Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 155 Online


Modo Claro

Assim que entrou no quarto, Leone franziu levemente a testa.

Apesar de sua insistência para que Cesare permanecesse na cama descansando, ele estava claramente sentado no sofá, esperando por ele.

— Parece que o Arquiduque não obedece nem uma ordem imperial. Eu disse para você descansar… — resmungou Leone, sentando-se à sua frente. Cesare respondeu com um leve e breve sorriso, que Leone acabou retribuindo sem perceber.

— Onde está Eileen?

— Pedi a compreensão dela. Queria falar com você a sós.

— Pensei que a senhorita Farbellini também viria.

— Também a mandei embora — pelo bem do nosso momento fraternal, — brincou Leone, dando de ombros, em tom leve. Cesare não pressionou mais, deixando Leone encará-lo pensativamente.

— Como está seu ombro?

— Está bem.

A resposta curta fez a expressão de Leone se fechar. Ele soltou um longo suspiro.

— Então, você destruiu o ombro derrubando o Conde Bonaparte. Pelo menos conseguiu o que queria?

— Não tanto quanto eu esperava, — admitiu Cesare, seus olhos vermelhos fixos em Leone. — Mas não foi totalmente em vão.

Por um momento, os irmãos apenas se encararam. Embora fossem gêmeos nascidos do mesmo ventre, eram tão diferentes quanto a noite e o dia, tanto na aparência quanto no temperamento.

Enquanto Leone observava o irmão, memórias de tocar piano ressurgiram. As pontas de seus dedos formigaram, lembrando as teclas sob eles.

— Irmão, — disse Cesare, seus olhos carmesim capturando completamente Leone. Mesmo com sua postura calma, ele não conseguia esconder totalmente o amargor da inveja que ocasionalmente vinha à tona.

— Você se lembra do que pedi quando parti para Kalpen?

— Claro, — respondeu Leone sem hesitar.

Cesare o havia colocado no trono imperial e partido para o campo de batalha sem pensar duas vezes, confiando a Leone um único pedido.

Leone engoliu em seco lentamente. Sua garganta parecia seca, como se o ato de engolir fosse a única coisa que impedia sua voz de falhar:

— Por que trazer isso à tona agora?

— Só fiquei curioso.

Cesare se recostou no sofá, sua postura aparentemente relaxada, e acrescentou em voz baixa:

— Eu sei que meu irmão não mentiria para mim, mas, à medida que junto às peças, restam cada vez menos pessoas para suspeitar.

Leone teve uma visão fugaz de uma corda de piano se partindo, seguida pelo som dissonante ecoando em seus ouvidos. Não podia ser. Cesare não poderia ter descoberto — havia sido um único erro. Leone franziu a testa e forçou uma risada:

— Do que você está falando, Cesare?

— Você ainda toca piano?

Não parecia que Cesare esperava uma resposta, pois ele mudou imediatamente de assunto. Leone tentou ler as intenções do irmão, mas as palavras de Cesare eram opacas demais para decifrar.

— Tenho pensado em voltar a tocar violino. Minhas mãos ficaram rígidas, então não sei como vai ser.

Leone tentou conduzir a conversa para outro rumo, sentindo como se uma pedra pesada tivesse se instalado em seu estômago.

— Deixa eu ver seu ferimento, — disse.

— Está quase curado; não precisa se preocupar com isso.

—Como não me preocupar? Sou seu irmão. O tom de Leone carregava uma leve severidade.

— Você levou um tiro, Cesare. A propósito — mandei a Arquiduquesa ao templo hoje.

À menção do templo, o rosto de Cesare endureceu instantaneamente.

— …O quê?

Assustado com a mudança repentina no comportamento do irmão, Leone se apressou em explicar:

— Pedi a ela que rezasse pela sua recuperação. Você não pode continuar se opondo ao templo para sempre. Já que você não vai, pensei que ela poderia…

Antes que Leone terminasse, Cesare se levantou abruptamente.

— Cesare?

Leone o chamou, mas Cesare não olhou para trás. Atravessou o quarto e abriu a porta com tanta força que as dobradiças rangeram, quase saltando da porta.

— Sonio!

— Sim, Vossa Graça, — respondeu o sempre dedicado Sonio, que aguardava do lado de fora. Sem precisar de instruções, Sonio entregou a Cesare um conjunto de chaves do carro.

Vestindo o casaco que Sonio rapidamente ofereceu, Cesare desceu as escadas apressadamente. Um jipe militar esperava do lado de fora da mansão.

Embora o motorista estivesse pronto, Cesare assumiu o volante. O motor roncou, e com um pressionar firme no acelerador, ele arrancou imediatamente.

Dentro dos limites da cidade, havia regras rígidas de velocidade, mas Cesare as ignorou, dirigindo imprudentemente pelas ruas.

Pedestres saltavam para fora do caminho, assustados com o jipe rugindo. Com precisão afiada, Cesare atravessou a cidade e chegou ao templo.

Ele freou bruscamente, fazendo os presentes se dispersarem em pânico. Quando desceu do veículo, o medo rapidamente se transformou em espanto ao reconhecerem o Arquiduque Erzet.

Ignorando a multidão que o encarava, Cesare nem sequer se preocupou em fechar a porta do carro. Seguiu diretamente para a entrada principal do templo.

Uma enorme estátua de um leão alado erguia-se acima dele, com sua base adornada por flores. O ar estava denso com o perfume, mas Cesare não lhes deu atenção.

Ao se aproximar da entrada, os guardas instintivamente ergueram suas armas. Mas, ao perceberem quem era, seus rostos se relaxaram, tomados pelo choque.

Não havia tempo para explicações. Cesare empurrou sozinho, sem esforço,

 as portas maciças do templo — geralmente uma tarefa que exigia vários guardas..

Lá dentro, a cena se revelou: uma mulher estava diante do altar.

— Eileen! — ele chamou, a voz carregada de urgência.

Olhos verde-dourados, erguidos em direção ao teto, lentamente se voltaram para ele. Seu olhar era uma mistura de surpresa e alegria.

Seus olhos límpidos e puros deram a Cesare uma sensação fugaz de alívio, acalmando seu coração disparado por apenas um momento. Ele se preparou para tirá-la daquele lugar miserável.

— C-Cesare… a voz de Eileen tremeu, e, exatamente naquele momento, o templo começou a desmoronar.

Enormes blocos de mármore despencaram, envolvendo-a em um instante.

Cesare ficou paralisado, seus olhos fixos nas ruínas do templo despedaçado.

No silêncio ensurdecedor que se seguiu, um som provocou seus ouvidos — uma zombaria cruel.

O tique-taque dos ponteiros de um relógio.

Tudo estava em chamas.

O altar de sacrifícios estava envolto em chamas vorazes, consumindo tudo em seu caminho. A fumaça sufocava o ar, mas o cheiro metálico de sangue era ainda mais intenso.

O fedor deixou Eileen tonta. Ela balançou a cabeça, tentando clarear a mente, e piscou repetidamente. Quando olhou para cima, sua visão ainda estava turva.

— O-o quê…?

Diante dela erguia-se o grandioso templo da capital, intacto , como se nada tivesse acontecido.

Mas, momentos antes, ela havia sido soterrada por seu desabamento, ou ao menos era o que acreditava.

Realidade e ilusão se misturavam. Seu olhar vagou, desfocado, até parar em um enorme altar diante da estátua do leão alado.

Era muito maior que aquele que ela vira durante a caçada. As chamas eram mais altas, não como uma oferenda, mas como se fossem destinadas a algo muito mais sombrio — uma execução macabra.

Sangue cobria tudo, a estátua do leão, o altar, o ambiente ao redor. A estátua, encharcada de vermelho, parecia derramar lágrimas de sangue.

‘O que… é isso?’

Enquanto hesitava, analisando a cena grotesca, avistou uma figura familiar. Seus olhos se arregalaram.

— Cesare!

Chamou seu nome, com alívio na voz. Mas parecia que ele não podia ouvi-la. Cesare não se virou; continuou caminhando.

Então Eileen notou o homem que ele arrastava — um homem de meia-idade, chorando enquanto era puxado como um saco sem vida.

Na outra mão, Cesare segurava uma espada.

Seu rosto estava assustadoramente vazio de expressão, iluminado pelas chamas. Apenas seus olhos carmesim ardiam intensamente.

Cesare parou diante do altar e ergueu a espada. A lâmina, já manchada de sangue, refletia as chamas.

Com um único movimento rápido, a cabeça do homem foi decepada. Ela caiu no chão com um baque, rolando como uma bola. O sangue jorrou do pescoço, mas não foi suficiente para apagar as chamas.

O corpo inteiro de Eileen tremia. Ela sequer conseguia abrir os lábios para chamá-lo novamente.

Deus,” — disse Cesare, sua voz se curvando em um sorriso distorcido: 

Amanhã, sacrificarei cem vidas.”

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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