Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 75 Online


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Deep Pivot — Capítulo 75

Seojoon virou-se para Yeonwoo, que acabara de tomar banho. Yeonwoo, secando o cabelo úmido com a toalha, congelou. Seus olhares se encontraram por alguns segundos.

— …Por que você está me olhando desse jeito?

Sentado no cobertor, Seojoon sorriu sem jeito ao ver o olhar.

— Sem motivo… É só estranho ter você aqui, Tenente.

Yeonwoo usou o secador de cabelo que Seojoon havia trazido e organizou as toalhas e roupas com afinco. Quando tocou no interruptor e olhou para o lado, Seojoon silenciosamente acendeu o abajur, substituindo a luz principal do quarto.

O pequeno quarto escureceu, e os dois sentaram-se frente a frente no cobertor, iluminados apenas pela tênue luminária de mesa. Yeonwoo colocou um travesseiro perto de Seojoon e enrolou seu capuz com zíper ao lado dele.

— Use o travesseiro, Yeonwoo.

— Não, Tenente, você deveria…

— Como eu poderia pegar o travesseiro do dono da casa?

Uma pequena discussão começou sobre o único travesseiro, mas a insistência de Yeonwoo em tratar seu convidado adequadamente fez com que o travesseiro fosse parar nas mãos de Seojoon.

— Entregue isso.

Seojoon desenrolou o capuz com zíper e o dobrou cuidadosamente. Colocou as mangas dentro do capuz para moldá-lo como um travesseiro e o colocou de volta no lugar de Yeonwoo. Sua destreza sugeria experiência, e Yeonwoo sorriu surpreso.

— Como você sabe fazer isso?

— Como eu sei? Sou um soldado.

— Eles ensinam isso a você no campo de treinamento?

Como fazer um travesseiro com um capuz e zíper…? Seojoon riu e se deitou em resposta à pergunta dele. Yeonwoo deitou-se ao lado e puxou o cobertor sobre os dois.

— Não aprendi isso no acampamento, mas aprendi muito no orfanato. Nunca havia travesseiros suficientes quando chegavam crianças novas.

— …Você também esteve num orfanato, Tenente?

Suas palavras ditas casualmente provocaram uma reação surpreendentemente forte. Virando-se para encarar Yeonwoo, Seojoon observou sua expressão de surpresa e perguntou:

— Você não sabia?

— Não.

— Bem, acho que não há razão para mencionar isso, a menos que seja perguntado.

Yeonwoo olhou para Seojoon com descrença.

— Eu nunca teria imaginado. Pensei que você fosse… sempre…

Suas palavras sumiram, e Seojoon sorriu fracamente.

— Nascido na riqueza?

— …Sim.

Seojoon riu baixinho da resposta hesitante e se virou. Um teto estranho preencheu sua visão.

— Bem, é verdade. Eu não, mas meus pais adotivos eram ricos.

Suas palavras terminaram no passado, e o silêncio tomou conta do quarto. O travesseiro carregava o cheiro de Yeonwoo. Envolto naquele aroma reconfortante, Seojoon continuou em silêncio.

— …Eles eram boas pessoas. Morreram num acidente de portal quando eu tinha 17 anos.

Enquanto falava calmamente, ele se lembrou da primeira lembrança de quando estava com muito frio.

— Eu estava num campo de neve. No inverno.

✽✽✽

Uma criança abandonada nua na neve, deixada para morrer no auge do inverno.

Quando Seojoon chegou ao orfanato, as pessoas o descreveram assim. Disseram que seus pais, quem quer que fossem, sofreriam a retribuição divina.

Seojoon não tinha entendido muita coisa naquele primeiro dia, nem se lembrava de onde tinha vindo. Os adultos acreditavam que a culpa era da exposição prolongada ao frio, mas Seojoon sentia que era mais do que isso.

O primeiro rosto que viu na neve foi o de uma freira. Seu rosto velado pareceu muito estranho para Seojoon: olhos que brilhavam como vidro através de pálpebras rachadas, um nariz com dois buracos e lábios com estranhas protuberâncias.

Cada vez que aqueles lábios se abriam, um som estranho emergia, e uma língua vermelha, semelhante a um tentáculo, se movia. Foi só no segundo dia que a criatura de aparência alienígena se registrou na mente de Seojoon como algo familiar.

Foi então que ele começou a entender a fala humana. O momento em que sons incompreensíveis começaram a se transformar em palavras ainda era uma lembrança misteriosa, mesmo aos 29 anos.

Um dia após sua chegada, Seojoon se acostumou a ver olhos, narizes, bocas e membros humanos.

“Então, você não se lembra de nada de antes de chegar aqui?”

A gentil freira já havia feito perguntas semelhantes diversas vezes. Mas Seojoon realmente não sabia de nada. Era como se sua vida antes de contemplar as luzes das árvores na neve nunca tivesse existido.

Ele aceitou quando os adultos disseram que ele tinha seis anos, mas Seojoon se considerou como alguém de um ano.

— Como eu não tinha lembranças anteriores, parecia que eu tinha nascido naquele campo de neve.

O nome “Seojoon” foi dado a ele pela freira do orfanato. “Seo” significava amanhecer, e “Joon” significava brilhante, pois ele havia sido encontrado sob uma árvore na madrugada congelante do inverno.

A vida no orfanato era pacífica. As freiras eram gentis, e os adultos que ocasionalmente as visitavam eram gentis. Seojoon observava crianças menores que ele saindo do orfanato, de mãos dadas com estranhos.

Enquanto isso, ele se tornou aluno do ensino fundamental. Terceira série, quarta série, quinta série. Quanto mais velho ficava, mais preocupação surgia nos olhos das freiras.

No mercado de adoção, Seojoon era considerado velho. As freiras acreditavam que ele permaneceria no orfanato por já estar nas séries mais avançadas.

Mas, contrariando suas expectativas, um dia, quando ele estava na sexta série, um casal de idosos chegou e expressou sua intenção de adotá-lo.

— …Tive muita sorte.

Desde então, Seojoon viveu em abundância, recebendo educação de qualidade e proteção amorosa de pais gentis.

Um dia, porém, um portal se abriu no quintal de sua casa. O bairro tranquilo e imaculado se transformou em um deserto da noite para o dia.

O casal de idosos não era rico o suficiente para ser chamado de magnata, mas havia acumulado um patrimônio considerável. Não tinham parentes nem filhos e pareciam ter planejado deixar tudo para Seojoon quando o adotassem.

— Após o funeral, as pessoas do Centro de Despertar visitaram imediatamente.

Não havia tempo para lamentar, pois Seojoon passou por uma série de testes e exames. Depois de um mês, ele não tinha mais tristeza para processar.

— Foi então que conheci o Coronel Jin. Ele era tenente-coronel na época.

Foi assim que Seojoon se juntou à SAU. Sua habilidade não podia ser classificada ou avaliada. Ele era chamado de vários nomes: Tentáculo >>Esper, Monstro, Alienígena. O título Sem Nome tornou-se oficial um ano depois.

Supostamente, havia >>Espers semelhantes no exterior, então o nome foi padronizado internacionalmente.

— Você despertou como um >>Esper quando o portão se abriu?

— …Eu não tenho certeza.

Oficialmente, sua primeira manifestação foi no dia em que o portal se abriu. No entanto, havia uma verdade que só Seojoon e o casal de idosos conheciam.

Os Despertos surgiram com os primeiros portais. Mas Seojoon já era um monstro muito antes disso.

Durante o tempo em que esteve no orfanato, seus poderes não eram tão ruins. Apenas suas mãos ou braços mudavam de forma ocasionalmente, e ele conseguia esconder isso facilmente.

Mas, à medida que crescia e entrava no ensino fundamental, o monstro interior crescia junto com ele. O casal de idosos que o adotou manteve isso escondido do mundo.

Mesmo quando buracos misteriosos apareceram, libertando criaturas monstruosas no mundo, eles mantiveram os poderes de Seojoon em segredo.

— Eles provavelmente estavam tentando me proteger.

A equipe do centro não acreditou nele, descartando suas alegações como arrogância ou delírio. Depois de alguns comentários como esse, Seojoon naturalmente começou a esconder a verdade.

— Olhando para trás, pode ter sido um erro da minha parte. Não tenho certeza.

Quando todos negam algo, começa a parecer que não é verdade. Ele havia passado tempo demais tentando determinar o que era real e o que não era.

Talvez o que o casal de idosos escondesse não fosse o seu poder, mas uma doença mental. Ele pode ter se manifestado quando o portão se abriu, mas o trauma o fez acreditar que sempre fora assim.

— Como eu poderia confiar nas minhas memórias se não me lembro de nada antes dos seis anos?

Desde aquela primeira lembrança no campo de neve, Seojoon viveu todos os dias como um estranho. Mesmo entre as pessoas, compartilhando risos e lágrimas, ele sempre se sentiu isolado.

— …Pessoas que desconhecem suas origens provavelmente vivem com sentimentos semelhantes.

Qualquer pessoa que tivesse perdido a memória ou não soubesse a identidade dos pais provavelmente se sentiria da mesma maneira.

Se você não sabe onde sua existência começou ou de onde você veio…

…você vive com a sensação de ser um estranho.

 

 

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna

Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot

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