Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 07 Online


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Deep Pivot — Capítulo 7

Uma fileira de casas antigas ladeava a encosta íngreme da área residencial. Sob as escadas, três idosos colhiam cuidadosamente anchovas secas de uma cesta de vime.

O poste de luz, com a lâmpada quebrada e sem conserto, estava naquele estado há muito tempo. Uma das idosas olhou para o dispositivo de emergência preso ao poste com uma expressão curiosa.

— Essa coisa realmente funciona?

— Isso? Claro que sim, por que não?

O homem idoso, virando a cabeça na direção que ela apontou, riu baixinho em resposta.

— Eu vi da última vez, parecia que não estava funcionando. Lembra? Um garoto se meteu em encrenca por empurrar na direção errada enquanto jogava. Mas como nada aconteceu, acho que não estava funcionando de jeito nenhum.

Campainhas de emergência foram instaladas por toda parte, prontas para soar o alarme em caso de explosão de portões ou aparição de monstros. Dispositivos ativados enviam sinais das delegacias de polícia para os bombeiros e centros de desastres, garantindo o rápido deslocamento de equipes de resposta.

— Não foi o prefeito recém-eleito que disse que eles substituiriam todos esses dispositivos?

— Ah, isso foi há um tempo atrás… Eles já devem ter substituído todos eles.

— Aquele também foi trocado? Mesmo parecendo tão desgastado?

Os moradores idosos não sabiam que os dispositivos em seu bairro eram modelos antigos, desenvolvidos há mais de dez anos. Quando monstros estão por perto, sensores urbanos recém-instalados emitem alarmes e levam as pessoas para abrigos seguros.

Já fazia muito tempo que os agentes de inspeção de equipamentos não eram vistos. Apesar de estar situada em uma área mais baixa do que outros distritos, a Zona 3, também conhecida como Distrito da Lua, infelizmente é propensa a inundações. Para agravar a vulnerabilidade, este distrito carece notavelmente de portões de proteção.

— Ah, temos um estudante adorável aqui.

— Olá.

Entre eles, no fundo, estava o estúdio de Yeonwoo no porão da antiga vila de três andares.

— A escola já acabou.

— Aqui, lindo estudante, pegue isso. Foi tirado há pouco, então ainda está bom.

Uma senhora idosa que havia transferido as anchovas que segurava na mão para uma cesta vazia ofereceu a Yeonwoo um leite de banana.

Os mais velhos pareciam sempre ansiosos para dar algo quando viam alguém. Recusar sempre não era educado, então receber uma ou duas vezes virou rotina.

— Obrigado.

Depois de receber o leite e se curvar em agradecimento, Yeonwoo parou por um instante, protegendo os olhos da luz solar intensa. Vendo o calor intenso e o ar úmido, parecia que as monções de verão começariam em breve.

— Estudante Yeonwoo!

Uma mulher de meia-idade, que pendurava roupa no corrimão do segundo andar, acenou para Yeonwoo. Yeonwoo sorriu e a cumprimentou.

— Olá.

Choi Jeong-sook, que administrava toda a vila do terceiro andar como pensão, era uma das pessoas relativamente ricas do bairro, sendo “relativamente” a palavra-chave. Embora os vizinhos invejassem as taxas de pensão que caíam em suas mãos todos os meses, achando que eram suficientes para sobreviver, a realidade era que a antiga vila era uma fonte constante de problemas, com reparos que pareciam intermináveis.

No entanto, eles não tinham condições de vender a casa e se mudar. Mesmo que vendessem algumas casas ali, não conseguiriam comprar um único estúdio em outra área. A menos que um portão explodisse drasticamente e houvesse um motivo para a reconstrução, o bairro não tinha potencial para ser revitalizado, então os valores dos imóveis estavam praticamente no fundo do poço.

— Já voltou? Como foi a escola?

— Saí cedo hoje porque tinha algo para fazer.

Depois de pagar as mensalidades do internato todos os meses, quase não sobrava nada para cobrir as despesas com a educação, roupas, mesada e outras despesas da filha. Além disso, com a filha começando o ensino médio naquele ano, os rombos no orçamento dobraram.

Então, que outras estratégias poderiam existir na vida? Apenas viver com tenacidade. Ela era meticulosa em cobrar cada centavo da pensão e dos juros caso o inquilino atrasasse, mesmo que por um dia.

— Ah, o que eles disseram sobre a inspeção do guia?

— Sim.

— Você está se sentindo melhor? Como as pessoas do centro estão te tratando?

— Sim, todos são gentis.

— Ah, que alívio.

Tal tranquilidade parecia enfraquecer Yeonwoo infinitamente. Talvez fosse por causa das circunstâncias difíceis em que se encontrava, mas também porque ela gostava do comportamento educado e organizado dele, diferente dos garotos da sua idade.

Enquanto Jeong-sook sacudia as roupas enferrujadas e as colocava no varal enferrujado, ela deu um tapa na testa como se tivesse acabado de se lembrar de algo que havia esquecido.

— Ei, olha para si mesma, mãe. Yeonwoo, sobe aqui um instante! Tenho uma coisa para você.

Yeonwoo, que estava prestes a entrar na casa, olhou para o segundo andar com uma expressão confusa. Jeong-sook fingiu comer alguma coisa e sussurrou: “Acompanhamentos”, gesticulando para que Yeonwoo se aproximasse.

— Sun-ae continua falando sobre o quanto quer costeleta de porco, então sobram muitos acompanhamentos. Originalmente, os acompanhamentos são mais caros, mas ela nem sabe disso.

Quando Yeonwoo apareceu, Jeong-sook guardou rapidamente o restante da roupa para lavar, gesticulando para que ele se aproximasse enquanto ela abria a porta da frente.

— Ei, Sun-ae! Saia um pouco!

Com Yeonwoo parado sem jeito na entrada, Jeong-sook gritou para dentro da sala.

— Choi Sun-ae!

— Por que você continua me chamando? Estou ocupada.

Com o som de uma cadeira de rodas, Sun-ae, de cabelos curtos, apareceu. A cadeira, presa na soleira, balançava suavemente. Os olhos de Sun-ae se arregalaram ao avistar Yeonwoo.

— Oh.

— Seu Yeonwoo oppa está aqui. Lembra que você me pediu para avisar quando ele chegasse?

Sun-ae, que havia pulado da cadeira, rapidamente desfez o rolo de cabelo em sua franja.

— Quando foi que eu! Mãe, que coisa estranha você está falando… Olá, oppa…

Yeonwoo sorriu sem jeito e apertou levemente a mão dela. Sun-ae, ocupada arrumando a franja com uma das mãos, colocou o cabelo atrás da orelha e olhou para baixo.

— Não importa quantas vezes eu chame por ela, ela não atende. Está usando fone de ouvido de novo, provavelmente jogando…

— Que jogo? Eu não joguei nenhum! Eu estava estudando, então não ouvi nada.

— Ah? Que bobagem. Que estudo? Yeonwoo, olha só ela. Ela está me encarando como se estivesse prestes a entrar em uma batalha ou algo assim.

— Ah, mãe!

Independentemente de Sun-ae estar irritada ou não, Jeong-sook, que desta vez tirara os acompanhamentos da geladeira com diligência, estava ocupada tirando outra coisa do armário. Ela os colocou cuidadosamente em um saco de papel e os entregou a Yeonwoo.

— Embaixo tem samambaia, os dois de baixo são bolinhos de peixe refogados. O de cima é tofu refogado. Coma todos até amanhã, porque estragam rápido.

— Obrigado. Vou aproveitar.

— Este sabonete veio de presente no feriado passado, mas a Sun-ae não usa. Seu xampu também acabou, né? Use este.

— Obrigado.

— Ah, tem mais alguma coisa que eu queira te dar? Acho que esqueci de algo… Tenho andado tão ocupada ultimamente.

Jeong-sook riu, sentindo-se inquieto por não conseguir cuidar de tudo quando se tratava de Yeonwoo. Ela lhe deu sabonete, xampu e… ah, ele precisava de arroz? Yeonwoo, parando as mãos de Jeong-sook que se moviam para buscar outra coisa, sorriu e recusou.

— Está tudo bem. Ainda tem bastante arroz. Já estou transbordando de gratidão por tudo o que você me proporciona.

Mesmo com o recipiente de arroz vazio há algum tempo, ele não teve coragem de pedir mais diretamente. Principalmente porque já estava com o aluguel atrasado todo mês.

— Tudo bem. Eu não uso mesmo. Pague tudo depois. O que é isso, acampamento de treinamento de guias? Você disse que pode receber um salário-base se entrar lá?

— Ah, certo. Mas acho que vou pular o treinamento e começar a trabalhar imediatamente. Assim, consigo ganhar dinheiro mais rápido.

Yeonwoo trouxe notícias esperançosas pela primeira vez. Jeong-sook deu um tapinha em suas costas e o parabenizou.

— Entre logo. Assim que entrar, coloque os acompanhamentos na geladeira. Eles podem estragar rápido porque está quente.

— Muito obrigado.

Yeonwoo assentiu em cumprimento e se virou.

— Ah! Eu te avisei com antecedência, quando foi que eu te disse para chamá-lo de “oppa” na minha frente? Olha só você, me encarando desse jeito. Ei, eu sou algum tipo de profeta? Se eu soubesse que o Yeonwoo viria, teria estendido o tapete vermelho. Como posso viver assim com você? Ah, o que é isso, com uma cara de “desesperada” na frente do “oppa”… Ugh, é irritante, sério

Yeonwoo desceu as escadas, ouviu a conversa atrás da porta fechada, abriu a caixa do hidrômetro e tirou a chave de dentro. A porta de vidro, coberta com fita adesiva amarela na parte quebrada, rangeu ao se abrir.

Uma brisa quente e úmida entrou. Yeonwoo tirou os sapatos e rapidamente entrou no espaço apertado, onde parecia que alguns homens adultos deitados o preencheriam.

Seguindo as instruções da dona da casa, ele abriu a geladeira primeiro e a encheu de acompanhamentos. Imediatamente, bebeu o leite de banana que a avó lhe dera, enfiando um canudo nele enquanto o leite rolava pela geladeira. Pendurou as roupas que havia tirado casualmente pela manhã e lavou suas roupas casuais na bacia.

Uma tênue luz do sol filtrava-se pela janela empoeirada. Ocasionalmente, partículas de poeira flutuavam dentro da velha tela mosqueteira, acompanhadas pelos passos de alguém que passava. Yeonwoo desistiu da ventilação e fechou a janela. Mesmo que a casa ficasse úmida, ele não conseguia abrir as janelas durante os horários de maior movimento, quando havia pessoas passando.

Glup. O leite de banana que enchia sua boca agora revelava o fundo do recipiente. Ele raramente passava um tempo assim em casa. Normalmente, estaria na escola a essa hora e, mesmo à noite e nos fins de semana, estava sempre ocupado com trabalhos de meio período.

Em um quarto com apenas uma pequena escrivaninha, alguns livros didáticos e um cobertor cuidadosamente dobrado no canto, parecia não haver nada para passar o tempo. Enquanto estava sozinho no vazio, as memórias que tentava esquecer o inundaram. Encostado no cobertor desdobrado, Yeonwoo deitou-se e cobriu o rosto com as duas mãos.

— O que devo fazer…

Seu solilóquio sussurrado, inaudível para todos, foi abafado por seu suspiro profundo.

Eu beijei aquela pessoa.

【Ji Seojoon】.

Enquanto Yeonwoo caminhava para casa, seu coração, que acabara de se acalmar, começou a bater rapidamente novamente. Baque, baque, baque. O som alto da máquina de monitoramento, tocando em sincronia com o aumento dos batimentos cardíacos, era um bônus adicional, como uma alucinação auditiva.

As pessoas devem se tornar tolas quando milagres consecutivos que nunca ousaram sonhar acontecem. Para ver, abraçar, tocar a pessoa que nunca sonharam em ver novamente, muito menos na sua frente, e beijá-la.

Ele tocou meus lábios delicadamente. Mais duradouro do que a sensação do seu toque foi o calor e o hálito que sentiu em seu nariz e em sua voz.

Suspira.

Só de pensar nisso, seu corpo ficou tenso. Virando-se, Yeonwoo enterrou o rosto no cobertor e agarrou com força a ponta do travesseiro.

Sinto que vou morrer… É tão constrangedor.

Seu corpo, esparramado sobre o cobertor amassado, se ergueu bruscamente. Por que seu nariz tinha que sangrar naquele momento? Por que na frente dele…

— Foi o melhor beijo que tive recentemente.

Mas como ele podia dizer tais palavras com aquela cara e agir como se nada tivesse acontecido? Se tivesse hesitado, não teria sido uma hemorragia nasal, mas sim o coração explodindo, e ele teria morrido.

Ele não causou uma boa impressão na primeira vez que se conheceram e agora, com o nariz sangrando, deixou uma impressão ainda pior. Parece que ele está destinado a continuar sendo um idiota na frente de Ji Seojoon.

Abraçando os joelhos e agachando-se, as orelhas e o pescoço de Yeonwoo ficaram vermelhos.

 

 

 

 

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna

Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot

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