Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 109 Online
Não era incomum que Cesare pedisse sua opinião, e, sempre que isso acontecia, ela refletia cuidadosamente antes de responder. Mas não esperava que o homem solicitasse sobre um assunto tão importante, especialmente diante de tantas pessoas. Responder a uma pergunta dessas diante de cavaleiros e soldados era uma coisa; fazê-lo perante um grupo de convidadas ilustres complicava consideravelmente a situação.
Eileen piscou, confusa por um momento. Ela havia praticado várias perguntas e respostas possíveis com Sonio enquanto se preparava para o chá, mas esse tipo de questionamento não estava entre eles.
Sua resposta precisava ser ponderada, pois poderia ter implicações políticas. Ela lançou um olhar a Cesare, esperando algum sinal ou indício de como deveria responder.
Mas o homem apenas soltou uma leve risada, aparentemente despreocupado, como se não importasse o que ela dissesse.
Apesar de suas tentativas de decifrar suas intenções, Eileen não conseguiu captar nenhuma pista. Sem saída, ela hesitou e arriscou uma resposta segura.
— Eu acho… que seria bom participar…?
Sua incerteza fez o final de sua frase subir de tom, quase como uma pergunta. O sorriso de Cesare se aprofundou em resposta.
— Se minha esposa deseja comparecer, então devemos fazê-lo, — disse ele docemente.
Assim que deu sua resposta favorável, os olhos das nobres brilharam de entusiasmo. Seriam as primeiras a saber que o Arquiduque compareceria ao festival de caça era um grande furo. Participar do chá de Eileen rendera mais benefícios do que poderiam imaginar.
Era raro o Arquiduque comparecer a tais eventos, então a maioria presumiu que ele também pularia este, tornando a notícia ainda mais emocionante. Enquanto as nobres se deliciavam com a fofoca, não podiam evitar lançar olhares furtivos para Eileen.
Ali estava a Arquiduquesa, corando enquanto fitava o marido com devoção, transmitindo pureza e inocência. Diante dela, o Arquiduque a observava com olhos cheios de amor. O contraste entre o comportamento dos dois e a grandiosidade da ocasião apenas tornava o momento ainda mais encantador.
Após a partida de Cesare, as nobres continuaram conversando animadamente. Ele permanecera por algum tempo, mas não ficara até o fim do chá. Todos compreendiam o quão precioso era seu tempo, portanto ninguém tentou impedi-lo de sair. Sentiam-se honradas por terem desfrutado, ainda que brevemente, de sua companhia.
Assim que o homem partiu, a atmosfera do chá ficou ainda mais animada. As nobres vibravam de empolgação, emocionadas por terem tido uma conversa tão longa com o Arquiduque — uma experiência que nenhuma delas jamais tinha tido antes.
— Eu nunca imaginei que o Arquiduque poderia ser tão gentil, — comentou uma.
— Cortar o bolo para nós em pessoa! Que atencioso, — acrescentou outra.
— Ele normalmente não gosta do festival de caça, mas aceitou de imediato porque a Arquiduquesa desejou, — observou mais uma.
Os elogios a Cesare fluíam, e Eileen sorria um pouco sem jeito. Estava acostumada com a gentileza dele, mas para os outros aquilo sempre era uma surpresa.
Enquanto respondia à conversa animada, seus olhos vez ou outra voltavam para Ornella. Antes líder vibrante da conversa, agora estava muito mais quieta, embora mantivesse o sorriso impecável.
Ficando claro que seu relacionamento com Cesare era superficial, Ornella parecia ter esgotado seus assuntos. No entanto, não mostrava sinais externos de constrangimento, permanecendo sentada graciosamente, como se nada tivesse mudado desde sua chegada.
Quando seus olhares se cruzaram, Ornella torceu levemente os lábios, com uma expressão difícil de decifrar. Eileen rapidamente baixou os olhos, sentindo um frio na barriga.
Eileen se dividia entre atender Ornella e as outras nobres, o sol começou a se pôr, sinalizando que era hora de encerrar o chá.
— Foi tão agradável que nem percebi o tempo passar. Você nos convidará novamente, não é? — perguntou uma das damas, com os olhos brilhando de expectativa.
— Da próxima vez, devemos tomar chá na minha casa. Pode não se comparar ao jardim do Arquiduque, mas minha estufa é bastante adorável — ofereceu outra, ansiosa para garantir uma promessa para o próximo encontro.
As nobres estavam determinadas a tornar aquelas reuniões frequentes; algumas até tentavam atrair Eileen mencionando suas belas estufas, conhecendo seu amor por plantas.
Ao despedir-se de suas convidadas, Eileen recebeu inúmeros convites em troca. Ela entregou pequenos presentes — pacotes de folhas de chá e biscoitos — e trocou palavras calorosas de despedida.
A última a permanecer foi Ornella. Sua postura indicava que aguardara as outras partirem e, mesmo enquanto as nobres subiam em suas carruagens, lançavam olhares curiosos para trás, ansiosas por saber que conversa poderia ocorrer entre a Arquiduquesa e a senhorita Farbellini.
No entanto, as socialites experientes sabiam que era melhor não se intrometer, por mais que desejassem fofocas. Com um silêncio compreensivo, entraram quietamente em suas carruagens e partiram.
Tentando acalmar as mãos trêmulas, Eileen respirou fundo e ofereceu também a Ornella um pequeno presente.
— Obrigada por vir hoje… —disse suavemente.
Ornella não aceitou imediatamente; ela simplesmente olhou para o presente. Justo quando a mão de Eileen começou a se sentir estranhamente suspensa no ar, Ornella finalmente o pegou.
— Eileen.
Estremeceu ao ouvir seu nome. Ornella se inclinou, fingindo ajeitar o acessório de cabelo perfeitamente arrumado de Eileen, seus dedos passando pelos fios enquanto se aproximava.
— Você deveria visitar a propriedade Farbellini algum dia. Eu também devo servir chá à Arquiduquesa, não acha?
Enquanto falava, a mão enluvada de Ornella agarrou sutilmente o cabelo de Eileen e puxou levemente. Antes que Eileen pudesse reagir ao incômodo, Ornella abriu um sorriso radiante.
— Não recuse, certo?
Eileen mordeu o lábio, sentindo o peso daquele olhar enquanto Ornella retirava a mão, encerrando a interação como se nada tivesse acontecido.
— …Sim.
Engolindo a dor latejante, Eileen sustentou o olhar de Ornella e prometeu:
— Certamente farei uma visita, senhorita Farbellini.
Os olhos de Ornella se estreitaram levemente com sua resposta. Com um sorriso desdenhoso, ela ajustou seu vestido e entrou em sua carruagem.
Eileen a observou desaparecer à distância, seu coração acelerado, antes de se virar e voltar para dentro da mansão.
Sonio a recebeu com um largo sorriso, elogiando o sucesso do chá. Ao notar o cansaço evidente e a forma como ela parecia desabar de exaustão, conduziu-a habilmente até o vestiário. Com a ajuda dos criados, Eileen retirou as joias e o vestido, trocando por roupas mais confortáveis.
Uma vez vestida com roupas casuais, Eileen foi direto para seu laboratório.
Ao manusear seus equipamentos, sentiu a energia retornar gradualmente. Era evidente que preferia repetir o mesmo experimento mil vezes a lidar com a complexidade das interações sociais.
Seu olhar caiu sobre um vaso de flores na janela. As papoulas que ela havia cultivado uma vez num quarto de estalagem no segundo andar estavam desabrochando aqui na propriedade também, suas cores vibrantes a lembravam de tempos mais simples.
“Achar que pode viver como quiser — isso sim é anormal.”
As palavras de Ornella antes do chá ressurgiram em sua mente, junto com o breve sentimento de afinidade que sentira.
Eileen ficou trancada no laboratório até a hora do jantar. Após se deliciar com várias guloseimas durante o chá, ela optou por uma tigela leve de mingau. Com um novo periódico acadêmico nas mãos, seguiu para o quarto.
Tinha planejado ler na cama até adormecer. No entanto, ao entrar no quarto distraidamente, seus olhos se arregalaram de surpresa. Cesare estava sentado na cama.
Recostado na cabeceira, lendo alguns documentos, ele sorriu e fez um gesto para que ela se aproximasse. Eileen hesitou por um instante, mas acabou indo até ele.
Cesare a puxou para perto pela cintura e beijou sua bochecha, envolvendo-a em seus braços. Ela se viu sentada na cama, recostada em seu peito. Ainda segurando seu periódico, Eileen olhou para ele.
Seus olhos vermelhos estavam alarmantemente perto, e seus braços firmes envolviam frouxamente sua cintura.
— Cesare…
Normalmente, Eileen contaria animadamente tudo o que acontecera naquele dia. Tinha tantas perguntas — se fora apropriado decidir sobre o festival de caça sozinha, ou por que ele decidira comparecer ao chá.
Mas por algum motivo, talvez devido à intimidade de sua posição, ela se viu incapaz de falar. O calor do corpo do homem contra suas costas fazia seu coração acelerar, deixando sua mente em completa desordem.
Distraidamente, ela mexeu na ponta do periódico. Cesare percebeu e comentou casualmente:
— Você não estava planejando ler?
Sem alternativa, ela abriu o jornal. Assim que seus olhos se fixaram no texto, logo se viu absorvida. Um estudo fascinante descrito naquela edição capturou totalmente sua atenção, e em pouco tempo estava imersa no experimento relatado.
Sem perceber, Eileen relaxou contra Cesare, concentrada inteiramente na leitura. Nem notou ele brincando gentilmente com seus cabelos, tampouco percebeu que acariciava exatamente o ponto que Ornella havia puxado antes.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui