Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 124 Online

Eileen recuou por instinto e, para sua própria surpresa, percebeu o que havia feito. Seus olhos se arregalaram, e seus lábios se separaram como se fosse falar.
— …Ah.
Um som curto escapou dela — metade exclamação, o início de alguma desculpa—mas nenhuma palavra veio em seguida.
E por que viria? Ela havia passado dias evitando Cesare, sem saber como agir perto dele. Agora, presa naquele momento, ficou completamente imóvel.
Um silêncio estranho se instalou entre eles, pesado de tensão. A boca de Eileen ficou seca enquanto sentia o peso do seu desconforto, uma inquietação impossível de passar despercebida por Cesare.
Ele não fez nenhum esforço para quebrar o silêncio ou amenizar o momento. Em vez disso, acariciou suavemente sua bochecha, seu toque firme e calmo.
Lentamente, ele inclinou a cabeça, aproximando o rosto. Eileen não conseguia se mexer— seu corpo estava rígido, como se paralisado pela presença do homem.
Seus narizes se tocaram levemente. Ela prendeu a respiração, intensamente consciente de cada centímetro entre eles.
A mão que acariciava sua bochecha deslizou para baixo, até sua cintura, a palma percorrendo seu corpo tenso, como se a convidasse a relaxar.
Eileen se preparou, esperando que os lábios dele encontrassem os dela. Mas não encontraram. Em vez disso, Cesare permaneceu ali, seu nariz a apenas um suspiro do dela, seus olhos carmesim fixos nela com uma intensidade que parecia consumir tudo ao redor.
Atordoada, percebeu que estava segurando a respiração há tempo demais. Hesitante, separou os lábios para inspirar, e, ao fazê-lo, os lábios de Cesare se curvaram em um sorriso suave e consciente.
Com um dedo, ele pressionou seus lábios entreabertos, a ponta firme tocando sua língua. Por reflexo, Eileen recolheu a língua para evitar o contato.
Quando o fez, o dedo a seguiu, deslizando para dentro de sua boca. Ele pressionou sua língua enquanto murmurava:
— Com medo de um beijo?
O rosto de Eileen corou. Era impossível esconder seus pensamentos quando ele parecia enxergar através dela.
Sempre ansiara pelo afeto de Cesare, interpretando cada gesto dele como prova de seus sentimentos, aceitando tudo com avidez. Mesmo nos momentos de emoção intensa, nunca hesitara ou recuara.
Mas agora algo havia mudado. Ela se sentia desconfortável com a proximidade dele — uma inquietação desconhecida que não conseguia compreender totalmente, mas que era inegável. Começara a evitá-lo, desviando-se de seus toques…
Parecia estranho até para si mesma. Sem saber como responder, Eileen desviou o olhar, tentando escapar dos olhos penetrantes do homem.
Aparentemente não esperando uma resposta, Cesare passou o dedo preguiçosamente pelo interior da boca dela, roçando o céu da boca sensível. A sensação era insuportável, provocando uma quase dolorosa cócega. Lágrimas brotaram em seus olhos em resposta.
Eileen quis chamar o nome dele, mas o dedo a mantinha em silêncio. Ele pressionou fundo, provocando um leve reflexo de vômito.
Ele não recuou, mesmo quando a garganta dela se contraiu com o esforço de conter o desconforto. Finalmente, ela ergueu o olhar para ele, seus olhos cheios de lágrimas.
Cesare já deveria ter reconhecido o pedido silencioso, mas, estranhamente, não reagiu. Talvez estivesse fingindo não perceber.
Só quando ela deixou escapar um gemido fraco ele começou, lentamente, a retirar o dedo, arrastando-o de forma provocadora pelo céu da boca antes de afastá-lo por completo.
Engolindo em seco, ela levou a mão até a barra da camisola, pretendendo limpar a umidade que cobria a mão dele. Mas Cesare levou os próprios dedos à boca.
Imóvel, ela observou em silêncio enquanto ele os lambia calmamente. Não houve beijo, mas naquele momento pareceu que algo muito mais íntimo havia acontecido entre eles.
— Eileen.
A voz dele, ainda úmida com a saliva dela, quebrou o silêncio.
— Você está chateada por causa do que eu disse?
— Cesare, você não disse nada de errado.
— Quando eu te chamei de meu pesadelo?
— Sim… a culpa é toda minha…
Suas palavras não pareceram satisfazê-lo, e ele insistiu:
— Realmente não te incomoda saber que eu te matei nesses sonhos?
A pergunta não a abalou. Na verdade, o pensamento quase não a atingiu. Se sua morte nos sonhos do homem acabasse com o sofrimento dele, ela morreria por ele de bom grado centenas de vezes.
Ela concordou com a cabeça, sua voz tensa mas firme.
— Sim… O que mais me incomoda é… — Ela hesitou, incapaz de pronunciar a palavra pesadelo. Só de pensar nela, uma pontada aguda atravessou seu coração. — Eu sou tão inadequada… sempre mais um fardo para você do que qualquer outra coisa, mesmo nos seus sonhos, eu estou apenas te atrasando…
Sua voz foi se apagando, o peso das emoções quase a sufocando. Ela fez uma pausa, tentando estabilizar a respiração.
De repente, sentiu-se tola. Não importava o quanto Cesare a tranquilizasse, aquela autopiedade era infantil, imatura.
‘Mais uma vez, estou agindo como uma criança.’
A tristeza era algo que deveria ter guardado para si. Queria mostrar a Cesare apenas seu lado mais brilhante. O arrependimento começou a surgir, mas a voz grave dele a manteve no presente.
— Continue, Eileen.
Sem perceber, acabou confessando tudo o que havia tentado suprimir.
— Eu só queria me esconder de você… Eu estava frustrada, mas principalmente envergonhada de mim mesma. Eu me senti… — Hesitou, mas então se forçou a admitir o que tanto temia dizer. — …tão inútil.
Depois de expôr a própria alma, sentiu-se estranhamente vazia, como se alguém tivesse retirado seu coração com uma colher. Agora, só lhe restava observar a reação de Cesare, rezando para que aquele momento vulnerável terminasse logo.
Ele a estudou em silêncio e, por fim, falou:
— Se eu baseasse nosso relacionamento em utilidade, não teria te tirado daquele campo de lírios.
A respiração de Eileen falhou. As palavras a atingiram mais fundo do que esperava.
— Me desculpe.
Ela mordeu o lábio, dividida. Provavelmente deveria encerrar a conversa ali, mas ainda havia mais uma pergunta que precisava fazer.
— Ah, mais uma coisa… — Lançando-lhe um olhar cauteloso, falou em voz baixa: — Você pode me contar… como são esses pesadelos?
Precisava entender o que ele estava passando. Se pudesse compreender mais do que ele experienciou, talvez pudesse encontrar uma razão — ou até uma forma de ajudá-lo. Não queria mais ficar presa nos pesadelos dele.
— Se você está nos meus pesadelos… — A voz de Cesare era casual, e Eileen sentiu um breve pânico de que ele talvez não respondesse. Prendeu a respiração, esperando. — São pesadelos que eu crio.
As palavras a pegaram de surpresa, deixando-a momentaneamente confusa.
— Como você pode …criar um sonho?
Não era a pergunta ideal para um momento tão sério. Eileen franziu a testa ao perceber sua ingenuidade, e Cesare soltou uma risadinha. Ao notar o próprio deslize, ela corou, um pouco envergonhada.
Mas só perguntara porque queria entendê-lo. Afinal, Cesare era a última pessoa a se apegar a sonhos e pesadelos.
— Com alguns sacrifícios.
Ele deu uma resposta que ela não compreendeu totalmente, lançou um olhar às bochechas coradas antes de continuar.
— Mesmo nos sonhos, você me dizia que morreria por mim. Caminhou até quem tentava te matar, encarando com aqueles olhos inocentes e dizendo para a pessoa prosseguir e acabar com isso…
Ele interrompeu a frase, um sorriso estranho cruzando seu rosto — não um sorriso de felicidade.
— Com esse olhar, quem teria coragem de te machucar? Eu fiz questão de que ninguém pudesse tirar sua vida além de mim.
Ele colocou a mão no pescoço dela, o toque leve mas intenso. Com uma voz calma e firme, ele disse:
— Então, eu te matei com minhas próprias mãos.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui