Ler Passion – Novel – Capítulo 26 Online

Riegrow fez um gesto natural em direção a Jeong Taeui. Este, um pouco confuso, estava prestes a recusar inventando a desculpa de que iria se sentar para comer com Maurer, que também não gostava de se envolver nessas coisas, já tinha se afastado e se sentado em outra mesa.
Jeong Taeui permaneceu em silêncio por um momento. Dizer algo como “Porque você é da filial europeia, não posso comer com você” soaria ridículo, e dizer “Porque estar perto de você é como estar ao lado de uma pedra afiada que pode me atingir a qualquer momento, então vou evitar” revelaria suas verdadeiras intenções. Então, simplesmente o seguiu em silêncio.
Isso não é bom. Isso não é um bom sinal.
Seu tio havia aconselhado a evitar chamar atenção, e Jeong Taeui certamente mantinha esse conselho em mente. Mesmo sem ele, era isso que ele queria desde o início.
Na noite passada, ele não esperava que a pessoa em seu quarto fosse aquele homem e, infelizmente, acabou sendo pego bem naquele momento. Mas pensou que aquilo seria tudo. Felizmente, tudo passou sem maiores problemas — ainda que aqueles homens tenham causado uma confusão no corredor e enfrentado um grande problema. Ele ficou aliviado e pensou que, a partir daquele dia, só andaria por lugares escuros e escondidos.
— Isso te incomoda muito?
Ele não esperava que o homem sorridente à sua frente fosse puxar conversa. Pensava que o que havia acontecido ontem tinha ficado no passado e que hoje seria um novo dia, em que as coisas simplesmente seguiriam em frente.
Jeong Taeui pegou os hashis e perguntou, de forma grosseira, ao homem sentado à sua frente:
— O que você quer dizer, incomodar com o quê?
Sua resposta não significava que ele não estivesse incomodado. Havia coisas demais lhe causando incômodo, mas ele não sabia a qual delas o homem se referia. Seria o fato de o sujeito mais problemático ter iniciado uma conversa com ele, ou aquela estranha cordialidade, ou ainda os olhares frios vindos da mesa número 6, reservada para os membros da filial europeia?
O homem riu ao ouvir a resposta de Jeong Taeui.
— Acho que você é bem corajoso por se sentar no meio de uma mesa cheia de membros da filial europeia.
Ao ouvir isso, com um leve riso, Jeong Taeui segurou os hashis e olhou para ele com desagrado.
— Foi você quem me mandou vir aqui. Além disso, não havia outro lugar vazio.
Jeong Taeui respondeu, desconfortável. Não apenas a mesa em que estava sentado, mas todas as mesas ao redor estavam ocupadas por membros da filial europeia. Os olhares caíam sobre ele como flechas. Quase se podia ouvir os pensamentos:
— Vá sentar-se em outro lugar com os seus amigos.
Mas ninguém ousava dizer isso — provavelmente por causa do homem sentado à sua frente.
Os homens que estavam na mesma mesa encolheram-se e permaneceram em silêncio quando Jeong Taeui e a “Arma Totalmente Armada” — Riegrow — se sentaram juntos. Naquele momento, Jeong Taeui conseguiu imaginar como aquele homem era tratado pelos outros da filial.
Talvez não fosse apenas porque ele pertencia à filial asiática e tinha apanhado dele, mas porque qualquer um que o incomodasse acabava apanhando.
— Ele age da mesma forma até na própria filial…? — murmurou Jeong Taeui enquanto comia, e Riegrow ouviu, perguntando em seguida:
— Quem?
Naquele instante, Jeong Taeui hesitou por um momento, mas logo continuou comendo como se nada tivesse acontecido.
Não, isso não está certo. Preciso evitar atenção. Seja boa ou ruim, é melhor não chamar atenção. Terminar de comer e sumir rápido, nunca mais aparecer diante dele.
Enquanto Jeong Taeui comia em silêncio, os membros da filial europeia que estavam à mesa se levantaram e saíram discretamente. Mesmo com quatro lugares agora vagos, ninguém se aproximou para sentar ali.
— Acho que não ouvi o seu nome.
A observação casual de Riegrow chegou aos seus ouvidos. Assim que escutou, o coração de Jeong Taeui pareceu parar de bater.
Isso é ruim. Os sinais estão piorando. Perguntar o nome pode ser normal entre pessoas que acabaram de se conhecer, mas vindo dele, não podia ser levado de forma leviana.
— Posso te perguntar uma coisa?
Jeong Taeui não respondeu à pergunta, fingiu não ter ouvido, bebeu água e retrucou:
— Você costuma perguntar o nome das pessoas?
Ele pensava que Riegrow era o tipo de pessoa que não se importava com os outros. Mas, pensando bem, até mesmo o “Jack, o Estripador”* talvez tivesse perguntado: Qual é o seu nome? ao conhecer uma prostituta pela primeira vez.
Ao ouvir a pergunta, Riegrow sorriu levemente, parecendo divertido.
— Normalmente, sim. É incômodo não saber o nome um do outro. Você não acha?
— Se for incômodo, basta perguntar o nome daqueles que você vai encontrar com frequência.
Riegrow assentiu, como se tivesse entendido, enquanto Jeong Taeui mastigava a comida sem ânimo, fixando o olhar nele.
Visto de fora, era de fato um jovem muito bonito. Mesmo em meio a uma multidão, chamaria atenção por sua aparência limpa e agradável. De certo ângulo, poderia até ser considerado belo.
A cena daquele homem atraente comendo um pedaço de torrada, deixando cair farelos de forma descuidada, criava uma imagem quase artística. Assistindo ao vídeo não dava para perceber isso, mas vendo-o pessoalmente, ele parecia muito mais jovem. Talvez fosse um ou dois anos mais novo que Jeong Taeui… Ou talvez sua idade real fosse muito maior do que aparentava… seguindo a lenda de que banhar-se em sangue poderia rejuvenescer.*
— Quantos anos você tem? — Jeong Taeui apoiou o cotovelo na mesa de forma rude, encarou-o e perguntou de repente.
Riegrow pareceu surpreso com a pergunta inesperada, mas respondeu com interesse:
— Você costuma perguntar a idade das pessoas? Ou acha que vai me encontrar com frequência a ponto de precisar saber a minha idade?
Diante da resposta irônica de Riegrow, Jeong Taeui não insistiu. Apenas sentiu seu humor ficar ainda mais sombrio. Talvez, se se encontrassem de novo em uma luta, ele pegasse leve só porque já se conheciam.
Mas seu tio havia dito:
— Só não chame atenção.
Tarde demais agora, tio. O que devo fazer? Se eu morrer, por favor, não se esqueça de queimar meus livros também.
Murmurando suas últimas palavras enquanto comia, Jeong Taeui notou a mão de Riegrow segurando a xícara de café. Suas luvas escuras cobriam completamente as mãos.
— Parece que você gosta mesmo de luvas. Está sempre usando.
— Hã? — Riegrow olhou para a própria mão, surpreso, depois fechou e abriu o punho algumas vezes e balançou a cabeça.
— Nem tanto. Na verdade, usar luvas é até mais incômodo do que ficar de mãos livres.
— Então por que você sempre as usa?
— Não gosto de sangue grudando nas minhas mãos. É pegajoso e difícil de limpar quando seca.
— Mas você está em uma cafeteria, comendo comida. Não tem como sangue grudar nas suas mãos…
Jeong Taeui, com uma expressão confusa, estava falando e ainda não havia terminado a frase. Nesse instante, um homem de repente escancarou a porta da cafeteria e correu direto até a mesa deles.
Era um homem com quem Jeong Taeui nunca havia falado antes e que provavelmente era de outra equipe. Com o rosto extremamente severo e os olhos injetados de sangue, ele encarou Riegrow e imediatamente avançou contra ele.
— Riegrow! Esta é a arma de Croy, a pessoa que você matou!
O grito furioso ecoou, e em sua mão havia uma pistola calibre .50*.
O rosto de Jeong Taeui ficou imediatamente pálido. Esse louco! Quem aparece de manhã segurando uma arma tão perigosa que poderia destruir toda a cafeteria num instante!
— Se quiser morrer, morra sozinho, seu desgraçado…!
Jeong Taeui, que não tinha nenhuma coragem cavalheiresca de se levantar para proteger Riegrow, murmurou palavrões e rapidamente se afastou. Em uma situação em que uma arma com recuo tão poderoso poderia causar balas perdidas, ele não sabia quem poderia ser atingido, mas contanto que não fosse ele, estava tudo bem.
Mesmo assim, a cafeteria já havia se tornado um caos.
Jeong Taeui imediatamente se escondeu atrás de uma grande coluna próxima, observando a situação com ansiedade.
Com aquela coluna, alguns disparos poderiam derrubá-la. Mas não, era um revólver de seis tiros, e ele não desperdiçaria balas em uma coluna. E, antes disso, não tinha motivo para mirar nele.
Embora não estivesse completamente seguro, Jeong Taeui se protegeu a tempo e, instintivamente, colocou a mão no bolso da jaqueta. Mas o bolso estava cheio de poeira.
Droga! Murmurando palavrões e virando a cabeça, ele viu Maurer rastejando sob uma mesa a alguns metros de distância.
— Maurer!
Jeong Taeui correu imediatamente até Maurer. Nesse momento, tiros ensurdecedores ecoaram, sacudindo o ar. Um pedaço de pedra voou de trás, atingindo Jeong Taeui. Os disparos fizeram seus braços doerem. Maldito louco! Se você sobreviver, vou te esmigalhar!
Jeong Taeui se encolheu ao lado de Maurer, que entrava em pânico, e agarrou seu colarinho. Apesar dos gritos e da luta de Maurer, Jeong Taeui enfiou a mão no bolso. Como esperado, um pedaço de metal frio se encaixou perfeitamente em sua mão.
Jeong Taeui virou a cabeça e viu Riegrow parado calmamente, como se fosse um espectador do caos. A poucos metros, o homem mirava a arma nele.
Uma cena inacreditável se desenrolou diante dos olhos de Jeong Taeui.
Riegrow, com uma expressão despreocupada como se fosse leve como uma pena, derrubou sem esforço a mesa de cedro para seis pessoas, que normalmente exigiria três ou quatro homens fortes para mover. Ele usou a mesa como escudo e, em seguida, chutou-a com força, lançando-a em direção ao homem.
Bang!
Outro tiro ensurdecedor ecoou. A grossa mesa voando em direção ao homem se estilhaçou ao ser atingida pela bala, com fragmentos de madeira atingindo Riegrow antes de caírem no chão.
— Agora, só restam quatro balas, certo? — murmurou Riegrow calmamente, enquanto se protegia atrás de uma coluna próxima antes de derrubar outra mesa. Ele segurou a perna da mesa, levantou a mesa inteira e rapidamente a lançou contra o homem. Outro disparo estridente soou; a perna da mesa se partiu em pedaços, mas desta vez os fragmentos foram bloqueados pela coluna e não atingiram Riegrow.
— Só restam três balas. Se nenhuma delas acertar, você vai morrer — Riegrow parecia estar se divertindo, sorrindo alegremente.
— Me devolve a arma! É meu bebê querido, devolve agora! — Maurer agarrou-se com força ao braço de Taeui. Jeong Taeui lutou para se livrar de Maurer e se abaixou para passar por uma brecha. Enquanto manobrava por trás do homem, mais dois tiros consecutivos ecoaram.
— Este idiota tolo, por que começar uma batalha que não pode vencer e arriscar a vida assim? — Jeong Taeui rangeu os dentes e murmurou.
Restava apenas uma bala, e tudo ao redor havia se transformado em um caos.
A distância entre o homem e Riegrow agora era de apenas cerca de 4 a 5 metros.
O pescoço do homem estava encharcado de suor. Enquanto isso, Riegrow permanecia em frente ao homem com uma expressão calma, como se brincasse com um rato, um leve sorriso nos lábios. Ele pegou suavemente um pedaço de madeira do tamanho do braço de uma pessoa, levantou-o e o balançou algumas vezes, depois lançou-o com força em direção ao homem, como se estivesse brincando. Mas não era brincadeira: o pedaço de madeira cortou o ar próximo à cabeça do homem, criando um silvo. Se acertasse, o homem desmaiaria instantaneamente.
Esse foi o momento decisivo.
Jeong Taeui sentiu que era aquele o instante. O momento em que percebeu que a vida de alguém estava em perigo. Quando se deu conta disso, agiu imediatamente.
Assim que o homem se abaixou para desviar do pedaço de madeira, Riegrow avançou quase simultaneamente ao lançamento da madeira.
O homem talvez tenha visto o demônio correndo em sua direção com um sorriso satisfeito no rosto.
Bang!!!
O chão pareceu tremer. Jeong Taeui, que estava próximo, estremeceu e fechou os olhos, pois o tiro ensurdecedor fez seus ouvidos zunirem. Um breve gemido escapou dos lábios do homem. Quando abriu os olhos, testemunhou Riegrow, que havia se abaixado rapidamente, saltando de repente, agarrando o pulso do homem com força e torcendo-o violentamente, fazendo a arma escapar de sua mão. Do teto, onde a bala havia ficado cravada, caíram fragmentos de pedra e poeira. Com a outra mão, Riegrow segurou o pescoço do homem, pressionando fortemente a artéria carótida.
— Realmente… errou de novo.
O riso suave e o murmúrio de Riegrow ecoaram pelo espaço tão silencioso que fez os ouvidos de qualquer um zumbirem. À medida que aquelas palavras se espalhavam, todos presentes entenderam o que havia acontecido.
Riegrow então agarrou o braço do homem que segurava a arma, torceu o cano em direção à cabeça dele. Calmamente, decidia o destino do homem.
O homem o encarava, olhos arregalados. A mão sobre seu pescoço o acariciava suavemente.
— Nos vemos na próxima vida.
Os olhos de Riegrow suavizaram. Sua voz sussurrante ecoou como uma canção. A grande e assustadora mão — capaz de facilmente quebrar o pescoço de alguém com força bruta — apertou com firmeza.
Naquele momento…
— Solte!
Uma voz fria ecoou.
O cano da Colt que Jeong Taeui segurava parou contra a nuca de Riegrow, por trás.
Riegrow, ainda segurando o pescoço do homem, parou. Inclinou-se suavemente para trás, aproximando seu pescoço do cano, e disse calmamente, com um sorriso:
— Atirar a uma distância tão próxima… seu pulso não vai ficar intacto.
— Não se mexa. Um pulso ferido é muito melhor do que perder a vida.
— …Eu estava errado. Odeio tolos que arriscam a própria vida por algo que não tem nada a ver, fingindo ser cavalheiresco.
— Não se mexa!!!
Jeong Taeui segurou a Colt com firmeza. Sem piscar, sussurrou enquanto focava em cada pequeno movimento de Riegrow. Ao mesmo tempo, amaldiçoava-se silenciosamente.
Notas:
¹ Calibre .50 (0.50 BMG — Browning Machine Gun): uma das munições mais potentes usadas em armas pessoais e metralhadoras, originalmente desenvolvida para metralhadoras pesadas. É conhecida por sua capacidade perfurante contra blindagem e longo alcance, frequentemente empregada para destruir alvos blindados ou em disparos a longa distância.
² Jack, o Estripador (Jack the Ripper): apelido dado a um assassino em série não identificado que atuou em 1888, principalmente no distrito pobre de Whitechapel, em Londres. Tornou-se famoso pela brutalidade dos crimes e pela identidade nunca comprovada.
³ Erzsébet (Elizabeth) Báthory (a “Condessa de Sangue”): nobre húngara do século XVI–XVII acusada de torturar e matar jovens para, segundo lendas, manter a juventude. Sua história deu origem à crença popular sobre banhos de sangue para rejuvenescer, embora parte disso esteja cercada de controvérsia histórica.
* Traduzido por Mandy Fujoshi. Até o próximo capítulo! *
Ler Passion – Novel Yaoi Mangá Online
Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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