Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 110 Online
Enquanto Eileen mergulhava no periódico científico, seus lábios, antes firmemente cerrados, foram se suavizando aos poucos. Sentiu vontade de compartilhar com Cesare a descoberta fascinante que acabara de fazer.
Cuidando para não sobrecarregá-lo com muitos termos acadêmicos complexos, ela começou a explicar o que estava lendo.
— Cesare, este periódico que estou lendo é sobre fitoterapia derivada de plantas. Fitoterapia significa que a planta não é quimicamente extraída, mas usada como é, ou processada apenas o suficiente para que suas propriedades não sejam alteradas. Neste artigo, eles discutem drogas brutas, que se referem à planta inteira, e, hum, o termo ‘droga bruta’ significa…
No entanto, as palavras de Eileen desaceleraram quando ela desviou os olhos do jornal e encontrou o olhar de Cesare.
Esperava que ele estivesse lendo seus documentos, mas, em vez disso, ele a observava atentamente, com um brilho divertido nos olhos.
Sorrindo, comentou:
— Nas forças militares, o posto mais avançado é chamado de ‘posto bruto’.
— Oh…
Eileen emitiu um som vago, seus olhos baixando para os braços que envolviam sua cintura. Murmurou suavemente:
— O ‘bruto’ de que estou falando se refere à planta inteira.
— Entendo — respondeu Cesare, apoiando a cabeça em seu ombro. Depositou um beijo suave em sua clavícula, exposta entre o tecido folgado, e perguntou:
— Você gostou do chá?
A pergunta a trouxe de volta à realidade, e ela aproveitou a oportunidade para expressar sua gratidão.
— Sim, hum, muito obrigada por comparecer — disse com sinceridade.
— Quanto? — ele brincou, com um brilho divertido nos olhos.
Pega de surpresa por sua pergunta inesperada, Eileen hesitou antes de gaguejar:
— Muito mesmo… Quero dizer, eu fiquei realmente feliz. E o bolo, era algo que eu queria experimentar há algum tempo.
Ao mencionar o bolo, sondou discretamente se ele já pretendia comparecer ao chá desde o início.
— Era sua primeira reunião social como minha esposa, então, claro, eu tinha que fazer pelo menos isso — respondeu Cesare, enquanto sua mão deslizava lentamente ao longo de sua cintura. Uma leve sensação de cócegas se espalhava por onde ele tocava, fazendo Eileen estremecer levemente.
— Ninguém te incomodou, não é? — perguntou ele, em um tom de brincadeira.
Eileen não pôde evitar sorrir, imaginando-o repreendendo as nobres caso ela dissesse que sim.
— Não, ninguém. Mas percebi que reuniões sociais não são simples. Todas foram gentis comigo, mas dava para perceber que estavam me avaliando. Fiquei tão nervosa pensando se estava me comportando corretamente como Arquiduquesa… Mesmo com você indo me ajudar, não sei se todas me viram de forma positiva. Ah, e a propósito—
Compartilhando animadamente suas experiências do chá da tarde, ela finalmente abordou o que pesava em sua mente.
— Sobre o festival de caça… sinto que tomei a decisão sem perguntar a você…
Sua voz tremia levemente — não apenas por ansiedade, mas porque, naquele instante, Cesare pressionou os lábios com firmeza na nuca dela, produzindo um som distinto ao sugar brevemente sua pele antes de soltar.
— Já faz um tempo desde que participei do festival de caça, então não há problema. Você nunca foi antes, certo? — respondeu ele, deixando claro que a decisão de comparecer era inteiramente por causa dela.
Eileen, preocupada com possíveis implicações políticas, sentiu-se agitada e olhou para ele. Mas Cesare já havia mudado de assunto.
— E você sempre diz que não aconteceu nada — murmurou em voz baixa, um tom que não se referia apenas ao chá, mas a eventos muito mais antigos.
A mente de Eileen vagou de volta ao passado. Ele tinha feito uma pergunta semelhante quando ela havia desistido da universidade e retornado à capital.
“Alguém te incomodou na universidade?” — ele perguntou naquele verão quando Eileen tinha 17 anos e Cesare, 24.
Após retornar à capital, Eileen foi ao palácio imperial para vê-lo. Fazia dois anos desde o último encontro, e, nesse intervalo, Cesare havia se transformado em um homem plenamente maduro.
Naquele momento, Eileen percebeu que não podia mais tratá-lo como antes. Ela não era mais uma criança; e sim uma jovem mulher prestes a atingir a maioridade. O príncipe que
admirara de forma pura agora se apresentava inegavelmente como um homem.
Assim como seu corpo amadureceu, seus sentimentos também. Sempre que estava na presença de Cesare, corava incontrolavelmente; seu coração disparava ao simples vislumbre dele.
A melhor maneira de esconder seu crescente afeto, ela pensou, era evitar vê-lo completamente. O fardo de pagar as dívidas de sua família forneceu uma razão adicional para se manter centrada e longe do palácio.
Gradualmente, reduziu suas visitas à corte imperial. Ao contrário do passado, quando buscava qualquer desculpa para ir, suas idas tornaram-se raras. Cesare a incentivava a visitar mais vezes, mas jamais a pressionava.
Talvez as coisas simplesmente desapareçam com o tempo, pensava, triste, sem saber como lidar com os sentimentos que floresciam.
Aquele dia marcava sua primeira visita ao palácio depois de muito tempo. Embora não quisesse ir, o pedido de sua mãe não lhe deixara alternativa.
A mãe, consumida por uma profunda depressão, definhava lentamente. Por mais que Eileen tentasse ajudar, nada parecia surtir efeito. Chegara até a preparar um remédio para aliviar o humor da mãe, mas fora acusada de tratá-la como uma doente.
A única vez que o rosto de sua mãe se iluminava, mesmo que minimamente, era quando ela falava de Cesare. Ela falava sem parar sobre como o príncipe que uma vez amamentara quando bebê era excepcional, relembrando como ele a estimava profundamente. Para ela, ele era o último vestígio de sua antiga glória, o único fio ao qual se agarrava.
Às vezes, Eileen achava aquelas histórias cansativas. Embora soubesse que não deveria, sentia vontade de gritar, discutir, implorar para que a mãe se recompusesse.
Queria suplicar para que levasse o tratamento a sério e deixasse de viver no passado.
Mas engolia a raiva todas as vezes.
Consolava a mãe com paciência, ganhava dinheiro vendendo seus remédios para pagar dívidas e contia o pai quando ele voltava bêbado e agressivo.
No turbilhão de responsabilidades, Eileen pensava que se manter ocupada a ajudava a pensar menos no príncipe, tornando seus sentimentos um pouco mais suportáveis.
Então, um dia, sua mãe lhe entregou uma carta.
“Lily, leve isto ao Príncipe.”
Sua mãe sorriu levemente, o primeiro sorriso que Eileen via há muito tempo. Embora dissesse não esperar uma resposta, pediu a Eileen que entregasse a carta e voltasse para contar como o príncipe ficou feliz e satisfeito ao recebê-la.
Incapaz de recusar aquele raro pedido acompanhado de um sorriso, Eileen concordou.
Com o envelope grosso na mão, Eileen entrou no palácio, mordendo o lábio ansiosamente. Apesar de ter solicitado a visita após muitos meses, o príncipe concedeu permissão sem hesitar. Essa facilidade a tranquilizou de que seus sentimentos por ela não haviam mudado, mas também a deixou mais nervosa.
As roupas novas, compradas com dinheiro que mal possuía, pareciam estranhas em sua pele. O tecido estava rígido demais, provavelmente engomado em excesso.
Mexera tanto no cabelo — prendendo e soltando repetidamente — que acabara deixando-o solto. Agora, um fiozinho irritante se recusava a se alisar.
Para piorar, seu nervosismo a fazia suar, fazendo seus óculos escorregarem pelo nariz. Eileen mexeu em sua franja enquanto esperava por Cesare nos jardins do palácio.
Não havia criados ou acompanhantes por perto; Cesare providenciou para que ela esperasse confortavelmente, livre para apreciar as plantas e relaxar. Mas Eileen estava tensa demais para apreciar a vegetação ao seu redor.
Seu coração batia forte no peito, o som ecoando em seus ouvidos. De repente, uma chuva torrencial começou, assustando-a.
Correndo para a árvore mais próxima em busca de abrigo, conseguiu se proteger parcialmente, mas já estava encharcada. Em pânico, verificou se a carta não havia molhado.
Ali, tremendo sob a chuva, lágrimas começaram a se formar.
‘Me preparei tanto para isso.’
Eileen estivera ansiosa para vê-lo há dias, perdendo o sono em sua expectativa. E agora, lá estava ela, em um estado tão lamentável.
Uma onda de tristeza a invadiu, sentindo-se traída pela crueldade do momento. Ao enxugar suas lágrimas com a manga molhada, de repente avistou Cesare não muito longe, segurando um guarda-chuva e observando-a com preocupação.
Sem dizer uma palavra, Cesare fechou seu guarda-chuva perfeitamente bom e caminhou em sua direção sob a chuva intensa. Os olhos de Eileen se arregalaram de surpresa.
Com um sorriso calmo, Cesare passou a mão pelo cabelo agora encharcado e perguntou:
“Por que você demorou tanto para vir me ver?”
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui