Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 154 Online


Modo Claro

Ornella respondeu com um tom de deboche, arrastando as palavras:

— Não?

Seu olhar arrogante parecia dizer: vamos ver onde você quer chegar com isso. Normalmente, Eileen poderia ter se intimidado com a atitude de Ornella. Mas, naquele dia, uma coragem estranha a impulsionava. Ela continuou sem hesitar.

— Eu desenvolvi um novo analgésico, em forma líquida — como um xarope doce. Ele é feito com ingredientes completamente diferentes do Aspiria. Acho que este funcionaria melhor para você, senhorita Ornella.

Esse medicamento havia sido criado pensando em Ornella, na esperança de amenizar a relação tensa entre elas. Na época em que Eileen vendia remédios em uma pequena estalagem, ela havia encontrado clientes como Ornella, para quem o Aspiria não era adequado. Ela havia aprimorado uma dessas fórmulas antigas especificamente para esse propósito.

—Talvez não tenha sido fácil para você encontrar um analgésico adequado entre os disponíveis no mercado, mas acredito que este possa funcionar.

A expressão de Ornella azedou, deixando claro seu desagrado.

— Então a arquiduquesa andou bisbilhotando minha vida pessoal, foi?

— Não bisbilhotei… Pessoas que não respondem a analgésicos comuns geralmente compartilham certas características, então achei que poderia ajudar, — respondeu Eileen.

Ornella encarou Eileen intensamente, como se procurasse qualquer traço de falsidade em suas palavras. Seu olhar era penetrante, e ela se inclinou mais perto, os grandes olhos sem piscar. O olhar era intenso, mas Eileen apenas encolheu levemente os ombros, sem recuar.

Ornella perguntou, em um tom neutro e indecifrável:

— Você não está sugerindo que, se eu tomar isso, gostaria que eu cancelasse o lançamento de um medicamento semelhante ao Aspiria, está?

Eileen teve que admitir, no fundo, que desejava isso. Mas sabia que era impossível. Ela balançou a cabeça com firmeza e sustentou o olhar de Ornella.

— Eu gostaria de testar o medicamento desenvolvido pela família Farbellini.

— …O quê?— A voz de Ornella estava cheia de incredulidade.

— Eu sei que o período de desenvolvimento foi curto demais, — continuou Eileen calmamente. — Quero ser voluntária. Só me dê um pouco mais de tempo.

Ornella ficou sem palavras. Ela não conseguia entender por que Eileen se ofereceria para correr um risco desses. No fundo, sabia que o desenvolvimento apressado provavelmente havia resultado em um remédio não testado e potencialmente perigoso.

A única razão pela qual havia insistido no lançamento era para manchar a reputação do Aspiria. Se surgissem efeitos colaterais, poderiam espalhar rumores de que as fórmulas eram idênticas. Se funcionasse, ela criaria uma narrativa de altruísmo da família Farbellini em contraste com o suposto lucro da casa Erzet.

Ornella não se importava com os efeitos do medicamento nas pessoas. Estava interessada apenas nos resultados que isso poderia lhe trazer.

E, ainda assim, Eileen se oferecia para testar pessoalmente aquele remédio possivelmente perigoso. Era uma atitude sem benefício aparente, algo que só trazia risco e prejuízo.

—Por quê? — perguntou Ornella, desconfiada. — Por que você faria isso?

— Eu…

Eileen pensou no Conde Domenico e em sua esposa. Lembrou-se do conforto que havia proporcionado à Condessa doente e do breve sorriso que isso trouxe ao atormentado Conde.

Finalmente, disse as palavras que mantinha guardadas:

— Porque eu sou farmacêutica.

Sua resposta foi firme, sem dúvida ou hesitação. Carregava o peso de uma convicção profunda. Pela primeira vez, foi Ornella quem vacilou, seus olhos refletindo confusão por um instante.

A mulher que normalmente olhava todos com desprezo e indiferença agora se via sem palavras.

Mas a incerteza momentânea passou rapidamente. Ornella se recostou, afastando-se de Eileen, e soltou uma risada seca, sem humor.

— Ridículo…

Suas palavras murmuradas não tinham a habitual aspereza. Por algum motivo, Ornella evitou encarar Eileen, voltando seu olhar para o altar enquanto falava.

— Faça como quiser. Vou mandar o medicamento para você, assim poderá tomar o quanto quiser. Não se surpreenda se ele funcionar melhor que o Aspiria.

Ela disse isso com seu tom habitual de escárnio, indicando o estrado de oração com o queixo.

— Você já fez sua oferenda, então vá rezar agora.

Para Eileen, que nunca havia entrado em um templo antes, a ideia de rezar parecia estranhamente apropriada. Ela decidiu obedecer sem protestar.

Enquanto caminhava silenciosamente até o estrado de oração, Ornella e os sacerdotes trocaram olhares surpresos. Eles haviam presumido que Eileen, assim como Cesare, era ateia.

Juntando as mãos, Eileen sentiu a madeira dura e fria pressionar sua pele.

‘Deus existe?’

Era uma pergunta que ela já havia feito inúmeras vezes, sem resposta definitiva. Eileen tinha dificuldade em acreditar em uma divindade que não oferecia nenhuma prova concreta de existência.

Ainda assim, ela não era ateia. Acreditava nos momentos inexplicáveis de graça que às vezes aconteciam — aqueles que não podiam ser explicados por mãos humanas.

E então, ela rezou.

Sempre que Cesare partia para a guerra, ela rezava por um milagre. Suplicava a todos os deuses que o protegessem, que garantissem seu retorno seguro.

Desesperada e impotente, rezar era tudo o que Eileen podia fazer por Cesare. E, de alguma forma, suas orações eram atendidas.

Mesmo em batalhas em que todos previam sua morte, Cesare retornava vivo. Se era intervenção divina ou apenas a resistência dele, Eileen não sabia.

‘Mas há tão pouco que posso fazer por ele. Por isso…’

Ela rezou com fervor a todos os deuses.

‘Talvez rezar aqui, neste lugar sagrado, torne meus desejos mais fortes…’

Sabia que era um pensamento tolo, mas a atmosfera solene a influenciava. Sem mais, a sacralidade do templo facilitava sua concentração.

Ela fixou o olhar no altar, transbordando de flores. Entre as cores vibrantes, seus olhos repousaram sobre um lírio antes de fechá-los e iniciar sua prece.

Depositou todas as suas esperanças em suas palavras, rezando para que as sombras que pairavam sobre Cesare desaparecessem. Suplicou para que seu caminho fosse iluminado e guiado por milagres divinos.

Imersa em sua oração, Eileen de repente ouviu um som estranho: tic-tic-tic. O ruído distinto de ponteiros de relógio se movendo.

Assustada, abriu os olhos, mas não tinha relógio à vista. Mesmo se houvesse um presente, não poderia ter soado tão perto, como se estivesse ao lado de seu ouvido.

Confusa, ela examinou os arredores. Ornella ergueu uma sobrancelha, claramente sem ouvir nada.

‘Isso é uma alucinação?’

Eileen rapidamente tentou lembrar de qualquer medicamento recente que tivesse tomado. O mais suspeito era Morpheu, mas seus efeitos já deveriam ter passado.

Neste momento, as velas ao redor do altar tremularam violentamente. Uma leve vibração percorreu o chão, e Eileen não foi a única a notar, Ornella e os sacerdotes olharam ao redor, inquietos, seus olhos voltados para o piso.

Mas Eileen levantou a cabeça e olhou para o teto. A vibração não parecia vir de baixo.

Enquanto observava a cúpula, as portas seladas do templo se escancararam de repente.

— Eileen!

A voz familiar ecoou, acompanhada pela luz do sol invadindo o interior sombrio. Além das portas estava Cesare.

Ele deveria estar no meio de uma conversa com Leone, no entanto, ali estava ele no templo. Eileen mal conseguiu formar seu nome, surpresa.

Mas antes que pudesse chamá-lo, um estrondo, como um rugido, ecoou pelo templo.

As colunas de mármore que sustentavam a estrutura e a cúpula acima racharam com um estalo ensurdecedor. Fissuras grossas se espalharam como relâmpagos pela pedra sólida.

— C-Cesare…

Ao chamá-lo, Cesare correu para dentro do templo. Mas antes que pudesse alcançá-la, as colunas cederam, e o teto despedaçado desabou.

Enormes blocos de pedra despencaram em um instante, mergulhando o templo no caos.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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