Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 107 Online
Um breve silêncio se instalou. As nobres trocaram olhares nesse curto intervalo, os olhos transbordando curiosidade.
Todas as mulheres ali reunidas estavam cientes dos rumores que circularam antes do casamento. A fonte do boato de que Eileen não havia recebido um anel de noivado fora ninguém menos que Ornella.
Embora muitas tivessem duvidado do rumor — pensando: “Certamente, isso não pode ser verdade” — agora estava oficialmente confirmado. As damas voltaram seus olhares para a Arquiduquesa, a expectativa palpável, ansiosas por sua resposta.
Ainda que nutrissem certa simpatia por Eileen, era apenas uma leve inclinação. Não eram do tipo que tomaria seu partido ativamente. Se isso lhes rendesse um bom entretenimento, não hesitariam em se deleitar com sua humilhação.
A partir de agora, a tarefa de Eileen na sociedade seria conquistar aquelas mulheres. Ela forçou um sorriso, que ameaçava endurecer sob a tensão. Ainda assim, comparado aos cenários que imaginara, aquilo não era nada.
Oferecer uma desculpa apressada apenas lhes daria mais munição. Afinal, ninguém ali esperava que ela conduzisse a situação com habilidade. Eileen optou por falar com franqueza.
— Ele não é indiferente.
Diante de inúmeros olhares, Eileen gesticulou em direção à aliança em sua mão esquerda. Após um breve olhar para o design único, continuou:
— Acho que ele quis me dar um anel que fosse significativo. Ele tende a ser reservado, não é do tipo que revela facilmente seus pensamentos, mas ainda assim… — Eileen hesitou por um momento antes de acrescentar: — Ele é sempre gentil.
Assim que terminou, Ornella assentiu levemente e respondeu:
— Ele é realmente gentil.
Sentindo os olhares se voltarem para si, Ornella inclinou a cabeça, permitindo que seus cabelos brilhantes escorressem graciosamente com o movimento. Com um ar nostálgico nos olhos, continuou:
— Certa vez, ele colocou seu casaco sobre meus ombros no Palácio Imperial. Estava um pouco frio naquele dia e, assim que demonstrei sentir frio, ele imediatamente me ofereceu.
As outras damas da nobreza suspiraram surpresas.
— O quê? Ele fez isso? Meu Deus!
— Todos reagem assim quando conto essa história. Mas ele realmente é uma pessoa gentil. Suponho que eu veja um lado diferente dele, já que costumava encontrá-lo com frequência no palácio.
Ornella começou a contar sua longa conexão com Cesare, traçando-a desde a infância. Ouvindo-a se vangloriar, Eileen se viu sem palavras.
Houve um tempo em que Cesare havia colocado um casaco sobre seus ombros no Palácio Imperial, mas não tinha sido Ornella — e sim Eileen. Mesmo que Ornella tivesse presenciado a cena, inventou a mentira sem a menor mudança em sua expressão.
Falou tão naturalmente que, por um momento, até Eileen se perguntou se tinha acontecido da maneira como Ornella disse.
Contudo, acusá-la de mentirosa ali, naquele instante, seria absurdo. Eileen não conhecia todos os detalhes da vida de Cesare; era possível que ele tivesse coberto Ornella com um casaco quando ela não estava presente.
Ornella provavelmente sabia disso e se sentiu confiante o suficiente para tecer sua história, sabendo que Eileen não a desafiaria.
Em pouco tempo, a atenção do chá da tarde havia mudado completamente para Ornella. Ela sorriu enquanto contava como havia pessoalmente se despedido de Cesare antes da conquista de Kalpen, expressando sua alegria por seu retorno seguro e comentando sobre como era mais significativo agora que eles em breve se tornariam família.
— Não é mesmo, Eileen?— Ornella direcionou-lhe as palavras com benevolência.
— Eu me importo com a Eileen. Ainda há muito que ela não sabe, e deve ser uma posição difícil, mas vê-la lidar com tudo com tanta coragem comove meu coração. Como família, quero ajudar no que puder.
Em seguida, Ornella percorreu o local do chá com o olhar, acrescentando o que parecia um comentário casual:
— Tenho certeza que foi difícil preparar o chá de hoje. Para uma primeira tentativa, você se saiu muito bem…
Era um comentário pontuado, sutilmente destacando a inexperiência de Eileen e deixando claro quem tinha a vantagem nesse relacionamento.
Eileen endireitou os ombros, que não paravam de tentar encolher. Suprimindo a vontade de fugir, ela abriu a boca.
— Também sou grata por sua atenção. Fico feliz que Ornella esteja aproveitando o chá.
Embora tenha gaguejado levemente de nervosismo, não pareceu muito perceptível. Eileen esboçou um sorriso discreto e continuou:
— Cesare também tem me ajudado muito.
Os olhos das nobres se encheram de confusão ao ouvir o uso do primeiro nome, em vez do título formal de Arquiduque. Hesitando por um momento, Eileen acrescentou:
— Graças a Cesare cuidando de mim de muitas maneiras, consegui me preparar bem.
Havia um conselho que Sonio lhe repetira como um mantra:
“O fato de a Arquiduquesa ser inexperiente é conhecido por todos. Não há necessidade de tentar conduzir tudo com perfeição.”
“Se você se sentir encurralada, apenas mencione o Arquiduque, independentemente do contexto.”
Sonio repetidamente a ensinou a invocar o nome do Arquiduque em situações difíceis. No dia, Eileen não havia entendido completamente, mas agora, vivenciando aquilo, começou a fazer sentido.
Afinal, as pessoas reunidas hoje não estavam ali para conhecer “Eileen”, mas sim “a esposa do Arquiduque Erzet”. Não importando o tópico, mencionar o nome de Cesare era a maneira mais eficaz de mudar a atmosfera a seu favor.
Claro, seu objetivo final era que as nobres viessem a conhecê-la como Eileen. Mas tendo acabado de entrar no mundo social, não tinha escolha a não ser contar com a reputação de Cesare por agora. Ao perceber isso, compreendeu:
‘É por isso que Ornella mencionou Cesare.’
Ficou claro porque Ornella chegara ao ponto de mentir para enfatizar sua proximidade com ele. Talvez em outros contextos isso não tivesse tanta importância, mas naquela reunião, Cesare era o assunto mais quente.
Embora não fosse moralmente correto mentir e menosprezar os outros para obter poder, era provavelmente uma estratégia inevitável na alta sociedade.
Enquanto Eileen absorvia essa lição das ações de Ornella, uma nobre sentada ao seu lado se inclinou com uma pergunta:
— Então, o Arquiduque é tão gentil assim… na cama?
— I-Isso é…
Os olhos maliciosos da nobre brilhavam de curiosidade. Sonio já a alertara de que perguntas sobre intimidades poderiam surgir, e Eileen se preparara ensaiando possíveis respostas.
Mas ouvir a pergunta na vida real tornava impossível não se sentir desconcertada. Um rubor espalhou-se por suas faces pálidas. Com o rosto em chamas, respondeu em voz baixa:
— Ele pode ser um pouco travesso…
A reação inocente da Arquiduquesa arrancou risadas alegres das nobres. Ornella, porém, permaneceu em silêncio. Seus lábios, antes sorridentes, tornaram-se uma linha rígida, e ela encarou Eileen com uma intensidade que fez seu coração acelerar.
O medo tomou conta de Eileen ao imaginar que comentário cortante Ornella lançaria a seguir. Desesperadamente buscando uma forma de redirecionar a conversa antes que ela falasse novamente, foi subitamente interrompida por uma voz profunda e despreocupada cortando as risadas.
— Eu sou tão travesso assim?
As risadas pararam abruptamente, como se tivessem sido sufocadas. Todas no chá da tarde congelaram, ligeiramente boquiabertas em surpresa.
Um homem com cabelos negros como ébano, mais escuros que qualquer sombra, entrou no jardim ensolarado. Vestindo o uniforme do Exército Imperial, ele carregava um grande buquê repleto de lírios e flores variadas.
Cesare atravessou lentamente o jardim e entregou o buquê a Eileen. Atordoada, ela olhou para ele antes de se levantar assustada da cadeira. Aceitando as flores desajeitadamente, ficou ainda mais surpresa quando o homem beijou levemente sua bochecha. Com os olhos suavemente curvados em um lindo sorriso, murmurou:
— Vou precisar ser mais cuidadoso a partir de agora.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui