Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 165 Online

Malena segurava Eileen nos braços, incapaz de acreditar. Ficava examinando seu rosto repetidas vezes. Por trás das lentes molhadas pela chuva, os olhos verde-dourados brilhavam sob os cílios encharcados. Não poderia haver duas pessoas no mundo com aqueles olhos. Era, sem dúvida, ela.
Quando o choque inicial passou, o coração de Marlena afundou. Há quanto tempo Eileen estava ali, esperando por ela, parada sob a chuva? Seu corpo estava gelado, tremendo demais até mesmo para formar palavras direito.
Não era hora de perguntas. Marlena a puxou para dentro.
— Entre.
Mesmo tremendo violentamente, Eileen seguiu Malena sem resistir.
A casa era uma modesta residência de dois andares com um pequeno jardim. Comparada à fortuna que ganhava, era bastante simples.
Tinha uma atmosfera semelhante à casa de tijolos onde Eileen vivera — aquela com a laranjeira no quintal. Na verdade, Malena havia escolhido aquela casa de propósito; queria se sentir um pouco mais próxima de Eileen.
Mesmo agora, ganhando muito mais do que antes, não conseguia abandonar aquele lugar. As lembranças de Eileen visitando sua casa o tornavam precioso demais.
— Alessia! Acenda a lareira.
Malena se virou para sua guarda-costas, que estava atrás dela. Ia começar a tirar as roupas molhadas de Eileen, mas hesitou. Alessia também era mulher, mas Eileen poderia se sentir desconfortável com uma estranha por perto.
No entanto, Eileen apenas balançou a cabeça.
— N-não tem problema…
Sua voz já estava carregada de congestão. Marlena ofegou e rapidamente removeu as roupas encharcadas de Eileen, envolvendo-a firmemente em um cobertor que estava sobre o sofá. Em seguida, saiu correndo para buscar roupas secas e mais cobertores, enquanto gritava para Alessia aquecer um pouco de leite.
Graças à rapidez delas, logo Eileen estava encolhida como um coelhinho de neve, segurando uma caneca de leite fumegante. Fungou e tomou um gole.
Alessia se aproximou em silêncio e puxou a poltrona onde Eileen estava sentada para mais perto da lareira.
Malena levou a mão ao peito, ainda com o coração acelerado. Agora que Eileen estava aquecida, sua mente finalmente começou a funcionar.
Não havia muitas pessoas no caminho para casa…
A chuva forte tinha esvaziado as ruas, e quando chegou ao bairro, não havia pedestres à vista. Provavelmente ninguém tinha visto Eileen chegar.
Alessia era discreta e jamais espalharia informações desnecessárias. Era sua guarda-costas há anos e era totalmente confiável.
— Desculpa por aparecer assim — murmurou Eileen, olhando para ela.
Malena, ainda imersa em seus próprios pensamentos, disparou de repente:
— Você vai se divorciar?
Soava direto demais, mas não era uma pergunta razoável? O que mais poderia ter levado Eileen a aparecer naquele estado desesperado?
Eileen se sobressaltou e balançou a cabeça freneticamente:
— Não! Nunca.
Então, seu rosto escureceu.
— …Embora talvez eu seja a divorciada — murmurou fracamente, ajeitando os óculos escorregadios com dedos trêmulos.
O olhar de Malena caiu sobre a mão esquerda de Eileen. A aliança ainda estava lá.
Havia tantas coisas que queria dizer, mas se conteve. Uma lembrança de um jornal recente passou por sua mente.
[Colapso do Panteão… A Arquiduquesa Desaparecida]
Quando a notícia urgente surgiu, Malena imaginou todos os piores cenários. Quando outro artigo confirmou que Eileen estava segura, sentiu alívio — mas não o suficiente para dissipar sua ansiedade.
Queria vê-la com os próprios olhos, garantir que estava realmente bem. Mas não havia como alcançá-la. Eileen havia se tornado alguém fora de seu alcance.
Engolindo todas as preocupações que carregava, Malena fez uma pergunta simples:
— …Você está bem?
Eileen assentiu distraidamente, mas então percebeu o que Malena realmente queria saber e se apressou em esclarecer:
— Eu não me machuquei no Panteão.
Marlena deu de ombros.
— Bem, você parece bem.
Com isso, o silêncio se instalou entre elas. O único som era o crepitar da lareira. Alessia, percebendo a necessidade de privacidade, retirou-se discretamente.
— Vou comprar algo para o jantar.
Pegou um guarda-chuva e saiu para a chuva, que já havia diminuído um pouco.
Malena observou as gotas baterem contra a janela, sua frustração aumentando.
O que teria levado Eileen a sair naquele tempo horrível?
Ela fixou o olhar nela, afiado.
— Uh… Marlena — Eileen hesitou, sentindo o peso daquele olhar. Tirou os óculos embaçados.
— …Você poderia me esconder por um tempo?
— Depende — respondeu Marlena, seca. — Diga o motivo.
Uma sombra atravessou os olhos verde-dourados de Eileen. Ela olhou para o chão.
— Eu… vou fazer algo que Cesare não quer. Preciso de um lugar para ficar até terminar.
Ao ouvir isso, Malena teve que se controlar para não perder a calma.
Eileen é tão capaz. Se não tivesse se tornado Arquiduquesa, poderia ter vivido feliz fazendo o que quisesse. E agora precisa fugir só para poder fazer suas próprias escolhas?
Ela estava furiosa.
Mas engoliu isso e respondeu com calma:
— Claro que posso te esconder. Mas, se ficar na capital, vão te encontrar em pouco tempo.
Ela sugeriu que Eileen deixasse o país, mas a outra rejeitou imediatamente.
— Não posso me afastar muito da capital…
Malena estreitou os olhos. Então soltou um longo suspiro.
Eileen ainda era uma boba. E ela própria também era uma tola por sempre querer ajudá-la.
— Tudo bem. Vou fazer o possível.
O rosto de Eileen se iluminou instantaneamente.
Malena, com um leve ar travesso, acrescentou:
— Mas você vai fazer exatamente o que eu disser. Entendido?
Antes de fugir, Eileen se preparou cuidadosamente.
Enviou o remédio para dor de cabeça que havia prometido a Ornella, junto com uma pomada para cicatrizes. Também organizou seu laboratório, garantindo que poderia retomar sua pesquisa sobre Morpheu quando voltasse.
Deixou uma carta para evitar que seu desaparecimento fosse confundido com um sequestro.
Enquanto escrevia, suas mãos tremiam. Imaginava repetidamente a fúria de Cesare. Ainda assim, forçou-se a continuar.
Escapar pela passagem secreta foi surpreendentemente fácil. Ela havia memorizado os horários e movimentos dos criados, saindo sem ser notada.
Dentro da passagem, pegou um pouco de dinheiro escondido ali e trocou de roupa. Com óculos e franja como disfarce rudimentar, saiu para o mundo.
A caminhada dos arredores da capital até a casa de Marlena foi longa, mas conseguiu percorrer a distância. Essa parte havia corrido bem.
O problema veio depois.
Malena não estava em casa, deixando Eileen esperando na chuva.
Ainda assim, no fim, tudo deu certo.
Fungando por causa da exposição da noite anterior, Eileen pegou o jornal da manhã que Malena deixara sobre a mesa. Entre as diversas publicações, incluindo La Verita, nenhuma mencionava o desaparecimento da Arquiduquesa.
‘Estão mantendo segredo.’
Ela mordeu o lábio, pensando em Cesare.
‘Ele deve estar furioso…’
Enquanto mordiscava um cornetto recheado com creme, seu humor afundava.
Estava acostumada a dormir sozinha. Mesmo na mansão, Cesare raramente dividia a cama com ela.
Mas a noite passada fora diferente.
Pela primeira vez, ela realmente o havia deixado.
Nem mesmo em sua antiga casa de tijolos com a laranjeira ela se sentira assim.
Talvez tivesse simplesmente se acostumado demais à vida na mansão. Assim como agora achava estranho voltar a usar óculos.
A emoção apertou sua garganta. Ela pegou o leite e bebeu de uma vez.
‘Se eu bebesse álcool… não seria essa a melhor hora?’
Afastando o pensamento inútil, olhou para os itens que Malena havia preparado para ela.
Uma peruca curta. Óculos de um estilo que nunca usara antes. Roupas masculinas largas.
A partir daquele dia, Eileen trabalharia em uma taverna na Rua Fiore, fazendo pequenos serviços para as dançarinas.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui