Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 125 Online

Sua voz estava calma quando ele disse que a matou apenas com as próprias mãos. Depois de esfregar levemente o pescoço dela, sua mão caiu, e ele a puxou para um abraço, os cabelos desalinhados dela prendendo-se em seus dedos.
— O afeto que sinto por você, Eileen, é assim — disse Cesare suavemente, sua voz carregando uma certeza silenciosa.
— Não é algo tão trivial quanto utilidade.
Por um momento, Eileen ficou sem palavras, mas no fim sua resposta era inevitável. Ela assentiu e murmurou:
— Sim.
Cesare, como se estivesse elogiando sua pequena resposta, acariciou gentilmente seus cabelos.
— Se você não quer se tornar meu pesadelo, não deve morrer por mim. Entende?
Ele já havia dito isso a ela mais de uma vez, sua voz sempre gentil, mas firme. Ainda assim, Eileen lutava para encontrar uma resposta.
Durante toda a vida, ela fora ensinada que existia apenas para morrer por ele. A bondade que Cesare lhe demonstrara parecia algo que ela jamais poderia retribuir, nem mesmo com a própria vida.
Abandonar essa crença profundamente enraizada não era fácil. As palavras de sua mãe — “Vivemos pelo bem príncipe” — ecoavam em sua mente.
‘Mas eu não quero ser o pesadelo de Cesare…’
Enquanto lutava com seus pensamentos conflitantes, Cesare esperava, seu olhar firme e sem piscar. Seus olhos vigilantes tornavam-se cada vez mais difíceis de suportar e, por fim, Eileen fechou os olhos com força e assentiu quase imperceptivelmente. Cesare soltou uma risada fraca diante de sua fraca concordância.
Quando ela abriu os olhos, seu coração disparou ao perceber o olhar perspicaz em seus olhos vermelhos. Ele estava ciente da mentira dela, e ainda assim não disse nada. Em vez disso, sorriu, como se já tivesse decidido ignorar aquilo por enquanto, satisfeito até mesmo com o menor dos acenos.
Após uma breve pausa, inesperadamente, ele mordiscou sua bochecha, deixando marcas leves em sua pele corada. Surpresa, os olhos de Eileen se arregalaram, seu olhar preso nele em silêncio chocado.
— Isto não é um beijo, então está tudo bem, certo?
O brilho sombrio que antes nublava seus olhos carmesim desaparecera, substituído por uma expressão brincalhona e despreocupada que não revelava qualquer traço do turbilhão que estivera ali momentos antes.
Mas Eileen não conseguiu sorrir. Sua mente estava repleta de perguntas — perguntas que desejava fazer a ele.
Que tipo de sacrifício ele havia feito?
Por que fizera algo tão irracional para criar um pesadelo? Com que propósito o criara?
E, mais importante, ele havia alcançado o que queria?
Contudo, Cesare silenciou suas perguntas não ditas antes que pudessem deixar seus lábios.
— Todas as suas perguntas serão respondidas em breve.
Ele gentilmente colocou a mão sobre os olhos dela, mergulhando-a na escuridão.
— Sei que você acreditaria em tudo que eu dissesse, mas você entende melhor as coisas quando as vê com os próprios olhos…
Era como se quisesse mantê-la no escuro, ao menos por enquanto — embora ela acabasse descobrindo a verdade.
— Por ora — murmurou, —vamos dormir.
Embora o sono a escapasse, Eileen lentamente fechou os olhos na escuridão. A voz de sua mãe — “Viva por causa do príncipe” — ecoava em sua mente, misturando-se com as palavras de Cesare, “Não morra por mim.”
O peso da mentira que ela lhe contara pressionava fortemente seu coração. Embora parecesse a melhor opção na hora, ela não conseguia afastar a dúvida de que talvez não tivesse sido a escolha certa.
Uma coisa era certa, porém: ela não queria se tornar a fonte de sofrimento de Cesare. Em meio a toda a confusão e turbulência dentro dela, essa verdade era a única coisa à qual conseguia se agarrar.
O festival de caça do Império Traon tinha um profundo significado ritual, indo muito além de uma mera competição. Os procedimentos do evento eram muito mais meticulosos e solenes do que as caçadas típicas, seguindo estritamente a tradição.
Como a caça era oferecida como um tributo aos deuses, todas as ferramentas usadas precisavam estar impecáveis. Decorações ornamentadas eram proibidas, e quaisquer ferramentas velhas ou gastas eram consideradas inaceitáveis.
A regra mais significativa, contudo, era a proibição de caçar criaturas aladas. Os deuses haviam concedido a Traon o leão alado como símbolo sagrado e, portanto, tirar a vida de qualquer criatura com asas — aquelas que faziam a ponte entre o mundo mortal e o divino — era estritamente proibido.
Embora leões fossem proibidos de serem caçados, a floresta designada para o festival não abrigava leões, tornando essa regra em grande parte simbólica.
A regulamentação mais rigorosamente observada, entretanto, era a proibição de oferecer qualquer um dos animais caçados a humanos. Diferentemente das competições comuns, nas quais os participantes podiam oferecer sua presa a sua dama, senhor ou acompanhante, essa caçada era um ritual sagrado. Até a cerimônia final, ao término da semana de festividades, os participantes estavam proibidos de oferecer suas presas a qualquer pessoa.
No último dia, após a semana de caça, a melhor presa deveria ser queimada como oferenda aos deuses. Somente após este rito de sacrifício os participantes podiam interagir livremente e trocar seus troféus.
Por essa razão, embora muitos caçadores tivessem alguém a quem desejavam presentear com sua caça, eram cuidadosos em não mencionar isso nem fazer qualquer sugestão antes que o ritual sagrado fosse concluído.
A competição para participar da caçada deste ano foi mais acirrada do que nunca, em grande parte devido ao anúncio de que a Casa Erzet estaria presente. Até nobres que normalmente não demonstravam interesse manifestaram entusiasmo em participar, tornando os preparativos para a corte real ainda mais exigentes.
A guilda de costureiras do Império trabalhara arduamente por meses, preparando o traje de caça de Eileen. Neste ano, três oficinas diferentes colaboraram para criar um conjunto de roupas que fosse ao mesmo tempo prático e elegante.
Em conformidade com as rígidas diretrizes do festival, a vestimenta foi projetada sem joias chamativas ou bordados elaborados. Em vez disso, o foco foi um design refinado e confortável, adequado às exigências do evento.
Parecia estranho usar calças depois de tanto tempo. Eileen permaneceu diante do espelho, sentindo um desconforto peculiar com o traje de caça.
Embora ela não fosse caçar pessoalmente, Cesare insistira que usasse roupas apropriadas para a caça, argumentando que um vestido seria incômodo demais na floresta.
‘As outras damas estarão todas usando vestidos, porém…’
Ela hesitou, incerta se era apropriado vestir algo tão diferente das demais. Ainda assim, não podia negar a praticidade e o conforto do traje. Evitou olhar diretamente para o próprio reflexo, concentrando-se no corte e no caimento da roupa antes de desviar o olhar rapidamente.
Sonio, que a ajudava com os ajustes finais, ofereceu um sorriso gentil e um elogio.
— Você está maravilhosa. Talvez possa tentar falcoaria da próxima vez.
— Obrigada, Sonio.
Ao perceber quanto tempo já havia passado, Eileen hesitou antes de perguntar suavemente:
— E… onde está Cesare?
— Ele acabou de se preparar. Vamos descer?
Ajustando suas roupas de caça, Eileen desceu as escadas, seus passos diminuindo ao alcançar o topo.
Lá embaixo, Cesare conversava com vários cavaleiros. Todos vestiam seus uniformes, mas ele usava roupas de caça.
Seu traje, confeccionado juntamente com o dela pela guilda de costureiras, era semelhante, mas distinto. Os designs combinando marcavam claramente que eram um casal, enquanto as sutis diferenças de cor e corte distinguiam o masculino do feminino.
As roupas sob medida ajustavam-se ao porte atlético de Cesare, acentuando seus traços com uma elegância afiada. Eileen não pôde deixar de admirar como o traje parecia complementar o dela, de uma forma quase irreal.
Sentindo seu olhar, Cesare olhou para cima. Seus olhares se encontraram por um breve instante, e Eileen mordeu os lábios, uma onda de incerteza atravessando-a.
Desde aquela noite, ela não o vira. Desta vez, não fora Eileen quem o evitara; Cesare estivera mais ocupado do que o habitual. Até mesmo os outros cavaleiros, atarefados com os preparativos do festival, não haviam tido tempo de visitá-la.
Durante o tempo em que estivera afastada de Cesare, Eileen sentira tanto solidão quanto um alívio inesperado. Não compreendia totalmente de onde vinha aquele alívio, nem conseguia ainda expressar o que ele significava.
Cesare lhe assegurara que seu afeto por ela não vacilaria facilmente, e que jamais a abandonaria, independentemente de seus defeitos.
Ainda assim, a conversa entre eles a fizera perceber o quanto seus desejos eram diferentes. Ela ansiava por algo mais concreto do que o amor dele — algo tangível, que pudesse conquistar por conta própria.
Talvez pudesse provar seu valor como uma farmacêutica talentosa, tornando seus medicamentos — Aspiria e Morpheu — um sucesso, mostrando a ele que podia ser de verdadeira ajuda. Ou talvez pudesse aliviar o sofrimento dele de uma forma que ninguém mais conseguisse.
O homem pedira para não morrer por ele, mas qual a probabilidade de que ela algum dia precisasse fazer isso? Cesare parecia perfeito em todos os aspectos, intocável, acima de qualquer suspeita.
Ele prometera que logo ela entenderia tudo aquilo que a deixava curiosa, mas os fragmentos de revelação que compartilhara apenas a deixaram ainda mais confusa. Se pretendia revelar tudo eventualmente, por que não contar agora? O que ainda lhe faltava?
Enquanto lutava com suas perguntas e dúvidas, o dia da caça finalmente chegou.
— Eileen.
A voz de Cesare chamou seu nome, arrancando-a de seus pensamentos. Ela olhou para ele no topo da escada, esperando. Respirando fundo, Eileen desceu com cuidado, a sensação das calças ainda estranha e incômoda contra suas pernas.
Ao alcançar o térreo, um grupo de cavaleiros reuniu-se ao seu redor, oferecendo elogios entusiasmados. Lotan, Diego, Michelle e Senon elogiaram seu traje de caça, mas foi Senon quem pareceu especialmente sincero.
— Ver uma cena tão rara assim… os outros participantes deveriam prestar tributo à Casa Erzet hoje.
Os cavaleiros riram do comentário de Senon, e Eileen sorriu junto, embora não conseguisse rir com a mesma liberdade que os demais. Havia um aperto em seu peito que a continha.
Cesare se aproximou, seu olhar preso nela com uma intensidade que fez seu coração disparar. Sem pensar, Eileen olhou para ele,
sua expressão revelando um traço de nervosismo.
O silêncio entre eles pairou pesado, e os cavaleiros, percebendo a mudança na atmosfera, trocaram olhares cúmplices.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui