Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 112 Online

Modo Claro

Eileen lutou para processar a situação, e seus piores temores se confirmaram no momento em que entrou no quarto mal iluminado. A primeira coisa que lhe chamou a atenção foi uma grande cama com dossel e cortinas. As cortinas estavam abertas, revelando um homem reclinado casualmente sobre o leito.

Ele vestia um robe solto — o Imperador do Império Traon, pai de Cesare.

Atordoada, Eileen abaixou rapidamente a cabeça, a mente acelerada. Tentou recordar o rosto que vislumbrara antes de baixar o olhar. Embora se dissesse que o Imperador tinha muitos filhos, todos conheciam seu favoritismo por Cesare, frequentemente afirmando que o príncipe se parecia com ele na juventude. Até mesmo Eileen, que normalmente evitava fofocas da corte, ouvira isso incontáveis vezes.

Mas o rosto que ela vira não se parecia em nada com o de Cesare. Pelo contrário, era seu irmão gêmeo, Leone, quem se assemelhava de forma impressionante ao Imperador. Compartilhavam a mesma cor de cabelo e de olhos, em nítido contraste com Cesare.

Qualquer semelhança entre Cesare e o Imperador talvez se limitasse ao formato afilado do nariz, mas a aura geral entre pai e filho era tão diferente que seria difícil para qualquer um adivinhar o parentesco.

‘Por que ele me convocou?’ —Eileen se perguntou, o coração disparado.

Enquanto aguardava ansiosamente as palavras do Imperador, percebeu com um sobressalto que se esquecera de saudá-lo adequadamente.

“E-Eu saúdo Vossa Majestade”, — gaguejou, a voz trêmula enquanto se curvava ainda mais. Sua saudação tardia arrancou uma gargalhada alta e divertida do Imperador, e a boca de Eileen ficou seca de medo.

“Levante a cabeça” — ordenou, em tom lento e deliberado.

Eileen olhou com hesitação, ousando apenas um breve vislumbre antes de olhar para baixo novamente. O Imperador, assim como seus famosos filhos gêmeos, era extraordinariamente bonito. Apesar das marcas da idade em seu rosto, sua aparência era inegável. Era fácil imaginar que, na juventude, fora extremamente atraente. Sua reputação de inúmeros casos com mulheres provavelmente não se devia apenas ao status, mas também ao seu charme.

O Imperador fitou Eileen em silêncio por um longo momento. Ela manteve a cabeça levemente erguida, mas não ousou encará-lo, os olhos fixos no chão.

Então, o Imperador levantou-se da cama. Seus pés descalços não fizeram barulho ao pisar no tapete, indiferente ao mármore frio sob ele. Estendeu a mão e agarrou rudemente Eileen pelo queixo, levantando seu rosto para encontrar o seu.

Seu aperto era rude enquanto a examinava por um instante, antes de soltá-la com um olhar de desdém. Uma ruga franziu sua testa de desagrado ao falar.

“Aff… Não esperava alguém tão insignificante.”

Com decepção evidente na voz, o Imperador empurrou Eileen no peito. A força do empurrão a fez cambalear para trás, e ela caiu no chão. Uma dor aguda disparou por seu pulso ao cair desajeitadamente, mas mal registrou a sensação, tentando desesperadamente se recompor em pânico.

O Imperador a observou se debater por um momento antes que sua voz cortasse o ar, afiada e autoritária.

“Tire a roupa.”

Por um breve instante, Eileen pensou ter ouvido errado. Piscou, a confusão tomando conta enquanto tentava processar a ordem. Mas o Imperador cruzou os braços e gritou novamente.

“Por que está demorando? Eu disse, tire a roupa!”

Eileen tremia enquanto olhava para o Imperador. Seus olhos ardiam de raiva enquanto levantava a voz.

“Garota insolente! Acha que se tornou alguma coisa só porque o príncipe a favorece?!”

No momento em que ele gritou, Eileen caiu de joelhos no chão. Sua mente ficou em branco, paralisada pelo medo de perder a vida e manchar a reputação de Cesare. O pensamento de causar dano ao príncipe a aterrorizava ainda mais do que a ameaça à sua própria vida.

Desesperada, murmurou pedidos de desculpa enquanto suas mãos trêmulas tentavam desatar a fita do vestido. Não compreendia totalmente o que estava acontecendo, mas o terror a dominou enquanto começava a obedecer, puxando os nós e afrouxando as roupas.

Assim que começou a soltar o vestido, um alvoroço explodiu do lado de fora. De repente, a porta foi escancarada com um estrondo ensurdecedor, batendo violentamente contra a parede.

Cesare estava parado na entrada, seus olhos carmesim ardendo como um fogo furioso. Ele absorveu a cena: o Imperador relaxado em seu robe e Eileen ajoelhada no chão, com o vestido parcialmente desfeito.

Uma fúria sombria e fervilhante cintilou nos olhos de Cesare enquanto ele se virava para o pai. Mas o Imperador, longe de estar perturbado, abriu um largo sorriso, escancarando os braços num gesto de boas-vindas.

“Cesare!”— exclamou alegremente.

“…Vossa Majestade” — respondeu Cesare, a voz baixa e controlada, embora o fogo em seus olhos permanecesse.

O Imperador estava prestes a dizer algo mais, porém sua expressão se fechou diante das palavras seguintes de Cesare.

Ela é alguém que eu prezo. O senhor sabe disso, não é?”

“Sim, eu sei. Foi por isso que a chamei.”

O Imperador gesticulou em direção a Eileen, que tremia de medo, seus braços enrolados firmemente em volta de si.

O rosto é comum, mas ela é boa na cama?”

Cesare permaneceu em silêncio, encarando o pai sem levantar a voz nem demonstrar abertamente sua raiva. O Imperador, notando sua calma, pareceu satisfeito.

“Eu devo conhecer a mulher do meu filho, não acha? Afinal, você é meu reflexo.”

Ouvindo em silêncio, Cesare curvou levemente o canto dos lábios em um sorriso 

torto.

“Pai.”

Os olhos do Imperador se arregalaram de surpresa, incapaz de esconder sua alegria ao ouvir a palavra. Mas a voz de Cesare permaneceu baixa enquanto continuava.

“Eu já lhe disse antes. Ela é minha — apenas minha pessoa.”

Não mulher.

Suas palavras, breves e diretas, foram suaves, mas claras o suficiente para que tanto o Imperador quanto Eileen as ouvissem.

Eileen entreabriu os lábios antes de fechá-los novamente em silêncio. Cesare colocou o casaco do uniforme sobre os ombros dela e a ajudou gentilmente a se levantar. Eileen se apoiou nele, mal conseguindo se manter de pé.

 Os detalhes de como eles escaparam dos aposentos do Imperador se borraram em sua mente. A próxima lembrança que teve foi de estar sentada em um sofá na sala de estar do palácio, enquanto Cesare permanecia de costas para ela, olhando pela janela.

A chuva que deveria ter passado rápido continuava caindo lá fora, encharcando o mundo numa atmosfera sombria e opressiva. Enquanto Eileen fitava as costas de Cesare, ela finalmente falou, com a voz embargada:

 

“…Me desculpe.”

“Pelo quê?”

Cesare se virou para encará-la, seus olhos carmesim tão vívidos quanto estavam no escuro aposento do Imperador, agora igualmente impressionantes na sala de visitas. Eileen queria confessar tudo o que achava ter feito de errado, mas Cesare fez outra pergunta antes que ela pudesse responder.

“O que o Imperador fez com você?”

“Não aconteceu nada…”

Nada tinha acontecido, graças à chegada oportuna de Cesare. Também não queria falar mal do pai dele.

Mas, ao ouvir sua resposta, os olhos do homem se estreitaram. O silêncio pesado foi quebrado apenas pelo som da chuva. Depois de uma longa pausa, ele falou novamente:

“Não houve ninguém na universidade que te incomodou?”

Diante da pergunta, apenas um pensamento atravessou a mente de Eileen: ‘Como posso responder de uma forma que não o irrite?’

Parecia que ele não tinha ficado satisfeito com sua resposta anterior. Ela não queria falhar novamente.

Não desejava deixar Cesare desconfortável, especialmente depois de vê-lo pela primeira vez em tanto tempo. No entanto, por mais que tentasse, não conseguia encontrar as palavras certas. No final, deu a única resposta que conseguiu pensar.

“Não, não houve.”

Houve alguns momentos difíceis, mas, no geral, suas lembranças da universidade eram cheias de felicidade. O tempo que passou lá pareceu um sonho — uma experiência possibilitada pelo apoio inabalável de Cesare. Não tinha motivos para reclamar.

Cesare soltou uma risada fraca e amarga diante da resposta.

“Você sempre diz que não aconteceu nada.”

Em um murmúrio quieto, disse para ela voltar para casa. Eileen partiu sem jantar com ele e, nos dias seguintes, suportou as constantes reclamações de sua mãe sobre não ter testemunhado a reação de Cesare à carta.

Mas mesmo enquanto sua mãe a importunava, Eileen se viu pensando em algo completamente diferente. Qual teria sido a resposta certa?

‘Será que Cesare queria que eu fosse sincera naquela época?’

Enquanto refletia sobre o passado, uma curiosidade persistente a incomodava. No entanto, mesmo que pudesse voltar no tempo, não tinha certeza se teria sido capaz de ser completamente honesta naquele momento.

Ser honesta teria parecido ingratidão e arrogância. Por mais que Cesare se importasse com ela, ainda era apenas a filha de um barão… nada além disso.

Perdida em pensamentos, Eileen foi trazida de volta à realidade por um toque suave em sua bochecha. Quando abriu os olhos, encontrou o brilhante olhar carmesim do homem fixo nela.

Aqueles mesmos olhos a observaram no passado, agora igualmente intensos.

O quarto escuro lembrava a câmara do Imperador, mas este era o quarto do Arquiducado, e Eileen agora era a Arquiduquesa Erzet. O olhar de Cesare permanecia inalterado desde aquele dia, mas a realidade ao seu redor havia se transformado completamente.

Sem pensar, ela sussurrou: 

— …Na verdade, aconteceu uma coisa.

Cesare estreitou os olhos enquanto a segurava junto a si, seus braços envoltos em sua cintura. Eileen hesitou, então continuou:

— Hoje, a Senhorita Farbellini… nós tivemos um pequeno desentendimento, mas não foi nada sério…

Assim que as palavras saíram de sua boca, se sentiu ainda menor. O constrangimento a inundou enquanto murmurava:

— Eu não achei que valesse a pena te contar, mas… você perguntou, e isso me veio à mente. Realmente não foi nada importante…

Suas desculpas saíram atropeladas, mas então Cesare sorriu — um sorriso suave e genuíno que não tinha o amargor de antes.

Ele beijou sua bochecha e seus lábios trêmulos, soltando uma leve risada.

— Continue Eileen. Me conte tudo.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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