Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 102 Online

Modo Claro

Não demorou muito para a exausta Eileen, levada ao seu limite, cair em um sono profundo.

Assim que Cesare teve certeza de que Eileen dormia profundamente, ele retirou o uniforme e o estendeu no chão. As medalhas que simbolizavam a glória do Império agora repousavam sobre as tábuas gastas da velha casa.

Para qualquer patriota, essa cena seria chocante. No entanto, Cesare era indiferente; não sentia apego algum às medalhas.

Sentindo que isso ainda não era suficiente, ele também tirou a camisa e a colocou ao lado do uniforme. Só então colocou Eileen sobre eles. Depois de enxugar gentilmente seu rosto úmido com um lenço, Cesare se levantou.

O sol já havia passado do ponto mais alto e começava a se pôr, projetando longas sombras das folhas lá fora contra as paredes sólidas da casa.

O corpo de Cesare, marcado pelas sombras, estava coberto de cicatrizes. Embora esses sinais decorassem sua forma outrora bela, eram lembretes da fronteira entre a vida e a morte que ele havia cruzado – evidência de seu passado como soldado ainda criança no campo de batalha.

Ele franziu levemente a testa ao ver as marcas avermelhadas, vestígios do encontro apaixonado. Após um breve estalo audível do pescoço, deixou cair o cinto incômodo no chão e ajeitou as calças de forma brusca. Com uma expressão seca, saiu.

Quando abriu a porta dos fundos, as velhas dobradiças rangeram desagradavelmente. Cesare olhou para trás, para Eileen.

O barulho não foi suficiente para despertá-la de seu sono profundo. Confirmando que ela continuava dormindo, Cesare abriu totalmente a porta.

A porta entreaberta emperrou em algo e parou. Cesare espiou pela fresta e viu uma forma se contorcendo do outro lado.

Um forte fedor de decomposição emanava da grande pilha de sujeira. Cesare olhou para a mão que havia emergido da pilha, suja de terra e sangue, e se contorcendo desesperadamente.

O barulho que ouvira antes devia ter sido o som de unhas quebradas arranhando a porta. Se todas as unhas tivessem sido arrancadas, talvez tivesse sido menos perturbador. Enquanto considerava isso, um gemido gutural emergiu da sujeira.

— Ugh… uuuh… ahh…

O som se assemelhava mais ao choro de um animal do que à fala humana. Cesare afastou a mão com o pé e fechou a porta. Em seguida, olhou para a figura contorcida, que o encarava com os olhos cheios de lágrimas. Sua boca constantemente escancarada lembrava um buraco negro — vazio e oco.

Ele nunca havia mentido para Eileen. Lucio definitivamente estava vivo.

Apesar de ter a língua cortada, os braços e pernas crivados de balas, e ter sido deixado nu na floresta.

Cesare usara Lucio como alvo de prática antes de jogá-lo na floresta, mas, de alguma forma, Lúcio conseguiu rastejar todo o caminho até ali para sobreviver. O homem o encarava com olhos indiferentes enquanto Lucio derramava grandes lágrimas.

Para Cesare, Lucio não valia o esforço. Na verdade, não passava de lixo insignificante, mal digno de atenção — exceto por causa de Eileen.

Cesare não queria perturbar o sono de Eileen com ruídos desnecessários. Ele colocou o pé no pescoço da criatura e pressionou.

Com um estalo, o som de ossos quebrando, o corpo contorcido ficou imóvel. Após confirmar que a vida havia deixado a criatura, Cesare retirou o pé.

“Eu não sabia. Quase te interpretei mal novamente, Cesare.”

Eileen dissera que fora um mal-entendido, mas, na verdade, estava vendo a verdade com clareza. Mesmo que Lucio fosse inocente, Cesare o teria incriminado por algum crime.

Lucio ocupava uma posição incômoda de se olhar e conveniente de se explorar. Eileen teria ignorado isso sem maiores explicações. Não havia necessidade de expô-la a realidades tão desagradáveis.

Cesare queria que Eileen visse apenas o que ele permitia. Mesmo se ela enfrentasse situações aterrorizantes, desejava que ela acreditasse que o medo também era algo que ele havia sancionado.

No entanto, Eileen já não queria apenas ser protegida. Tendo vivido dentro dos limites que ele estabelecera, ela começara a se esforçar para vislumbrar o que havia além.

Sem saber como matar ou mesmo ferir, ou como subjugar qualquer um — tendo apenas colhido flores ou grama como seu ato mais cruel —, ela estava espiando além dos limites para proteger Cesare.

Mesmo depois de abrir mão do posto de Arquiduquesa, ela continuava ansiosa.

(Elisa: Isso dela renunciar vai ser explicado em um flashback mais para frente, não quero dar spoilers. Só queria esclarecer para não ficar confuso.)

Cesare percebeu que cometera um erro similar ao do passado. Em vez de entrar na casa, ele encostou na porta dos fundos.

Vasculhou o bolso em busca de um cigarro, colocou-o entre os lábios, mas não o acendeu. Simplesmente o manteve ali, esperando que as memórias indesejadas do passado desaparecessem de sua mente.

Após o fim da guerra e seu retorno ao regime, Cesare esteve envolvido em um massacre de civis em uma taverna.

Por matar todos aqueles que haviam profanado o cadáver de Eileen, Cesare recebeu uma suspensão. Considerando as dezenas de cidadãos imperiais que matara sem motivo, era uma punição relativamente branda.

O homem aceitou de bom grado a suspensão imposta pelo Imperador. Na verdade, Leone também decidira que Cesare precisava de tempo para esfriar a cabeça, o que foi o principal motivo da suspensão.

Apesar da oposição dos nobres, o fato de Cesare ter sido o herói que encerrou a guerra serviu como um escudo plausível contra as críticas.

Durante a suspensão, Cesare procurou incansavelmente por qualquer vestígio de Eileen. Seu corpo, já dilacerado, não pôde ser recuperado de forma alguma. Após muito esforço, conseguiu resgatar alguns pertences pessoais de Eileen, embora estivessem incompletos. O pai de Eileen, destituído de seu título e rebaixado a plebeu, vendeu tudo que tinha de valor e fugiu.

A outrora aconchegante casa de tijolos havia se tornado uma ruína. As laranjeiras tinham sido arrancadas e haviam desaparecido do jardim, e todos os presentes de Cesare que Eileen tanto estimara haviam sumido.

Cesare fitou a casa agora desolada e examinou o que tinha na mão.

Era um relógio de bolso de platina com o vidro quebrado.

Este relógio, que Eileen guardara até seus últimos momentos, fora recuperado de uma loja de penhores. Danificado por vários donos, tinha a trava solta, frequentemente se abrindo sozinho, e havia parado de funcionar, tornando impossível ver as horas. Ainda assim, Cesare sempre o carregava consigo.

Depois de segurar o relógio por um momento, ele o colocou de volta no bolso e entrou lentamente na casa de tijolos. A porta quebrada rangeu ao ser empurrada.

Dentro, estava uma desordem, como se tivesse sido saqueada por credores. Não havia um único móvel adequado, e a poeira dançava na luz do sol que entrava pelas janelas. Cesare subiu as escadas para o segundo andar.

O segundo andar estava em estado semelhante. No entanto, alguns itens permaneciam no quarto de Eileen. Embora os livros tivessem desaparecido, restavam pedaços de papel, incluindo o diário de Eileen.

Eileen sempre gostara de observar e registrar seus pensamentos desde criança. O diário, que ela mantivera desde que aprendera a escrever, era extenso.

Cesare se ajoelhou e sentou, puxando cuidadosamente o diário da prateleira de baixo. Acomodando-se perto da janela, começou a lê-lo, passando por cada entrada, uma a uma.

Algumas páginas estavam velhas e desbotadas demais para decifrar, mas Cesare leu meticulosamente cada letra legível, traçando cada parte da vida de Eileen, da infância à vida adulta.

O diário detalhava uma criança de dez anos conhecendo um príncipe e se apaixonando, sofrendo sozinha com febres da infância, despertando para os desejos pelo amado, suportando a dor do amor e, por fim, resignando-se a ela.

O diário, que descrevia obsessivamente tudo sobre Cesare, refletia as emoções cruas de Eileen. Quando seu coração estava particularmente perturbado, ela escrevia apenas brevemente.

À medida que o diário se aproximava do presente, o tom se tornava mais sombrio. A profunda melancolia atingiu seu pico durante a campanha de Cesare em Kalpen.

Eileen lutou para não ressentir a pessoa que a deixara tão abruptamente e sem explicações. Só podia sofrer, sentindo-se abandonada por causa de suas próprias insuficiências.

Cesare encarou o diário, as páginas marcadas por claras marcas de lágrimas. Ele releu repetidamente uma única linha escrita ali:

[Será que eu era como um animal de estimação?]

Continua…

Tradução: Elisa Erzet

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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