Ler O Marido Malvado – Capítulo 36 Online
Eileen engoliu os detalhes. Como poderia descrever o olhar de nojo da mãe, o brilho de raiva que fez uma tesoura voar em direção aos seus olhos?
— Quase tive meu olho furado, —murmurou, com a lembrança pesando em sua voz.
Diego deve ter percebido que ela estava escondendo a verdade, mas não insistiu. Enquanto bebia seu leite em silêncio, Eileen perguntou num tom cansado:
— Sr. Diego, você não tem medo de nada?
— Claro que tenho. Eu também tenho meus temores.
Naturalmente, ela pensou que era apenas uma mentira para confortá-la. Mas Diego, com o olhar firme, continuou:
— Eu tinha medo da derrota.
— Derrota?
— Sim… Treinamos, fazemos estratégias, lutamos… mas às vezes, não importa o que façamos, perdemos, de novo e de novo.— Ele passou a mão pelos cabelos, um gesto breve que reforçava o peso das palavras.
— O medo ele sufoca. A visão dos companheiros caindo, o peso opressor da perda, a escuridão sem fim à frente… — Sua voz sumiu, crua e sem filtros, expondo as feridas do passado.
— Foi um período muito difícil para mim, então fui superando aos poucos, mesmo quando parecia insuportável.
Ele riu brincalhão e puxou a própria orelha. Sem os acessórios, removidos devido ao trabalho, restavam apenas as marcas de múltiplos piercings.
— Fui fazendo tatuagens porque os piercings já não bastavam. Na época, eu não percebia, mas agora, olhando para trás…
Diego ponderou cuidadosamente suas palavras. Após refletir, escolheu o termo mais preciso para descrever suas ações.
— Uma forma de automutilação, — admitiu, com um toque de arrependimento na voz. A confissão pairou no ar, pegando Eileen completamente de surpresa. Ela o encarou, sem palavras, tentando conciliar o Diego brincalhão que conhecia com esse vislumbre de um passado sombrio.
— Mas está tudo bem agora. Ficou no passado.
Ele sorriu, indicando que não fazia mais piercings ou tatuagens. Eileen mordeu levemente os lábios e perguntou baixinho:
— Como… você superou?
— Eu reclamei. — Diego imitou o ato de choramingar, arrastando dois dedos sobre a mesa.
— Quando ficava difícil, eu reclamava com Lotan, Senon ou Michele, perguntando quando finalmente venceríamos. Aí, nos reuníamos para planejar como vencer. Eu até dizia que se não ganhássemos a próxima batalha, pediria demissão para o Grão-Duque. Depois disso, Vossa Graça sempre dava um jeito de nos fazer vencer.
Afirmando ter melhorado assim, Diego esticou os dedos que deslizavam na mesa e tocou levemente o copo que Eileen segurava.
— Quando jovem, achava que era o melhor do mundo, mas havia muitas coisas que não conseguia fazer sozinho…
Eileen observou o dedo dele tocar o copo, os lábios tremendo levemente.
— Sr Diego, eu… também quero mudar. — Ela confessou, revelando seu desejo constrangedor.
Diego, carinhoso, não zombou do sentimento dela. Em vez disso, ofereceu um conselho sincero:
— Que tal cortar a franja, como falamos no vestiário?
— Mas… meus olhos ainda não continuariam monstruosos?
— O quê?! Claro que não. Eu e o Grão-Duque adoramos seus olhos.
Pensando bem, Cesare tinha pedido para ver seus olhos no jardim, quando lhe pediu para levantar a franja. Mesmo ao vê-la descoberto, ele não demonstrou repulsa.
— Se você cortar a franja, Sua Graça vai gostar muito. — Disse Diego gentilmente, dando a Eileen um pouco de coragem. Mesmo que parecessem feios para ela, se Cesare gostava, então talvez valesse a pena. No entanto, havia um obstáculo.
— Mas eu estou com medo…
Só de imaginar a tesoura se aproximando, Eileen sentia dificuldade para respirar. Seu corpo tremia e a visão escurecia. Se Diego não estivesse lá, talvez tivesse desmaiado.
— Devo tomar um calmante antes de cortar? Tem um bem forte no laboratório… — Quando Eileen sugeriu o método drástico, Diego fez uma careta. Em silêncio pensativo, cruzou os braços e considerou o problema. Então, decidido, declarou:
— Vamos pedir ajuda ao Grão-Duque.
Próximos à residência do duque, Eileen seguia cautelosa. Puxando discretamente a manga de Diego, expressou sua preocupação:
— Isso é mesmo certo? Ele deve estar ocupado. Podemos mesmo encontrá-lo?
A dúvida a corroía. Talvez tudo pudesse ter sido resolvido no salão de beleza.
Em contraste, Diego estava confiante:
— Confie em mim. Ele com certeza a receberá.
Ele garantiu o encontro e ainda afirmou que o Grão-Duque ficaria feliz. Esse otimismo inabalável só deixava Eileen mais nervosa.
Mesmo com a hesitação dela, Diego conduziu o veículo militar até a residência. Os soldados no portão de ferro se puseram em posição de sentido e abriram caminho.
O veículo atravessou o jardim impecável, chegando à imponente mansão num instante. Assim que Diego ajudou Eileen a descer, os funcionários surgiram às pressas, surpresos com a visita inesperada.
— O Grão-Duque está disponível?
— Ele está no escritório.
Com passo firme, Diego avançou em direção ao escritório, Eileen seguindo ansiosa.
— Isso é mesmo certo? E se ele estiver ocupado com trabalho?
— Então ele está ocupado.
— Mas… e se ele ficar bravo…?
Diego a interrompeu, com um toque de diversão na voz.
— O Grão-Duque nunca ficaria bravo com você. Nem se o céu desabasse.
Ele fez uma pausa, com um brilho maroto nos olhos.
— Você já viu ele realmente bravo?
Um pequeno “Ah…” escapou dos lábios de Eileen. Nenhuma lembrança real surgiu. Um medo conhecido percorreu seu corpo.
— Vossa Graça, é o Diego.
Anunciou, já abrindo a porta do escritório antes de qualquer resposta. Fez um gesto para Eileen entrar, sua confiança que contrastava com a insegurança.
— E a senhorita Eileen está comigo.
Antes que ela pudesse cumprimentar, já estava diante de Cesare. Um suspiro surpreso escapou.
— A-ah, Vossa Graça.
Cesare, imerso em documentos, levantou a cabeça e olhou com surpresa, que rapidamente se transformou em algo mais afiado. Ele a observou por um longo momento, num silêncio tenso. Naquele instante, Eileen percebeu algo: ela nunca o tinha procurado por vontade própria. Sempre esperava ser chamada. Se não fosse por Diego, nunca ousaria vir sozinha.
Sentado à sua mesa de ébano, Cesare estreitou os olhos e largou a caneta com uma firmeza. Levantou-se com movimentos deliberados e se aproximou de Eileen. Depois de um exame demorado, sua mão agarrou seu queixo, as íris vermelhas mergulhando nas dela.
— Quem te perturbou? — Sua voz grave enviou uma onda de calor por ela. Sem palavras, Cesare parecia absorver sua inquietação, como se visse a raiz de seu medo.
Com o rosto preso entre os dedos dele, Eileen conseguiu responder num fio de voz, balançando levemente a cabeça:
— Ninguém.
— Então o que houve? Não gostou do vestido de noiva? Quer fazer outro?
Desespero cruzou o rosto de Eileen. Olhou para Diego, buscando ajuda. Ele apenas deu de ombros, fazendo um “X” com os braços, ela teria de enfrentar isso sozinha.
Sem mais como fugir, Eileen abriu a boca com hesitação:
— Eu quero… cortar minha franja…
— Você quer?
— Se Vossa Graça puder ajudar… É algo simples, só vai levar dez minutos.
Depois de muito esforço para não incomodar, Eileen finalmente fez seu pedido.
— Poderia ficar comigo enquanto corto o cabelo?
Continua…
Tradução Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado Yaoi Mangá Online
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante-Chefe Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui ❤️❤️❤️