Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 09.2 Online

Capítulo 9.2
Os passos pesados de Won rumo ao escritório ecoou no silêncio. Bem, isso era meia-verdade – havia também o leve arrastar de sapatos de verniz atrás dele.
Won virou-se bruscamente.
— Precisa de algo?
Caesar ignorou o ódio na voz de Won.
— Só curioso sobre o progresso do meu caso.
Won endureceu. Era uma pergunta válida de um cliente.
— Está indo bem — respondeu, virando-se.
— Quero um relatório detalhado.
Won franziu os lábios e seguiu, abrindo a porta do escritório com firmeza. Caesar parou na soleira, chocado com a bagunça. Won passou por ele, navegando pelos papéis, então olhou Caesar de lado.
Finalmente, Caesar afastou alguns documentos com o pé e aproximou-se.
— Sente-se. Não quero que fique em pé.
Won sorriu docemente e moveu uma pilha de papéis para liberar espaço no sofá.
Caesar bufou.
— Cristo, que ridículo.
Won ignorou e apontou para o chão:
— Se você pisar em algo, eu mesmo quebro todos os seus dedos.
O pé de Caesar congelou a centímetros do perigo. Com cuidado, sentou-se no sofá.
— Leia estes primeiro — Won disse secamente, entregando documentos.
— Isto… e isto são provas adicionais.
Em minutos, Caesar tinha centenas de páginas no colo.
— Focaremos nestas propriedades primeiro — Won explicou. — O resto virá naturalmente se ganharmos. Quer tudo?
Caesar olhou para ele.
— E se eu quiser?
— Seria intenso, longo e complicado.
O sorriso de Caesar sugeriu que a pergunta não era sobre o caso.
— E se não quiser?
— Bem menos doloroso.
Caesar ponderou, então seus olhos brilharam.
— Parece duvidar que consegue tudo.
Won franziu a testa.
— Porque duvido — respondeu plano. — Não quero desperdiçar tempo.
— Quer dizer, até ter o que precisa para o julgamento de Kuznetsov.
— Isso.
Won sentou-se no chão, observando Caesar folhear os documentos sem interesse.
— É sua chance de perguntar — disse irritado. — Responsabilidade do cliente.
Caesar ignorou. Won reprimiu um suspiro e levou a mão ao estômago – não comera o dia todo.
“Ótimo. Por que estou aqui? Deveria estar na cama, mas estou aqui, com os olhos ardendo, minha lambreta assassinada e preso nessa maldita mansão.”
Pior: estava faminto. Jamais admitiria a Caesar. Por que não trouxe um lanche? Até um chocolate…
Seu estômago roncou alto. Ambos congelaram. Won fingiu não notar, mas o estômago protestou novamente.
— Parece esfomeado — Caesar comentou, levantando-se. — Vou chamar o chef.
Won se levantou abruptamente.
— Não! Não acorde alguém por isso!
— É literalmente o trabalho dele.
— Eu mesmo faço! — Won rosnou. — Leve-me à cozinha.
Caesar observou Won, então acenou com a cabeça.
Won seguiu-o, resmungando.
✦ ✦ ✦
A caminhada – e era mesmo uma caminhada – até a cozinha não melhorou em nada o humor de Won. Ele tinha quase certeza de que poderia ter atravessado metade da Rússia no tempo que levou. Isso era um pouco dramático, mas ele estava funcionando no limite e tinha certeza de que morreria em um dos corredores de Caesar antes mesmo de avistar uma frigideira.
No final, foi por pouco, mas de alguma forma chegaram sem que Won caísse morto. Ele nunca imaginaria que ficaria tão feliz em ver uma concha na vida (mesmo que estivesse em uma cozinha maior que seu apartamento inteiro) e soltou um suspiro de alívio por viver para ver outro dia enquanto se escorava em uma mesa próxima.
À frente, Caesar virou-se e gesticulou com os braços abertos.
— Toda sua.
Cansado demais para ficar de pé, Won deixou os olhos vagarem, avaliando o ambiente. Doíam de tão secos, mas a cozinha era absolutamente deslumbrante. Toda a louça e utensílios gritavam “caro” e “francês”, enquanto os eletrodomésticos eram todos elegantes e alemães. Até os talheres no armário pareciam ser de prata legítima e antiga, com porcelanas inglesas para combinar.
A peça central, no entanto, era a geladeira – ou melhor, geladeiras, porque havia mais de uma. Elas ocupavam uma parede inteira e os pés de Won se moveram antes mesmo que ele percebesse.
“Hmm. Talvez eu tenha morrido no caminho.” Talvez fosse seu espírito nos portões do paraíso. Com tanta fome, pouco importava.
Em transe, ele abriu uma das portas – e encontrou a salvação.
O interior estava transbordando de carne. Carne bovina, suína, cordeiro, vitela, peru – Won nunca vira tanta quantidade em um só lugar. E todos os cortes premium, do tipo que ele nunca teve dinheiro para comprar. Memórias de lutar para pegar carne moída quase vencida na promoção passaram por sua mente antes de desaparecerem diante da maravilha à sua frente. Por um momento, esqueceu Caesar, a lambreta e ser refém – aquilo era o paraíso.
— Vai ficar só olhando? — Caesar finalmente perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Relutantemente, Won desviou os olhos da beleza pura do interior da geladeira.
— Posso usar o que quiser? — perguntou com voz sonhadora.
Caesar engoliu em seco. Won nunca olhara para ele daquela forma – olhos brilhando de alegria, pequenas rugas se formando nos cantos enquanto um sorriso radiante surgia. O desejo suplantou o pensamento racional, e Caesar se pegou acenando antes mesmo de processar a pergunta.
— Claro… sim.
Won suspirou como uma criança no Natal, girando e rindo de um jeito que Caesar achou anormal para alguém são. De repente, as bancadas transbordavam de carne, e Caesar só podia assistir, de olhos arregalados, enquanto Won amontoava mais e mais.
Por fim, como peça de resistência, Won puxou um presunto tão grande que precisou de ambas as mãos. Com um brilho maníaco nos olhos, ele varreu o ambiente até encontrar seu alvo. Depositando o presunto no espaço vago mais próximo, Won marchou até um bloco de facas e, diante de Caesar, puxou uma enorme e afiadíssima faca de chef antes de retornar para reivindicar seu prêmio.
Com um thunk satisfatório, a faca cravou-se no presunto – mas não avançou mais. Won olhou irritado e tentou novamente, com um thunk ainda mais alto. Nada. Irritado, agarrou a faca com ambas as mãos, preparando-se para alavancá-la.
Um braço surgiu em seu campo de visão. Virando a cabeça, Won viu Caesar atrás dele com uma expressão estranha. Sem palavras, Caesar envolveu seus dedos elegantes em torno das mãos de Won na faca, extraiu-a do presunto e levou-o até um grande aparelho.
Won seguiu cada movimento – ele queria aquele presunto. Seus temores se dissiparam quando Caesar apertou um botão e o aparelho começou a zumbir ritmicamente. Logo, surgiu um montinho de presunto fatiado, e Caesar desligou a máquina, pegou um prato e o entregou a Won.
— Bom apetite.
Won aceitou o presunto com timidez, mas logo se recompôs.
— Não vou fazer nada para você.
Caesar apenas encolheu os ombros.
— Como quiser.
Ele foi até uma das geladeiras e pegou ingredientes. Won o observou por um momento antes de começar. Revirou outras geladeiras, gavetas e armários, reunindo tudo nas bancadas – e estava pronto.
Caesar retornou ao seu canto em silêncio, não muito preocupado com sua cozinha. Won provavelmente sabia cozinhar… certo? Ele começou a fatiar pão de centeio quando ouviu um baque na bancada. Virando-se, viu Won golpeando um enorme pedaço de carne. Pior: ele não fatiara – apenas serrara alguns pedaços pequenos o suficiente para uma frigideira e parara ali.
Caesar piscou enquanto Won saltitava entre as carnes, cortando pedaços e jogando-os aleatoriamente em panelas. Finalmente, ele interveio.
— Você não pegou vegetais — observou, entregando a Won fatias de pão.
— Não preciso — Won respondeu.
Caesar pegou um tomate.
— Pelo menos um.
— Não.
Caesar franziu a testa.
— Isso não é saudável.
— Não me importo.
Caesar resignou-se e voltou a fazer seu sanduíche.
Won observou as carnes fritando, usando pegadores para retirá-las quando pareciam prontas. Ou quase prontas. Olhando melhor, viu que estavam cruas e as recolocou nas panelas, religando o fogo.
Percebeu então que Caesar não usara nenhum tipo de calor – nem forno, nem micro-ondas, nem bocas do fogão. Curioso, ele espiou por cima do ombro.
E viu uma cena estranha: Caesar rasgando folhas de alface com as mãos e colocando-as sobre pão. O homem parecia completamente à vontade na cozinha. A alface estava em pedaços uniformes, e Won o viu fatiar finamente o presunto e dispor sobre a alface. Caesar até pegou o tomate e começou a cortá-lo em rodelas.
Won não pôde evitar uma ponta de admiração. Quantas pessoas já viram Caesar assim, muito menos imaginariam que ele pisaria em uma cozinha? E ainda por cima com tanta habilidade. Era impressionante, para ser honesto. Tão deslumbrante quanto sua aparência, esta era a primeira vez que Won se sentia encantado por Caesar como pessoa, e percebeu que não conseguia desviar o olhar.
Sentindo o olhar, Caesar voltou-se e sorriu.
— Sou bastante habilidoso com facas. — Cortou uma fatia de tomate fina como papel e a ergueu. — Carne humana corta do mesmo jeito.
A expressão de Won azedou.
— Claro que corta — respondeu seco, virando-se para sua comida. Que estava toda queimada.
✦ ✦ ✦
Pouco depois, os dois homens estavam sentados em silêncio, com seus pratos à frente. O sanduíche de Caesar parecia saído de uma revista de saúde: muitos vegetais, a quantidade perfeita de carne, tudo perfeitamente organizado entre duas fatias de pão integral.
Caesar quebrou o silêncio com hesitação:
— Eu pensei que você soubesse cozinhar…
Aparentemente, o incidente com o presunto não fora um caso isolado como Caesar presumira; e ele estava um tantinho decepcionado.
Ele observou a massa indefinível que ocupava o prato de Won.
— O que é isso?
— Um sanduíche — Won respondeu como se Caesar tivesse perguntado a cor do céu. Coisas entre duas fatias de pão era um sanduíche. Logo, aquilo em seu prato era um sanduíche. Óbvio.
Caesar não parecia convencido. Sanduíches eram combinações cuidadosamente elaboradas de ingredientes, todos em harmonia com o pão, não o que Won tinha à frente. Enfiar qualquer coisa que encontrasse entre duas fatias de pão e torcer para ser comestível não contava.
Honestamente, aquela coisa diante de Won disfarçada de sanduíche nem era “qualquer coisa” – era só carne, carne e mais carne. As fatias de pão de centeio faziam seu melhor, mas com toda aquela carne bovina, suína, peru e presunto entre elas, parecia mais um pão perdido em um buffet do que um sanduíche com recheio.
— Tem certeza que isso é próprio para consumo humano? — Caesar perguntou, olhando para a… coisa com desconfiança.
Won ignorou o comentário.
— Tudo vai parar no mesmo lugar.
Os olhos de Caesar se estreitaram quando Won ergueu sua criação do prato – agora ele tinha certeza que aquilo era um risco à saúde.
— Parte disso ainda está crua.
— Você não devia ser culto? Carne deve ser comida malpassada.
— Não se for-
Won deu uma enorme mordida.
—-porco — Caesar completou mentalmente com um suspiro resignado.
Com tanta fome para se importar, Won mastigou feliz, saboreando seu prêmio. Estava macio; estava suculento; estava…
Absolutamente nojento.
Sua mandíbula desacelerou enquanto Won olhava para o sanduíche em suas mãos. Algo repugnante estava acontecendo em sua boca. Pedaços gordurosos de carne crua se misturavam com partes queimadas e ossos, cobrindo tudo com uma camada de gordura, sangue e fuligem. A textura por si só já era ruim o suficiente, mas o cheiro pútrido e selvagem enchendo sua boca e nariz era horrível.
Ele ia se engasgar.
Won levou a mão à boca, por precaução, mas então avistou Caesar do outro lado da mesa, olhos ligeiramente cerrados, observando-o como um falcão.
Não. De jeito nenhum Won daria a Caesar esse tipo de satisfação. Ele forçou-se a mastigar, pegou seu prato e saiu da cozinha.
Sem dizer uma palavra, Caesar o seguiu.
✦ ✦ ✦
“Ele não estava errado. Tudo acaba no mesmo lugar no final”, Won pensou teimosamente. Ele só tinha esquecido um pequenino detalhe… Não importa o quão faminto você esteja, merda ainda tem gosto de merda.
Com essa verdade pesando em sua mente, a caminhada de volta ao escritório foi talvez pior que a ida à cozinha. Quando finalmente chegou e se sentou, começava a se sentir tonto e seu estômago protestava mais alto que nunca, implorando por qualquer migalha de sustento.
Com determinação feroz no rosto, Won forçou outra mordida do sanduíche em sua boca, tentando apenas engolir o mais rápido possível. Mas seu estômago também não gostou disso. “Não isso!” ele parecia gritar. “Quantos anos você tem? E não consegue distinguir o que é comida ou não? Vergonha, Lee Won!”
Caesar, por outro lado, parecia imune ao sofrimento de Won, reclinado indolentemente no sofá enquanto dava mordidas elegantes em seu sanduíche perfeito e mastigava educadamente.
Mas, por mais bem-educado que Caesar fosse, Won ainda podia ouvir o crocante delicioso da alface e sentir o aroma saboroso do centeio e presunto, e foi outro teste de força de vontade fingir que não queria.
Realmente, perceber que estava faminto tinha sido o pior erro que cometera em um bom tempo.
Foi quando Caesar decidiu interferir.
— Quer um pedaço? Tenho mais que o suficiente — ele ofereceu.
— Não. Obrigado.
A rejeição foi imediata, mas, pelo fato de Won não ter levado aquele amontoado perigoso perto da boca há um tempo, Caesar duvidava que seu tigre estivesse sendo honesto.
Ainda assim, Won não estava pronto para se render, ignorando meticulosamente o outro homem na sala. Ele se ocupou lendo documentos, mas as palavras começavam a dançar diante de seus olhos e a única coisa que não era um borrão de letras e marcador era o sanduíche de Caesar, provocando-o no canto de sua visão.
— Há quanto tempo esta propriedade está inadimplente?
Caesar o forçava a olhar para cima agora, mas Won manteve sua expressão cuidadosamente neutra. A primeira metade do sanduíche de Caesar sumira, o que era triste de ver, mas a interrupção também era uma boa desculpa para largar seu próprio sanduíche e não tocá-lo novamente. Movendo-se rapidamente, ele pegou o documento relevante e se inclinou para entregá-lo à inspeção de Caesar.
Caesar examinou os números enquanto – de forma óbvia e com irritante despreocupação – pegava a outra metade de seu sanduíche e dava uma mordida.
Won teve que desviar o olhar; o ácido estomacal começava a corroer suas entranhas e queimava.
Subitamente, Caesar colocou o papel de lado.
— Vou ver o resto amanhã – está ficando tarde.
Com isso, ele pegou seu paletó no sofá e saiu da sala.
Won não moveu um músculo, encarando um arquivo aleatório à sua frente até ouvir o clique da porta se fechando. Mesmo assim, Won não confiou.
Ele aguçou os ouvidos, escutando por qualquer sinal de movimento, então foi na ponta dos pés até a porta e espiou sorrateiramente.
Estava silencioso como um túmulo.
Relativamente certo de que estava sozinho com os sanduíches agora, Won fechou a porta e ficou encarando os dois pratos até seu estômago roncar desconfortavelmente, dizendo-lhe que precisava se sentar.
Sem vontade de discutir, Won voltou ao seu lugar, ponderando o dilema moral que enfrentava. Por um lado, o sanduíche de Caesar, por definição, não era seu sanduíche. Por outro, ele estava faminto.
“Seria desperdiçado”, ele racionalizou.
Desperdiçar comida era terrível. Muito ruim. Só o pior tipo de pessoa faria isso. Como Won poderia permitir algo tão hediondo diante de seus olhos?
Com a lógica ao seu lado, Won parou de hesitar e puxou um dos pratos para perto – e nem Deus faria Won admitir que não era o seu.
Bem devagar, Won ergueu o sanduíche de Caesar à boca e deu uma mordida.
A primeira coisa que notou foi o aroma do pão Borodinsky – doce, mas com uma acidez subjacente por causa do fermento natural. Era algo que ele conhecera bem depois de todos aqueles anos na Rússia, mas, por algum motivo, parecia irresistível hoje. O sabor explodiu em sua boca, acompanhado pelo crocante satisfatório dos vegetais frescos e o derreter do presunto suculento em sua língua.
Por um momento, ele segurou o sanduíche à frente, estudando-o em incredulidade de que algo pudesse ser tão gostoso. Isso era transformador; isso era uma sinfonia para o paladar; isso era pura ambrosia; daqui em diante ele pensaria em sua vida em termos de antes e depois do sanduíche.
No entanto, por mais que olhasse, tudo que segurava era um simples sanduíche de presunto com centeio. Ele até tirou a fatia de pão de cima para conferir.
Não fazia sentido. Como era possível? Seria apenas a fome falando? Mas não – ele já refutara isso com seu próprio sanduíche.
Era um mistério que teria que esperar por outro dia. Recolocando a fatia de pão, ele deu outra mordida – calculando que poderia dar mais algumas antes que alguém notasse – e voltou a examinar os documentos, sentindo-se melhor do que há horas. Muitas páginas e muito marcador depois, ele estendeu a mão distraidamente por mais, só para encontrar migalhas e cerâmica fria. Sua mão vasculhou o prato, mas… nada.
Oh.
Oh não.
De olhos arregalados, ele olhou para o prato, desejando que houvesse algo lá. Mas ele já devia saber que não podia confiar na força de vontade. A sensação de satisfação em seu estômago só reforçava o que seus olhos lhe diziam: que ele, Lee Won, comera todo o sanduíche de Caesar.
Seus olhos pularam para o outro prato, um plano desesperado se formando em sua mente. Tirando a fatia de pão de cima, ele empurrou um pouco da carne para o lado, deixando-a em uma pilha artisticamente bagunçada, antes de recolocar o pão e mover um sanduíche muito mais magro para o prato de Caesar.
Won inclinou a cabeça.
Não, isso não enganaria ninguém. Talvez se ele rasgasse um pouco do pão?
De repente, todos os pelos em sua nuca se arrepiaram, e ele olhou ao redor com um sobressalto.
Ali, encostado no batente da porta, estava Caesar, cabelo levemente úmido e caindo sobre os olhos, uma camiseta confortável esticada sobre seu torso musculoso. Won ficou mortificado. Caesar não saíra para dormir; ele fora tomar um banho e se trocar.
Tentando salvar os restos de seu orgulho, Won desviou:
— Mais uma coisa — ele engasgou. — Espero ser provido com uma refeição extra quando trabalhar fora do horário normal.
O menor indício de um sorriso apareceu nos lábios de Caesar.
— Mais alguma coisa?
— Por enquanto, não.
Ele tentara soar indiferente, mas até ele percebia que seu rosto estava vermelho até as raízes do cabelo.
Espere – não. A culpa não era dele. Ele não poderia ser responsabilizado por suas ações sob coação.
Pegando um dossiê aleatório, ele evitou cuidadosamente contato visual, ouvindo apenas os passos suaves de Caesar ao se sentar no sofá. Um leve cheiro de algo limpo e masculino pairava no ar, e não era difícil determinar sua origem. Won desesperadamente queria erguer a cabeça. Mas – aquela avaliação fiscal era fascinante. Olhe aqueles números – absurdos. A mentira era fraca, mas ajudava a focar sua determinação. Na realidade, cada linha era uma luta para ler, seu cérebro aparentemente incapaz de processar qualquer informação sem ler múltiplas vezes. Eventualmente, porém, as rugas em sua testa relaxaram, as palavras ficando um pouco mais fáceis de entender conforme continuava.
Silencioso como sempre, Caesar apoiou o queixo na mão, contente apenas em observar seu pequeno advogado trabalhar. E em algum momento próximo ao amanhecer, o mordomo espiou no escritório e foi recebido pela visão mais incomum: o advogado, parecendo exausto; e Caesar, observando-o, um pequeno sorriso no rosto.
✦ ✦ ✦
O clima anormalmente quente não poderia durar. Enquanto nuvens cinzentas se acumulavam ameaçadoramente no horizonte, as pessoas da cidade corriam para terminar seus afazeres antes que a tempestade chegasse. Lá do alto, eram meros pontos no chão. Tyutchev olhava para eles, quase sem ver.
— O que quer dizer com o Czar ter um estrangeiro com ele? — Uma voz nervosa e aguda vinha do telefone.
— Bem, é um advogado – ele – ele assumiu o caso Berdyaev.
— Berdyaev?
— Sim – as propriedades. E os ativos.
Uma veia na testa de Tyutchev pulsou violentamente.
— Ele pretende ficar com eles? Contra os Lomonosov?!
— Sim… parece que sim. E o advogado – ele é… persistente.
— Merda… — Tyutchev rosnou enquanto enxugava o suor de sua cabeça calva. — Como se os Lomonosov já não fossem ruins o suficiente! Agora o Czar traz um advogado desconhecido. Que porra ele pensa que está fazendo?! Que porra vocês estavam fazendo? Por que não fui informado disso?
— M-minhas desculpas – pensei melhor esperar para reunir mais informações… Tyutchev estava ocupado demais fervilhando de raiva para repreender seu informante inútil. Ele nunca gostara do Czar, e isso só confirmava que ele não era apto para ser o próximo dono. Como ele ousava manchar o Sindicato com um rossiyanin.
(Rossiyanin = Palavra Russa para Cidadão, no sentido de nacionalidade, não necessariamente étnico)
— Descubra o que ele está fazendo — Tyutchev disse furioso. — E eu quero tudo – sobre Berdyaev, sobre esse advogado, sobre que porra o Czar está fazendo com ele! Está claro?!
— Sim, perfeitamente, senhor… — A voz hesitou. — É que – o advogado – ele é tenaz. Ele começou a ficar na mansão. Tudo que ele faz é trabalhar. Ele come e dorme no escritório. Eu – não sei quando poderia fazer algo sem levantar suspe-
— Isso significa que estamos em uma merda ainda maior, seu idiota! — Tyutchev começou a andar pelo escritório. — Não me importo como você faz! Engane-o, ameace-o, suborne-o! Use a porra da sua cabeça e resolva isso!
Tyutchev exalou alto, parando de andar.
— E se a situação for sem solução… — Sua voz baixou para um rosnado ameaçador. — Mate-o.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
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Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.