Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 79 Online

Modo Claro

Era uma pergunta tão óbvia. Eileen pertencia a Cesare. Enquanto ele não a descartasse, ela jamais sonharia em deixar seus braços.

Quando Eileen assentiu lentamente, a força se esvaiu da mão de Cesare. O estilete caiu no chão com um ruído metálico agudo.

Aqueles olhos novamente, vazios e desolados, como uma terra arruinada, estilhaçados, sem nada restando…

O homem tocou o pescoço de Eileen com a mão manchada de sangue, traçando suavemente as marcas que havia deixado em sua pele. Passou os dedos pelos hematomas lentamente antes de fechar os olhos por um momento.

— Por quê…

Sua respiração irregular se acalmou enquanto ele olhava novamente nos olhos de Eileen.

— Por que você não resistiu?

Sua pergunta quieta pairou no ar enquanto Eileen abria os lábios para responder.

— Deve haver… uma razão…

Queria dizer que acreditava que o homem tinha um motivo para tudo, que confiava nele cegamente. Mas sua voz, quebrada e rouca, não conseguiu formar as palavras. Cesare impediu que ela continuasse.

— Por favor, me prometa, Eileen.

Sua voz estava cheia de desespero, como a de um homem encurralado à beira de um precipício.

— Prometa que não morrerá por minha causa.

Ele já havia pedido algo similar antes, mas era uma promessa que Eileen achava difícil fazer. Ainda assim, enquanto Cesare solicitava sua palavra, ela não teve escolha senão concordar.

No momento em que pronunciou sua promessa, Cesare a puxou para seus braços, segurando-a com força. Eileen sentiu um ligeiro tremor. A princípio, pensou que fosse seu próprio corpo tremendo, mas logo percebeu que a sensação vinha do homem.

Sem pensar, Eileen envolveu os braços ao redor dele em retribuição. Seu corpo, mal agarrado à vida, clamava de exaustão e dor.

Ainda assim, não conseguia evitar segurá-lo com força. Cesare, em silêncio, a puxou ainda mais para si.

Conforme a tensão diminuía, sua visão começou a embaçar. Seu corpo, tendo esgotado cada última gota de energia, sinalizou seu limite. Lutando contra a sonolência que a dominava, Eileen sussurrou para ele com uma voz tão suave quase inaudível.

Que ela estava bem. Que nada doía.

Sua voz, rouca e fraca, lutava para carregar as palavras, mas pareciam flutuar para longe, sem alcançar Cesare. A última imagem que viu antes de perder a consciência foram seus olhos, ainda cheios da desolação de uma terra devastada.

O som implacável da chuva batendo contra a janela atormentava os ouvidos de Cesare. A tempestade não dava sinais de diminuir, martelando o vidro como para enfatizar o caos dentro dele. O homem, com uma expressão impassível, observou as gotas deslizarem pela vidraça antes de voltar seu olhar para Eileen, que jazia inconsciente na cama do grão-ducado.

Ele a trouxe de volta após ela desmaiar, temendo que, se permanecesse adormecida naquela casa de tijolos, ele pudesse fazer algo indizível novamente. Após carregar seu corpo inerte de volta, limpou cuidadosamente o sangue de seu rosto com um pano úmido, trocou suas roupas por limpas e a deitou para descansar.

Ficou junto à janela, alternando o olhar entre Eileen e sua palma. A mão que ele havia mutilado com um estilete já estava quase curada. Até amanhã, o ferimento sumiria sem deixar vestígios.

Ainda assim, embora os ferimentos desaparecessem rapidamente, isso não significava que ele estava livre da dor. Cada vez que a realidade parecia turva, o homem se mutilava novamente. A dor era uma das poucas maneiras de lembrar a si mesmo que este mundo — onde Eileen existia — era real.

Ele encarou sua palma por um longo momento, um sorriso amargo se formando em seus lábios. Quanto mais se lembrava do momento em que envolveu suas mãos ao redor do pescoço de Eileen, mais sua mente se embaraçava, misturando memórias da realidade e da ilusão em uma bagunça caótica. A chuva lá fora, cada vez mais intensa, apenas turvava ainda mais seus pensamentos.

Choveu no dia em que a pequena Eileen dormiu no quarto do palácio do Imperador, no dia em que a matou no quarto da casa de tijolos, e no dia em que visitou a taverna onde sua cabeça decepada foi exibida.

Suas memórias, emaranhadas e distorcidas, precisavam ser reorganizadas à força. Ele relembrou da época antes de voltar no tempo, quando retornou vitorioso da guerra, apenas para descobrir a morte de Eileen.

Quando descobriu que Eileen havia sido decapitada, tudo parecia irreal. Era como se estivesse preso em um pesadelo, agarrando-se à vã esperança de que, ao acordar, Eileen estaria viva novamente, respirando como se nada tivesse acontecido.

Mas Cesare acabou percebendo a verdade, que aquilo não era um pesadelo, mas uma realidade brutal.

O dia em que visitou a taverna onde a cabeça decapitada de Eileen havia sido exibida foi um dia de tempestade. Um céu claro se transformou em aguaceiro num instante. O homem, encharcado até os ossos, entrou na taverna. Seus cavaleiros, vestidos com roupas comuns, seguiram logo atrás encharcados. O taverneiro correu até eles, carregando um punhado de panos secos.

Cesare pegou uma toalha, secando-se casualmente enquanto examinava o ambiente. A maior taverna da Rua Fiore estava lotada apesar do tempo ruim. Ao observar os clientes movimentados, o taverneiro lançou-lhe vários olhares nervosos.

Embora tivesse tirado o capuz de sua capa, sua estatura alta o destacava na multidão. Seus cavaleiros, com os rostos descobertos, atraíam ainda mais atenção.

Cesare ignorou os olhares, entregando uma moeda ao taverneiro antes de ser conduzido a um assento. Quando ele e sua comitiva entraram, os clientes os observaram com curiosidade, mas logo voltaram às animadas conversas.

O local, saturado com o cheiro de álcool e devassidão, vibrava com os frequentadores embriagados. Homens com olhos brilhando de luxúria já estavam meio fora de si, perdidos em uma névoa de embriaguez.

Eles lançavam piadas grosseiras à cantora que se apresentava no centro da sala, rindo de forma escandalosa. A mulher, suportando o assédio, continuava sua canção com uma expressão impassível.

‘Como posso voltar àquele dia? Você permanece tão vívida em minha memória. Você ainda é tão clara dentro de mim…’

Cesare examinou os rostos dos frequentadores. Até então, ele só pretendia reunir as informações necessárias e deixar aquele lugar rapidamente.

Então ouviu uma conversa sobre Eileen.

O olhar de Cesare fixou abruptamente em um dos homens. O bêbado, alheio aos olhos carmesim cravados nele, continuou sua exibição vulgar, fazendo um gesto lascivo com a mão.

— Ah, cheguei nela tarde demais, então ela já estava toda arruinada, mas caralho, ainda assim era boa. Aposto que o dono da taverna fez uma fortuna naquele dia. Devem ter arrecadado todo o dinheiro da Fiore — não, de toda a capital!

As risadas dos homens aumentaram à medida que acrescentavam seus próprios comentários cruéis. Eles descreviam como o dono da taverna tinha dificuldade em manter os olhos mortos da mulher executada abertos e como achavam que ela era feia quando estava viva.

Para eles, nenhuma nobre, independentemente de seu status, poderia jamais se comparar ao encanto daquela executada. Lamentavam que, se seu corpo não tivesse se decomposto, ainda estariam desfrutando, e sua cabeça exibida como um troféu grotesco. Mesmo agora, sua história continuava sendo um tema constante de conversa entre os frequentadores.

Cesare ouviu cada palavra, absorvendo suas provocações e zombarias cruéis. Quanto mais ouvia, mais sua raiva se acumulava. Finalmente, ele irrompeu em uma gargalhada arrepiante.

Ele riu por um tempo, o som ao mesmo tempo, perturbador e ameaçador, antes de empurrar lentamente a cadeira para trás e se levantar. Sem dizer uma palavra, caminhou até os homens que ainda se deleitavam com suas piadas vis sobre a jovem condenada.

Os homens estremeceram, assustados com a súbita aproximação da figura alta. O olhar de Cesare varreu a mesa deles e pousou sobre a longa faca de carne que ali estava.

Sem hesitar, Cesare pegou a faca.

O mais barulhento deles soltou um som curto e surpreso, levando a mão à garganta. Aquele foi seu último momento.

A faca deslizou mais uma vez, e uma fonte de sangue seguiu. O corpo do homem tombou para trás enquanto a taverna ecoava com um estrondo. O local movimentada caiu em um silêncio mortal.

No silêncio arrepiante, os cavaleiros de Cesare entraram em ação. Lotan, Diego e Senon bloquearam rapidamente todas as saídas da taverna, cortando qualquer possibilidade de fuga. Enquanto isso, Michelle pulou para o palco, agarrou a única mulher presente, a cantora, e a empurrou bruscamente para um canto, mantendo-a fora de perigo.

E assim, começou o massacre.

Este foi o início, o primeiro dia em que a espada, outrora um símbolo de proteção para o Império Traon, se voltou contra seu próprio povo.

(Elisa: Cesare tem meu paninho de seda só para ele)

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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