiram se esconder e se fingir de mortos embaixo da mesa fizeram uma disparada louca em direção à porta. Houve mais tiros, mais gritos, mais sangue.

Impassível, Caesar observou Tyutchev, sangrando a seus pés. Ele desembainhou sua Beretta e, ainda sentado, enviou uma última bala através do crânio de Tyutchev.

O corpo deu um último espasmo e ficou imóvel.

Quando a fumaça se dissipou, e realmente acabou, Caesar olhou para seu pai.

Sasha não pareceu ter se movido durante todo o tiroteio.

— Gostou da sua pequena peça? — perguntou ele, seco.

Caesar sorriu com escárnio. — Vinho novo requer odres novos.

(Odre = É uma espécie de saco feito de pele, para transportar líquidos)

— Um novo Sindicato requer sangue novo — respondeu Sasha, um sorriso quase imperceptível em seus lábios. — Estarei ansioso por relatórios do seu progresso. — Sasha levantou-se e drapejou o casaco sobre o braço. — Confio que você não precisa de uma coroação — disse ele ao passar, apertando o ombro do filho.

E então, ele se foi.

Foi o suficiente para Caesar.

O dia foi monumental e corriqueiro ao mesmo tempo. De certa forma, a reunião marcou uma mudança radical. Para cada corpo deixado no chão da sala de conferências, um novo homem, leal a Caesar, o substituiu no dia seguinte. Sangue novo para dar vida a um novo Sindicato onde Caesar era o don e sua soberania inquestionável.

No entanto, de muitas maneiras, nada havia mudado. Caesar dirigia o Sindicato da mesma forma que antes; os negócios continuavam como de costume; a vida seguia no submundo.

Quanto aos ratos: além de um ou dois obituários superficiais em alguns jornais de pequenas cidades, ninguém sequer se lembrava de que eles alguma vez estiveram lá.

Após a bem-sucedida transferência de poder do Sindicato Sergeyev para um novo don, os escritórios do Sindicato foram inundados com flores e presentes de parabéns, desde enormes arranjos enviados pela Bratva Lomonosov até humildes buquês das menores gangues de rua.

Quando Leo informou Mikhail sobre as notícias, Mikhail deu um pequeno aceno de cabeça e bebeu seu chá.

Uma vitória respeitável.

Apesar de serem inimigos jurados, enquanto Mikhail relembrava sua conversa particular com Caesar, um sorriso secreto apareceu em seus lábios.

As palavras de um espectro foram, é claro, surpreendentes. Um homem que Mikhail sabia estar morto aparece como um raio, um revenant, se é que já houve algum, então pede sua ajuda? Certamente, o dia do juízo final havia chegado para eles.

— Você quer que os homens de Lomonosov lutem por você? — perguntou Mikhail, incrédulo.

O espectro apenas acenou com a cabeça. — Desenterramos o último dos traidores em nosso meio. Tudo o que resta é aplicar a punição.

Mikhail permaneceu cauteloso. — E isso me beneficia, precisamente como?

Os olhos de Caesar brilharam enquanto ele encarava Mikhail com um olhar ameaçador. — Você verá que esta é uma oferta que não pode recusar facilmente. — Ele sorriu com escárnio. — É única, veja bem.

Mikhail bufou, não convencido. — E o que seria isso?

Um envelope marrom deslizou pela mesa.

— Todos os bens de Berdyaev — disse Caesar enquanto Mikhail espreitava o conteúdo, um toque de superioridade em sua voz.

Mikhail jogou o envelope de volta na mesa. — Você só me devolveria o que é meu por direito — rosnou ele, indignado com a audácia de Caesar. — Você realmente acha que eu aceitaria isso?

— Não tenho dúvidas de que aceitará.

Mikhail zombou. — O que te deixa tão certo?

Caesar sorriu, lento e doce. Isso irritou Mikhail, e ele quase desejou não ter concordado com aquela conversa, mas o que veio a seguir foi algo que ele nunca poderia ter imaginado.

— Aquele que orquestrou tudo isso, tornou tudo possível, foi seu filho.

A expressão de Mikhail se transformou em descrença, e o sorriso de Caesar cresceu. — Todos os documentos estão em ordem; estamos apenas esperando que os tribunais deem seu selo oficial de aprovação. Não há dúvida sobre qual será o veredicto.

Caesar inclinou a cabeça, dando a Mikhail um momento para se recompor. — Tudo foi feito pelos canais legais adequados, é claro, você encontrará tudo ali legítimo e transparente.

Levou um instante para Mikhail formular qualquer resposta. Ele pegou o envelope de volta e examinou algumas páginas. — Won, fez tudo isso…? — Sua dúvida foi ofuscada pelo orgulho que brilhava em seus olhos.

Caesar acenou com a cabeça, mas então sua postura se tornou mais séria. — Não faço esta oferta com a intenção de amizade, nem jamais farei — qualificou ele. — Com sua ajuda, podemos acabar com isso rapidamente e decisivamente. Depois disso, tudo voltará a ser como era.

Mikhail ergueu uma sobrancelha. — Exatamente como era? Eu enviarei assassinos atrás de você, sabia?

— Não esperaria nada menos. — O sorriso de Caesar desta vez disse que ele faria o mesmo.

Um acordo entre a Bratva Lomonosov e o Sindicato Sergeyev. Era heterodoxo e inédito, mas a mente de Mikhail já estava decidida.

Canalha.

Ele ainda não gostava de Caesar, mas no final tudo deu certo. E ele não pôde deixar de inchar de orgulho pela maravilha que era seu filho.

Leo observou Mikhail, inseguro de porque seu chefe estava sorrindo tão amplamente. Ele sobressaltou-se quando Mikhail falou de repente.

— Uma mudança radical. — O sorriso tornou-se suave. Leo estava confuso. — Algo a considerar — murmurou Mikhail, soando distante.

— Sr. Lomonosov? — perguntou Leo, perdido e mais do que um pouco perturbado.

Ele nunca obteve uma resposta.

✦ ✦ ✦

A primavera é fugaz no norte. Uma coisa transitória, que chega e se vai antes que alguém perceba. Raros dias ensolarados trazem as pessoas em massa, enormes bandos delas se reunindo em parques e praças para saborear o calor enquanto dura, não querendo desperdiçar algo tão precioso.

É uma época maravilhosa para passear pela cidade, e ninguém censuraria alguém por aproveitar. As multidões são, no entanto, extremamente inúteis para quem tenta chegar a algum lugar com pressa.

Particularmente hoje porquê. Won estava atrasado.

Ele correu pelas ruas, os pulmões ardendo a cada gole de ar, porque é claro que seu bonde havia quebrado a um ponto de distância.

Havia demônios vivendo neles e eles sabiam precisamente quando ele estava com pouco tempo, ele tinha certeza disso a essa altura. Talvez ele devesse ter esperado o próximo bonde, mas ele preferia a agência de correr aos caprichosos desejos de bondes possuídos.

Verificando seu relógio, Won fez alguns cálculos rápidos e concluiu que, se mantivesse um ritmo de dez metros por segundo, chegaria ao seu destino a tempo.

Portanto, com alguma matemática mental instável e pura determinação ao seu lado, Won reuniu suas forças e partiu em um pique total. Claro, foi quando o vento decidiu aumentar.

Estava quente, agradável. Uma brisa suave para acompanhar o borrão de edifícios enquanto eles passavam voando.

Murmurando um rápido agradecimento à brisa por refrescá-lo, mas ainda um pouco irritado por ela estar soprando diretamente em seu rosto, Won abaixou a cabeça e se esforçou para manter o ritmo. Ele mal estava olhando para onde estava indo.

E mais uma vez, ele estava atrasado.

Ele não notou o homem alto saindo de seu carro até que a colisão foi inevitável.

Ele cambaleou, desequilibrado. Nos poucos momentos antes do desastre, ele tinha certeza de que ia cair no asfalto.

Ele se preparou para o impacto.

Mas tudo o que aconteceu foi uma inspiração brusca e, de repente, houve um aperto muito firme cercando a cintura de Won, colocando-o de volta em seus pés e segurando-o perto.

Won fez um barulho entre um chiado e um gorgolejo, mas seus olhos foram atraídos pelo som de risadas acima dele e seu cérebro falhou, como fazia toda vez que se encontravam, extasiado por cabelos loiros brancos radiantes, caindo sobre olhos cor de mercúrio.

— Você realmente parece gostar de me fazer te pegar — Caesar sorriu para ele.

O véu diáfano de afeto foi rasgado, jazendo em pedaços no chão. Won bufou.

— Bem, talvez se alguém não tivesse o hábito de pular na frente de pessoas com lugares para ir!

Caesar deu uma gargalhada sonora com isso. Os homens do Sindicato esperando ao lado sobressaltaram-se de medo, mas Caesar não lhes deu atenção.

— Para onde você está indo? Eu te dou uma carona.

— Ah, bem, se você estiver livre… — Sem um pingo de cerimônia ou vergonha, Won enfiou um processo na mão livre de Caesar. Caesar franziu a testa para ele, mas Won verificou seu relógio e se desvencilhou de seu abraço antes que Caesar pudesse impedi-lo.

— Número 34, logo ali na rua! — gritou Won por cima do ombro. — Diga a eles para lerem tudo antes da nossa reunião amanhã! Às três!

— Ei! Espere aí…

Won já estava a uma dúzia de metros de distância, correndo a toda velocidade.

Caesar o observou ir, um suspiro em seus lábios. Ele teria que cancelar aquela reserva que fez para o almoço. Havia mais alguma coisa também. Algo que o incomodava, uma estranha sensação de déjà vu… Mas, não. Ele estava apenas imaginando coisas.

Reprimindo sua sensação de desapontamento, Caesar estava prestes a voltar para o carro quando seu telefone tocou. O nome na tela fez seu lábio se curvar para baixo.

— Algum problema? — perguntou ele, garantindo que soasse displicente enquanto seus olhos encontravam Won do outro lado da rua.

— Hoje à noite — Won ofegou no telefone. — Tenho cerca de uma hora. Por volta das sete.

Caesar sorriu, mas manteve a voz leve. — Bem, então nos vemos. — Ele beijou o receptor. Tudo o que obteve em resposta foi o clique da linha sendo cortada.

Ele balançou a cabeça, mas o sorriso permaneceu quando ele voltou para o carro, até que seu telefone tocou novamente. Desta vez, o chamador era decididamente indesejado.

— Dmitri. Sim, estou bem. — Observando o ponto onde Won desapareceu na esquina, ele soltou uma pequena risada. — Acabei de ter um pedaço de pornografia ambulante em minhas mãos. — Seu sorriso era audível em sua voz. — Foi celestial.

Gritos distorcidos de raiva e algumas maldições muito criativas ecoaram do alto-falante do telefone, mas Caesar não se importou. Ele mal conseguia ouvir, de qualquer forma, acima de sua própria risada cheia de alegria.

[Fim da História Principal — Volume 2]

Continua no Epílogo…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

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Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.

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