Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 103 Online

Modo Claro

A caligrafia delicada e trêmula no diário transmitia a profundidade das emoções de Eileen. Era a conclusão a que ela havia chegado após ser deixada sozinha na ausência de Cesare, refletindo repetidamente sobre sua situação.

Após um longo e pesado silêncio, Cesare passou a mão pelo rosto. Apesar de ser meio-dia, tudo diante dele parecia envolto em escuridão. Sentiu um zumbido vertiginoso e uma dor aguda no peito que o fez soltar uma risada vazia.

A dor que sentia agora era mais intensa do que qualquer coisa que experimentara durante os dias e noites brutais no campo de batalha, quando mal conseguia comer ou beber.

Se ao menos não tivesse ido para o campo de batalha. Se ao menos tivesse aberto a porta naquele dia. Ou tivesse respondido à carta do campo de batalha.

Essas suposições inúteis atormentavam sua mente. Embora soubesse muito bem que não poderia voltar no tempo, era consumido por arrependimentos como se fossem inevitáveis.

Cesare lembrava-se claramente do dia anterior à campanha de Kalpen. Naquele dia, Eileen havia ido procurá-lo devido às atitudes sem sentido de Lotan.

Ele ouvira a vozinha de Eileen suplicando e batendo na porta fechada até que suas mãos sangrassem. Diego e Michelle estavam ao seu lado.

Diante de seus subordinados atentos, Cesare inspecionava silenciosamente suas armas de fogo enquanto ouvia os gritos de Eileen. Só abriu a porta depois que Eileen, exausta de tanto chorar, finalmente desmaiou.

Ele próprio carregara seu corpo inconsciente até o carro. Depois de olhar por um momento seu rosto marcado pelas lágrimas, ele fechou a porta do carro e a mandou embora.

O motivo de não ter aberto a porta antes era claro: ele estava preparado para morrer.

Cesare estava plenamente ciente de seu significado na vida de Eileen e da profundidade do seu afeto por ele.

Acreditava que precisava se distanciar ainda mais desses sentimentos. Para Cesare, isso parecia uma decisão natural. Pensava que, se sobrevivesse e retornasse, poderia oferecer o conforto de que ela precisava. Se morresse, a separação seria um fim natural.

Esse raciocínio também se aplicava à sua escolha de não responder a nenhuma das cartas de Eileen. Ele sempre antecipava a própria morte.

No entanto, embora frequentemente imaginasse sua morte, jamais havia considerado a de Eileen.

Ele nunca imaginara que Eileen se veria como um animal de estimação, que seu pescoço seria cortado na guilhotina, que seu corpo seria dilacerado e que ela não teria restos mortais adequados para ser lembrada.

Cesare virou as páginas do diário, cada uma parecendo cortá-lo como uma lâmina, enquanto continuava a ler os vestígios da escrita de Eileen.

Eileen decidira criar Morpheu para ser útil a ele, oscilando entre alegria e desespero com as notícias do campo de batalha. Chegara até a comprar um presente para celebrar sua vitória.

Enquanto o homem negociava com o Rei de Kalpen e lidava com os rebeldes, Eileen aguardava ansiosamente seu retorno. Rezava a Deus e desejava mais fervorosamente do que ninguém seu sucesso.

Seus dias eram consumidos por pensamentos sobre o homem. A última entrada do diário também estava repleta de pensamentos sobre ele.

[A resistência em Kalpen parece persistir. Embora Vossa Graça tenha vencido, ainda não consigo ficar tranquila. Ele precisa voltar logo.

Para ser sincera, estou com um pouco de medo. E se, depois que ele voltar, não vier me procurar? Se eu realmente perdi completamente o seu afeto, então agora…

Não devo ser gananciosa. Só espero que ele volte em segurança e com saúde. Que Deus tenha misericórdia e atenda às minhas orações.]

Cesare fechou lentamente o diário, sentindo o peso do relógio de platina repousando silenciosamente em seu bolso. O relógio, arranhado e danificado, era um presente que Eileen preparara para ele.

‘O que eu deveria ter feito com você?’

Cesare sempre tratara Eileen de acordo com seus próprios padrões. Quer ela quisesse ou não, ele agia como acreditava ser correto. Seus julgamentos confiantes, que nunca haviam vacilado antes, agora eram expostos como falhos pela morte de Eileen.

Ela fora uma criança tímida e chorosa. Deve ter tremido de medo enquanto esperava sozinha na masmorra subterrânea e ao enfrentar a guilhotina. Ainda assim, até o fim, ela nunca culpou Cesare, acreditando apenas que a culpa era sua.

O homem ficou sentado por muito tempo com o diário nas mãos, apoiado no parapeito da janela. Não conseguia largá-lo nem reabri-lo para continuar lendo. Apenas permaneceu em silêncio, deixando o tempo passar.

Ao anoitecer, sua consciência submersa despertou lentamente. Embora apenas algumas horas tivessem passado, parecia uma eternidade. Cesare colocou o diário de volta na estante, fechou a porta do quarto e desceu as escadas para fora.

No jardim, agora uma extensão estéril com apenas um poço grotesco no lugar onde antes ficavam as laranjeiras, seus cavaleiros o aguardavam.

Lotan, Senon, Diego e Michelle — cada cavaleiro escolhido pessoalmente por Cesare — estavam ali com expressões sombrias.

Cesare finalmente falou:

“Encontrei o diário de Eileen.”

Sua voz estava rouca e tensa, e ele nem sabia por que havia dito aquilo. As palavras escaparam sem que percebesse.

Cesare e os cavaleiros se encararam em silêncio. Aqueles homens, que haviam dedicado suas vidas a ele e estavam prontos para morrer por ele, agora aguardavam sua ordem. Após uma longa pausa, Cesare finalmente falou:

Façam as tropas se reunirem no regime.

Um ruído suave tirou Eileen do sono. Ela abriu lentamente os olhos, sua mente grogue lutando para entender seu entorno.

Ela já não estava na velha casa, mas em uma carruagem a caminho do arquiducado. Havia adormecido nos braços de Cesare e, agora, à medida que recuperava a consciência, o brilho vermelho do pôr do sol do lado de fora da janela entrou em foco.

Apesar de acordar, tudo ainda parecia um sonho. O baixo ruído da carruagem, o calor do abraço de Cesare e a luz do dia que desaparecia pareciam surreais.

Eileen ergueu levemente a cabeça e olhou para o homem com olhos atordoados. As íris vermelhas, antes fixadas na janela, voltaram-se para ela. Querendo manter seu olhar, sussurrou seu nome.

— Cesare…

Sua voz estava rouca do sono. Em vez de responder, Cesare a puxou para mais perto e a abraçou com força. Seus olhos se encontraram, presos em uma troca silenciosa.

Dizem que, depois de passar muito tempo juntos, é possível entender o coração do outro apenas pelo olhar. Apesar de conhecer Cesare há anos, Eileen sentia que ainda não o compreendia por completo. Seu olhar, cheio de uma intensidade que ela não conseguia decifrar, permanecia um mistério. Apesar de sua curiosidade e observação durante toda a vida, ele continuava sendo um enigma que ela nunca conseguia compreender totalmente.

O homem, banhado pelo brilho do crepúsculo, tinha olhos ainda mais vermelhos e claros que o pôr do sol. Ele falou suavemente, com uma voz que soava como uma carícia.

— Você é minha esposa e minha Arquiduquesa — ele inclinou levemente a cabeça em direção a Eileen, seus rostos quase se tocando, — não um animal de estimação.

A declaração repentina foi desorientadora, e a mente nebulosa de Eileen lutou para compreender seu significado. Enquanto tentava juntar as peças do contexto, memórias de seu diário ressurgiram.

— Você… leu todo o meu diário…?

Cesare respondeu com um breve e silencioso sorriso antes de pressionar seus lábios contra os dela. O beijo foi uma afirmação silenciosa de sua compreensão. Eileen aceitou o beijo calmamente, então sussurrou novamente.

— Quando você leu…?

A pergunta saiu como um murmúrio. Ainda tentando afastar os restos de sono, ela continuou:

— O que escrevi no diário… não era tudo o que eu realmente sentia. Parte eram apenas pensamentos passageiros…

Enquanto ela se atrapalhava com as explicações, o sorriso gentil de Cesare permaneceu. Ele roçou os dedos na bochecha de Eileen.

— Quando você desapareceu, esse foi o único vestígio seu que restou.

Suas palavras pareciam vir de outro tempo, envoltas numa sensação de déjà vu que Eileen já sentira antes. Ela o encarou atentamente enquanto o homem sustentava seu olhar.

— Então, Eileen, se seu nome for gravado no Arco do Triunfo, isso serviria como um lembrete constante de você.

Os lábios de Cesare, que percorreram o rosto de Eileen, agora desceram até seu pescoço. Ele depositou um beijo terno na área já marcada por chupões e mordidas.

— Toda vez que eu olhar para ele, me lembrarei de você.

Assim como o Arco do Triunfo foi erguido em honra à glória do Arquiducado, Cesare pronunciou essas palavras como um testemunho da presença duradoura de Eileen em sua vida.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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