Ler Passion – Novel – Capítulo 27 Online


Modo Claro

A mão dele segurava a arma com força. Não ousava piscar nem por um instante. Jeong Taeui mantinha o foco em cada pequeno movimento de Riegrow enquanto praguejava para si mesmo.

— Por que eu fui me meter na morte de um idiota? Isso é cavar a minha própria cova.

Sem pensar duas vezes, agiu por instinto, e agora Jeong Taeui sentia vontade de morder a própria língua para acabar com a vida. Mas o que estava feito, estava feito. Agora precisava seguir em frente. Por alguma razão, aquele homem bizarro lhe dava a sensação de que, mesmo que sua cabeça fosse esmagada, ele ainda se levantaria como um zumbi. Isso aterrorizava Jeong Taeui.

Riegrow soltou uma risada baixa, os ombros se movendo levemente com o som.

— Haha… o que fazer agora…

Riegrow murmurou, afrouxando o aperto no pescoço do homem. Devido à extrema tensão, Jeong Taeui se sobressaltou quando Riegrow se mexeu.

Ninguém precisava explicar; Jeong Taeui entendeu o significado daquelas palavras. Riegrow estava pensando em como eliminar aquele novo intruso.

O aperto de Jeong Taeui na arma se intensificou ainda mais.

Um único momento de distração poderia lhe custar a vida.

Justo quando Riegrow estava prestes a soltar o pescoço do homem, o sujeito — quase inconsciente — abriu os olhos de repente e gritou:

— Atira! Atira agora!

O grito quase fez Jeong Taeui, tenso como uma corda de arco, puxar o gatilho.

Jeong Taeui ficou extremamente irritado ao ver o homem que havia salvado agir daquela forma.

— …Esses dois malucos se encontraram na hora certa. Você quer morrer, mas eu te impedi. Seu desgraçado, se eu sobreviver depois disso… se prepare para levar uns socos meus.

Enquanto Jeong Taeui rangia os dentes e falava, Riegrow, que parecia estar prestes a soltar o homem, soltou uma risada e ergueu o calcanhar do chão.

Naqueles poucos segundos, um mau pressentimento o atingiu. (Um segundo mais lento, e Jeong Taeui teria visto a próxima vida.)

Nesse momento.

— O que aconteceu aqui?

Uma voz fria ecoou. Passos se aproximaram pela porta. O dedo de Jeong Taeui, pronto para apertar o gatilho do Colt a qualquer instante, parou quando ele virou a cabeça.

Seu tio entrou, seguido pelo motorista. Ao ver o tio, Jeong Taeui murmurou para si: — Ugh.

O tio entrou com expressão impassível, analisando o ambiente como quem avaliava a situação.

Aproximou-se deles de mãos vazias, sem armas. Ao ver Jeong Taeui segurando a arma, franziu a testa.

— Nas sedes, armas pessoais são proibidas. Você não sabia disso, Jeong Taeui?

— …Sim. Eu sei.

— De quem é essa?

— …Minha.

— É? Se você diz, eu acredito. Agora, vá imediatamente ao gabinete do comandante.

Mesmo com a ordem do tio, Jeong Taeui hesitou. Riegrow ainda estava parado à sua frente, o cano da arma apontado diretamente para sua coluna. Sentia que qualquer movimento brusco poderia fazer Riegrow esmagar sua garganta.

Aquele homem não parecia do tipo que recuaria só porque alguém mandou.

O tio olhou para o homem cujo pescoço Riegrow segurava.

— Louis. Está planejando matá-lo?

— …Sim! Ele merece morrer!

— Então vá para Eoryeong. Acalme-se lá por seis meses.

O tio falou brevemente com o homem, depois olhou para Riegrow. Havia cansaço nos olhos do tio quando ele suspirou. Claramente, aquilo o incomodava.

— Riegrow.

Ao encontrar o olhar do tio, Riegrow franziu levemente a testa, depois sorriu de forma constrangida, como se estivesse em apuros. Deu de ombros, a voz carregada de queixa.

— Eu não fiz nada. Ele de repente apontou um revólver .50 para mim. O que eu devia fazer?  Ficar parado e levar o tiro? Não tive escolha, eu tenho que sobreviver, certo?

A justificativa de Riegrow soava plausível — a causa do incidente e suas ações pareciam bem fundamentadas. Mesmo assim, ele torceu o braço do homem em um ângulo estranho até ficar inchado e roxo, demonstrando claramente sua força esmagadora.

O tio estalou a língua várias vezes, como se estivesse irritado, e então olhou para Jeong Taeui, que ainda mantinha a arma apontada para o pescoço de Riegrow.

— Solte Louis e dê dois passos à frente. Meu pobre membro de time está tremendo de medo atrás de você.

— Quer dizer o pobre membro de time que está apontando uma arma para o meu pescoço?

Riegrow murmurou como se estivesse sendo injustiçado:

— Isso é demais, instrutor…

Mesmo assim, soltou Louis. Antes de deixá-lo ir, torceu mais uma vez o braço já dobrado, fazendo o homem gritar, e em seguida deu um leve tapinha na nuca dele. Embora o gesto fosse suave, o som de POP fez os olhos do homem se arregalarem, como se fossem saltar das órbitas.

Ao ver o revólver cair no chão, o tio se virou e acenou com a cabeça. O instrutor assistente que estava a um passo de distância avançou e recolheu a arma. O tio a pegou, avaliando seu peso na mão, e estalou a língua. Aquela arma pesada não servia apenas para matar, mas também era adequada para destruir objetos. Ele bateu algumas vezes com o cano, depois, de repente, usou-a para golpear Louis.

— Esse lunático aponta uma arma tão pesada para as pessoas? Depois que sair de Eoryeong, refaça o curso de manuseio de armas.

O tio estalou a língua novamente e jogou a arma de volta para o Instrutor assistente. Com a ponta do sapato, empurrou Louis para longe. O homem desabou no chão, incapaz de emitir outro som.

Com o caminho livre, Riegrow sorriu de leve e, de forma provocativa, encostou de propósito o pescoço no cano da arma atrás dele. Deu uma risadinha e começou a andar lentamente para a frente. Deu mais um passo.

Jeong Taeui abaixou a arma devagar, mas não desviou os olhos dele. Quando o tio se aproximou e estendeu a mão, Taeui colocou o Colt na mão dele.

Riegrow recuou dois passos como ordenado e então se virou. Quando Jeong Taeui o observava com atenção, de repente encontrou os olhos de Riegrow. Ele o encarou com um leve sorriso, cerrando o punho como se lamentasse algo.

Se o tio tivesse chegado um segundo mais tarde, quem saberia o que teria acontecido? Ninguém poderia prever o que Riegrow faria. Mas o medo instintivo que havia tomado conta de Jeong Taeui naquele momento ainda estava muito claro. Agora ele percebia que o verdadeiro perigo podia estar mais à frente.

Por fim, entendeu por que Riegrow usava sempre luvas — para evitar sujar as mãos de sangue.

Jeong Taeui sentiu uma pontada de tristeza.

O espírito de trabalho em equipe, tão enfatizado no treinamento militar, parecia profundamente enraizado em JeongTaeui. Sempre que via alguém em perigo, mesmo sem qualquer ligação, seu corpo reagia por instinto.

Sentindo um olhar sobre si, Jeong Taeui se virou, entristecido, e viu o tio olhando para ele. O tio tinha uma expressão que parecia dizer: Seu tolo, e estalou a língua. Apesar de tentar dar conselhos valiosos, Jeong Taeui ainda fazia algo que merecia crítica.

— Jeong Taeui. O que você planejava fazer com uma arma descarregada?

O tio perguntou em tom exasperado, balançando levemente o Colt na mão.

Jeong Taeui não respondeu, apenas ficou parado com uma expressão sombria. Desde o momento em que pegou a arma de Maurer, sabia que ela estava descarregada. Mas, para deter Riegrow, não tinha outra escolha.

Riegrow, que estava um pouco afastado, congelou. Então encarou Jeong Taeui com uma expressão estranha.

Então caiu na gargalhada, como se não pudesse acreditar no que tinha ouvido. A risada ecoou por um bom tempo.

A risada cessou.

Então ele olhou diretamente para Jeong Taeui e sussurrou, como se quisesse gravar algo profundamente:

— Jeong Taeui, não é?

Ouvir seu nome pronunciado corretamente pela primeira vez em muito tempo deixou Jeong Taeui ainda mais triste. O caminho difícil à frente era evidente em sua voz.

Tio, em vez de Louis, posso ir para a prisão? Mesmo que seja por meio ano, por favor, me tranque.

Jeong Taeui decidiu que, quando chegasse ao gabinete do comandante, se agarraria à perna do tio e imploraria.

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Mesmo depois de implorar, tudo o que recebeu foi uma bronca.

O tio agarrou as bochechas de Jeong Taeui, puxando com força enquanto ralhava:

— Ah, seu tolo, seu tolo… por que isso tinha que acontecer já no primeiro dia do treinamento conjunto?

Cada vez que o tio dizia isso, Jeong Taeui respondia:

— Eu sei, eu sei.

A pessoa que acabou salvando Jeong Taeui — naquele momento esfregando as bochechas como se tivessem sido esticadas — foi justamente a pessoa que entrou na sala do instrutor.

— Instrutor Jeong Chang-in. Está ocupado? …Parece ocupado. Posso incomodá-lo por um instante?

A pessoa que entrou — sorrindo calmamente — era seu superior direto: o vice-diretor Rudolph Gentil.

Ao vê-lo entrar, o tio imediatamente soltou Jeong Taeui e balançou a cabeça como se nada tivesse acontecido.

— Não é incômodo, está tudo resolvido. …Você pode sair agora.

Sentindo-se um pouco irritado, mas sendo prudente, Jeong Taeui inclinou levemente a cabeça e recuou. Ao se virar, encontrou o olhar do vice-diretor e fez outra reverência. Pretendia sair em silêncio, mas foi interrompido:

— Ah, certo, esse jovem é seu sobrinho, não é?

Embora falasse com seu tio, o olhar do vice-diretor permaneceu em Jeong Taeui. Este congelou, sentindo-se desconfortável. Fingir que não estava ouvindo não era uma opção. Seu tio sorriu de maneira esperta e assentiu.

— Sim, senhor.

— Humm. Então esse jovem é irmão do pesquisador Jeong Jay.

— Sim, Jeong Jaeui é o mais velho, e este é o mais novo. Eles são gêmeos, então não há diferença de idade.

— Humm. Entendo….

O vice-diretor de repente voltou a atenção para Jeong Taeui como se tivesse se surpreendido. Quando Jeong Taeui chegou pela primeira vez, havia se apresentado brevemente, como em um relatório, mas o vice-diretor estava ocupado demais para conversar.

Jeong Taeui pensara que os encontros com oficiais de alto escalão seriam sempre assim e, por isso, se sentia mais à vontade.

Sentindo o olhar minucioso do vice-diretor, Jeong Taeui suspirou por dentro.

Seu irmão Jaeui era realmente muito famoso. Embora já estivesse acostumado, ser encarado tão abertamente ainda era raro.

— Mas se você está aqui, e o seu irmão?

O vice-ministro perguntou de repente. Após alguns segundos, Jeong Taeui percebeu que a pergunta era dirigida a ele e hesitou um pouco antes de responder:

— Se está falando do meu irmão… ele ficará bem mesmo que eu não esteja lá.

Jeong Taeui deu a resposta mais segura, lançando um olhar para o tio. Irmãos não são cônjuges, paciente ou cuidadores, então estarem separados não era um problema, mas ainda assim precisava ouvir esse tipo de pergunta.

O tio, que estava ao seu lado, percebeu o olhar de Jeong Taeui e interveio:

— Ser gêmeos não significa que precisem estar juntos o tempo todo. Mesmo separados, o amor fraternal continua forte.

— Ah, sim.

O vice-diretor assentiu, mas continuou a observar Jeong Taeui atentamente.

Jeong Taeui suspirou por dentro, pensando que o homem estava tentando encontrar diferenças entre ele e Jeong Jaeui.

Ter um irmão famoso tornava isso inevitável. E, naquela instituição, seu irmão era extremamente popular. Por onde passava, ouvia falar dele — o que já começava a cansá-lo.

Seu tio sinalizou para que ele saísse, e então falou com o Vice-diretor:

— A propósito, a segunda sala militar da sede acabou de entrar em contato…

O Vice-diretor imediatamente prestou atenção.

Jeong Taeui se curvou e deixou a sala do instrutor.

Após a confusão da manhã, Jeong Taeui havia sido chamado à sala do instrutor e levado uma bronca. Quando saiu, já era o início do turno da manhã. Nessa situação, todos na filial sabiam o que havia acontecido, então chegar um pouco atrasado à aula não resultaria em punição dobrada pelo instrutor. Mas faltar completamente certamente geraria dupla punição.

Ah… eu realmente não quero entrar.

Pensando bem, agora ele teria que ir para a aula de tecnologia de armas. A história de que ele carregava uma arma havia se espalhado, e o instrutor rigoroso certamente o repreenderia. Talvez até com o próprio Colt.

Jeong Taeui olhou pela janela, com o coração pesado. A sala do instrutor ficava no térreo, então do corredor podia-se ver o lado de fora. O tempo estava lindo, o que o deixou ainda mais triste.

Ele caminhou lentamente em direção ao elevador, passando pelo escritório. Jeong Taeui diminuiu o passo.

Não havia motivo para entrar no escritório, mas se pudesse encontrar Xinlu e animá-lo, seria ótimo. Mas não tinha nenhum motivo válido para entrar.

Parecia que hoje alguém simpatizava com o humor triste de Jeong Taeui.

Ao passar pelo corredor, viu um rosto familiar surgindo na esquina. Xinlu acabara de lavar as mãos e guardava um lenço no bolso. Ao ver Jeong Taeui, seus olhos se arregalaram e ele sorriu amplamente.

— Hyung, o que está fazendo aqui a esta hora? Não vai para a aula?

— Sim, eu só tinha algo para resolver na sala do instrutor… O dia está realmente bonito hoje.

Embora quisessem estar juntos, sempre faltavam assuntos para conversar. Não se conhecendo muito, só podiam falar sobre o clima.

— Sim, está mesmo. Mas a previsão diz que hoje à noite ficará nublado. Amanhã e depois, vai chover, depois abrirá novamente.

— Certo. Se o tempo abrir, vamos dar uma caminhada à beira-mar.

— Combinado.

* Traduzido por Mandy Fujoshi. Até o próximo capítulo! *

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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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