Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 114 Online
A reação de Leone à pergunta inesperada de Ornella foi sutil. Ele fechou os olhos brevemente, então abriu novamente com um leve sorriso.
— Não esperava que viesse até aqui para fazer uma pergunta dessas.
Com compostura educada, afastou delicadamente a mão dela de seu peito.
— Pensei que tivesse vindo por algo semelhante ao que o Duque Farbellini veio me procurar recentemente.
O Duque Farbellini ainda fervia de raiva pelo incidente em que Cesare invadira sua mansão no meio da noite, declarando que não toleraria qualquer desrespeito. Naturalmente, o duque foi até o genro, Leone, e despejara sua indignação sem fim.
Quando a família real Traon arranjou pela primeira vez um casamento entre a família Farbellini e a linhagem imperial, pareceu um mau negócio para o duque. Os príncipes gêmeos haviam vencido a guerra civil, mas sua posição permanecia precária.
O duque apostou no potencial da família imperial, e sua aposta valeu a pena. Após a conquista bem-sucedida de Kalpen, a dinastia Traon estava firmemente estabelecida como vitoriosa.
O Duque Farbellini se considerava um benfeitor da realeza. Por todos os seus sacrifícios, acreditava merecer ser tratado como um herói fundador do império. Agora, humilhado por Cesare, sua fúria não conhecia limites.
Ele ameaçara levar o caso ao conselho imperial, denunciando a arrogância de Cesare. Ainda assim, apesar das palavras furiosas, também sentia medo.
O motivo de ainda não ter levado o assunto ao conselho era claro: temia que Cesare realmente perdesse o controle e fizesse algo inimaginável.
Como Arquiduque do império, comandante Supremo dos exércitos e irmão do imperador, Cesare tinha muito a perder. Agora que possuía uma família própria, deveria ser mais cauteloso. No entanto, havia algo perturbador no homem — uma volatilidade que sugeria que poderia jogar tudo fora a qualquer momento.
Este não era um medo sentido apenas pelo Duque Farbellini — Leone o sentia profundamente também.
Desde que Cesare retornara à capital, vinha dizendo coisas estranhas, e Leone não conseguia deixar de se preocupar. Com esse último incidente, começava a compreender a gravidade da situação.
‘O que mudou tanto meu irmão?’
Cesare sempre fora reservado, mas Leone nunca tivera tanta dificuldade para entendê-lo como agora. Sendo gêmeos, compartilham um vínculo especial, conhecendo um ao outro melhor do que ninguém. No entanto, recentemente, Cesare se tornou um enigma, suas ações imprevisíveis.
O irmão outrora perfeito agora parecia estar apresentando rachaduras.
— Estou apenas curiosa sobre sua opinião, Vossa Majestade, — a voz de Ornella o trouxe de volta aos pensamentos.
Ela sorriu serenamente, como uma pintura que ganhara vida.
— Como sua noiva.
Leone soltou uma risada baixa, seguida de um suspiro leve.
— Se você tem algo a dizer, seria melhor falar claramente. Afinal, estamos noivos, — respondeu, fazendo uma breve pausa quando Eileen lhe veio à mente.
Conhecia-a desde a infância e sempre soube que Cesare a adorava, mas jamais imaginara que um dia ela se tornaria Arquiduquesa. Mesmo na juventude, Cesare fez coisas inexplicáveis por causa dela. Será que, mesmo agora…
Leone reprimiu a expressão que ameaçava surgir em seu rosto. Seu sorriso habitual permaneceu, mas algo parecia estranho. Por um instante fugaz, viu seu reflexo nos olhos de Ornella e sentiu-se estranhamente desconhecido para si mesmo. Afastando o desconforto, continuou suavemente:
— …Em relação à Arquiduquesa Erzet, não sei ao certo o que você está perguntando. Mesmo que eu a considere um tanto inadequada, o que isso importa? É uma pergunta sem sentido, senhorita Ornella.
Leone sabia que não podia interferir na escolha de Cesare. Sua resposta pode ter soado fria, mas, por algum motivo, Ornella pareceu satisfeita. Seu sorriso se aprofundou, quase doce demais, como uma fruta prestes a apodrecer. Ela falou em tom suave e açucarado:
— Isso já é mais que resposta suficiente.
Ornella entrelaçou novamente os dedos aos dele, segurando sua mão com firmeza enquanto continuava:
— No festival de caça, espero que me trate como sua noiva.
Leone estava prestes a responder que já o fazia, mas as palavras seguintes o deixaram sem reação.
— Como se fosse amor, e não apenas um contrato.
Eileen nomeou o remédio para dor de cabeça que criou de “Aspiria”, um nome derivado do nome científico do salgueiro, que pertence à família Spiraea.
Quando a notícia do lançamento de Aspiria se espalhou, o Império Traon fervilhou de excitação e debate. Era amplamente conhecido através de jornais e revistas que a Arquiduquesa possuía um conhecimento impressionante de farmacologia e botânica.
Embora muitos elogiassem a competência de Eileen, as opiniões sobre o medicamento que desenvolvera estavam divididas. Uma parcela significativa do público suspeitava que a Arquiduquesa estivesse simplesmente usando a reputação do Arquiduque para promover seu produto.
Afinal, por mais que tivesse estudado na universidade, Eileen nunca havia se formado oficialmente. Acadêmicos que dedicavam décadas aos seus campos eram comuns, então o que uma desistente poderia realizar?
Muitos secretamente desejavam seu fracasso. Embora demonstrassem apoio publicamente, seus verdadeiros sentimentos estavam impregnados de inveja, deleitando-se com a perspectiva de ver alguém de alto status cair em desgraça.
Apesar das fofocas externas, o arquiducado Erzet se preparou discretamente para o lançamento do novo medicamento. Finalmente, chegou o dia em que Aspiria foi apresentada ao público.
— Como esperado! Todos na capital estão correndo para as farmácias para comprar Aspiria. Mesmo tendo estocado generosamente, parece que esgotaremos até o fim do dia! — exclamou Senon, a voz cheia de entusiasmo. Seus olhos brilhavam, e ele parecia prestes a começar a dançar em comemoração.
O rótulo dos frascos de Aspiria exibia o brasão do arquiducado Erzet. Dada a imensa popularidade da família dentro do império, muitos estavam ansiosos para possuir algo com seu brasão, ficando na fila o dia todo para comprar o medicamento.
Enquanto Senon estava praticamente pulando de alegria, Cesare permaneceu calmo, oferecendo apenas um pequeno sorriso em resposta ao relatório entusiasmado.
— Isso é apenas o começo, — comentou Cesare.
— Claro! É só o começo. Quando as pessoas experimentarem os efeitos do medicamento, ninguém poderá duvidar das habilidades da Arquiduquesa, — respondeu Senon, ainda transbordando de entusiasmo.
Foi ideia de Senon incluir o brasão nos frascos para incentivar as vendas, e sua estratégia funcionara perfeitamente. Agora, estava ansioso para ver a reputação de Eileen subir ainda mais.
Mas Cesare, percebendo a necessidade de moderar o entusiasmo do homem, lançou-lhe um olhar sutil. Entendendo que se empolgou demais, Senon pigarreou, endireitou a postura e murmurou:
— Peço desculpas.
Cesare riu baixinho e inclinou a cabeça em direção ao edifício do lado de fora da janela.
— Haverá muitas pessoas insatisfeitas. Precisamos ser cautelosos.
Eles estavam estacionados em frente ao prédio do Parlamento Imperial. Senon ajustou as roupas desalinhadas e adotou uma expressão mais séria. Quando Cesare viu que Senon estava pronto, saiu do carro.
Assim que o veículo militar parou diante do parlamento, repórteres que aguardavam por ali cercaram o automóvel. No momento em que Cesare desceu, suas vozes se elevaram em conjunto.
— Arquiduque !
— Vossa Graça! Poderia dizer algumas palavras sobre o novo medicamento lançado pela Arquiduquesa?
— Vossa Graça, qual sua opinião sobre o projeto de lei apresentado hoje que propõe uma redução significativa no orçamento militar?
Embora ansiosos, os repórteres mantiveram uma distância respeitosa, gritando suas perguntas enquanto mantinham alguns passos de separação. Senon seguiu atrás de Cesare, o rosto inexpressivo. Como de costume, o homem ignorou os repórteres e caminhou diretamente em direção ao parlamento.
Mas então, inesperadamente, ele parou.
Os repórteres foram os mais surpresos. Haviam feito suas perguntas sem esperar qualquer resposta, então quando Cesare parou, todos ficaram em silêncio ao mesmo tempo.
No súbito quietar, Cesare sorriu levemente — uma expressão rara em público, o que apenas aumentou o choque dos repórteres.
— O novo medicamento de Eileen — começou, sua voz calma cortando a quietude. Os repórteres, cativados pela visão do Arquiduque sorrindo, aguardaram sem respirar. — Acredito que entrará para a história de Traon.
Continua …
Tradução: Elisa Erzet
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Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui