Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 105 Online

Modo Claro

Ornella soltou uma risada curta e zombeteira em resposta à tímida réplica de Eileen. O som gelado, cortante como geada, fez a coragem conquistada com tanto esforço por Eileen encolher ainda mais.

Com uma expressão vazia, Ornella fitou Eileen. Após um momento, seus lábios se contorceram num sorriso francamente desdenhoso.

— Você sabe por que eu não gosto de você? É porque sua mente é tão pura, Eileen. Você ocupa uma posição que todos invejam, mas como Arquiduquesa, você nem sequer se esforça. — Ela se inclinou ligeiramente para frente, travando os olhos com Eileen enquanto continuava: — Você age como se pudesse ter tudo o que quer. É nojento, Eileen.

Ornella sempre deixara claro seu desprezo, mas o havia escondido atrás da máscara da “bondosa e elegante senhora da Casa Farbellini”.

Até agora, só zombara de Eileen com um sorriso — nunca desferira insultos tão diretos.

Eileen suspeitava que parte da sua raiva tinha origem num artigo recente de jornal. Após as revelações públicas dos crimes de Lucio, tornou-se conhecido que Eileen estudara farmacologia e botânica na universidade. O La Verità elogiara a inteligência da Arquiduquesa e insinuara que ela estava preparando o lançamento de um novo produto farmacêutico.

As palavras de Ornella continham um fundo de verdade. Querer reconhecimento tanto como Arquiduquesa quanto como farmacêutica era, de fato, ambicioso.

Alcançar ambas as coisas era quase impossível sem a ajuda e os sacrifícios de outros, e mesmo com seu apoio, as chances de sucesso em ambas eram mínimas.

Ornella devia estar furiosa, acreditando que Eileen estava negligenciando suas responsabilidades como Arquiduquesa.

‘Além disso, soube que Cesare até foi à propriedade dos Farbellini com soldados por algum motivo desconhecido…’

Eileen conseguia entender porque Ornella estava tão perturbada. Após um momento de consideração, ela abriu a boca com cuidado para responder.

— O motivo pelo qual Sua Graça visitou a propriedade não foi por minha causa.

Ela engoliu o fato de que aquela era a primeira vez que ouvia falar disso; parecer desinformada sobre algo relacionado à Arquiduquesa não lhe traria vantagem alguma.

— E eu sei que buscar o desenvolvimento de um medicamentos é ambicioso. Mas, como Arquiduquesa e como cidadã de Traon, eu quero contribuir para o império.

— Cai na real, Eileen.

Ornella interrompeu, soltando uma risada curta e sarcástica. Seus olhos se estreitaram de irritação, e até suas pupilas pareciam diminuir em seu olhar verde-claro.

— Você acha que é a única pessoa no mundo que sabe fazer remédio? Há inúmeros farmacêuticos e cientistas. Eles poderiam facilmente substituí-la…

— Não. — Eileen estremeceu com sua própria resposta, mas prosseguiu: — Ninguém pode me substituir na minha pesquisa atual.

Pesquisar Morpheu era incrivelmente desafiador devido à estrita proibição da produção de drogas no império. Talvez daqui a uma década as coisas mudassem, mas por agora, não havia mais ninguém disposto a assumir os riscos de estudar Morpheu além de Eileen.

— Mas também não é uma opção esperar indefinidamente que outra pessoa apareça. Quanto mais cedo um novo medicamento for desenvolvido, mais cedo ele poderá ajudar a salvar ao menos mais uma pessoa.

A guerra talvez tivesse terminado, mas o sofrimento dos feridos por ela não. Eileen queria proporcionar algum alívio aos soldados que lutaram pela vitória de Cesare.

— Eu sei que soa idealista, mas Sua Graça prometeu me apoiar, e eu—

Enquanto falava com Ornella, Eileen começou a perceber algo sobre as próprias motivações. Ela pensara que sua pesquisa sobre Morpheu era apenas para conquistar a aprovação de Cesare, para se tornar alguém útil para ele.

Esse desejo ainda era importante, mas não era tudo. Eileen realmente queria criar medicamentos. Queria usar o conhecimento que havia acumulado como farmacêutica para causar um impacto positivo no mundo.

‘Eu sempre estive do lado de quem recebe ajuda.’

Agora, ela queria ser quem a oferece.

Compreendendo plenamente seus próprios sentimentos, Eileen concluiu lentamente:

— Eu quero continuar tentando, sem desistir.

Ornella permaneceu em silêncio. Enquanto a pausa se prolongava, Eileen hesitou e acrescentou algumas palavras cautelosas de explicação.

— Claro, também farei o meu melhor para cumprir meus deveres como Arquiduquesa…

À medida que continuava a falar, Eileen sentiu que estava voltando às críticas de Ornella, incapaz de se libertar. Pior ainda, suas palavras começaram a soar condescendentes, como se estivesse dando uma lição. Sem saber como remediar a situação, acabou se calando, mordendo o lábio.

Enquanto Eileen lutava com seus pensamentos, Ornella também não estava em paz.

“Ninguém pode me substituir na minha pesquisa.”

 “Eu quero continuar tentando, sem desistir.”

Que mulher tola. De origem humilde, sem um pingo de refinamento nobre. O tipo que parecia desmoronar em lágrimas ao primeiro puxão de orelha.

E, ainda assim, apesar da pressão implacável, Eileen se recusava teimosamente a desistir, agarrando-se à própria determinação. Isso fazia o estômago de Ornella se revirar, uma ânsia de vômito subindo até parecer que iria explodir.

Eileen a lembrava de coisas que ela havia abandonado há muito tempo.

— Você é a única filha da Casa Farbellini.

Estes eram os sacrifícios que ela fizera para viver como a filha de uma família nobre e para retribuir o amor de seu pai. Ela recordou um momento de sua juventude, quando, inocente e ingênua, se aproximou do pai com um poema que escrevera, expressando seu desejo de se tornar poetisa.

“Crie juízo, Ornella. De que adianta saber rabiscar alguns versos? Este império está transbordando de grandes poetas que poderiam substituí-la num instante.”

“A filha da Casa Farbellini é quem ordena que esses poetas escrevam para ela. Você realmente quer se ajoelhar diante de outras mulheres e oferecer-lhes sua poesia?”

“Você é mais preciosa do que qualquer filho homem. Torne-se a mulher mais nobre do império. Não deixe que ninguém lhe dê ordens.”

Seria mentira dizer que as palavras de seu pai não doeram. Mas ela entendia que ele falava por amor, e isso tornava suportável.

Ornella amava profundamente o pai. Sabia o quanto ele a estimava como filha única e se esforçara para retribuir esse amor.

Mesmo quando sentia que estava enlouquecendo, ela suportava. Quando gritava e quebrava coisas em ataques de raiva, e isso ainda não bastava, ela recorria a um homem. Depois de afogar seus pensamentos em prazeres fugazes, a vida parecia tolerável novamente.

Ainda assim, por fora, ela usava a máscara do lírio perfeito de Traon. Seu pai tratava seus acessos como se fossem as birras de um gato querido.

— Pensar que você pode viver como quiser — isso sim é verdadeiramente anormal. — Ornella abriu a boca, o impulso de estrangular Eileen pulsando em suas veias. — Eu sou uma filha da Casa Farbellini. Isso vem com responsabilidades — responsabilidades que você parece não entender, Eileen.

O modo como Eileen agia como se tivesse escolhas era enfurecedor. Ali estava ela, ocupando uma posição que todos cobiçavam, e ainda se comportava como se não tivesse consciência do próprio lugar. Isso fazia Ornella querer atacar.

— Você sabe por que eu quis me casar com Sua Graça, o Arquiduque? Porque, na minha vida, nada está realmente sob meu controle. Até o meu casamento é predeterminado. Então pensei: se eu tiver que me casar, vou me casar com o melhor homem. Ele é o único que pode me elevar à posição de mulher mais nobre do império.

Mesmo ressentindo o amor de seu pai, temendo perdê-lo, ela não conseguia rebelar-se contra seus desejos. No fim, ela sempre vivera de acordo com sua vontade.

Uma tempestade de emoções girava dentro dela, e Ornella se viu dizendo verdades que jamais ousaria expressar em circunstâncias normais.

— Eu vivi obedecendo às ordens do meu pai, e continuarei a fazê-lo.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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