Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 119 Online

Modo Claro

Um silêncio arrepiante se instalou ao redor deles, uma tensão seca e áspera afundando no ar como areia movediça. Eileen sentiu-se paralisada, a respiração presa no peito. Quis desmaiar ao ouvir as palavras do Imperador, mas, de algum modo, Leone continuou falando como se nada estivesse acontecendo fora do comum.

— Estranho, não é?—  comentou com leveza, ajustando o capuz de volta sobre a cabeça. Ele o puxou para baixo o suficiente para que apenas Cesare e Eileen pudessem ver seus olhos. — Se a assustei hoje, peço desculpas. Vamos nos encontrar novamente no Palácio Imperial. — Com um último aceno para Eileen, Leone voltou o olhar para Cesare.  — Você levará a Arquiduquesa, certo? Toque uma música para mim no piano quando chegarem.

Então, sem dizer mais nada, passou por Cesare em direção à rua principal, seus guardas o seguindo em silêncio até desaparecerem de vista.

Diego e Michelle, que mantinham uma distância cautelosa, aproximaram-se rapidamente, seus rostos pálidos e atônitos, espelhando a própria reação de Eileen. Enquanto lutava para regular a respiração, ela se virou e encarou Cesare. Os longos cílios projetavam uma sombra sobre seus olhos, que pareciam distantes — como se perdidos em uma memória. Percebendo o olhar dela, ele a fitou e murmurou suavemente:

— Meu irmão… — seus lábios se moveram lentamente, e Eileen captou o mais leve traço de significado em suas palavras, — … daria a vida por mim.

Com a mão enluvada, Cesare bagunçou o cabelo de Eileen. Seus olhos permaneceram nela por trás dos óculos, sua voz quase inaudível enquanto murmurava, quase para si mesmo:

— Desde o começo… esse é o problema.

As palavras escaparam como fragmentos de um pensamento incompleto, enigmático e sem conclusão. Cesare não ofereceu mais explicações.

— Cesare… — chamou Eileen, hesitante.

O homem se virou para ela e estendeu a mão para ajeitar novamente seus cabelos desalinhados. Normalmente, seu toque lhe traria conforto, mas desta vez apenas aprofundou sua inquietação.

‘O Imperador parecia descontente por minha causa?’

Ela não conseguia entender a situação, mas a ideia de que pudesse ser a origem de toda aquela turbulência pesava em seu coração. Um pressentimento angustiante subiu por seu peito, e ela sentiu que estava à beira das lágrimas.

— Eileen.

— Sim…?

— Você viu a farmácia?

— Oh, a farmácia.

Eileen assentiu com entusiasmo à pergunta de Cesare, grata por ter algo em que se concentrar que não envolvesse a atmosfera pesada ao redor deles.

— Eu não entrei, mas vi a fila de longe.

— Você deveria ver o interior também.

— Mas a fila está tão longa…

Eileen admitiu, dando de ombros, que não tivera paciência para esperar. Os olhos de Cesare brilharam com o mais leve traço de divertimento diante de suas palavras.

— Irei com você. Eu já estava pensando em ir mesmo.

Com Cesare ao seu lado, a multidão provavelmente se abriria como ondas. Ainda assim, Eileen hesitou, seus pensamentos ainda confusos. Murmurou, incerta:

— Assim… desse jeito?

A voz de Leone ecoou em sua mente:

“Você não anda por aí assim o tempo todo, anda?”

Até Eileen, que frequentemente deixava de notar essas coisas, entendeu o que ele quisera dizer. Seus óculos e a franja levemente desalinhada lhe davam uma aparência que mal parecia adequada para a Arquiduquesa que deveria ser. Apressadamente começou a afastar a franja e tirar os óculos, mas Cesare segurou suavemente sua mão.

— Por quê? Você fica fofa de óculos, — ele disse casualmente, como se não fosse nada de mais. 

As bochechas de Eileen coraram. Se ele gostava, talvez não fosse tão ruim deixar assim por um tempo.

‘Não é como se arrumar um pouco fosse me transformar numa princesa’, — pensou. Mesmo que arrumasse o cabelo e tirasse os óculos, ainda se sentia como uma “batata suja de lama” ao lado de Cesare. Em silêncio, deixou a franja cair novamente.

Cesare continuou a sorrir para ela, claramente divertido com sua reação. Diego, que se aproximara, sorriu e comentou:

 — Faz tempo que não vejo a Senhora de óculos.

Então tomou a frente, falando com autoridade:

— Lotan e Senon provavelmente estão na farmácia. Também há soldados por perto. Iremos até lá e explicaremos a situação com antecedência.

Michelle, seguindo atrás, piscou para Eileen, fazendo-a sorrir apesar de tudo. A tensão e a ansiedade provocadas pelo encontro com Leone começaram a se dissipar, como uma tempestade passando.

Cesare envolveu sua cintura com o braço, guiando-a em direção à farmácia enquanto caminhavam. Após um momento, perguntou, em tom leve:

— Você não vai me perguntar hoje?

— Perguntar… o quê? —  respondeu, um pouco insegura.

— Se eu estou ocupado.

— Oh…

Eileen remexeu-se, entrelaçando as mãos nervosamente à frente do corpo.

— Quer dizer… eu sei que provavelmente está ocupado, mas queria mostrar a farmácia, já que foi você quem financiou tudo. Então, pensei em ser um pouco gananciosa…

Olhou para Cesare enquanto falava, sentindo-se um pouco constrangida.

Cesare inclinou levemente a cabeça na direção dela, um leve sorriso brincando nos cantos dos lábios.

— Entendo. Eu tinha planejado fingir que te encontrava por acaso, mas o momento não colaborou.

Sua respiração mexeu na franja dela, limpando sua visão momentaneamente. O sorriso de Cesare se aprofundou, brincalhão e provocante.

— Isso também não é tão ruim, é?

O coração de Eileen disparou com seu sorriso juvenil. Ela rapidamente assentiu, murmurando um suave — Sim. Ele respondeu com uma risadinha baixa, o som leve e caloroso.

Caminhando juntos, logo chegaram à farmácia, que novamente estava lotada de pessoas. Mas desta vez, o ambiente estava longe de ser organizado.

Tanto os funcionários tentando controlar a fila quanto as pessoas que aguardavam murmuravam em confusão, trocando olhares preocupados.

A causa da comoção tornou-se imediatamente evidente: um homem estava próximo à entrada, levantando um frasco de remédio e gritando alto o suficiente para que toda a rua ouvisse.

— Isto é um absurdo! A Arquiduquesa deve ter ameaçado a farmacêutica com seu poder!

As pessoas se viraram para encarar o homem, que agitava o frasco no ar com raiva, sua voz ecoando sobre a multidão.

— Este é o remédio que aquela jovem farmacêutica fez! —  gritou, sua indignação evidente.

Os olhos de Eileen se arregalaram em choque, e ela soltou um suspiro abafado.

O homem gritando era Luke, um relojoeiro que morava na rua principal. Ele usava um monóculo, agora torto, e seu bigode tremia de indignação.

Luke era um cliente regular de Eileen, sempre comprando seu remédio para dor de cabeça. Agora, com a Arquiduquesa vendendo medicamentos na rua principal, parecia que ele comprara um frasco por curiosidade. Mas ao inspecioná-lo, notou que, exceto pela embalagem ligeiramente diferente, era idêntico ao remédio para dor de cabeça que Eileen costumava fazer. Para ele, deve parecer que a Arquiduquesa estava se aproveitando de uma farmacêutica pobre e sem poder, revendendo o produto como se fosse seu — especialmente porque o laboratório de Eileen ficara fechado por um tempo, o que apenas reforçava essa suposição.

— Não importa que o Arquiduque seja um herói por salvar o Império, mas recorrer a táticas tão covardes e desonrosas…

A voz de Luke subiu em fúria indignada. Mas, de repente, ele parou no meio da frase.

Seus olhos se arregalaram ao avistar Eileen e Cesare juntos. Piscou, olhando de um para o outro, incrédulo.

Embora nunca tivesse visto Cesare pessoalmente, já havia visto a foto do casamento deles no La Verità. Mesmo sem conhecer o homem pessoalmente, era impossível não reconhecer a figura impressionantemente bonita em uniforme imperial, adornado com medalhas e fitas, com cabelos negros e olhos carmesim penetrantes.

O queixo de Luke caiu enquanto olhava de Eileen para Cesare, sua voz falhando ao gaguejar:

— Espere… são… a Arquiduquesa e o Arquiduque? …Eileen?

Eileen assentiu sem graça, a mão meio levantada como se fosse dar um passo à frente e explicar. Mas o braço de Cesare permaneceu firmemente ao redor de sua cintura, mantendo-a no lugar. Sua voz tinha um tom quase divertido ao se dirigir a Luke.

— E quem você pensa que é, para dizer o nome da minha esposa com tanta liberdade?

Continua …

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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