Ler Pôquer Sangrento (Novel) – Capítulo 02.4 Online

Blood Poker 02, Parte 4
Piscando lentamente algumas vezes, Seunghyun limpou o rosto e jogou a franja para trás. Com isso, seu rosto mudou instantaneamente para uma expressão resoluta, como se estivesse usando uma máscara. Ele recebeu o revólver das mãos do homem e o engatilhou apenas pela sensação tátil.
— São dezenove balas.
Ao ouvir a resposta disciplinada, a palma da mão do homem bateu levemente no peito de Seunghyun. Foi um gesto meticuloso para confirmar se ele estava usando o colete. O olhar do homem percorreu os arredores e voltou-se para Seunghyun novamente.
— Use-a apenas para sua própria defesa. Entendeu…?
Foi naquele momento. Os olhos de Seunghyun brilharam com precisão e ele atingiu a cabeça do Gon que avançava na diagonal em relação ao homem com apenas três tiros. Como ele acabara de evoluir e seus movimentos eram lentos, foi possível, mas um humano comum atingir um Gon era uma habilidade realmente impressionante.
Embora tivesse ouvido que ele era bom em tiro, Jaeil arregalou os olhos surpreso com tamanha perícia. Por outro lado, Seunghyun, que recuperara a razão instantaneamente, inclinou a cabeça em direção a ele com um olhar seco.
— Agora restam dezesseis balas.
O braço firme que se estendera para mirar desceu lentamente. Uma mistura de emoções complexas cruzou o rosto de Jaeil ao testemunhar aquela habilidade, desaparecendo rapidamente. Ji Seunghyun não era apenas um civil comum que precisava de proteção, nem um Esper de corpo robusto. Jaeil estava muito confuso sobre como tratar Seunghyun, que possuía habilidades excepcionais naquele ponto ambíguo.
Embora o objetivo fosse chegar ao andar térreo, ele decidiu procurar um abrigo caso a situação não fosse favorável. Normalmente havia uma saída de emergência em frente ao elevador, mas o que eles pegaram ficava no centro. Para chegar à saída de emergência, precisariam atravessar uma longa distância.
O homem, que vigiava a frente em uma esquina, franziu o cenho. A praça de alimentação já era um caos. Estava prestes a se transformar em um inferno. Apenas no campo de visão de Jaeil, havia cinco Onis de Rank 2. Até as pessoas que sobreviveram não estavam em seu juízo perfeito.
A habilidade de tiro dos civis era previsível. Gritos seguiam-se a tiros desajeitados. Alguns Onis já estavam descendo pela escada rolante. Se não os contivessem logo, aqueles seres evoluiriam para Gons após consumirem os humanos.
Havia muitas coisas a considerar. E, acima de tudo… Olhando de relance para Seunghyun, Jaeil apertou o gatilho com uma expressão séria.
Quando um Oni evoluía para um Gon, a situação tornava-se complicada. Isso acontecia porque o Gon desenvolvia um olfato sensível para farejar o cheiro de paranormais. Se houvesse apenas humanos, ele mataria incessantemente, mas a história mudava se houvesse paranormais misturados. Ele procuraria o Esper para estraçalhá-lo e o guia para beber seu sangue. Eles continuariam agindo com seus corpos fortalecidos até que suas vidas fossem ceifadas. Eram seres perversos e cruéis.
A aparição dos Onis, a evolução dos Gons. A situação volátil estava mudando rapidamente antes mesmo que pudessem agir. O alarme começou a soar com atraso. Ecoava de forma sinistra, como o grito de alguém que já morrera.
Havia vários tipos de alarmes para quando monstros apareciam, mas o que soava agora era o aviso de Oni-Cube, o estado mais perigoso.
— O que é esse som?
— ……
Embora ele sempre respondesse às perguntas de Seunghyun com sinceridade, desta vez ele guardou as palavras. Normalmente, o Oni-Cube começa a cobrir o prédio a partir do primeiro andar. Sendo assim, se era um Oni-Cube agora, como se explicavam os monstros que estavam aqui? Se o caminho para baixo também estava bloqueado, para onde deveriam ir? Jaeil, que engoliu um suspiro a custo, olhou para Seunghyun.
O que eu faço para proteger Ji Seunghyun?
— Onde está o celular?
Quando Jaeil perguntou pelo paradeiro do celular, Seunghyun revirou o bolso.
— Está aqui.
— O senhor sabe como enviar o sinal de socorro?
— Sim. Eu sei.
Jaeil cobriu silenciosamente a mão de Seunghyun, que ia tocar na tela para enviar o sinal imediatamente. Era um sinal para não fazer isso ainda.
Como o nível de resgate de Seunghyun era de prioridade máxima, provavelmente uma equipe composta por Espers de nível médio ou superior viria buscá-lo. Jaeil, olhando para o próprio braço, engoliu em seco.
Por mais que Ji Seunghyun fosse superior a um civil comum em vários aspectos, bastaria um espinho de um Oni para fazê-lo cuspir sangue e parar seu coração instantaneamente. As balas restantes eram insuficientes para saírem dali. Então, o que ele deveria fazer? O que fazer? A mente de Jaeil, que vigiava incansavelmente os arredores, estava prestes a explodir.
As prioridades estavam definidas. O que importava era a probabilidade. Jaeil precisava tomar uma decisão para garantir as coordenadas claras de Ji Seunghyun. Coordenadas seguras e estáveis para que ele pudesse ser resgatado mesmo sem a presença dele.
— Quando eu der o sinal, o senhor envia.
— Sim.
Normalmente, todas as comunicações de um edifício eram cortadas 10 minutos após o alarme soar. Eram 10 minutos considerando o tamanho do shopping. Precisavam encontrar um lugar seguro o mais rápido possível.
— Apenas siga atrás de mim e tente economizar munição ao máximo.
— Sim.
Enquanto respondia com um rosto resoluto, o olhar de Seunghyun voltou-se para cima. Foi porque a mão do homem, subitamente estendida, cobriu o topo de sua cabeça.
— Eu sei que o senhor é muito habilidoso, mas não se ferir é o mais importante.
Após Seunghyun assentir, Jaeil inspirou brevemente e deu um passo à frente.
Enquanto atravessavam a praça de alimentação vazia, avistaram um Oni devorando um civil. Abaixo dele, uma mulher que parecia ser a esposa e uma criança tremiam de pavor. O Oni, que devorara facilmente um homem adulto, não conhecia a satisfação. Expandindo seu corpo volumoso, ele rastejou em direção à mãe e ao filho.
Mesmo lembrando das palavras de Jaeil para usar o pente apenas para si mesmo, e sabendo que poderiam passar despercebidos com segurança agora, Seunghyun não teve escolha a não ser apontar a arma naquela direção.
— Precisamos salvá-los.
Diante das palavras de Seunghyun, a mão do homem afastou suavemente o pulso dele. Em vez disso, com suas próprias balas, ele atingiu certeiramente a cabeça do Gon que surgia.
— É um Esper.
— É um paranormal.
Vozes esperançosas das pessoas que estavam escondidas tremeram como gemidos por todos os lados. Elas, que foram instruídas de que o ruído atrairia os Onis, imploraram em voz baixa.
“Por favor, nos salve.”
“Por favor, nos salve.”
“Por favor, nos tirem daqui.”
Eram pessoas que estavam apenas se escondendo, sem armas adequadas diante do ataque repentino. Em um espaço aberto como aquele, as chances de sobrevivência eram mínimas. Se não fosse pela ajuda dos homens, aquele lugar seria o túmulo de todos eles. Seriam engolidos pelos Onis sem deixar corpos e sofreriam em pesadelos sem fim.
Jaeil, olhando de relance para o rosto de Seunghyun que empalidecia, hesitou por um momento e aproximou a boca da orelha dele.
— O senhor quer que eles venham conosco?
— ……
Diante do olhar afirmativo dele, o homem encarou-o ainda mais profundamente.
— Então, a partir de agora, o senhor deve seguir minhas ordens incondicionalmente.
— …?
Como a palavra “incondicionalmente” não combinava com o homem, Seunghyun olhou com estranheza. Seu desejo de estar junto e ajudar no que fosse possível era imenso. No entanto, sentindo algo suspeito, Seunghyun hesitou em responder.
Seunghyun olhou alternadamente para o rosto silencioso à sua frente e para as pessoas que imploravam. Ele não entendia por que ele estava passando o poder de escolha para ele.
— Guia.
Como não podiam continuar parados ali e ele ainda o pressionava, Seunghyun teve o julgamento nublado por um instante. Ele acabou assentindo, levado pelo impulso de seu coração, sem entender as reais intenções do homem.
— Sim.
Assim que obteve a resposta de Seunghyun, Jaeil fez um gesto para as pessoas. Era certo salvar quem podia ser salvo. Diante do gesto firme, as pessoas que apenas esperavam a morte saíram em massa. Pareciam ser cerca de quinze pessoas. Todas, como se tivessem combinado, nem sequer respiravam alto.
— Vamos para a saída de emergência. Baixem o corpo o máximo possível e acelerem o passo.
Diante do comando firme de Jaeil, a esperança começou a surgir nos rostos antes desesperados.
Havia dois corredores na praça de alimentação, e pelo fato de Gons continuarem saindo do lado oposto, parecia que eles estavam cruzando para este lado após devorarem os humanos de lá. Precisavam entrar na saída de emergência antes que os Gons os alcançassem.
Todas as balas usadas até abrirem a porta da saída de emergência foram as de Jaeil. O ferrolho da pistola travou para trás, indicando que a munição acabara. Jaeil trocou para o pente restante e vigiou a retaguarda para que as pessoas descessem primeiro.
A porta foi entortada junto com o batente pela mão do homem, que foi o último a entrar. Ele danificou o trinco e o batente simultaneamente.
Enquanto esperavam pelas instruções do homem, um grito estridente ecoou em algum lugar nos andares de baixo. Era um som tão dilacerante que não se podia distinguir se era humano ou de um monstro. O silêncio que se seguiu criou uma atmosfera de puro terror. O medo voltou a dominar os olhos dos sobreviventes.
— Alguém aqui possui alguma arma?
Ridiculamente, ninguém tinha. Aquele era o resultado de terem desencorajado o porte de armas, enfatizando a segurança interna para evitar crimes. Mesmo após passarem por tudo aquilo, mostravam o cúmulo da complacência. Uma mulher hesitou e tirou uma pequena pistola do bolso, mas não era o tipo que usava o sangue dos Espers. Jaeil engoliu um suspiro e fez outra pergunta.
— Em qual andar fica a sala de máquinas?
Alguém na multidão levantou a mão e respondeu com uma voz minúscula. Ela usava o uniforme do shopping.
— Fica no 7º andar.
Assim que ouviu a informação, Jaeil desceu as escadas sem hesitar. Felizmente, não havia monstros ali ainda, pois não se ouviam tiros. Seguindo o sinal para descerem, encontraram o homem esperando com a porta da sala de máquinas aberta.
Após todas as pessoas entrarem, restaram apenas Seunghyun e Jaeil.
— Agora gostaria que o senhor enviasse o sinal de socorro.
Graças à ação rápida do homem, ainda restavam cerca de 2 minutos. Seunghyun, que digitou o número e confirmou a mensagem, foi subitamente tomado por uma sensação de estranhamento. Era uma sensação desconfortável e indesejada.
— Agora vamos esperar?
— Sim.
O olhar desconfiado de Seunghyun rodeou o homem silenciosamente. Pelo fato de ele estar contendo suas habilidades ao máximo, sua aura era ameaçadora, mas não indicava emergência. Para um julgamento preciso, Seunghyun puxou o pulso do homem e verificou o equipamento. O nível era de 40%, ainda seguro.
Seunghyun fez uma pergunta para resolver sua inquietação. A resposta deveria ser óbvia.
— O senhor vai entrar comigo, não vai?
No entanto, por algum motivo, Jaeil não encontrou o olhar de Seunghyun. Após uma breve hesitação, ele exalava uma aura ainda mais calma que antes.
— …Se as pessoas estiverem reunidas, os Onis as encontrarão mais rápido.
A pessoa que deveria concordar estava dizendo algo estranho. O olhar de Seunghyun endureceu. O homem, percebendo o olhar dele, acrescentou:
— Eu não podia abandoná-los.
— Sim. E daí?
Seunghyun o pressionou com um olhar ressentido, como se o desafiasse a dizer mais.
— São no máximo 20 minutos.
— ……
Embora o olhar fixo agora estivesse no nível de um encarceramento, o homem finalmente abriu seus lábios pesados.
— Espere aqui.
— …Não entendo muito bem o que o senhor está dizendo.
Seunghyun realmente não entendia. Ele ia insistir para que parassem com aquela conversa e entrassem juntos.
Jaeil, mudando subitamente a atmosfera, olhou para Seunghyun com frieza. A determinação que ele colocou deliberadamente em seu olhar era profunda demais.
— O senhor disse claramente que me seguiria incondicionalmente.
— ……
Seunghyun, que só então compreendeu o significado da palavra “incondicionalmente” usada pelo homem, parou de respirar subitamente.
Se ele soubesse que seria algo assim, não teria assentido tão facilmente. O homem usara sua compaixão. Após planejar tudo naquele curto espaço de tempo.
No plano que o homem montara para a sobrevivência de Ji Seunghyun, ele próprio não estava incluído. As palavras eram Ji Seunghyun, a isca eram os civis. Seunghyun, percebendo tardiamente esse fato, sentiu um fogo ardente subir em seu peito. Entre suspiros desordenados, palavras desconexas irromperam fora de ordem.
— Eu, eu também sei atirar. Dez, seis. Ah. Quero dizer…
A voz de Seunghyun subiu sem querer e ele gaguejou. No entanto, o homem ignorou abertamente as palavras de Seunghyun. Percebendo sensivelmente os sinais acima e abaixo, ele estendeu o braço por entre o corrimão. Com um dos olhos semifechados, ele disparou balas com destreza. Um som de fera bizarro subiu de um lugar que não estava nem longe nem perto. Era uma velocidade que um humano comum não conseguiria perceber nem executar.
— Eu sou bastante útil para esse tipo de coisa. Já passei por muito disso, então…
— Não.
A voz afiada de Jaeil deixou a relação entre os dois rigidamente tensa. Era como se o ar estivesse dividido ao meio e até a temperatura tivesse mudado. Surpreendentemente, era a linha que o homem ocasionalmente traçava.
— Acredito que o senhor conheça melhor do que ninguém a diferença de habilidades entre nós.
Os olhos de Seunghyun, que fechara a boca firmemente, começaram a avermelhar.
— Somando todas as balas que temos, não é nada. Usei vinte balas em apenas um andar.
— ……
— O combate corpo a corpo sem armas é desvantajoso até para um Esper.
Tudo o que ele dizia era verdade. Ele estava dizendo apenas verdades, impossíveis de contestar. O homem empurrou Seunghyun impiedosamente para dentro da sala de máquinas. O toque não tinha nada de gentil, era implacável.
— Faremos uma defesa dupla. Eu serei a primeira e o senhor será a segunda.
É mentira. Ele está mentindo agora. Como ele poderia fazer uma segunda defesa após dizer que faltavam armas? Seunghyun balançou a cabeça, recusando-se a aceitar as palavras do homem. Sua boca, levemente caída, tremia involuntariamente.
— Mer…
— Eu disse para esperar.
Uma ordem mais firme do que nunca foi dada.
— Não vou controlar minha força. Preciso que o Guia esteja lá dentro para que eu possa usar minhas habilidades com tranquilidade.
Independentemente do motivo, o fato de que ele serviria de escudo não mudava. No momento em que Seunghyun abriu a boca para recusar novamente, o homem rosnou e apertou com força o peito de Seunghyun.
— Entre.
— …….
— Você está atrapalhando, então entre logo.
Como ele pode ser tão obstinado depois de tomar todas as decisões sozinho? Seunghyun olhou para o homem com os olhos marejados.
— Só vou trancar a porta quando o Guia entrar.
Ele deixou claro: se Seunghyun não o ouvisse, ele não protegeria aquelas pessoas.
— Por que…
— Chega. Não temos tempo.
As lágrimas que cobriam as pupilas de Seunghyun caíram pesadamente. Foi um impacto denso, como se fosse possível ouvir o som da queda. Seunghyun queria gritar que não, que não era assim, que deveriam ficar juntos. No entanto, o homem usou algum tipo de habilidade que o impediu de se mover. Pessoas que impõem limites são sempre assim, mas ele conseguia ser cruelmente determinado.
— En, então.
Mesmo vendo as lágrimas transparentes de Seunghyun, o homem não hesitou. Ele apenas exibia sua natureza bruta, sem filtros.
— Is, isso.
Seunghyun tentou colocar a pistola, que segurava o tempo todo, no bolso do homem. Seu queixo tremia enquanto tentava segurar o choro, e a ponta de seus dedos vibrava ao suportar aquela ameaça terrível. O homem lançou um olhar de desaprovação e estalou a língua.
— Isso pertence ao Guia.
— …….
Ele se recusava a aceitar até mesmo aquilo. Um suspiro úmido escapou baixinho da boca de Seunghyun.
— Vinte minutos.
— Se eu re, realmente esperar…
Antes que ele terminasse a frase, a porta de ferro se fechou e, com um som de metal rangendo, toda a estrutura se retorceu, bloqueando a passagem.
— Me responda…
Ele deveria ter dito, mesmo que fosse mentira, que voltaria vivo. Mas aquele homem, que não tinha facilidade com as palavras e não sabia mentir, não era alguém capaz de dar garantias a Seunghyun. A situação devia ser tão grave que “espere” era tudo o que ele conseguia dizer. Seunghyun bateu na porta, desesperado.
— Esper! Re, responda. Por favor, abra a por…
No instante em que ele elevou a voz, superando a obsessão de que não deveria fazer barulho, o teto e as paredes vibraram como se tudo estivesse prestes a desmoronar.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Pôquer Sangrento (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?
Nome alternativo: Blood Poker Pquer Sangrento