Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 166 Online

Malena sabia desde o início que não conseguiria esconder Eileen perfeitamente, e foi honesta quanto a isso.
— Se fosse outra pessoa, talvez eu pudesse fazer algo. Mas não se tratando do Arquiduque.
Era apenas questão de tempo até serem descobertas, mas seu objetivo era adiar esse momento o máximo possível. Foi por isso que elaborou um plano — esconder Eileen à vista de todos, dentro da Rua Fiore.
Cesare presumiria que Eileen havia se escondido profundamente. Então, usando essa suposição contra ele e colocando-a em um lugar movimentado e cheio como a Rua Fiore, poderiam ganhar tempo.
Se Eileen permanecesse na casa de Malena, seria encontrada rápido demais. Em vez disso, decidiram transferi-la para um local dentro da Rua Fiore. Para garantir sua segurança, Malena designou sua guarda-costas pessoal, Alessia, para acompanhá-la.
A dimensão da situação se tornava cada vez maior do que Eileen havia imaginado, e sua ansiedade só aumentava. Ela temia estar impondo um peso grande demais a Malena. Mas Malena apenas sorriu com aquele seu jeito peculiar.
— Não se preocupe. Eu sou sua amiga Eileen.
Como se isso, por si só, fosse motivo suficiente para perdoar qualquer coisa.
E assim, o assunto se encerrou. Malena tinha uma apresentação fora da capital e precisou partir ainda ao amanhecer.
Era a dançarina mais popular da capital. O único motivo de Eileen ter conseguido encontrá-la foi o acaso de coincidir com um raro dia de folga. Caso contrário, poderia ter passado a noite inteira na chuva diante de uma casa vazia.
Felizmente, a sorte parecia estar ao seu lado. Esperando que isso durasse um pouco mais, Eileen tirou um relógio de bolso do casaco. Observou os ponteiros, que giravam suavemente, sem nada de incomum, antes de colocá-lo sobre a mesa e trocar de roupa.
Ela prendeu firmemente o peito para esconder sua silhueta feminina, vestiu roupas masculinas e colocou uma peruca. Ajustava, ainda desajeitada, o peso estranho dos óculos no rosto enquanto mexia no cabelo, quando Alessia desceu do segundo andar.
Vestia roupas discretas e práticas, próprias para movimento, com passos leves e silenciosos. Alta e esguia, de cabelos negros como a noite, tinha a aura de um gato preto elegante.
Graças à sua altura, o disfarce masculino lhe caía perfeitamente, fazendo-a parecer um rapazinho atraente. Até sua voz era mais grave do que o comum para uma mulher. Após cumprimentar Eileen brevemente, avançou com propósito.
— Com licença.
Sem hesitar, começou a ajustar a roupa de Eileen. Corrigiu os detalhes malfeitos, depois usou maquiagem para desenhar sardas em seu nariz e bochechas. Também escureceu cílios e sobrancelhas para combinar melhor com a peruca.
Deixou alguns fios de franja caírem de forma bagunçada sobre a testa e ajeitou os óculos, transformando-a completamente em um jovem rapaz. Como Eileen já era pequena e delicada, o disfarce a fazia parecer ainda mais jovem.
Impressionada com a transformação, Eileen expressou sua admiração. Alessia minimizou.
— Às vezes ajudo Malena com a maquiagem quando estamos com pressa.
Ao longo do tempo como guarda-costas, havia adquirido várias habilidades. Entregou um espelho a Eileen, que observou o homem desconhecido refletido ali.
Para ela, parecia outra pessoa.
Cesare e seus cavaleiros certamente perceberiam o disfarce. Mesmo entre soldados, alguém atento poderia notar.
Enquanto ajustava sua franja, Alessia murmurou:
— Que pena.
Eileen piscou, olhando para ela. Alessia hesitou antes de explicar:
— É que… seus olhos são tão bonitos, e agora estão escondidos.
Diante do elogio inesperado, Eileen apenas sorriu levemente. Nunca se acostumara a elogios sobre sua aparência, e comentários sobre seus olhos sempre lhe pareciam ainda mais estranhos.
Se não os escondesse com óculos e franja, ainda tinha dificuldade até de encarar seu próprio reflexo.
Mas isso não era algo que pudesse explicar, então apenas respondeu:
— Obrigada.
Alessia a conduziu pela porta dos fundos, onde uma carruagem aguardava. Elas seguiram na direção oposta à Rua Fiore, desceram na estação central e atravessaram um labirinto de becos antes de, enfim, se dirigirem ao destino.
Os becos eram escuros e estreitos, cheios de figuras suspeitas. Problemas surgiram mais de uma vez, mas Alessia lidou com qualquer agressor com rapidez, derrubando-os com alguns golpes e fazendo-os recuar. Eileen permanecia próxima.
Enquanto caminhavam, Alessia continuava explicando:
— Vou ficar com você. Precisa de algo para sua estadia em Fiore?
— Eu… preciso de livros.
Mais do que livros — Eileen precisava de materiais de pesquisa, textos antigos, estudos mitológicos. Se Cesare realmente havia feito um pacto com um deus, o paralelo histórico mais próximo era o mito de fundação do império.
Materiais poderiam ser encontrados com esforço, mas textos antigos seriam difíceis — raros e extremamente caros.
Já li quase tudo na mansão…
Cesare nunca se interessara por esses temas, então havia poucos livros desse tipo lá.
Ela precisava terminar sua pesquisa rapidamente e voltar para ele. Mas, se não conseguisse os textos, teria que encontrar outro método mais eficiente. Perdida nesses pensamentos, ouviu Alessia:
— Se precisa de textos antigos, isso pode ser providenciado. Dinheiro não é problema. Malena tem recursos de sobra.
Eileen se surpreendeu com a precisão.
Nesse momento, outro homem tentou abordá-las. Sem interromper o passo, Alessia o derrubou com um único golpe.
— Não deve andar sozinha em Fiore — continuou. — Mesmo tarde da noite, me chame se precisar de algo.
Eileen, desviando cuidadosamente do homem caído, assentiu:
— Certo.
Logo chegaram à Rua Fiore. Vê-la à luz do dia parecia estranho, Eileen só a conhecia à noite, cheia de vida.
Alessia a levou até uma taverna familiar, onde Eileen já havia procurado seu pai com Cesare, e onde viu Marlena se apresentar pela primeira vez.
— Esta é a maior taberna da Rua Fiore. Há muitas dançarinas aqui. Nós vamos trabalhar em troca de comida e hospedagem. A maior parte das tarefas envolve recados e assistência, não será difícil. Durante o dia, pode fazer o que precisar, e à noite trabalhar como ajudante.
Ela garantiu que não precisava se esforçar demais.
Alessia abriu uma entrada lateral.
Eileen hesitou.
Então, respirando fundo, entrou.
Alessia lançou um último olhar para o beco antes de fechar a porta.
— …
Permaneceu ali por um instante, examinando o entorno com atenção.
Eileen, confusa, olhou para ela. Alessia então se virou, como se nada tivesse acontecido, e fechou a porta.
O vasto pasto se estendia sob o céu azul intenso. Uma única árvore lançava sombra no campo. O cheiro de grama fresca preenchia o ar, enquanto vacas pastavam lentamente.
O silêncio era quebrado apenas por seus mugidos e pelo som de caudas afastando moscas.
De repente, o rugido de um motor cortou a paz.
Um grande veículo militar avançou pela estrada de terra, levantando poeira.
No celeiro, o Barão Elrod despertou assustado.
— Ah!
Levantou-se em pânico, temendo ser pego pelos soldados. Pegou palha e esfregou na roupa para parecer ocupado.
Fazia meses desde seu exílio ali. Tentara fugir várias vezes, sem sucesso. Seus guardas o tratavam como prisioneiro.
Cada tentativa resultava em confinamento sem comida.
Ele aprendera.
Saiu ao encontro dos soldados — e congelou.
Um homem em traje formal desceu do veículo.
Olhos vermelhos o encararam.
— V-Vossa Graça…?
Por um momento, achou que estava alucinando.
Então sorriu.
— Finalmente veio me libertar! Eu estava esperando—
Parou.
Uma arma apontava para sua testa.
A voz fria de Cesare cortou o ar:
— Eileen esteve aqui?
O corpo do barão enrijeceu.
— E-Eileen? N-não… ela nunca esteve aqui…
— Claro que não — murmurou Cesare.
Mas a arma não abaixou.
— Se ela fez algo errado… eu a corrijo… por favor, poupe minha vida…
— Eileen não fez nada de errado. Você não tem motivo para corrigi-la.
Seu olhar atravessava o barão.
Após um silêncio:
— Vamos para a Rua Fiore, Barão.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui