Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 106 Online

Modo Claro

Enquanto Ornella disparava suas palavras como flechas, Eileen sentiu um inesperado senso de afinidade com ela.

Parecia inacreditável — que ponto em comum poderia haver entre a filha do Duque Farbellini e a filha do Barão Elrod? Qualquer pessoa que ouvisse tal ideia certamente zombaria.

Ainda assim, Eileen não conseguiu suprimir as emoções que afloravam dentro dela.

Ornella, ao declarar que viveria segundo as ordens do pai, ansiava por seu afeto. Eileen conhecia esse anseio muito bem, pois o havia vivido ela mesma.

Ela se lembrou dos extremos a que chegou para conquistar o amor da mãe — atitudes que, na época, acreditava serem o melhor que podia oferecer.

Ornella parecia orgulhosa de seus sacrifícios pelo afeto do pai, mas Eileen sabia que sua satisfação era muito mais complexa. Via em Ornella um reflexo de seu antigo eu.

E se sua mãe lhe tivesse ordenado que abandonasse a botânica e a farmacologia?

A resposta já era clara. No momento em que Eileen recebeu a carta da mãe, abandonou a universidade e retornou à capital.

— …

Os olhos de Ornella se estreitaram, e Eileen percebeu tarde demais a forma como a encarava. Apresou-se em desviar o olhar, mas já era tarde. A outra, com sua percepção aguçada por anos na sociedade, já havia lido as emoções nos olhos de Eileen. Certamente sabia o que ela estivera pensando.

Eileen se preparou, temendo que Ornella explodisse, furiosa com a audácia de alguém como ela demonstrar qualquer traço de empatia.

No entanto, em vez de gritar, Ornella simplesmente pegou sua xícara de chá e tomou silenciosamente o chá agora frio.

Ela não esvaziou a xícara. Dando apenas um único gole, ela a colocou de volta sobre o pires e fixou os olhos em Eileen novamente.

— Falei mais do que deveria. Tenho certeza de que você também está ocupada, Eileen.

Era como se Ornella tivesse engolido suas emoções turbulentas junto com o chá. Agora, ela vestia o mesmo sorriso sereno e elegante que Eileen esperava da filha do Duque e da noiva do Imperador.

— Dê o seu melhor com o chá da tarde. Estou ansiosa por ele.

Seu sorriso ainda carregava vestígios de hostilidade, mas por baixo havia uma emoção sutil e desconhecida — algo que não estivera ali antes.

Eileen não conseguia decifrar que sentimento era aquele. Talvez pendesse para algo negativo. Mas uma coisa era certa: tanto a visão de Ornella sobre Eileen quanto a de Eileen sobre Ornella haviam mudado, ainda que apenas um pouco.

O primeiro chá da tarde promovido pela Arquiduquesa Erzet aconteceu no jardim, evocando lembranças do grandioso casamento realizado ali não muito tempo atrás.

Embora não fosse uma réplica exata do casamento, as decorações capturavam a mesma atmosfera encantadora, lembrando os convidados daquele momento marcante.

Assim como a lista exclusiva de convidados do casamento, esse chá da tarde exalava um ar de seletividade, fazendo os presentes sentirem-se parte de um grupo de elite.

As nobres convidadas entraram no Arquiducado com sorrisos radiantes, cientes de que simplesmente comparecer ao evento lhes renderia assunto para dias. Era uma oportunidade deliciosa, capaz de elevar temporariamente sua posição na hierarquia social.

Muitas provavelmente estavam ansiosas para testemunhar um confronto entre Ornella e Eileen. Quer fosse Ornella ou Eileen que acabasse constrangida, isso sem dúvida se tornaria o boato mais tentador.

Enquanto Eileen cumprimentava as convidadas que chegavam e as via se acomodar, começou a compreender Ornella um pouco mais. Para reinar como rainha da sociedade, ela provavelmente suportara incontáveis momentos sob olhares atentos, prontos para julgá-la.

‘Isso é mais difícil do que eu pensei’, — refletiu Eileen, lançando um olhar furtivo para Ornella. A mulher já sorria e conversava com naturalidade, conduzindo o ambiente como se fosse a anfitriã do chá.

Se Eileen não se concentrasse, Ornella poderia roubar a cena do evento que ela havia preparado com tanto esforço. Respirou fundo, de forma discreta, para se acalmar.

Ornella ainda não havia se desculpado por sua grosseria anterior, mas Eileen não esperava que o fizesse. Ela decidira deixar para lá.

No entanto, ao contrário de antes, Eileen sentiu um lampejo de curiosidade sobre Ornella. Se pegou observando-a mais atentamente sem querer. Embora tentasse não tornar isso óbvio, a intuição afiada de Ornella percebeu, e seus olhos se encontravam de vez em quando.

Sempre que isso acontecia, Ornella não respondia mais com um sorriso falso; em vez disso, franzia levemente as sobrancelhas com irritação. Apesar dessa reação, o olhar de Eileen continuava a se voltar para ela, quase inconscientemente.

Em meio a essa atmosfera peculiar, o chá da tarde começou. Eileen, escondendo suas mãos trêmulas nas dobras do vestido, falou:

— Agradeço… por sua presença hoje.

Enquanto muitos pares de olhos se voltavam para ela, um suor frio surgiu. Isto não era como apresentar uma pesquisa com confiança em um simpósio. Isto era um chá da tarde, e a pressão parecia muito maior. Eileen forçou-se a continuar falando, sua voz tremendo apesar de seus melhores esforços.

Eileen fez um comentário sincero, admitindo que, como era seu primeiro chá da tarde e poderia haver algumas falhas, ela havia dado o seu melhor. Olhando em volta para medir a resposta, ela não tinha certeza total do clima, embora não parecesse totalmente negativo.

As convidadas, com exceção de Ornella, já haviam chegado com impressões favoráveis sobre Eileen. Sonio havia selecionado cuidadosamente participantes que provavelmente a veriam sob uma luz positiva, e elas provavelmente ignorariam quaisquer pequenos deslizes de sua parte.

‘Claro, desde que não haja grandes gafes…’, pensou Eileen, pegando sua xícara de chá com mãos ligeiramente trêmulas.

Felizmente, as nobres eram experientes o bastante para conduzir a conversa com naturalidade, mesmo que Eileen não assumisse a liderança. Elogiaram o chá refinado, a comida requintada e a elegante louça. Logo, as perguntas se voltaram para assuntos mais pessoais — especificamente, a vida privada da Arquiduquesa e seu marido.

Há muito desejavam fazer tais perguntas a Eileen, mas sem oportunidade adequada. Agora, aproveitaram o momento com entusiasmo. Eileen lembrou-se do conselho de Sonio.

“Um certo grau de privacidade deve ser compartilhado.”

Era melhor revelar um pouco da verdade do que permitir que rumores desenfreados se espalhassem. Afinal, Cesare era uma das figuras mais observadas do império, e, como sua esposa, Eileen precisava aceitar o preço que isso implicava.

— O vestido que você usa hoje é do mesmo atelier que criou seu vestido de noiva? Ele combina lindamente com seus olhos verde-dourados.

Dado que os ateliês mais prestigiados da capital cuidavam do guarda-roupa de Eileen, muitas das mulheres mostraram grande interesse nos detalhes. No entanto, isso era apenas uma conversa paralela. O tópico central era, inevitavelmente, Cesare.

— No dia do seu casamento, todos ficamos tão surpresas. Nenhuma de nós sabia que o Arquiduque poderia mostrar tais expressões, — comentou uma das damas, e a discussão naturalmente derivou para Cesare enquanto elas relembravam o casamento.

As nobres ansiavam por conhecer a história por trás do aparente amor de Cesare por Eileen. Aos olhos de quem observava de fora, era a história de amor do século, um casamento tão desigual em posição social.

Eileen elaborou uma resposta cuidadosamente formulada, explicando que ela e Cesare se conheciam há muito tempo, e que seu relacionamento gradualmente levara ao casamento. Essa resposta fez os olhos das mulheres brilharem de empolgação, suas imaginações correndo soltas. Embora a verdade fosse muito mais complicada, Eileen se apoiou em suas expectativas romantizadas.

— Ele se importa muito comigo, — disse, embora as palavras soassem vazias.

Não conseguiu afirmar que Cesare a amava; mesmo como mentira, aquilo parecia distante demais da verdade. Desejou encontrar uma expressão melhor, mas contentou-se com o que pôde dizer, esperando redirecionar a conversa.

— Quanto?

Uma voz brincalhona interrompeu.

Eileen ergueu o olhar da xícara e encontrou Ornella sorrindo para ela, um brilho provocador nos olhos. Perguntou novamente, fingindo curiosidade inocente.

— O quanto ele se importa com você? Estou curiosa, sabe. Afinal, ele é conhecido por ser bastante reservado.

O tom de Ornella era perfeitamente polido, mas a pergunta era afiada. Com uma fachada impecável, ela continuou a sondar, fingindo interesse inocente no relacionamento de Eileen e Cesare.

— E antes do casamento, ele nem sequer lhe deu um anel de noivado. Sempre achei isso um tanto… indiferente da parte dele.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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