Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 188 Online


Modo Claro

Durante seus anos na Universidade de Palerchia, Eileen Elrod conheceu a tristeza em sua forma mais profunda. Embora sentisse grande alegria com o conhecimento ilimitado que lhe era oferecido, o preço desse conhecimento era uma dor amarga e implacável.

Dentro daqueles salões sagrados, Eileen era uma figura singular, uma estrela solitária num céu cheio de constelações que não queriam nada com ela. Foi admitida com uma idade incomumente jovem, sua posição garantida por uma carta de recomendação do próprio Príncipe. Com seus óculos grandes e os cabelos que escondia seus traços, ela era uma criatura quieta e retraída. Sua natureza tímida garantia que não encontrasse favor com seus colegas de estudo. Era uma anomalia, fonte de fofocas e má vontade silenciosa, uma garota eternamente do lado de fora olhando para dentro.

Mas não eram apenas os estudantes que lançavam sobre ela uma sombra de inveja e desprezo. Os professores de Palerchia também a submetiam a um padrão impossivelmente alto, examinando cada palavra e ação sua. Eles a testavam constantemente, procurando descobrir uma falha, uma fraqueza que provasse que o julgamento do Príncipe estava errado. Cada dia era uma jornada perigosa, uma caminhada sobre um campo de espinhos. Houve momentos em que a vontade de abandonar tudo era quase insuportável, porém, quanto mais sentia esse desespero, mais ferozmente se agarrava aos estudos.

Não podia, nem permitiria, que seu fracasso refletisse mal sobre o Príncipe. Aquela era uma universidade em que entrara graças ao nome dele, e se recusava a dar a qualquer pessoa a satisfação de dizer que sua recomendação fora mal aconselhada.

Todas as noites, lágrimas escorriam silenciosamente por seu rosto, ainda assim cada carta que escrevia para Cesare era uma bela mentira, um testemunho de sua alegria inventada. Escrevia sobre dias cheios de risos e aprendizado, sobre a gratidão infinita que sentia por sua graça divina.

E ainda assim, não era como se cada momento fosse uma agonia. Havia pequenos momentos verdadeiros de felicidade. Mas Eileen escolheu esconder seu eu infantil, fraco e terrivelmente feio, apresentando apenas a imagem de uma mulher composta e inteligente. Era uma mentira que contava a si mesma tanto quanto a ele, nascida de um desejo desesperado de agradar o homem que amava e de uma ambição feroz de um dia ser digna de ajudá-lo.

Mesmo enquanto tecia essa frágil teia, uma crença firme mantinha seu coração prisioneiro: a de que Cesare nunca mentiria para ela. A mentira era uma ferramenta dos fracos, um escudo para esconder os próprios defeitos ou uma espada para ferir os outros. Cesare não tinha defeitos a esconder dela, e não era um homem que jamais buscaria feri-la. A fé de Eileen nele era absoluta. Se ele apontasse para a terra e declarasse que era o céu, ela acreditaria sem um único pingo de dúvida.

Mas Cesare contou uma mentira que ameaçava sua vida. E a razão de sua morte iminente era ela.

Eileen não podia, nem queria, aceitar essa terrível verdade. Seu coração não conseguia compreender o peso disso. A dor estava além de quaisquer palavras, uma agonia esmagadora que nenhuma linguagem poderia descrever.

Ela queria morrer.

Desde o momento em que a verdade se revelou, de que o homem estava morrendo por sua causa, ela não desejou viver nem mais um instante. Se pudesse trocar de lugar com ele, o faria num instante. Aceitaria uma morte rápida na guilhotina ou suportaria um fim mais agonizante e prolongado. Qualquer coisa para poupá-lo.

— Eileen.

Ela sentiu uma presença entrar no aposento, mas não se virou da janela. Permaneceu encolhida na cama enorme, seu olhar fixo teimosamente no mundo lá fora, se recusando a encará-lo.

Uma mão grande segurou seu queixo, suavemente, mas com firmeza, forçando sua cabeça a virar. Seus olhos cheios de lágrimas encontraram o olhar carmesim do homem. Ela engoliu a nova onda de lágrimas e desviou o olhar. A testa de Cesare franziu ao ver a  tigela de mingau intacta ao lado da cama.

— Você não tocou em nada.

— ……

— Precisa comer, meu amor.

Sua voz era uma carícia suave, um apelo gentil como se estivesse acalmando uma criança assustada. Ele se aproximou, seus olhos se curvando num sorriso fino.

 — Quer que eu mesmo te dê na boca?

Ele pegou uma colherada do mingau e levou aos próprios lábios. Então se inclinou, pressionando a boca contra a dela, forçando seus lábios a se abrirem. Eileen queria resistir, se afastar da intimidade, mas seu corpo não tinha vontade para isso. Ela abriu e a língua dele invadiu, empurrando a quantidade de mingau garganta abaixo. Cesare soltou uma risada baixa e satisfeita ao observar sua garganta se mover, um gesto tão sutil que talvez ela mesma não tivesse notado. E assim, esvaziou toda a tigela, alimentando-a dessa forma, seus lábios nunca deixando os dela.

Quando ela começou a soluçar novamente após a refeição finalmente terminar, ele beijou sua bochecha encharcada de lágrimas.

— Pare de chorar. — A voz doce sussurrou a ordem, palavras duras e ainda assim tão cheias de ternura. — Temos pouco tempo.

As lágrimas só caíram mais rápido, agora maiores. Eileen engasgou com um soluço e lançou os braços ao redor dele, seus dedos trêmulos agarrando sua pele, tentando se prender à própria essência do homem. Um leve som metálico ecoou na quietude do quarto, um som vindo da corrente de prata que a prendia. Clinc.

Cesare retribuiu seu abraço desesperado. Seus lábios encontraram a pele macia de seu pescoço e, a cada beijo, ele afastava a fina  sua camisola de seda. À medida que o tecido caía, a pele pálida era revelada, um contraste marcante com o pano escuro. Estava repleta de marcas — todas eram chupões, cada uma um testemunho de sua posse. Ela estremeceu ao vê-los, e a corrente em seu tornozelo chacoalhou. A algema, forrada e  macia para proteger sua pele, era um lembrete físico constante de seu cativeiro.

Ele deslizou um dedo entre a algema e seu tornozelo, certificando que o forro ainda estava intacto. Um pequeno gemido rouco escapou de seus lábios.

— Cesare…

— Sim, Eileen.

Ele respondeu ao apelo choroso com um murmúrio baixo, seus lábios descendo por seus seios. Podia sentir o bater desesperado e frenético do coração sob o seio esquerdo. Sua língua lambeu o mamilo, e uma vibração prazerosa a inundou. Um prazer familiar floresceu no corpo de Eileen, subindo do fundo de sua vagina, seguindo o rastro dos lábios do homem. Ela estremeceu e se agarrou a ele ainda mais ferozmente, enterrando o rosto em seu peito.

Quantos dias se passaram? Sua noção de tempo havia sido destruída. Não conseguia pensar em nada, sua mente estava um vazio desde que Cesare a tirara da taverna Fiore.

“Viva, Eileen.”

A ordem do homem fora a última coisa que se lembrava antes que uma escuridão repentina a levasse. Ela acordou para se encontrar em seu quarto, a algema em seu tornozelo um peso constante e frio. Era a prisão dele, uma corrente que garantia que não pudesse escapar dos limites de seu quarto. Os dias se confundiam uns nos outros, um ciclo de dormir e acordar. Ela não tinha desejo de comer, mas ele a forçava, cada refeição um ato de vontade, uma demonstração de seu poder sobre a própria existência dela.

E depois de alimentá-la, ele beijava seu corpo da cabeça aos pés com adoração. Seus lábios percorriam seu rosto, seu cabelo, seu pescoço, suas axilas, até mesmo suas partes íntimas e as pontas dos dedos dos pés.

Ela não conseguia afastá-lo. Um ressentimento terrível fermentava em seu coração, mas toda vez que lembrava do pouco tempo que lhes restava juntos, uma dor sufocante surgia, e suas lágrimas caíam novamente. Ela só queria senti-lo, respirar seu cheiro, ter o homem em seus braços. Só conseguia realmente se sentir viva quando estava com ele, quando sentia o calor de seu corpo.

— Me abrace…

Ela o pediu, desesperada pela intimidade de seus corpos entrelaçados. Ficar sem ele parecia uma existência sem sentido, uma vida que ela jogaria fora depois que ele já tivesse pago o preço final por salvá-la.

Cada vez que pedia, os olhos carmesins puros de Cesare encontravam os dela. O homem sabia o motivo do seu desejo, pois ele era consumido pela mesma necessidade. Entrelaçaram seus corpos não por luxúria, mas como um meio desesperado de confirmar que o outro estava realmente vivo. Nesses momentos, quando suas peles quentes se tocavam, suas mentes ficavam vazias de tudo, exceto do presente.

Os lábios de Cesare, que lambiam suavemente seu seio, desceram, e as costas de Eileen arquearam enquanto ela se deitava na cama. Ele deslizou a mão sob sua cintura, aprofundando o arco, e sua língua mergulhou na cavidade de seu umbigo.

Um gemido escapou, perdido em seus soluços roucos. Ela torceu o corpo em um gemido suave. O homem deixou uma leve marca de mordida ao lado do umbigo, então abriu suas pernas. O espaço entre as coxas já era uma tela manchada de chupões. A carne estava vermelha, sensível, devido à união constante entre eles.

Ele beijou uma marca que havia deixado na noite anterior e então, com precisão lenta, levou a língua ao seu clitóris.

— Ah, ah…!

Seus dentes roçaram contra a carne inchada e sensível. Um arrepio percorreu-a, arrepiando sua pele. Um formigamento agudo disparou por seu cóccix. Instintivamente, ela fechou as pernas, mas a voz baixa e autoritária do homem a fez relaxar os músculos.

— Você precisa abri-las, meu amor.

Um leve sorriso tocou seus lábios enquanto as pernas dela lentamente se abriam para ele. Ele desceu, beijando seus joelhos arredondados como se fossem um tesouro precioso, antes de trazer a língua de volta a ela. Ele a lambeu, seu toque em um ritmo cuidadoso e metódico.

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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