Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 106 Online

Deep Pivot — Capítulo 106
Recentemente, na Austrália, sites de compras passaram a exibir contagens regressivas em suas páginas iniciais, marcando os dias desde a última abertura do Portão. Eles anunciam eventos comemorativos quando 100 ou 200 dias se passam sem um Portal.
— Já se passaram mais de 200 dias desde que um portal foi aberto perto de Moscou. As pessoas não são burras — elas sabem que algo está acontecendo, mesmo que a mídia tente encobrir.
O Coronel Jin mordeu o lábio, engolindo o desânimo. O tempo do segredo estava chegando ao fim.
Não se pode cobrir o céu com a mão. Os superiores não estavam alheios à situação, e havia limites para o que podia ser escondido.
— O grupo que tentou assassinar o Tenente Ji poderia estar ligado a essa série de incidentes?
— … Ainda não posso dizer com certeza sobre isso—
— Mas pense nisso.
O Major General Park interrompeu.
— Depois que o Sem Nome morreu na Rússia, Os portais desapareceram na região de Moscou. Agora, o mesmo está acontecendo na Austrália. Você acha que isso é apenas uma coincidência?
— …
— Você tem ideia de como os superiores estão ansiosos agora? A Coreia do Sul também tem um Sem Nome. Se removê-lo puder fechar os portais, então nosso país—
— O Diretor Kang está investigando. Por favor, evite tirar conclusões precipitadas, senhor.
O Coronel Jin o interrompeu com firmeza. Rugas profundas franziram as sobrancelhas do Major-General Park. Seus olhos se arregalaram enquanto ele encarava o Coronel Jin com atenção.
O Coronel Jin, sentindo como se estivesse sendo arrastado para o inferno, olhou para baixo e, lutando para controlar a respiração trêmula, finalmente falou.
— Só há dois casos até agora. Ainda pode ser uma coincidência.
— Mas é um fato que os portais estão desaparecendo.
— Sim, é verdade. Mas não devemos nos deixar levar por suposições baseadas em informações inconclusivas. Podemos acabar mirando na pessoa errada.
O Major-General Park sabia exatamente quem era aquela “pessoa errada”. Recostando-se e apoiando as mãos entrelaçadas sobre a barriga saliente, ele se calou.
— Tenente Ji… Ele não tem família, né? É órfão, se bem me lembro.
O Coronel Jin conhecia muito bem o processo de pensamento que se desenrolava na mente do Major General Park.
“Se o sacrifício de uma pessoa pudesse acabar com todo esse desastre…”
Todos se deparam com esse dilema moral. O que naturalmente se segue é a tentativa de justificar suas ações para evitar a culpa.
“O Tenente Ji tem família? Seus pais ficariam tristes se ele morresse?”
“Se ele fosse um jovem sustentando uma mãe viúva e muitos irmãos, sua morte seria uma grande tragédia. Mas se ele não tivesse laços, se fosse um órfão solitário, poderia parecer menos trágico.”
Pelo menos da perspectiva de um observador imparcial.
— Faz diferença se o Tenente Ji tem família ou não? Nada foi provado conclusivamente ainda.
O Coronel Jin sabia o quão cruel era essa linha de pensamento.
Ele não era um santo, mas também não era um vilão. Era um homem comum com consciência.
Se dependesse dele, estaria disposto a se sacrificar. Mas se isso significasse sacrificar outra pessoa para proteger a maioria…
Bem.
A maioria das pessoas não conseguiria dar uma resposta facilmente.
O Coronel Jin não era egoísta o suficiente para sacrificar alguém voluntariamente, nem implacável o suficiente para permitir a morte de muitos. Para ele, este era um dilema profundamente desafiador e brutal.
De qualquer forma, o desaparecimento dos portais é um bom sinal. Descobrimos um potencial imenso.
O Coronel Jin redirecionou a conversa, desviando-a do sacrifício do Tenente Ji.
— O diretor Kang está trabalhando diligentemente para encontrar uma solução para acabar com os portais.
O Major General Park assentiu vigorosamente, acolhendo com satisfação a esperançosa mudança de assunto.
— Exatamente, é isso mesmo! Os superiores têm grandes esperanças. Só temos um Sem Nome, e não há muito que possamos fazer sozinhos. O custo é astronômico.
O Major General Park frequentemente lamentava que a Coreia do Sul fosse um ator secundário quando se tratava de desastres relacionados ao Gate.
De uniformes de combate e armas especialmente feitos a algo tão pequeno quanto uma válvula de máscara usada nos locais do Gate, tudo teve que ser importado do exterior. Portanto, sua avaliação não foi exagerada.
Ao contrário do Brasil, que exporta sensores, ou da Rússia, que vende armas, a Coreia do Sul não tinha as mesmas capacidades. Os recursos necessários para gerenciar os desastres do Gate internamente eram significativos.
Portanto, não é de se admirar que a liderança militar e os chefes das instituições nacionais estivessem desesperados para ver o fim dos portais da Coreia do Sul.
— Parece que os portais podem ser erradicados, afinal.
Uma sensação de alívio apareceu no rosto do Major General Park.
— Vamos pôr fim a este desastre miserável o mais rápido possível. Sua esposa também desejaria isso, lá de cima.
Ele apontou para cima, um gesto de encorajamento e consolo ao Coronel Jin, que havia perdido sua esposa em um acidente no Gate há mais de uma década.
Com um tapinha no ombro, o Major-General Park ajeitou o uniforme e se dirigiu para a porta. O Coronel Jin fez uma saudação ao sair, mas mesmo depois que a porta se fechou, permaneceu imóvel por um tempo.
Por fim, seu corpo grande desabou no sofá.
— …
No escritório silencioso, seu suspiro instintivo era o único som que pairava no ar.
✽✽✽
— Tenente!
Uma figura pequena e frágil veio correndo com um tubo intravenoso pendurado atrás de si. Seojoon rapidamente se aproximou e pegou Jeongwoo no colo. Mesmo com a cânula nasal ainda no lugar, Jeongwoo já ofegava pesadamente depois de apenas alguns passos.
— Cha Jeongwoo, está tudo bem correr desse jeito?
Yeonwoo, que controlava o tubo intravenoso que se arrastava pelo chão, repreendeu-o com uma voz severa. Jeongwoo, que enterrava a cabeça no peito de Seojoon, riu baixinho e olhou para Yeonwoo.
Ele sempre sabia quem o repreenderia e quem não o faria.
Segurando Jeongwoo firmemente, Seojoon acariciou a bochecha e sentou-se à mesa. Na tela grande da TV, o desenho animado favorito de Jeongwoo estava passando.
— Você gosta de sorvete, Jeongwoo?
— Sim, eu gosto!
— Que sabor?
— Morango.
Yeonwoo também gostava de morango. Talvez por serem irmãos, seus gostos fossem idênticos. Seojoon riu enquanto Yeonwoo abria o pote de sorvete. Os olhos de Jeongwoo se arregalaram ao ver o pote tamanho família cheio de sorvete rosa.
— Uau.
— Tudo isso é para você, Jeongwoo.
Empolgado, Jeongwoo balançava para frente e para trás, seus calcanhares batendo em Seojoon. Seus chinelos escorregaram de seus pés e caíram no chão.
— Mas não dá para comer tudo de uma vez. Tem que ir aos poucos.
Seojoon falou enquanto sentava Jeongwoo em seu colo, colocando um pouco de sorvete em um copo de papel. Jeongwoo apontou para as camadas de calda que se espalhavam pelo sorvete.
— Traga-me bastante dessa coisa vermelha.
Yeonwoo colocou os chinelos de volta nos pés de Jeongwoo e o lembrou firmemente.
— Jeongwoo, você precisa agradecer primeiro.
— Humm…
Encostado em Seojoon, Jeongwoo colocou a mão em concha e sussurrou um “obrigado” em seu ouvido.
Seojoon riu e lhe entregou uma colher, quando a porta do quarto do hospital se abriu com um rangido e uma cabeça apareceu.
— Olá.
Yeonwoo se levantou e o cumprimentou primeiro. Hee-min deu um sorriso sem graça e assentiu.
— Faz tempo que não nos vemos, Yeonwoo. Posso falar com o Tenente Ji?
— Claro, vou esperar lá fora.
Seojoon, que concordou prontamente, levantou-se e gentilmente colocou Jeongwoo na cadeira antes de sair da sala. Yeonwoo voltou sua atenção para Jeongwoo.
Ele bateu na colherada de sorvete de Jeongwoo com a sua própria colher.
— Eu não disse para não comer tanto de uma vez?
Jeongwoo fez beicinho e dividiu o sorvete ao meio.
— Hyung sempre fica bravo…
— Você estava com dor de garganta da última vez, lembra? Coma com calma e sem pressa. Você pode comer mais amanhã e depois também.
Para Yeonwoo, Jeongwoo era um menino travesso de nove anos que nunca ouvia, sempre o deixando ansioso, mesmo quando estava deitado quieto na cama. Era difícil não reclamar.
— Ah, é mesmo! Hyung, olha isso!
Rindo de repente, Jeongwoo deslizou da cadeira e foi até uma gaveta ao lado da cama. Tirou um pequeno álbum de fotos, que costumava usar para colecionar figurinhas. Havia algo novo no fundo.
— Ah, o que é isso?
Yeonwoo puxou Jeongwoo para o seu colo enquanto subia e pegava o álbum de suas mãos. Na página da esquerda, havia uma foto que a enfermeira do hospital havia tirado deles alguns anos antes, e ao lado, uma nova foto de Seojoon e Jeongwoo, tirada no quarto do hospital.
— Quando você tirou isso?
— Outro dia. Eu estava almoçando com o tenente, e a Songhee noona estava exibindo sua nova câmera Polaroid.
Ah, certo. Ele havia assinado os documentos de mudança de relacionamento familiar de Jeongwoo naquela época. Yeonwoo olhou para a foto de Jeongwoo e Seojoon. Folheou as páginas e encontrou outra foto.
— Esta está ruim.
Fora de foco e borrada, a foto os mostrava rindo um do outro em vez de olhar para a câmera.
O que tinha sido tão engraçado? Seojoon estava rindo tanto que seu rosto estava todo amassado — algo que nem mesmo Yeonwoo via com frequência.
Enquanto Yeonwoo passava o polegar sobre a foto, traçando o rosto de Seojoon, ele notou uma leve covinha abaixo do olho esquerdo de Seojoon que só aparecia quando ele ria de todo o coração, dando-lhe uma aparência jovem.
Sempre que via essa covinha superficial e elusiva, Yeonwoo se enchia de orgulho, sabendo que não era algo facilmente perceptível ou visto com frequência.
Mas Jeongwoo tinha uma foto capturando aquele exato momento.
— …É lindo. Você é lindo, e o tenente também.
— Estou com inveja. Ainda não tirei uma única foto com o tenente…
— Hyung, você está de mau humor? Seus lábios estão fazendo biquinho.
— Não estou de mau humor.
— Vamos pedir à Songhee Noona para tirar mais fotos.
— Tudo bem. Não devemos incomodá-la se ela estiver ocupada.
— Então você pode ficar com este.
Com suas mãozinhas, Jeongwoo tirou a foto Polaroid da capa. Os olhos de Yeonwoo se arregalaram ao aceitá-la.
— Sério? Eu posso mesmo ficar com ele?
— Sim. Só preciso de uma.
O sorriso de Yeonwoo cresceu enquanto ele abraçava Jeongwoo com força.
& Obrigado.
— …Hyung, posso comer meu sorvete agora?
Ainda sorrindo, Yeonwoo puxou o copo de sorvete para mais perto de si. De bom humor, não percebeu que Jeongwoo pegava colheradas de sorvete furtivamente enquanto admirava a foto.
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna
Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot