Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 06 Online


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Projection Vol. 1.6

— Ei, Sejin. O que você comprou com os mil won que achou?

Ele sabia que os mil won caídos em frente ao portão da escola pertenciam a Lee Haegyun. Mas ele não sentiu nenhum receio em pegar o que eles deixaram cair. Como Sejin estava com fome, não estava em posição de recusar aqueles mil won.

— Mostre logo. Apostamos para ver o que mendigos compram quando acham dinheiro. Comprou pão? Tofu? Broto de feijão? Eu chutei tofu. Se você não tiver comprado tofu, vai ver só o que eu faço.

Mas não fora deixado cair por acaso. Eles haviam jogado os mil won de propósito. Sejin franziu o cenho diante do que Kim Byeongjun dizia.

Eles certamente queriam que Sejin sentisse vergonha, mas, infelizmente, Sejin não era do tipo que sentia grande embaraço por coisas assim. O que dominava Sejin naquele momento era a aversão por aqueles sujeitos que ficavam falando com ele com caras de idiotas.

Era cansativo e irritante. O bullying de Lee Haegyun e Kim Byeongjun não era de hoje, mas Sejin não conseguia entender por que eles queriam tanto atormentá-lo, a ponto de criarem esse tipo de encenação.

Eles não têm mesmo nada para fazer? No momento em que Sejin soltou um suspiro e baixou a cabeça, o SUV que estava parado na estrada moveu-se com um grande ruído. Diante do estrondo impossível de ignorar, Sejin virou a cabeça como se estivesse hipnotizado. Lee Haegyun, que deu um tapinha no ombro de Sejin, pressionou-o.

— Porra, eu disse para mostrar logo! Sejin, não vou pedir os mil won de volta. Só me conte. Hein? Acha que eu não posso nem te dar essa esmola?

Como Sejin permanecia em silêncio, Lee Haegyun tentava convencê-lo com sorrisos cínicos. Sejin endureceu o semblante diante do tratamento íntimo que saía da boca deles. “Sejin, rápido.” E ao ver Lee Haegyun balançar os ombros como se fizesse birra com aquele rosto asqueroso, a irritação começou a superar a vergonha.

Era realmente insuportável. Sejin queria quebrar a cabeça de Lee Haegyun, que o desprezava e atormentava tanto só por ter um pouco de dinheiro.

Sejin apertou o grande rabanete que estava dentro da sacola. Aquele rabanete fora a maior coisa em volume que Sejin conseguira comprar com mil won no supermercado. Ele poderia ter comprado um lámen com alto teor calórico, mas escolheu o rabanete pensando que preencheria melhor o estômago do que apenas um pacote de lámen, já que era duas vezes maior que seu rosto. O quanto doeria se eu batesse neles com isso? Sejin pensou enquanto apertava o rabanete.

“Você tem que corrigir esse seu temperamento”, o sermão que ele sempre ouvia de sua mãe ecoava em sua mente, mas ele não conseguia se importar com aquilo agora. Sejin estava com fome, cansado e irritado. Ele não estava em condições de prever o futuro. Pensar antes de agir era algo para quem tinha o luxo de pensar. Sejin não tinha esse luxo.

Foi bem quando o impaciente Kwon Sejin pensava em desferir um golpe com o rabanete no grupo de Lee Haegyun. Vruuummm, o SUV que novamente soltou um alto som de acelerador saiu da pista e avançou sobre a calçada. Seu corpo congelou diante da fúria do veículo que parecia prestes a atropelá-lo.

Mas no breve instante, a placa do carro que entrou em seu campo de visão era estranhamente familiar por algum motivo. Sejin lembrou-se de onde vira aquele carro. O número 1818 era tão peculiar que era impossível esquecer. O SUV que parecia prestes a atropelá-los era o carro que estava estacionado ao lado da Lamborghini branca daquele homem que parecia um marginal.

— Ah!

Por sorte ou por azar, o SUV que avançou sem hesitar parou bem na frente de Lee Haegyun e Kim Byeongjun. Diferente deles, que caíram no chão cobrindo o rosto com os braços prevendo o impacto, Sejin permaneceu parado no lugar sem sequer pensar em desviar.

Não pode ser, né. Mesmo tendo visto o 1818, Sejin negou sua própria suposição. Aquele homem que partira de forma tão implacável não viria procurá-lo agora. Contudo, ao confirmar o homem que descia do carro, Kwon Sejin franziu o cenho ainda mais agressivamente do que quando via o grupo de Lee Haegyun.

Era realmente aquele homem. O traficante de pessoas.

— Sejin.

Ele chamou seu nome com uma voz gentil, exatamente como fazia quando o ameaçava usando sua mãe dentro do carro. Sejin conteve o desejo de atirar o rabanete que segurava no capô do carro do homem e encarou seu olhar.

Era o mesmo rosto magnífico de quando se separaram. O cabelo preto denso cobria levemente a testa, e as sobrancelhas não muito grossas estendiam-se de forma afiada. Os olhos longos e sem pálpebra dupla, ao encontrarem as pupilas negras, exalavam uma frieza semelhante ao vento de inverno. Era um homem que, apenas por inclinar levemente a cabeça enquanto o observava com aqueles olhos, causava a ilusão de que você estava dentro de uma tela de cinema. Ele era irritantemente bonito. Sejin mordeu os lábios com força enquanto o encarava.

— Entre.

Ele não acrescentou mais nada. E Sejin, é claro, não se moveu um centímetro.

Por que agora? Ele fingira nem ouvir quando sua mãe implorara tanto. Ele o deixara na rua como se o estivesse jogando fora e, agora, diz para entrar. Eu sou alguém que vai quando mandam e vem quando chamam? Que direito ele tem de me dar ordens… Enquanto Sejin bufava internamente, acabou sendo obrigado a ceder diante do que o homem disse em seguida.

— O que eu disse no carro não foi mentira. Entre enquanto estou sendo gentil.

— …….

Ele se lembrava muito bem do que o homem dissera no carro. Ele dissera que Sejin não sabia o que ele poderia fazer com sua mãe se ele continuasse sendo tão mal-educado. Sejin rangeu os dentes a ponto de sua mandíbula ficar bem marcada. Ele tentou resistir encarando o homem, mas acabou dando o primeiro passo.

O grupo de Lee Haegyun olhava para ele e para o homem com caras de idiotas. Se ele partisse agora, eles certamente fariam um escândalo na escola depois, mas não havia outra escolha. Para Sejin, a existência de sua mãe era o mais importante.

— Kwon Sejin!

Ignorando o chamado de Lee Haegyun, Sejin subiu no banco do passageiro do SUV e puxou a porta com força, como se fosse quebrá-la. Em seguida, colocou o cinto de segurança antes mesmo do homem no banco do motorista pisar no acelerador. Era porque o homem dirigia de forma terrível. Nesse estado, ele fixou o olhar à frente e fechou a boca.

O grupo de Lee Haegyun permanecia caído na calçada, conversando rapidamente entre si. Certamente estariam falando sobre como um pobre como ele conhecia um homem que dirigia um carro tão caro. Sujeitos patéticos. Sejin alongou os lábios e virou o rosto. Ao mesmo tempo, o homem deu a partida e começou a dar ré sem hesitação. Novamente, era uma condução sem nenhum sinal de prudência. Enquanto o carro retornava à estrada e acelerava em direção a algum lugar, ele abriu a boca.

— Você desceu do carro com tanta confiança, como se tivesse algum plano, e o que está fazendo é morar na rua?

— O quê?

— Ser mendigo é o seu sonho de futuro?

Ele era irritante na aparência e irritante no modo de falar. Sejin virou o rosto bruscamente e encarou o homem que o tratava como mendigo.

Enquanto ele pensava que Sejin era uma garota, fingia ser a pessoa mais gentil do mundo, mas desde que descobrira que ele era um garoto, nenhum sorriso jamais apareceu naquele rosto. O homem falava com sarcasmo, com uma expressão fria e indiferente, como se não tivesse nenhum apego ao mundo. Sentindo-se ultrajado por aquela atitude, Sejin abriu a boca com irritação.

— Se eu moro na rua ou se eu roubo, o que o senhor tem a ver com isso? O quê. Seus subordinados foram correndo fofocar para o senhor? Veio me tirar daqui para outro lugar por medo de que o valor do seu prédio caia? Se for para isso, me deixe na frente daquele restaurante de antes. Vou morar na rua por lá.

Diante das palavras proferidas descaradamente, o homem franziu um pouco os olhos e virou levemente o rosto para olhar para Sejin. Havia um claro sinal de descontentamento em seus lábios cerrados. Ver aquele rosto fazia uma fúria subir em seu peito. Ele era grato por ter podido ver sua mãe, mas não entendia por que ele tentava se intrometer de forma tão insignificante.

Aquele homem já fora assim naquela época. Ele rira de Sejin perguntando se ele tinha onde dormir ou se não tinha planos, sendo que tinha dezoito anos. Quem ele pensava que era. O que um agiota sabia…

Enquanto Sejin o encarava com os lábios trêmulos e cerrados, o homem, após sustentar aquele olhar por um instante, soltou um suspiro como se aquilo não servisse para nada e relaxou a expressão. Sua fisionomia fria tornou-se suave e ele falou logo em seguida, como se estivesse confortando Sejin:

— Vá para a minha casa. Fique por lá.

— …….

Diante daquelas palavras, Sejin abriu a boca, incrédulo. O homem que nem dera ouvidos ao pedido de sua mãe agora tentava fingir ser bom novamente. Mas Sejin não tinha a menor intenção de aceitar.

Mesmo que o homem tivesse concordado no dia em que Kim Hyungyeong implorara tanto, Sejin não o teria seguido. Ele era o homem que tentara vendê-lo quando pensava que ele era uma garota. Sejin não tinha a menor intenção de viver na mesma casa que um traficante de pessoas. Embora ele não tivesse dito nada, tinha certeza de que, se sua mãe soubesse disso, ela certamente diria para ele jamais entrar naquela casa.

Sejin rebateu imediatamente.

— Ficou maluco?

Mas o homem sorriu de canto, como se já soubesse que ele responderia aquilo, e olhou para Sejin. Aquela atitude despreocupada deixou Sejin ainda mais irritado. O fato de ele sorrir como se soubesse de tudo também não o agradava.

Não querendo render assunto com ele, Sejin fechou a boca novamente, e o homem olhou para frente enquanto perguntava.

— Então você vai viver assim como um sem-teto pelo resto da vida?

— …

Kwon Sejin não respondeu.

É claro que ele também tinha seus planos. Não estava vivendo na rua sem nenhuma alternativa, como o homem pensava. Não muito longe da Shinsa Capital, havia um abrigo de proteção para menores. No dia em que se encontrou com Kim Hyunkyung, Sejin havia saído do carro do homem e ido direto para lá.

O motivo de Sejin saber da existência do abrigo era por causa de um ser humano que ele tinha vontade de matar. Anos atrás, incapaz de suportar a violência de seu pai embriagado, Sejin havia fugido de casa levando Kim Hyunkyung consigo. Naquela época, ele procurou o abrigo e pediu para passarem apenas uma noite, mas, pelo fato de mãe e filho estarem juntos, eles foram recusados. Por causa de uma infelicidade incompleta, não puderam receber ajuda.

Ele havia esquecido completamente disso depois daquele episódio, mas a lembrança voltou no caminho de volta após ver sua mãe. Por isso, Sejin foi ao abrigo na quarta-feira e pediu ajuda. No entanto, ironicamente para um lugar chamado “abrigo de proteção para menores”, eles não puderam ajudar Sejin de imediato dessa vez também. O motivo era que a capacidade do local estava lotada. Sejin chegou a se sentir um pouco injustiçado, pensando em como podia haver tantas crianças infelizes no mundo. Era um absurdo completo, a ponto de ele se perguntar que tipo de merda precisava acontecer para que alguém conseguisse ajuda na hora.

De qualquer forma, ao ouvir que haveria uma vaga se esperasse cerca de uma semana, Sejin estava apenas aguentando essa semana no prédio da Shinsa Capital. Como o homem dissera, ele jamais viveria como sem-teto pelo resto da vida.

Ele também tinha seus próprios planos para depois que entrasse no abrigo. Pretendia trabalhar enquanto frequentava a escola a partir do abrigo. Resolveria as refeições na escola durante a semana e, nas férias, planejava trabalhar meio período em tempo integral para ganhar dinheiro. Claro, o problema era que conseguir essa vaga de meio período seria difícil.

— Kwon Sejin, responda. Estou perguntando se você não tem outra alternativa além de viver como sem-teto.

— Por que fica se intrometendo o tempo todo?! Eu também tenho meus planos!

O homem era persistente. Como Sejin permanecia em silêncio, ele continuou a pressioná-lo, tratando-o como uma pessoa lamentável. No fim, Sejin soltou um grito e, bufando, explicou o plano que havia traçado. Claro, a reação que recebeu não foi nada boa.

Cheon Seju olhou fixamente para Sejin com uma expressão que mostrava que aquilo estava longe de atender às suas expectativas. Em seguida, passou a mão pelos cabelos e, soltando um suspiro indignado, apontou.

— Você acha que o abrigo é algum tipo de hospedagem gratuita? Quanto tempo acha que pode ficar lá? Um mês? Dois meses? Garanto que em uma semana vão mandar você ir embora.

Havia convicção nas palavras do homem enquanto explicava aquilo. O que ele sabia? Sejin ficou irritado com o que dizia aquele sujeito que parecia ter vivido na fartura a vida inteira.

— Então, o que você tem a ver com isso?!

Contudo, mesmo que ele gritasse, o outro era implacável. O homem continuou a falar, fingindo não ouvir Sejin.

— Crianças que deram o azar de ter pais ruins como você são poucas no mundo? O que mais tem por aí é jovem querendo entrar naquele lugar.

— Não chame ele de pai! O único que dei o azar de conhecer foi aquele desgraçado do Kwon Yongbum.

O homem soltou uma risada nasal diante da forma hostil como ele se referiu ao próprio pai e corrigiu a fala. Certo, crianças que deram o azar de ter um pai ruim. E então, abriu a boca novamente.

— Uma semana de espera e a vaga abre? Pense logicamente. Os jovens que estão no abrigo entraram lá porque tiveram problemas em suas vidas. Mas seria possível resolver esse problema em apenas uma semana? Uma questão séria a ponto de fazer alguém fugir de casa? Eles também são expulsos por falta de opção. Porque não há vagas. Porque jovens como você aparecem pedindo um lugar, e eles não podem implorar para ficar mais tempo com pessoas que fazem pouco caso, dizendo que já protegeram o suficiente, então acabam sendo jogados na rua de novo.

— …

— Acha que com você vai ser diferente? Antes mesmo de conseguir o dinheiro para o depósito de um quarto no subsolo, você estaria na situação de sem-teto de novo. E você me explica isso agora como se fosse um plano? Eu não diria nada se você falasse que ia para um orfanato.

O homem soltou uma risada sem graça e balançou a cabeça. Sejin o encarou e franziu os lábios. Como o homem havia rido com tanto desdém do plano que ele tinha traçado, pensou que ele teria alguma outra solução, mas a única coisa que ele soube dizer foi para ir a um orfanato.

— Por que eu iria para um orfanato? Aquele é um lugar para quem não tem pais. Eu tenho mãe.

Diante da resposta afiada de Sejin, o homem ficou em silêncio por um instante. Seus olhos negros se voltaram fixamente para Sejin. Ele permaneceu de boca fechada, parecendo pensar em algo, e só depois de um bom tempo explicou.

— Não é um lugar onde vão apenas crianças sem pais. Há pais que deixam os filhos temporariamente em orfanatos por não terem condições de cuidar deles no momento. Talvez a sua mãe tivesse feito isso se tivesse condições.

Diferente de antes, o deboche havia sumido da voz baixa do homem. Mesmo assim, Sejin se sentiu mal. Orfanato. Sejin soltou uma risada nasal e continuou.

— Não me faça rir. Mesmo que existam pessoas assim, no fim não é algo temporário. Elas deixam os filhos lá, não voltam para buscar e todos acabam abandonados. Eu sei pelo menos isso. Além disso, quem deixa os filhos nesses lugares está abandonando as crianças. Então, minha mãe não faria isso.

— …

Diante das palavras firmes de Sejin, o homem finalmente fechou a boca, como alguém que havia perdido os argumentos. O sinal vermelho acendeu, e ele olhou para Sejin mantendo o pé no freio. Ao encontrar aquele olhar, Sejin pensou por um momento se havia cometido algum deslize ao falar. O motivo era que o humor do homem parecia extremamente deprimido.

Mas por que eu preciso me importar com isso? Esse pensamento surgiu em Sejin de repente, fazendo-o se esforçar para virar a cabeça em direção à janela. Não tinha energia para considerar o humor de um homem que ficava se intrometendo sem motivo e usando sua mãe para ameaçá-lo.

Enquanto isso, o carro continuava a seguir para algum lugar. Sabia que estavam indo em direção à casa do homem, mas Sejin não conseguia pular para fora do carro com o pensamento de que ele mantinha sua mãe como refém. Como ele permanecia em silêncio, ansioso, o outro falou com Sejin apenas depois de um longo tempo.

— De qualquer forma, como sua mãe disse, preciso de alguém para trabalhar na minha casa. Não vou cobrar aluguel, então fique em casa fazendo suas tarefas. Só até você se tornar adulto.

Sua mãe havia falado sobre aquele assunto na semana passada. No entanto, o homem estava agindo com generosidade por conta própria, como se tivesse acabado de ouvir o pedido. Se era para ser assim, ele deveria ter aceitado antes de sua mãe se curvar. Assim, ela não teria ficado triste. Não tinha a menor vontade de seguir o homem, mas, mesmo assim, seu estômago revirou de raiva. Como Sejin não respondeu nada, o homem soltou um suspiro curto e o pressionou.

— Responda.

— Eu já respondi antes. Ficou maluco se acha que eu vou para a sua casa?

— …Ah.

Diante da recusa afiada, o homem olhou para Sejin, fechou os olhos devagar e os abriu. Com uma expressão cheia de irritação, Sejin também não se sentiu bem. Quem é que está irritado aqui? O homem era quem estava ignorando completamente o plano de vida que ele havia estabelecido com tanto esforço e o arrastando contra a vontade. Sejin era quem deveria estar furioso, então ele não conseguia entender de jeito nenhum por que o outro exibia aquela expressão.

Quem visse pensaria que eu fiz algo errado. Enquanto Sejin fechava a boca com força e o encarava, o homem passou a mão brutalmente pelos cabelos. Desgrenhou aqueles fios pretos de uma forma que parecia saída de um comercial e, logo em seguida, sussurrou com uma voz extremamente assustadora.

— Se não vier comigo, vou dizer à sua mãe que você está vivendo como um sem-teto.

— …O quê?

— Só isso? Vou explicar que você está sofrendo bullying e apanhando dos garotos na escola. Vou dizer que dorme no meio da rua, anda passando fome sem conseguir comer e falar que, se continuar assim, vai ter uma morte súbita ou morrer congelado no inverno.

— Quem é que está apanhando?!

Ao contrário da voz, o conteúdo era uma ameaça baseada em uma falsificação vulgar. Embora tivesse tido pequenas brigas com a gangue de Lee Haegyun, não andava apanhando unilateralmente deles. Diante do que ele disparou, Sejin gritou, achando aquilo um absurdo. O homem continuou a falar sem se abalar.

— Sua mãe provavelmente não vai conseguir nem comer direito de tanta preocupação com você. Mas, como não consegue falar com você, vai ficar preocupada e pode se perder na montanha tentando vir escondida para Seul. Você viu daquela vez, não viu? O restaurante fica em cima da montanha. Na encosta da montanha, mesmo com o tempo atual, num piscar de olhos se morre de hipotermia.

— Ficou maluco? Quem você pensa que é? Por que está fazendo isso se eu disse que não quero? Não fale uma coisa dessas para a minha mãe!

Embora tivessem ficado sem contato por apenas uma semana, Kim Hyunkyung não conseguiu dormir nem comer direito durante esse tempo. Ela dizia que não, mas Sejin, sendo seu filho, sabia que ela não havia passado um único dia em paz por se preocupar com ele. Dizer que explicaria a situação para uma pessoa assim, e ainda por cima exagerando daquela forma em vez de contar a verdade, significava que sua mãe poderia desmaiar antes mesmo de ele morrer congelado na rua. Sejin cerrou os dentes com a imagem que fez seu coração parar. Olhando para ele, o homem disse com uma voz tranquila.

— Não quer preocupar a sua mãe? Então faça o que eu digo.

— Por que diabos está fazendo isso?!

O homem era implacável. Queria ditar as regras na vida dos outros e controlá-la como bem entendesse. O mais difícil de suportar era o fato de que a vida de Sejin estava balançando perigosamente, a ponto de mudar 180 graus por causa da compaixão do homem e de uma ajuda que para ele não passava de esmola.

Seu orgulho foi ferido. Sejin, com a raiva subindo até o topo da cabeça, ficou com os olhos marejados. Chorar sempre que sentia raiva era uma reação física que Sejin não conseguia controlar. Como detestava aquilo, tentava aguentar o máximo que podia, mas não conseguiu mais conter a fúria diante do homem que agia de forma tão egoísta. Sejin gritou em meio à indignação.

— Quem é você para se intrometer na minha vida! Você nem está fazendo isso porque quer ajudar de verdade! Por que continua insistindo com alguém que diz que não quer! Porra, eu estou dizendo que não quero!

Os cantos dos olhos avermelhados ficaram úmidos e, logo em seguida, as lágrimas rolaram pelas bochechas. Sejin bufava enquanto esfregava o rosto com força com as costas da mão. Não conseguia conter a indignação. Mesmo que todas as pessoas do mundo se intrometessem com ele, aqueles desgraçados de agiotas e gângsteres eram os únicos que não tinham o direito de se intrometer. No entanto, esse homem agia como se estivesse desesperado para entrar em sua vida.

Como ele continuava agindo assim, parecia mesmo que se preocupava de verdade com ele. Sejin odiava aquilo. Entre tantas pessoas, ele detestava que logo esse homem estivesse preocupado com ele.

— Não finja ser bonzinho… É realmente nojento ver alguém como você agindo como se fosse grande coisa. Se não fosse por vocês, para começar, nada disso teria acontecido, então por que porra está fazendo isso agora…

A voz, que ficava cada vez mais baixa, embargou. Sejin respirava arfante enquanto esfregava os olhos com força. Sem se dar conta de que a pele já estava vermelha de tanto esfregar, tentava apagar os rastros de suas lágrimas. Mesmo diante das palavras cheias de injustiça e ressentimento de Sejin, o homem não respondeu nenhuma vez. Ele apenas dirigiu o carro sem dizer uma única palavra de consolo, sem nenhuma outra ameaça e sem dizer para descer se estivesse achando tão ruim.

Com o passar do tempo, Sejin começou a se sentir um pouco sem jeito. O que preencheu novamente o pote de emoções que se enchia e esvaziava rapidamente, também dessa vez, foi a vergonha e o arrependimento. Enquanto ele pudesse exercer influência sobre sua mãe, Sejin não tinha poder de escolha. Se o homem quisesse, Sejin acabaria sendo arrastado para a casa dele de qualquer forma.

Sabendo perfeitamente desse fato, Sejin se arrependeu de ter disparado palavras cruéis contra o homem cinco minutos atrás. Por que sou tão impaciente? Junto ao breve arrependimento, veio também a humilhação que subiu ao se dar conta de que já havia chorado duas vezes na frente do homem.

No entanto, não tinha vontade de pedir desculpas a ele. Afinal, o homem provavelmente estava apenas oferecendo compaixão por um capricho momentâneo. Como não ficaria muito tempo naquela casa, não havia motivo para abaixar a cabeça e tentar se dar bem com ele.

Enquanto Sejin agia com teimosia para vencer o sentimento de humilhação e impotência, o carro em que estavam passou pela Seoul Forest e entrou em um complexo de apartamentos.

— Ei.

O homem abriu a boca somente depois de estacionar o carro na garagem subterrânea. Era a vaga ao lado da Lamborghini branca em que Sejin havia andado da última vez.

— Empurrar o ombro também é violência.

E então, disse palavras aleatórias para Sejin.

— Você disse que não andava apanhando.

Como Sejin o encarava se perguntando do que ele estava falando, ele explicou daquela forma. Só então Sejin percebeu que o homem estava rebatendo o que ele havia dito antes. Ele estava apontando para a fala de Sejin, que havia gritado perguntando quem andava apanhando. E daí? Sejin lançou um olhar emburrado. Diante daquele olhar, o homem soltou um suspiro curto, passou a mão pelos cabelos e disse.

— Não se acostume com esse tipo de coisa.

— …

Sejin encarou o homem como se estivesse realmente irritado. Agiota. Vagabundo. Gângster desgraçado. Traficante de pessoas. Velho ranzinza. Intrometido. Hipócrita. Guardando essas palavras para si, ele disparou contra o homem.

— Arrastar alguém assim contra a vontade também é violência. Cuide da sua própria vida.

— Você realmente não deixa passar nenhuma palavra, não é?

Diante daquela resposta, o homem soltou uma risada nasal e sorriu. Mesmo que Sejin falasse informalmente e dissesse todo tipo de coisa, o homem transbordava segurança, como se ouvir aquilo de alguém pequeno como ele não causasse nenhum impacto. Era uma pessoa irritante de ponta a ponta.

Sejin desceu do carro pensando que, se pudesse, gostaria de pegá-lo pelo colarinho. Fechou a porta com um estrondo e caminhou em direção ao elevador, pensando se a única opção que lhe restava era mesmo entrar naquela casa. Então, de repente, lembrou-se do que o homem havia dito da última vez.

Tinha dito que pretendia vendê-lo por ser bonito, mas que o plano deu errado por ser um garoto? Sejin franziu a testa e olhou para o homem parado ao seu lado. Não seria possível que ele tivesse mudado de ideia agora, seria? Pensando em começar a vender garotos também a partir de agora…

— Entre logo.

Enquanto isso, o elevador já havia chegado sem que ele percebesse. Sejin entrou no elevador com passos hesitantes, como se estivesse se protegendo. Com olhos desconfiados, observou o homem apertar o botão do 41º andar e apoiar as costas na parede do elevador, e falou em tom de aviso.

— Eu sou baixo e não sei trabalhar, então não sirvo para nada. Não tente nenhuma gracinha.

— …O quê?

Diante do aviso repentino, o homem arregalou os olhos como se tivesse ouvido um absurdo. Em seguida, repensou as palavras de Sejin devagar e soltou uma risada audível, achando aquilo ridículo.

O rosto magnífico, que parecia ter sido pintado com toda a dedicação de um pincel, foi tomado pelo sorriso. Sejin se sentiu mal de novo por parecer ter sido ignorado. Enquanto permanecia de boca fechada e com o rosto emburrado, o homem, que riu por um bom tempo, sussurrou de forma travessa ao sair do elevador.

— Parece que você não sabe de nada, mas garotos bonitinhos como você têm mais demanda do que as garotas.

— …

Sejin entendeu aquelas palavras apenas depois de um tempo. Pensar que o homem realmente poderia vendê-lo fez um calafrio subir por sua espinha, deixando-o arrepiado.

Ao olhar para cima assustado, o homem exibia uma expressão cheia de travessura, algo que não era comum nele. No entanto, Sejin ficou genuinamente ansioso. Não era possível que ele o tivesse trazido com essa intenção de verdade, era…? Um senso de perigo tardio tomou conta de todo o seu corpo.

Contudo, não dava para voltar atrás agora. O poder de escolha não existia para Sejin. Por isso, ele se esforçou para fingir calma e soltou uma risada nasal. Passou pelo homem que segurava a porta como se dissesse para entrar primeiro e gritou.

— Se tentar alguma palhaçada, eu vou denunciar você de verdade!

O homem caiu na risada novamente com aquela fala. Sejin engoliu os xingamentos mentalmente diante da ansiedade inexplicável. Parecia mesmo que o homem iria vendê-lo em algum lugar. Só então, sentindo um pouco de medo, Sejin tirou os sapatos de qualquer jeito e fugiu para o quarto onde havia ficado.

Era o começo de uma coabitação bizarra.

Shadow(3)

Aconteceu há 30 anos o fato de Cheon Seju ter sido abandonado em frente ao Orfanato Anjo.

Quando os sinos que anunciavam o início do ano novo ecoavam e muitas pessoas sorriam desejando um ano feliz, a irmã Maria, diretora do Orfanato Anjo, que estava rezando junto com as freiras, ouviu um choro vigoroso vindo do lado de fora da porta.

Ao vestir as roupas às pressas e sair, viu um recém-nascido deixado sozinho no chão frio da rua. A criança, que havia chegado no ano novo, estava embrulhada em uma manta grossa, com o rosto vermelho, chorando como se o mundo fosse acabar. Era um choro vigoroso que chamava Maria para si, pedindo para que notassem sua existência e o salvassem.

Maria, que pegou a criança nos braços às pressas, agradeceu a Deus por ter lhe dado mais uma oportunidade de salvar uma vida e beijou a testa do bebê. E para a criança que anunciava sua existência ao mundo com um som barulhento capaz de ensurdecer, ela deu o nome de Seju, desejando que ele se tornasse o dono do mundo.

Cheon Seju nasceu dessa forma.

Ele era uma criança que nascera inteligente desde pequeno. Começou a dar os primeiros passos antes mesmo de completar 10 meses e já dominava a linguagem com fluência antes dos dois anos. Por ser mais esperto do que qualquer um, Seju aceitou cedo a situação em que se encontrava. Graças a isso, foi o primeiro a amadurecer entre as crianças do orfanato. Cheon Seju nunca brigava com os amigos na escolinha e sabia agir compreendendo o coração de Maria e das outras freiras. Ele era uma criança que cuidava perfeitamente de si mesma desde pequeno. O ano em que esse Cheon Seju teve sua primeira briga com os outros foi quando completou oito anos.

No verão em que a chuva caía tanto que mal se conseguia enxergar à frente, a mulher que havia deixado Cheon Seju há 8 anos abandonou um bebê em frente ao orfanato mais uma vez e fugiu. A pessoa que encontrou aquela criança foi, por coincidência, a primeira a ser abandonada por ela.

Aconteceu quando ele voltava do mercado de capa de chuva para fazer um favor para a irmã diretora. Cheon Seju encontrou um pequeno embrulho de coberta deixado junto com um guarda-chuva em frente à porta do orfanato. Ao se aproximar para ver, um bebê de rosto alvo dormia com os olhos fechados delicadamente. Cheon Seju achou o bebê muito fofo e pegou o cartão postal que estava enfiado no cueiro que envolvia a criança.

As gotas de chuva que caíam sem parar invadiam o lado de dentro do guarda-chuva que cobria o bebê. Junto com o som da chuva que ecoava nos ouvidos, Cheon Seju leu a carta deixada pela mãe da criança em voz alta.

“É o irmão mais novo do Seju. Por favor, criem-no como parte da família. …Me desculpe.”

Naquele dia em que a chuva caía branca, Cheon Seju ganhou um irmão.

A mulher já sabia que a criança que havia deixado antes recebera o nome de Cheon Seju. Talvez a mãe deles fosse uma das mulheres que faziam trabalho voluntário no orfanato longe dos olhos de Maria. No entanto, Maria não fez questão de procurá-la. Não sentiu pena dela tentando adivinhar as circunstâncias que a impediam de criar o filho. Apenas agradeceu pelo fato de Seju não estar mais completamente sozinho no mundo dos órfãos e entregou-lhe o irmão.

Não era mãe nem pai, mas ele tinha uma família. Cheon Seju ficou extremamente feliz com esse fato e jurou a Deus que protegeria bem o seu irmão. A partir daquele dia, a criança se tornou o pilar que sustentava a vida de Cheon Seju.

A criança, cujo cordão umbilical ainda nem havia caído, era muito diferente de Seju, que sempre chorava vigorosamente. Não chorava alto como Cheon Seju e, mesmo quando estava com fome ou com a fralda encharcada, era raro emitir algum som. Como ele parecia estar bem, se desviasse o olhar por um momento, ele regurgitava o leite e encharcava a roupa em silêncio, de modo que as freiras não tinham outra escolha a não ser prestar mais atenção e cuidar daquela criança. Por isso, Maria deu àquela criança o nome de Hyein. Hyein era uma criança que nascera com a sabedoria para viver no mundo.

No orfanato, havia mais crianças deixadas pelas mãos dos pais, como Cheon Seju e Cheon Hyein, do que crianças que haviam perdido os pais. Ali, as crianças esperavam diariamente pelos pais que viriam buscá-las. No meio disso, Cheon Seju, que de repente ganhou um membro da família para ficar junto, tornou-se alvo de inveja das crianças.

As crianças provocavam Cheon Seju dizendo que, como ela havia deixado até o irmão dele, a mãe dele jamais viria buscá-lo. Por outro lado, sentiam inveja do fato de a mãe de Seju saber que seus filhos estavam naquele lugar. Isso porque, às vezes, os pais delas pareciam esquecer que elas estavam no orfanato, deixando de dar notícias de repente.

Naquela época, Cheon Seju era uma cabeça mais alto do que os outros amigos, então as crianças maldosas, em vez de bater de frente com ele, maltratavam Cheon Hyein, que nem conseguia falar. Tiravam a coberta da criança deitada e pegavam a mamadeira que ela segurava firme para jogá-la longe.

Cheon Seju não tolerou aquilo. Seju, que ganhou algo para proteger pela primeira vez em 8 anos, golpeou um dia o amigo que havia maltratado seu irmão usando uma pedra que rolava pelo quintal dos fundos do orfanato.

Maria ficou muito assustada com a violência que ele demonstrou, mas aliviou sua preocupação ao perceber que aquilo era para proteger Cheon Hyein. Em vez de dar uma bronca em Cheon Seju, ela o ensinou o que ele deveria fazer para proteger o irmão. Sussurrou que a violência era um meio temporário e que, para proteger o irmão, ele precisava se tornar uma pessoa maior e melhor. A partir daquele momento, Cheon Seju apenas esperou para se tornar logo um adulto capaz de proteger seu irmão.

Até o momento em que Cheon Seju se tornou estudante do ensino fundamental e Cheon Hyein completou 6 anos, a mãe deles não apareceu no orfanato. Enquanto os amigos cujos pais haviam estabilizado a vida eram levados um a um e desapareciam, os dois irmãos permaneceram ali até o fim.

Um dia, ao perceber de repente que sua mãe jamais viria buscá-los, Cheon Seju se deu conta de que teria que fazer o papel de pai e mãe para Hyein. A partir daquele momento, Seju começou a estudar.

Embora tivesse nascido inteligente, não era fácil alcançar os amigos que estudavam recebendo o apoio dos pais. No entanto, Cheon Seju passava as noites em claro decorando os livros didáticos por completo e olhava para os livros de apoio que conseguia com os professores com a intenção de decorar até os pontos finais.

Cheon Seju traçou como objetivo entrar na faculdade de medicina. Não era porque ele tinha uma missão grandiosa de salvar pessoas. Ele apenas passou a ter esse sonho por causa de Hyein, que achava que médico era a melhor profissão do mundo.

O esforço se somou à inteligência natural. Quando completou dezenove anos, Cheon Seju entrou em primeiro lugar na faculdade de medicina da Universidade Hankuk, que tinha a nota de corte mais alta da Coreia. Como o registro de nascimento havia sido feito no dia 1º de janeiro, sua entrada foi um ano mais cedo do que os outros. Por isso, Cheon Seju pôde permanecer no orfanato até terminar o primeiro ano da faculdade.

No entanto, após completar vinte anos, teve que deixar o orfanato. Cheon Seju conseguiu um quarto na cidade usando os 5 milhões de won que recebeu como auxílio de assentamento, os 10 milhões de won apoiados por um patrocinador anônimo e o dinheiro que ganhou fazendo aulas particulares nas horas vagas durante um ano. E então, tirou sua irmã Cheon Hyein do orfanato.

A Universidade Hankuk ficava em Seul, e o orfanato localizava-se em Suwon. Como era possível viver no alojamento, na verdade não havia necessidade de procurar uma casa, mas Cheon Seju queria dar a Hyein uma casa que fosse totalmente dela. Queria criar um espaço próprio que ela não precisasse compartilhar com os outros em uma fase em que Hyein estava no auge da sensibilidade.

Dessa forma, Cheon Seju frequentava a escola a partir do alojamento e passava em casa todo fim de semana para cuidar de Hyein. Durante esse tempo, Cheon Hyein, que era estudante do ensino fundamental, era deixada na casa que ele havia conseguido. O desejo de criar uma casa apenas para a sua família. Esse desejo fez com que Hyein ficasse sozinha em uma casa vazia. Transformou-a em uma pessoa solitária. No entanto, o Cheon Seju daquela época não sabia disso.

Para se tornar médico, era preciso estudar poupando até o tempo de sono, e Cheon Seju não era exceção. Além disso, como havia coisas que não podiam ser resolvidas apenas com a bolsa de estudos e o patrocínio, ele precisava dividir o tempo que não tinha para fazer aulas particulares a fim de conseguir o dinheiro para os gastos e o sustento de Hyein.

Dessa forma, 6 anos se passaram. Cheon Seju, que se formou na faculdade de medicina e passou no exame nacional obtendo a licença médica, tornou-se interno no hospital da Universidade Hankuk. Após se tornar interno, o tempo pessoal passou a ser quase inexistente. Em termos de distância, estava muito mais perto de Hyein do que quando morava no alojamento, mas, como só conseguia ver Hyein cerca de duas vezes por mês, Cheon Seju não percebeu a mudança nela.

Hyein, que recebia olhares tortos dos colegas de orfanato sempre que Cheon Seju não estava, cresceu como uma criança que não demonstrava seus sentimentos por fora devido à sua natureza somada ao ambiente de crescimento, e isso era o mesmo em relação ao seu irmão Cheon Seju. Hyein não contou a Seju que estava sofrendo bullying na escola.

Por não querer criar preocupações sem necessidade para o irmão que havia se tornado médico, por não querer ser um fardo, por não querer atrapalhar, por não querer ser um obstáculo no futuro dele. Por isso, Cheon Seju soube do fato de Hyein ter sofrido bullying apenas depois de realizar o funeral dela.

A decisão de Cheon Seju de se tornar médico foi exclusivamente por causa de Hyein. Porque ela havia dito a Cheon Seju para se tornar médico e ajudar pessoas pobres como eles. No entanto, passando pelo curso pré-médico e pelo curso de medicina, totalizando 6 anos de estudos, um objetivo também surgiu para Cheon Seju.

Também dessa vez, não era um objetivo altruísta de querer salvar pessoas. Apenas olhando para os professores que andavam em carros bons e vestiam roupas boas, Cheon Seju passou a querer entregar apenas coisas boas para Hyein também. Uma casa grande de fazer os olhos saltarem, uma casa quentinha onde o vento não passasse, comida para saborear o gosto e não apenas para encher a barriga, roupas caras que tivessem tanto função quanto design.

E agora, tudo o que ele queria ter feito por Hyein estava reunido em um só lugar. No entanto, a pessoa que estava recebendo aquilo não era Cheon Hyein, mas outro alguém. Além disso, ele exibia uma expressão franzida, como se tudo aquilo fosse apenas desagradável.

— …

Cheon Seju estava sentado com o queixo apoiado na mesa. Estava observando fixamente o garoto que mexia os palitinhos sem parar enquanto controlava suas reações. Já que ia comer bastante, que comesse com o humor um pouco melhor; era engraçado ver como ele mastigava a ponto de gastar a mandíbula enquanto exibia estampado no rosto que não estava comendo por estar gostoso.

Kwon Sejin, que havia fugido às pressas para o quarto diante da piada travessa que Cheon Seju disparou ao sair do elevador, permaneceu trancado lá até o momento em que ele foi até a frente de casa para embalar uma refeição de pratos completos. Como ele não saiu mesmo batendo na porta, deu uma olhada de leve e, vendo que ele dormia profundamente na cama, acordou-o para comer e dormir há 30 minutos.

Sejin olhou para as comidas que Cheon Seju havia alinhado e sentou-se com uma expressão de “um gângster desgraçado comendo pratos completos? Ele faz de tudo”. Feito isso, enquanto Cheon Seju nem havia pegado os palitinhos, ele sozinho estava esvaziando todas as tigelas. Já havia percebido desde quando ele comeu os dois frangos inteiros, mas ele comia bastante para o tamanho do corpo.

— Pare de olhar um pouco. Está fazendo isso de propósito para eu ter indigestão?

Como ele não comia e ficava apenas olhando fixamente, Sejin não aguentou e perguntou arqueando as sobrancelhas. Sendo baixo, com mãos pequenas e lábios pequenos, a falta de educação também era tão pequena a ponto de não existir, de modo que ele não sabia usar a terminação polida de jeito nenhum. Cheon Seju, sem se importar com a reação de Sejin, olhou para ele enquanto bebia cerveja e perguntou.

— Por que você falou formalmente com a gerente do Ihwakahk e fala informalmente comigo?

A gerente do Ihwakahk, Han Jiwon, e Kwon Sejin se encontraram apenas uma vez, na última quarta-feira. Quem o acolheu, alimentou e ajudou foi ele, mas Sejin não via a hora de espetar os espinhos para o seu lado, enquanto havia sido educado com ela. Não era como se estivesse com raiva ou com o humor ruim por causa disso, mas tinha curiosidade sobre que resposta Kwon Sejin daria.

— Disseram que o tratamento formal é usado apenas com pessoas que merecem respeito.

— Quem. A professora do jardim de infância?

Diante da pergunta sarcástica acompanhada de um riso de canto, Sejin encarou Cheon Seju e continuou.

— Aquela gerente é uma pessoa que trabalha no setor de serviços. Pessoas que fazem esse tipo de trabalho merecem ser respeitadas. Porque são pessoas que trabalham curvando a coluna para pessoas… como você.

Deu para ver Sejin mordendo os lábios no meio do caminho ao perceber o deslize, mas Cheon Seju não se importou. Era um critério muito peculiar. Balançando a cabeça, ele esvaziou a lata de cerveja que restava pela metade e despejou o saquê que estava ao lado no copo. Pegou o último peixe-serra para onde os palitinhos de Sejin se direcionavam, colocou-o na boca e virou de uma vez o copo cheio de saquê. E então, com um sorriso no rosto, perguntou de novo.

— Eu trato tão bem uma criança mal-educada como você, não sou digno de respeito também?

Sejin soltou uma risada nasal.

— Com você, até uma única letra polida é desperdício. Como posso respeitar você se você traz alguém que diz que não quer seguindo a sua própria vontade?

Olhando para o rosto emburrado dele, Cheon Seju riu alto. Vendo a atitude consistente de Kwon Sejin, parecia que, na cabeça dele, ele era um lixo humano com quem nunca mais deveria se misturar. Mesmo assim, como ele estava sentado comportadamente na sua frente comendo conforme mandava, dava para prever o quanto Sejin devia estar com o orgulho ferido por dentro.

Para Sejin, Cheon Seju devia parecer um dos agiotas da Shinsa Capital que levou sua mãe. Não a teriam levado com mordomias sendo que ela ia pagar uma dívida, e como devem ter arrastado uma pessoa que não queria, a desconfiança e a aversão que Sejin demonstrava por ele eram naturais.

Além disso, pelo que ouviu, a mãe dele nem havia carimbado os documentos do empréstimo diretamente, de modo que, do ponto de vista de Kwon Sejin, era como se tivessem levado uma pessoa que vivia perfeitamente bem, impondo-lhe uma dívida falsa, então não deveriam considerá-lo como um santo apenas por não ter pego uma faca para matá-lo agora mesmo?

Mesmo assim, Kwon Sejin expressava seu ódio apenas com a fala informal e com olhares tortos pensando na mãe. Aos olhos de Cheon Seju, ele parecia apenas digno de pena e fofo.

Como Cheon Seju ficava olhando fixamente para ele, Sejin sentiu-se mal sozinho e largou os palitinhos. Como a maioria das tigelas já estava vazia, a desculpa de não comer por estar de mau humor ficava um pouco feia, mas, de qualquer forma, Sejin perdeu o apetite.

Ele pegou o copo que estava ao lado, virou a água em grandes goles e disse.

— Eu claramente não queria vir, mas você me trouxe à força. Então não pense em me mandar fazer nada.

Pelo visto, Kwon Sejin ainda queria agir conforme os seus planos. Diante da fala que parecia quase uma ameaça, Cheon Seju deu de ombros e respondeu.

— Que seja.

Diante daquela atitude indiferente, Kwon Sejin franziu os olhos em formato de triângulo novamente. E então revelou a intenção oculta.

— Não vou limpar e não vou fazer comida. Se não gostar, me expulse.

— Não estou mandando fazer nada. Faça o que você quiser.

— Eu não vou mexer nem um… nem um dedo!

— Já disse para fazer o que você quiser.

— …

A intenção era transparente demais. Deixando para trás o olhar afiado que parecia irritado com a sua atitude relaxada, Cheon Seju pegou o celular que estava ao lado. Como moravam na mesma casa, precisavam pelo menos saber o contato um do outro.

Mas no momento em que ia entregar para Sejin para que ele digitasse o número, de repente lembrou-se do que ele dizia para a mãe no Ihwakahk. Tinha dito que o celular havia sido bloqueado por falta de pagamento.

Cheon Seju fez um gesto com o queixo para Sejin.

— Onde está o celular? Me dê aqui.

Sejin, que olhava disfarçadamente para a panqueca de carne que restava sobre o prato, levou um susto e ergueu os olhos. Com o rosto emburrado, ele olhou para Cheon Seju, revirou o bolso do moletom velho e tirou o celular.

— …

No entanto, o que foi colocado sobre a mesa exibia uma aparência que mal podia ser chamada de celular. Algo assim deveria ser chamado de relíquia ou sucata.

Cheon Seju, com o rosto relutante, apertou a tela cheia de fita adesiva. Havia rachaduras que estalavam não apenas na superfície do vidro, mas também na imagem. Como ele conseguia usar aquilo de verdade? Mesmo quando frequentava a escola a partir do orfanato, Cheon Seju usava algo em melhor estado do que aquilo.

Ele fixou o olhar no papel de parede do celular onde Sejin exibia o rosto colado com o de sua mãe e, logo em seguida, devolveu-o a Sejin.

— Onde você carregava isso? A bateria está cheia para algo que nem faz ligações.

— Na estação de metrô… Não importa se faz ligação ou não.

Sejin, que pegava a panqueca de carne de leve, respondeu como se estivesse hipnotizado pela pergunta dele e, logo em seguida, virou a cabeça soltando um “humph”. Vendo que ele enfiou a panqueca de carne na boca apesar de tudo, Cheon Seju soltou uma risada sem graça. Vendo que ele ficava fraco diante de comida, criança era criança.

— Coma e limpe.

— …Já disse que não vou mexer um dedo.

— Então deixe como está.

Parecia pensar que estaria perdendo se fizesse as tarefas domésticas. Cheon Seju deixou Sejin, que travava uma batalha de orgulho sozinho, e levantou-se do lugar. Abriu o celular e ligou para Sunhyuk.

— Sim, Chefe.

— Onde você está?

— Em casa. Já jantou? Quer que eu prepare algo e suba?

Moon Sunhyuk estava sempre ansioso por não conseguir fazer algo por Cheon Seju. Cheon Seju dirigiu-se ao banheiro. Mudou o celular para o viva-voz e respondeu enquanto tirava a roupa.

— Não, já comi. E os garotos? Comeram algo gostoso ontem?

— Sim, comprei algo caro para eles comerem. O caçula e Chuljoo foram para o escritório, e Jinyoung está descansando. Precisa de alguma coisa?

— Sim. Se tiver algum celular pré-pago sobrando, traga aqui em cima.

— Tenho um. Vou subir agora mesmo.

— Não, suba daqui a uns 30 minutos. Sabe a senha, não sabe?

— Sim, entendido.

Se dependesse da sua vontade, gostaria de trocar o celular que Sejin segurava por um novo para que ele não sofresse mais, mas não parecia que aquele garoto cheio de reclamações aceitaria facilmente. Também não queria convencê-lo com palavras boas para que aceitasse. Por isso, Cheon Seju planejava entregar a Sejin um celular pré-pago para ser usado apenas com o propósito de se comunicarem.

Seju, que desligou o telefone com Sunhyuk, entrou debaixo do chuveiro. A água quente caía sobre o tronco cheio de cicatrizes em vários lugares, e as marcas onde a pele nova havia nascido iam ficando avermelhadas. Ele permaneceu debaixo da água por um bom tempo, aliviando o cansaço acumulado no corpo. Depois de terminar o banho daquela forma, vestiu o roupão de seda fino que sempre usava em casa por cima do corpo nu, vestindo apenas a cueca.

A barra do roupão cinza-escuro se estendeu abaixo do colarinho preto. O tecido de seda cinza exibia um padrão exuberante bordado com uma linha de um tom ainda mais escuro, mas o padrão era tão denso que parecia apenas preto se a luz não refletisse. Cheon Seju cobriu a cabeça com a toalha daquele jeito, sacudiu a umidade de qualquer forma e saiu do banheiro.

Embora tivesse se lavado rapidamente, Sunhyuk já havia chegado quando saiu. Moon Sunhyuk, sentado na sala, encarava Sejin de forma assustadora com uma expressão de “quem é esse pirralho e por que está na casa do nosso Chefe?”.

Claro que Kwon Sejin não ficava atrás. Ele encarava Moon Sunhyuk com uma expressão de “olha o tipo de gente que se mistura” ao ver outro gângster aparecer na casa do gângster. Mesmo assim, por ter consciência, parecia estar limpando a mesa bem na hora, pois suas duas mãos estavam cheias de lixo. Cheon Seju ignorou o clima tenso que corria entre os dois e aproximou-se de Sunhyuk.

— Chegou?

— Sim, o que o senhor pediu está aqui.

Diante da voz de Cheon Seju, Moon Sunhyuk levantou-se imediatamente. Não dava mais para encontrar nenhuma desconfiança em sua atitude de curvar a cabeça em direção a Cheon Seju. Seju recebeu o celular pré-pago que ele entregou e balançou a cabeça somente depois de confirmar que ele funcionava perfeitamente.

— Obrigado. Pode ir.

— Descanse.

Sunhyuk endireitou a postura somente depois de curvar a coluna e abaixar a cabeça formalmente. O olhar dele, que passou ao lado de Cheon Seju, pousou novamente em Sejin. Embora fossem apenas as costas dele, sabia que Moon Sunhyuk devia estar olhando para Kwon Sejin com desdém. Cheon Seju soltou uma risada de canto vendo Sunhyuk e fez um gesto com o queixo para Sejin, que segurava o lixo nas mãos.

— Venha aqui.

— …Vou limpar isso primeiro.

Tirando os olhos de Moon Sunhyuk, que desaparecia ao dobrar o corredor, Sejin respondeu com o rosto irritado como se perguntasse por que o chamava de novo. No entanto, o movimento das mãos que limpavam a mesa era ágil. Juntou as tigelas descartáveis de luxo sobrepondo-as, abriu a água na pia para reunir o lixo de comida em um canto e, sem saber onde havia encontrado, limpou a mesa depois de torcer um pano, demonstrando uma habilidade de quem já havia feito aquilo mais de uma ou duas vezes.

— O que foi?

Pouco depois, Sejin aproximou-se do sofá onde ele estava, deixando bem claro que não havia limpado porque queria limpar. Então, parou de repente, franzindo a testa ao ver o corpo nu de Cheon Seju que aparecia pela fresta do roupão aberto. Kwon Sejin protestou com Cheon Seju com o rosto de quem havia visto o que não devia.

— Feche a roupa.

Jamais imaginou que ouviria uma fala daquelas. Cheon Seju, que arqueou as sobrancelhas tortamente, soltou uma risada sem graça. Exceto por caras como Chae Beomjun, não havia motivo para esconder o corpo de ninguém. Seu corpo exibia uma forma que merecia ser exibida. Diante do desagrado estampado nos olhos de Sejin, Cheon Seju puxou a ponta inferior do roupão elevando os cantos dos lábios.

— Quer que eu mostre a parte de baixo também?

— Ah!!

Enquanto ele balançava o roupão, Sejin soltou uma exclamação de irritação e virou a cabeça. Cheon Seju balançou os ombros sozinho e riu diante daquela reação de aversão. Tinha percebido desde quando entrou em casa, mas Sejin, que exibia reações vívidas, era divertido de provocar.

Ele riu por um bom tempo e endireitou a postura no momento em que Sejin disparou para ele parar. E então, fez uma ligação para o seu próprio celular usando o celular pré-pago que segurava e entregou-o para Sejin.

— Use isso quando andar por aí.

Diante da voz que voltou ao normal, Sejin moveu o olhar sem sequer desfranzir a testa que permanecia distorcida até agora. Ele olhou para o celular que Cheon Seju estendeu e cruzou os olhos com ele com uma expressão de quem perguntava o que deveria fazer. Olhando para ele, Cheon Seju explicou.

— Eu não deveria ter um meio de vigiar você? Se sumir algo na minha casa, você é o culpado.

— Quem roubaria um objeto comprado com o dinheiro ganho passando a perna nos outros?

O tom de Sejin ficava cada vez mais ranzinza com o passar do tempo. Pelo visto, ele achava que conseguiria ser expulso desta casa se continuasse respondendo daquela forma. Fingindo não saber da intenção óbvia, Cheon Seju balançou a mão.

— Os ladrões também dizem todos a mesma coisa. Pegue. Meu braço está doendo.

Kwon Sejin não ouvia quando falavam com palavras boas. Se dissesse que precisavam manter contato já que moravam juntos porque tinha curiosidade sobre onde e o que ele andava fazendo, com certeza ele teria soltado uma risada nasal e entrado para o quarto. No entanto, ao mencionar vigilância e tratá-lo como ladrão, Sejin, apesar de se sentir mal, recebeu aquilo comportadamente. Era uma atitude de quem dizia para vigiar se quisesse, já que ele não cometeria nenhum roubo.

Cheon Seju parecia saber agora, até certo ponto, como lidar com Kwon Sejin. Esse garoto pequeno só reagia quando mexiam com o orgulho dele.

— O número registrado no histórico de chamadas é o meu, então salve.

Diante das palavras de Cheon Seju, Sejin apertou o teclado numérico olhando para ele de relance. Observando aquela cena fixamente, Cheon Seju pegou o celular para fazer uma ligação para Sejin no momento em que ele parecia terminar de salvar e tomou o celular pré-pago dele.

— Me dá aqui!

Sejin, assustado, levantou-se num pulo e estendeu a mão. No entanto, bastou Cheon Seju empurrar a testa dele para que Sejin não conseguisse sair daquele lugar. Ignorando o garoto que bufava perguntando se ele estava maluco, Cheon Seju checou o celular pré-pago de Sejin.

“AgiotaGângsterVelhoGopista”

Tinha imaginado que seria algo assim, já que ele salvou demonstrando excesso de cautela. Cheon Seju soltou uma risada sem graça vendo o nome com o qual foi salvo na tela.

— Que falta de modos.

Não imaginava que seria pego de imediato dessa forma, de modo que Sejin exibia um ar assustado. Parecendo pensar que ele ficaria bravo, olhava de relance mordendo os lábios devagar. No entanto, como na verdade não era uma expressão errada, Cheon Seju apenas jogou o celular pré-pago sobre os joelhos de Sejin e disse.

— Você sabe o meu nome. Salve com o meu nome.

— …Como eu vou saber o seu nome?

Sejin queixou-se daquela forma e entrou nos contatos após a tensão diminuir diante do tom de voz casual. Apertou o botão de editar para mudar o nome com o qual ele foi salvo. E então olhou para Cheon Seju como se pedisse para dizer o nome. Quem achou aquilo um absurdo foi o próprio Cheon Seju.

— Eu não deixei a minha identidade com você?

Claramente havia entregado sua carteira de identidade para ele quando trouxe Kwon Sejin para casa pela primeira vez. Havia esquecido completamente disso depois e lembrou-se ao trazê-lo de novo… Diante da pergunta dele, Sejin franziu as sobrancelhas pensando e revirou o bolso da calça do uniforme escolar que vestia. Sejin, que encontrou a carteira de identidade de Cheon Seju naquele lugar, exibiu um rosto relutante.

— Achei que era falsa já que você nem veio buscar.

— É verdadeira. Agora devolva.

Cheon Seju recebeu a carteira de identidade de volta ao ver Sejin checar o seu nome. Observou-o mudar o nome segurando o celular e, logo em seguida, deitou-se no sofá pegando o controle remoto que estava ao lado.

Procurava algo que valesse a pena assistir apertando os botões com o rosto indiferente, mas sentiu que Sejin, sentado ao lado, não deixava o lugar. Esperando que ele abrisse a boca primeiro, Cheon Seju sintonizou em um canal de desenhos animados. Ouvia o urso sem calça cantar e, depois de um longo tempo, Sejin puxou assunto com ele.

— Sabe…

— O quê?

— Por acaso você é o dono de lá?

Diante da pergunta cautelosa que não combinava com Sejin, Cheon Seju lançou o olhar para ele enquanto abraçava uma almofada.

— Onde seria lá?

— Estou perguntando se você é o dono da Shinsa Capital.

O dono no papel da Shinsa Capital era um ser humano que nem Cheon Seju conhecia. Ele estava apenas frequentando o local para resolver a confusão dentro da Capital a pedido de Shin Kyoyeon, e isso era algo que ele deixaria de fazer em breve. Cheon Seju na verdade não tinha nenhuma relação com a Shinsa Capital.

— Não.

Quando ele balançou a cabeça com firmeza, Sejin perguntou de novo.

— Então você é o chefe dos gângsteres?

— …

Diante de uma denominação tão bizarra, Cheon Seju franziu os olhos e estendeu a mão. Tateando em algum lugar debaixo do sofá, tirou o cigarro e o isqueiro, acendeu o fogo na mesma posição em que estava deitado e respondeu mantendo o tabaco em um dos cantos dos lábios.

— Se eu for o chefe, o quê, vai passar a ter vontade de me respeitar?

— Não. Não é isso…

Sejin, que respondeu de imediato como se não houvesse o que pensar, abriu a boca hesitando de uma forma que não combinava com ele. Na verdade, apenas com aquela atitude, Cheon Seju conseguia adivinhar facilmente o que ele diria. Havia apenas um assunto no qual Kwon Sejin não espetava os espinhos.

— Você pode… me deixar ver a minha mãe de novo?

Diante da pergunta esperada, Cheon Seju ergueu o corpo enquanto fumava o cigarro calmamente. Ao sentar-se cruzando as pernas, o roupão de seda macio escorregou, revelando seus membros inferiores alongados. Suas coxas lisas, sem um único pelo, eram formadas por músculos finos e firmes, exibindo uma aparência que seria considerada bonita por qualquer um que olhasse.

Em seguida, os dedos longos de Cheon Seju passaram pelos cabelos que iam secando. Ele olhou para Sejin mantendo o cigarro na boca daquele jeito.

Sejin, que encontrou as pupilas frias que pareciam indiferentes, fechou a boca com força e não disse nada. Apenas abaixou os olhos devagar, assumindo uma atitude desolada como se pedisse para relevar só dessa vez.

— Você consegue fazer isso……

A voz sem forças ecoou pela sala. Fingindo-se de coitado apenas nessas horas. Cheon Seju pensou novamente em como ele era esperto e abriu a boca.

— Se frequentar a escola direitinho, eu deixo.

Cheon Seju não havia acolhido Kwon Sejin em casa sem pensar, apenas pelo fato de sentir pena. Trouxe-o com o pensamento de que se responsabilizaria por Sejin, que estava isolado no mundo sem ser protegido pelos pais ou por um tutor como Hyein, até que ele se tornasse adulto.

Responsabilidade, sim. Era responsabilidade. Se não fosse por esse estado de espírito, para começar, nem teria olhado para trás para ele.

Por isso, ele não podia tolerar Sejin negligenciando a escola. A oportunidade de aprendizado era limitada. O presente de Sejin era um período importante que definiria a vida dali para frente. O período em que o resultado vinha conforme o esforço e esse resultado se refletia diretamente na vida era exatamente esse momento. Especialmente para alguém que não tinha nada como Sejin, isso era ainda mais verdadeiro.

Por isso, não toleraria ver de jeito nenhum Kwon Sejin jogando fora aquela oportunidade, aquele tempo, diante de seus olhos. Era óbvio que Sejin o consideraria um hipócrita, mas Cheon Seju queria muito mandá-lo para a escola. Não queria deixar que Kwon Sejin perdesse a oportunidade.

Diante de sua fala, Sejin como esperado franziu a testa. Exibia uma expressão que perguntava por que ele se importava com aquilo. Cheon Seju disparou uma ameaça que não parecia uma ameaça contra ele.

— Se não for para a escola, vou contar tudo para a sua mãe. Que você desistiu da vida e anda frequentando a escola como se fosse um restaurante.

Era um pouco vil e vulgar, mas como ele não ouvia quando falavam com palavras boas, não havia o que fazer. Diante das palavras de Cheon Seju, Sejin distorceu os lábios como se estivesse realmente irritado e, logo em seguida, soltou um suspiro baixando a cabeça.

E então, hesitante, mexeu as mãos sobre as próprias coxas e confessou o verdadeiro motivo pelo qual não conseguia ir à escola.

— …Não tenho o dinheiro da passagem.

— …

Tinha pensado que Sejin não ia à escola por não ter interesse pelo aprendizado, mas parecia que o motivo não era apenas esse. Cheon Seju estreitou os olhos diante da fala inesperada e apagou o cigarro esfregando-o no cinzeiro. Pensando bem, a distância daqui até a Escola de Ensino Médio Dongseoul Nam, que ele frequentava, era considerável. Sendo uma distância de mais de 10 km de carro, não dava para ir a pé também.

Cheon Seju, que jamais imaginou que o problema seria o dinheiro da passagem, balançou a cabeça e levantou-se do lugar. Disse para esperar, entrou no quarto e revirou a carteira. Ele logo encontrou um cartão de crédito que tinha a função de cartão de transporte. Voltou segurando aquilo e entregou para Sejin.

— Use isso enquanto estiver em casa. Compre o que você precisar e use como cartão de transporte também.

E, como era natural, Kwon Sejin ficou bravo com aquela fala.

— …Por que eu usaria o seu cartão? Está me tratando como mendigo?

O fato de o coração não ter se quebrado a ponto de abrir mão do orgulho era um bom sinal, mas Kwon Sejin agir com orgulho em uma situação como essa era algo bastante cansativo. No entanto, ele agora dominava completamente a forma de lidar com Sejin. Cheon Seju fixou o olhar no hóspede que dava muito trabalho e demonstrou a mesma irritação contra ele.

— Quem disse para usar de graça? Não tem consciência?

— O quê?

Sejin franziu a testa diante do que ele disse e ergueu a cabeça. Cruzando o olhar com ele, Cheon Seju trouxe à tona palavras que não vinham do coração.

— O que há de bonito em ser mal-educado para eu dar um cartão? Vou cobrar todo o dinheiro que você gastar da sua mãe. Desde o que você enfia na boca até andar de ônibus, cada moeda de 10 won. Então gaste com economia.

O rosto de Sejin ardeu com aquela fala. Embora por um instante, ele fechou a boca corando as bochechas de vermelho, como se estivesse envergonhado por ter interpretado mal a intenção de Cheon Seju. Ficou sem graça, não ficou? Cheon Seju, que sorriu por dentro olhando para ele, logo o repreendeu com uma voz indiferente.

— Não fique apenas comendo na escola, estude quando tiver tempo.

— …

— Significa para agir pensando um pouco no futuro.

Sejin, que recebia o cartão, parou diante daquele sermão. Os olhos invariavelmente afiados se direcionaram a Cheon Seju. Desde o dia em que se encontraram pela primeira vez, Sejin, que apenas encarava os outros com aqueles olhos bonitos, perguntou com sarcasmo.

— Além de me arrastar para casa contra a vontade, agora quer me fazer estudar à força? O quê. Se eu não estudar, vai contar isso para a minha mãe também?

— Como você adivinhou? Pelo menos você tem alguma percepção, não é?

Quando Cheon Seju confirmou sorrindo como se o provocasse, Sejin mordeu os lábios com força, bufando. Odiava muito aquela atitude de querer se intrometer profundamente em sua vida, sendo que o havia acolhido em casa por um sentimento de pena momentâneo.

Seria um interesse que não duraria mais do que algumas semanas, ou melhor, alguns dias. No fim, ia me expulsar antes de eu me tornar adulto, então até onde pretende meter a mão? Sem saber direito em que situação eu estou, ficar mandando estudar ou não… Sejin bufava e disparou encarando Cheon Seju.

— Quem precisa estudar não é você? Acho que o seu futuro está mais sombrio do que o meu. Você por acaso sabe o que se aprende no ensino médio?

Diante daquela fala, Cheon Seju apontou para si mesmo com a ponta do dedo. Diante da pergunta “Eu?”, Sejin balançou a cabeça, fazendo-o soltar um riso perplexo, como se aquilo não fizesse o menor sentido.

Não dava para negar a fala de que o futuro era sombrio, mas a fala de que precisava estudar não se aplicava em nada a ele. Cheon Seju havia sido o único a gabaritar o vestibular no ano em que fez o exame. Graças a isso, entrou na faculdade de medicina da Universidade Hankuk com bolsa integral e chegou a receber patrocínios temporários de várias empresas. Entrou em primeiro lugar na escola, formou-se em primeiro lugar e nunca perdeu o posto de melhor da turma durante os 6 anos. Embora tivesse nascido inteligente, Cheon Seju também nunca havia sido negligente com o esforço.

Para ele, o sarcasmo de Sejin não passava de uma piada muito nova que nem chegava a deixá-lo de mau humor. Cheon Seju olhou para Sejin, que dizia aquilo sem saber de nada, como se ele fosse fofo.

Kwon Sejin olhava para Cheon Seju com o rosto triunfante, como se sua fala estivesse certa. Vendo aquele rosto bonito transbordar imponência, Seju perdeu as forças e apenas levantou-se sorrindo.

— De qualquer forma, faça o que eu digo. Se não quiser ver a sua mãe chorando e sofrendo.

Deixou palavras irritantes apesar de tudo. Deixando para trás Sejin que o encarava bufando, Cheon Seju dirigiu-se ao quarto. Mesmo demonstrando aquela rebeldia, no fim Kwon Sejin acabaria indo para a escola. Era mais simples do que pensava, o que dava um toque fofo. Cheon Seju soltou um riso sem perceber ao pensar em Sejin indo para a escola com o rosto emburrado.

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Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Projection – Novel Yaoi Mangá Online

Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection

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